JORGE HESSEN

CONTEXTUALIZAÇÕES ESPIRITISTAS

(QUESTÕES DOUTRINÁRIAS - À LUZ DO ESPIRITISMO)

Prefácio:

EM TORNO DA IMORTALIDADE

Quando Allan Kardec fundou a Sociedade Espírita de Paris, e em seguida "La Revue Spirite" - a "Revista Espírita", que já completou 79 anos de existência, o grande prelado francês, Abade Marouzeau, escreveu-lhe uma carta na qual se salienta o seguinte trecho:

- "Mostrai ao homem que ele é imortal: Nada vos pode melhor secundar nessa nobre tarefa do que a constatação dos Espíritos do Além-Túmulo e as suas manifestações. Só assim vireis em auxílio da Religião, empenhando ao seu lado os combates de Deus"

Quão inspirado estava esse homem, e como ele se achava assistido pelo Espírito Santo, ao traçar tão sábias linhas!

O que seria a Religião sem a imortalidade?!

A Imortalidade da alma é à base de todos os grandes e nobres ideais. Ciência, Virtude, Filosofia, Moral, tudo o que harmoniza e exalta, tudo o que vivifica e enaltece, sem a Imortalidade é o mesmo que um dia sem sol, que uma noite sem estrelas.

A imortalidade é a luz do nosso ideal, é a hercúlea constelação das nossas mais nobres aspirações, dos nossos mais justos desejos, é o fundamento e a cúpula do edifício de toda a Religião e de todo o Saber, é a senda que nos conduz, de ascensão em ascensão, para estágios mais prósperos, mais belos e mais felizes, numa contínua aproximação a Deus.

Mas vós me perguntareis: - "Porventura as religiões existentes, não pregam a Imortalidade? Elas não nos dizem que a alma tem que dar contas a Deus do seu procedimento na Terra?"

Dizem sim, meus ouvintes, mas se escusam de nos fornecer as provas que solicitamos. E na hora atual, neste século de progresso e de grandes perturbações físicas e morais, em que o homem se tornou o lobo do homem, em que as chacinas se multiplicam, a fé na imortalidade parece quase extinta do coração humano, e, como disse o filósofo:

"Os fiéis lançam nos túmulos os seus mortos, e com as marteladas a pregar o esquife, a dúvida sombria lhes pesa na alma e a confrange", são necessárias, essas provas, para deterem o ímpeto do ímpio, e torná-lo mais humilde e fraterno, mais fortalecido e consolado.

De outro lado às doutrinas materialistas tudo têm solapado. A ciência oficial diz que "o homem não passa de um agregado de células, que se extingue com a morte."

No combate aos dogmas e artigos de fé, decretados pelas Igrejas, os filósofos e sábios materialistas, conseguiram abalar o edifício religioso e estabelecer a desconfiança e até a descrença nas massas, que por falta de um cultivo espiritual não puderam reagir contra a derrocada.

Depois que Karl Vogt afirmou que o pensamento era uma secreção do cérebro, e Leucipe e Epicuro, que a alma era incapaz de sobreviver à morte do corpo; - depois que Locke, Condillac, Helvetius, assim como Buckner, Moleschot e Hoeckel, apresentaram suas doutrinas ao mundo, a treva se fez entre a humanidade.

E não valeram os trabalhos substanciosos de Aristóteles, o príncipe dos filósofos, de S. Tomas de Aquino, o anjo da escola, e os de Descartes, o grande fundador da doutrina cartesiana; a onda niilista se avolumava cada vez mais.

Foi em tais conjunturas que se fizeram sentir no nosso mundo, as manifestações espíritas; os "mortos" começaram a falar ostensivamente em toda a parte, para nos provar que aqueles príncipes da ciência materialista, aplaudidos pelos homens intelectuais de então, se haviam acertado em alguns pontos da verdade, estavam em erro na parte referente à constituição humana e o nosso destino depois da morte.

O que a doutrina filosófica dos Espiritualistas não pôde fazer, os que chamamos "mortos" vieram fazer por meio de fenômenos, por meio de fatos irrefragáveis, inconcussos que ninguém pode negar.

Foi assim que teve início no nosso planeta, a Era Espírita, o erguimento da Religião pelos fatos, a reivindicação do Cristianismo pelos fatos, pela aparição e comunicação dos chamados "mortos".

Esses fatos, como disse, verificados em todos os países e observados por homens de todas as classes sociais, comparados com os fenômenos ocorridos em tempos idos e relatados na história de todos os povos, provam à saciedade, que o homem não termina no túmulo, e que - "se este, como disse Victor Hugo, é o crepúsculo de uma vida, é também a aurora de outra."

As demonstrações espíritas da sobrevivência, pelas aparições e comunicações dos Espíritos, aparecem sob todos os aspectos para que fique claramente elucidado - "não ser a alma humana uma coisa vaga, abstrata, mas sim um ser concreto, possuindo um organismo físico perfeitamente delimitado, portador de todas as aquisições morais e intelectuais, e dotado dos atributos necessários às demonstrações da ciência e da moral, principais insígnias da civilização e do progresso."

Que outras provas podemos exigir da imortalidade dos nossos parentes e amigos, senão que eles próprios venham nos trazer sua ficha de identidade? Que outros testemunhos lhes podemos pedir, senão que falem, cantem, sorriem, como faziam quando se achavam conosco?

Pois bem, essas provas positivas da existência da alma depois da morte, nós as temos, graças à nova ciência que se chama: Espiritismo.

Cairbar Schutel - Terceira Conferência - A 17 de setembro de 1936

Fontes: Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (Doação e Transplante de orgãos)

Fontes: Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (No Reino de Momo a Carne Nada Vale)

"A reencarnação é, portanto, uma lei. As diversas reencarnações são etapas da existência da alma, ao mesmo tempo em que as fases das provas que são indispensáveis ao seu avanço.

A cada reencarnação, o espírito revestindo de órgãos novos perde momentaneamente a lembrança de suas existências passadas - que encontrará, por outro lado intacta desde que libertado de sua prisão carnal -, mas há uma coisa que ele explica, ou antes, que seu perispirito implica e conserva com ele, trata-se da marca especial que constitui a sua personalidade, a impressão indelével que lhe deixaram suas qualidades e seus defeitos, seus trabalhos, suas lutas, suas provas e todas as suas aquisições anteriores."

Como dissemos acima, Paul Puvis, conhecido como o pseudônimo de Algol; foi um batalhador da primeira hora e um dos primeiros membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas fundada por Allan Kardec.
 

 

RELAÇÕES DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo (Cap. X - Bem-Aventurados os Misericordiosos)

 

Jorge Hessen - Contextualizações Espiritistas