HENRI SAUSSE

BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC

(Manuscrito Biográfico de Allan Kardec)

 

Conferência de Henri Sausse, quando da solenidade que os espíritas de Lyon (França) celebraram a 31 de Março de 1896, o 27.º aniversário do decesso de Allan Kardec.

Publicado na obra:
O que é o Espiritismo
por Allan Kardec

Tradução da Redação do Reformador

 

 

Título original da obra

Henri Sausse, Biographie d'Allan Kardec

Paris

Editions Jean Meyer (B.P.S)

8, Rue Copernic (16ª)

1927

Introdução da biografia:

Quando, em março 1896, surgiu-me repentinamente a ideia de uma breve nota biográfica de Allan Kardec, eu não tinha em mente mais que uma discussão a fazer, por ocasião do aniversário de 31 de março, com nossos amigos da Federação Espírita Lionense. Lionês, por adoção, e dirigindo-me a um público lionense, fiz este trabalho quase que exclusivamente do ponto de vista do público a que ele estava destinado.

Eu não tinha, além disso, a intenção de publicar esta discussão, que não foi editada, por conseguinte, senão pelas vivas instâncias de meus amigos. Tendo há muito esgotado a edição que, então, fiz, e depois de muitos pedidos, formei o projeto de fazer uma nova tiragem, mas completando, no meu melhor, as lacunas na primeira edição.

Para chegar a esse resultado, dirigi-me aos raros sobreviventes que tinham estado na intimidade do Mestre, mas seja porque suas memórias tenham sido infiéis, ou porque eles não tenham querido desenterrar as memórias antigas de quarenta anos, todos os meus esforços nesse sentido não surtiram efeito. Eu tive, então, que solicitar a uma outra fonte os elementos dos quais eu precisava para fazer uma biografia menos superficial do que no primeiro ensaio.

Uma coisa que sempre me doía e que constatei muitas vezes com pesar, durante os vinte e cinco anos em que eu, como presidente, dirigi os trabalhos da Sociedade Fraternal, é a indiferença dos espíritas quanto à leitura dos primeiros anos da Revista Espírita. De 1858 a 1869, Allan Kardec iniciou as estruturas fundamentais da Doutrina Espírita, onde sempre sentimos correr abundantemente a fé ardente, a convicção profunda que o animava; fé e convicção que ele sabia tornar tão comunicativas.

Acredita-se, mas de forma errada, que estes escritos envelheceram, que já não são mais da atualidade, que tendo a ideia caminhado a passos de gigante, essa leitura hoje não oferece nenhum interesse. Erro profundo, tanto quanto lamentável. Não, os escritos de Allan Kardec não envelheceram, não caducaram, ao contrário, eles conservaram toda a sua força, todo o seu propósito, e em sua clareza cristalina, eles são, mais do que nunca, atuais.

Que preceitos sábios, que conselhos prudentes e esclarecedores, exemplos verdadeiros transbordam nesses doze primeiros anos da Revista Espírita e quanto, em minha opinião, erramos ao negligenciar esta fonte de informações sobre todos os pontos que podem nos preocupar, no que se refere à doutrina espírita.

Para buscar informações sobre Allan Kardec, eu acabo de refazer esta peregrinação reconfortante, o que quer dizer que acabo de reler essas páginas onde o Mestre traçou, diariamente, instigado por eventos, seus pensamentos íntimos, suas reflexões tão criteriosas, seus conselhos tão claros, tão precisos, tão metódicos.

A cada linha destas páginas sente-se vibrar a alma do autor e em uma clara irradiação, Allan Kardec mostra-se a si mesmo como sempre foi: bom, generoso, gentil com todos, até com seus inimigos; sem sucesso, tentaram atacá-lo, diminuí-lo, caluniá-lo; ele permanece tolerante e calmo, respondendo com argumentos irrefutáveis aos ataques contra a doutrina espírita, mas parecendo ignorar os insultos e maldades, que, por todos os lados, chegavam a seu endereço pessoal.

É relendo essas páginas que eu pude melhor compreender e admirar Allan Kardec; e é reproduzindo as pérolas, as jóias, os diamantes que se encontram nesse rico material, que será mais fácil fazer com que o conheçam melhor: assim, esta biografia vai se tornar uma autobiografia, onde, por extratos obtidos da vida, Allan Kardec, de alguma forma , virá a pintar-se e a revelar-se como sempre foi: pensador profundo, leal, metódico, escritor alerta e preciso, espírito esclarecido tanto quanto confiante, afável e tolerante, e sempre se esforçando para regrar sua conduta sob seus princípios, que ele ensina aos outros com a própria prática.

Este é o homem que deu ao Espiritismo seu belo lema: Fora da caridade não há salvação! Este lema, ele não somente o proclama como o coloca em prática, e seu único desejo é ver regrar também a conduta de todos aqueles que se dizem e se acreditam espíritas.

Meu único mérito neste novo estudo sobre Allan Kardec se reduz, portanto, a um trabalho de copista. Tendo sido seduzido pela verdade, pela grandeza, pela beleza de alguns dos ensinamentos do Mestre, entendi que eu poderia extrai-los dos doze volumes em que estão inseridos para submetê-los a meus irmãos e irmãs na fé, sem outra pretensão e sem outro desejo que não o de fazer com que eles os admirem, a seu turno.

Embora este estudo não se dirija mais especialmente aos espíritas lionenses, recordando o motivo que me havia guiado em meu primeiro trabalho, eu não creio dever modificar seu início.

Lyon, 31 de março de 1909

Henri Sausse

Carta rara de Allan Kardec com o pedido de autorização para a fundação do primeiro Centro Espírita do mundo, que foi fundado em 1º de abril de 1858, e dirigido por Allan Kardec.

Ao Sr. Prefeito de Polícia da cidade de Paris. Sr. Prefeito: Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, temos a honra de pedir-vos que consintais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor.

H. L. D. Rivail, dito Allan Kardec.

Rua dos Mártires nº 8

Palais Royal

O Palais Royal, um dos mais importantes edifícios históricos de Paris, situa-se ao lado da ala norte do Louvre.

Palais Royal - Galerie d’Orléans

18 de abril de 1857 marcou o nascimento “oficial” do Espiritismo: foi apresentada aos parisienses a primeira edição de O Livro dos Espíritos. O lançamento aconteceu na Livraria E. Dentu. Endereço: Galerie d’Orléans, nº 13, Palais Royal.

Palais Royal - Galerie Valois

No dia 1 de abril de 1858, Allan Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que realizou suas atividades durante dois anos, provisoriamente, na Galerie Valois e depois Galerie Montpensier, localizadas nos prédios do Palais Royal.

Palais Royal - Galerie Montpensier

A Sociedade Espírita esteve na Galerie de Valois durante um ano. Em 1859, transferiu-se para outro local: o mesmo Palais Royal, mas agora na Galerie Montpensier, nº 12.

Rue Sainte Anne: Allan Kardec transferiu a sede da SPEE para essa rua, na Passagem Saint Anne, localizada no número 59, a partir de 1860. Também passou a residir nesse local, para onde transferiu também o escritório da "Revista Espírita".

Rue de Lille: Local para onde foi transferida a Livraria Espírita e o escritório da Revista Espírita, em 1869. Essa rua é uma das laterais do famoso Museu D'Orsay. Allan Kardec desencarnou enquanto fazia as arrumações para a mudança, no dia 31 de março do mesmo ano.

Ver no site o Sumários das Revistas Espíritas (1858 - 1869) Publicadas sobre Orientação de Allan Kardec

Fontes: Le Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec (Henri Sausse Biographie d'Allan Kardec)

Fontes: César Perri - GEECX - Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier

"Nada deterá o Espiritismo em sua marcha, porque ele é a verdade. E não vai longe o dia em que a Humanidade inteira verá em Allan Kardec um precursor, um renovador do pensamento moderno, acabando por lhe prestar as homenagens devidas à sua memória."

Léon Denis "Henri Sausse - Biografia de Allan Kardec"

"Uma coisa que sempre me doía e que constatei muitas vezes com pesar, durante os vinte e cinco anos em que eu, como presidente, dirigi os trabalhos da Sociedade Fraternal, é a indiferença dos espíritas quanto à leitura dos primeiros anos da Revista Espírita. De 1858 a 1869, Allan Kardec iniciou as estruturas fundamentais da Doutrina Espírita, onde sempre sentimos correr abundantemente a fé ardente, a convicção profunda que o animava; fé e convicção que ele sabia tornar tão comunicativas.

Acredita-se, mas de forma errada, que estes escritos envelheceram, que já não são mais da atualidade, que tendo a ideia caminhado a passos de gigante, essa leitura hoje não oferece nenhum interesse. Erro profundo, tanto quanto lamentável. Não, os escritos de Allan Kardec não envelheceram, não caducaram, ao contrário, eles conservaram toda a sua força, todo o seu propósito, e em sua clareza cristalina, eles são, mais do que nunca, atuais."

Henri Sausse "Biografia de Allan Kardec"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Henri Sausse - Biografia de Allan Kardec PDF

 

Henri Sausse - Biographie d'Allan Kardec - 4ª Édition (1927) (Fr)