ALLAN KARDEC

O LIVRO DOS MÉDIUNS

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ALLAN KARDEC - Le Livre des Médium

DIDIER ET COMPAGNIE, LEDOYEN

PARIS (1861)

Sinopse da obra:

Esta é a segunda das cinco obras que constituem a Codificação da Doutrina Espírita. Reúne “o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo”. Apresenta ainda, na parte final, precioso vocabulário básico espírita.

De leitura e consulta indispensável para os espíritas, este livro será sempre uma preciosa fonte de conhecimento também para qualquer pessoa indagadora e atenta ao fenômeno mediúnico, que se manifesta crescentemente no mundo inteiro, dentro ou fora das atividades espíritas. Sendo os homens parte integrante do intercâmbio entre os dois planos da vida, o material e o espiritual, o melhor é que conheçamos, e bem, os mecanismos desse relacionamento. "O Livro dos Médiuns" é o manual mais seguro para todos os que se dedicam às atividades de comunicação com o mundo espiritual.

Temas doutrinários:

MANUAL DE INSTRUÇÕES

Em janeiro de 1861, Kardec anunciou o lançamento de uma nova obra: O livro dos médiuns, um guia prático destinado aos interessados em desenvolver as aptidões mediúnicas, decifrar os mecanismos de comunicação com o além ou desvendar fraudes por trás de supostos intercâmbios sobrenaturais.

Se O livro dos espíritos era uma obra filosófica, este era um manual de instruções. O subtítulo, mais uma vez, buscava ser o mais esclarecedor e atraente possível:

Guia dos Médiuns e dos Evocadores — Ensino especial dos espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do espiritismo... constituindo o seguimento d’O livro dos espíritos.

Em um dos capítulos do novo livro — intitulado “Do charlatanismo e do embuste” —, Kardec listava uma série de artifícios usados por falsos médiuns para trapacear. No topo do ranking de manifestações mais enganadoras, estariam, segundo ele, os fenômenos físicos — “porque impressionam mais a vista do que a inteligência”.

Levitações, giros de mesas, pancadas inexplicáveis, aparições — era preciso estar atento ao risco de farsas em espetáculos como estes, sujeitos ao “emprego de tramóias e do compadrio”:

A fraude se insinua por toda parte e sabemos que, com habilidade, até mesmo uma cesta pode ser dirigida à vontade, com todas as aparências dos movimentos espontâneos.

O único antídoto contra tanta enganação seria, de acordo com Kardec, a análise do conteúdo — e do propósito — das comunicações do além. Muitas mensagens, insistia, estariam muito acima das capacidades ou conhecimentos de determinados médiuns:

Reconhecemos que o charlatanismo dispõe de grande habilidade e vastos recursos, mas ainda lhe não descobrimos o dom de dar saber a um ignorante, nem espírito a quem não o tenha...

Outro cuidado fundamental aos que quisessem percorrer este território nebuloso — e tão sujeito a farsas — era o de agir como um observador cuidadoso das circunstâncias e do comportamento dos envolvidos em cada manifestação do “mundo invisível”:

Julgamos que se deve desconfiar de quem quer que faça desses fenômenos um espetáculo ou objeto de curiosidade e de divertimento, e que pretenda produzi-los à sua vontade (...).

O verdadeiro espiritismo jamais se dará em espetáculo, nem subirá ao tablado das feiras.

Kardec estava preocupado com a quantidade de curiosos ávidos por testemunhar maravilhas do outro mundo, e cava impressionado com o número de pessoas dedicadas a repousar os dedos sobre uma mesa, na esperança de vê-la girar, ou a equilibrar o lápis sobre o papel, na expectativa de vê-lo preencher páginas em branco com mensagens do além. Um prato cheio aos oportunistas e um risco à credibilidade da doutrina.

Era preciso muito estudo para entender os limites e objetivos desse intercâmbio — ele afirmava, com frequência cada vez maior, em conversas com médiuns ou candidatos a médiuns.

Todos carregaríamos, sim, o “gérmen da mediunidade” dentro de nós, mas nem todos estariam aptos a emprestar seu corpo e sua voz aos mortos. Kardec, por exemplo, nunca conseguiu fazer contato direto com espíritos, sem a intervenção de médiuns. Por quê? Uma passagem do novo livro comparava a mediunidade a dons artísticos:

As regras da poesia, da pintura e da música não fazem que se tornem poetas, pintores ou músicos os que não têm o gênio de alguma dessas artes.

Era preciso estudar a fundo a nova ciência e a nova filosofia e era preciso também tomar cuidado com os homens... e com os espíritos — ele repetia.

A confiança cega nessa superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitos, a causa de não poucas decepções. Esses aprenderão à sua custa a desconfiar de certos espíritos, tanto quanto de certos homens.

Em reunião na sede da Sociedade, a 5 de abril de 1861, Kardec exigiria assiduidade e perseverança dos companheiros de doutrina, e condenaria, mais uma vez, a presença de ouvintes eventuais nas sessões:

— A verdadeira convicção só se adquire pela leitura, pela reflexão e por uma observação contínua, e não assistindo a uma ou duas sessões, por mais interessantes que sejam.

A estratégia estava funcionando. A cada dia, aumentava o número de espíritas convertidos não graças ao testemunho de fenômenos mágicos, mas ao estudo de O livro dos espíritos.

— Eis por que dizemos: estudai primeiro e vede depois, porque compreendereis melhor.

No longo discurso aos companheiros de Sociedade, Kardec não recorreria a conselhos espirituais ou a mensagens do além para defender seus pontos de vista:

— Antes de instruir os outros, quisemos nós próprios nos instruir. O espiritismo é uma ciência e, como qualquer outra ciência, não se aprende brincando.

Além disso, era preciso tratar com respeito os visitantes invisíveis:

— Tomar as almas que se foram como assunto para distração seria faltar ao respeito a que fazem jus: especular sobre sua presença e sua intervenção seria impiedade e profanação.

Protegido dos olhares curiosos, um novo espírito logo se manifestaria, por escrito, na sede da Sociedade Espírita.

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

Apresentação de Allan Kardec:

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

O Livro dos Médiuns

Por ALLAN KARDEC

 

O Livro dos Médiuns

Anunciada há muito tempo, mas com a publicação retardada em virtude de sua própria importância, esta obra aparecerá entre os dias 5 e 10 de janeiro, na livraria do Sr. Didier, nosso editor, localizada no Quai des Augustins, 35. n Representa o complemento de O Livro dos Espíritos e encerra a parte experimental do Espiritismo, assim como este último contém a parte filosófica.

Fruto de longa experiência e de laboriosos estudos, nesse trabalho procuramos esclarecer todas as questões que se ligam à prática das manifestações. De acordo com os Espíritos, contém a explicação teórica dos diversos fenômenos, bem como das condições em que os mesmos se podem reproduzir. Não obstante, sobretudo a matéria relativa ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade mereceu de nossa parte uma atenção toda especial.

O Espiritismo experimental é cercado de muito mais dificuldades do que geralmente se pensa, e os escolhos aí encontrados são numerosos. É isso que ocasiona tantas decepções aos que dele se ocupam, sem a experiência e os conhecimentos necessários. Nosso objetivo foi o de prevenir contra esses escolhos, que nem sempre deixam de apresentar inconvenientes para quem se aventure sem prudência por esse terreno novo. Não podíamos negligenciar um ponto tão capital, e o tratamos com o cuidado que a sua importância reclama.

Os inconvenientes quase sempre se originam da leviandade com que é tratado problema tão sério. Sejam quais forem, os Espíritos são as almas dos que viveram, no meio das quais estaremos infalivelmente, de um momento para outro. Todas as manifestações espíritas, inteligentes ou não, têm, pois, por objeto, pôr-nos em contato com essas mesmas almas; se respeitamos os seus restos mortais, com mais forte razão devemos respeitar o ser inteligente que sobrevive e que constitui a sua verdadeira individualidade. Fazer das manifestações uma brincadeira é faltar com o respeito que talvez amanhã reclamaremos para nós mesmos, e que jamais é violado impunemente.

O primeiro momento de curiosidade causado por esses estranhos fenômenos já passou. Hoje, que se lhes conhece a fonte, guardemo-nos de profaná-la com brincadeiras descabidas e nos esforcemos por nela haurir o ensinamento apropriado que nos assegurará a felicidade futura. O campo é muito vasto e o objetivo por demais importante para cativar toda a nossa atenção. Até hoje, todos os nossos esforços tenderam para fazer o Espiritismo entrar neste caminho sério. Se esta nova obra, tornando-o ainda mais bem conhecido, puder contribuir para impedir que o desviem de sua destinação providencial, estaremos amplamente recompensados de nossos cuidados e de nossas vigílias.

Não negamos que esse trabalho suscitará mais de uma crítica da parte daqueles a quem incomoda a severidade dos princípios, bem como dos que, vendo as coisas de um outro ponto de vista, já nos acusam de querer fazer escola no Espiritismo. Se fazer escola é procurar nesta ciência um fim útil e proveitoso para a Humanidade, teríamos o direito de nos sentir envaidecidos com essa acusação. Mas uma tal escola não necessita de outro chefe que não seja o bom-senso das massas e a sabedoria dos bons Espíritos, que a teriam criado sem a nossa participação. Eis por que declinamos da honra de a ter fundado, felizes de nos colocarmos sob a sua bandeira, não aspirando senão o modesto título de propagador. Se for necessário um nome, inscreveremos em seu frontispício: Escola de Espiritismo Moral e Filosófico, e para ela convidaremos todos quantos têm necessidade de esperanças e de consolações.

(Allan Kardec - Revista Espírita de Janeiro de 1861)

Artigos Espíritas Paulo Neto (Todos nós somos médiuns)

Fontes: Portal O Livro dos Médiuns

"Os espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo - mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam"

Allan Kardec "Codificador da Doutrina Espírita"

 

 

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Allan Kardec - Le Livre des Médium - 6ª Éditions (1863)