Jorge Hessen

 

Esparzindo juízos kardecistas

(QUESTÕES DOUTRINÁRIAS - À LUZ DO ESPIRITISMO)

Apresentação do tema:

O Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples; da visita e socorro aos desprovidos de bens materiais, da distribuição da roupa, do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar. O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem jamais perder a simplicidade que a caracteriza como revelação.

Reafirmamos sempre que o movimento Espírita institucionalizado e “oficial” se estrutura sob direção hierarquizado, elitista, mercantilista e vocação vaticanista de infalibilidade. O que os Espíritas precisam é observar, com mais critério, os fundamentos doutrinários que nos impele à íntima reforma moral.

Nessa tarefa, individual, intransferível e impostergável, está a nossa melhor e obrigatória colaboração para com o avanço moral do Planeta em que vivemos, pois, moralizando-se cada unidade, moraliza-se o conjunto.

Um grande exemplo de espírita que viveu Chico Xavier longe do chamado Espiritismo institucionalizado e “oficial”. Que alertava sempre sobre a necessidade da preservação do Espiritismo tal qual nos entregaram os Mensageiros do amor, bebendo-lhe a água pura, sem macular-lhe a cristalina fonte.

O filho de Pedro Leopoldo lembrava que o Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do espírita pobre e desempregado, que hoje não pode pagar taxas exorbitantes para ingressar nos pomposos eventos. O Espiritismo desejável é aquele dos idosos, das crianças, da natureza, do “céu aberto” ou debaixo das árvores. Por que não?

Chico Xavier, em 1977, recomendou - “É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (…) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (…). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (…).” [1]

Por enquanto aceitemos (até certo ponto) os congressos, simpósios, seminários, encontros que ajudam na divulgação e na troca de experiências doutrinárias, mas não podemos esquecer que a Doutrina Espírita não se tranca nos salões luxuosos, não se enclausura nos anfiteatros suntuosos e nem se escraviza à liderança “oficial” institucionalizada.

À semelhança do Cristianismo dos tempos apostólicos, o Espiritismo pertence aos Centros Espíritas simples, muitos deles localizados nas periferias das grandes cidades, nos morros, nas favelas, nos subúrbios.

Ainda bem que há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Graças a esses Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec.

A liderança “oficial” do movimento espírita brasileiro não acompanha a expansão da base, ou seja, dos centros espíritas (não estou fazendo referências aos majestosos centros espíritas soberbos). Há muito a ser realizado para a compreensão da união entre os espíritas – como laço moral, solidário e espiritual.

O respeito à diversidade das situações e condições dos centros espíritas, e o conhecimento dessas realidades para o melhor atendimento e apoio às reais demandas das diversificadas instituições. O trabalho de união deve ser constantemente adequado às bases do movimento, ou seja-os legítimos centros espíritas.

Em suma, reafirmamos que o progresso da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio de lideranças institucionalizadas , prepotentes, hierarquizadas, místicas e mercantilistas à semelhança dos vendilhões do templo.

O grande desafio será difundir o Espiritismo gradualmente através do intercâmbio fraterno na casa espírita humilde através do “boca a boca”, “pessoa a pessoa”, “consciência a consciência”, “ombro a ombro”, sem absoluta necessidade das algemas burocráticas de instituições federativas e lideranças “oficiais” que se apropriaram do Movimento doutrinário com precários lastros de amor , desprendimento e humildade.

Pensemos nisso!

Referência:

[1] Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M. C. Arantes, Editora IDE/SP/1979

Fontes: Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (Médico de Si Próprio)

Fontes: Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (Resgates coletivos ante a lei de causa e efeito)

"Vereis se formarem reuniões espíritas, cujo objetivo declarado será a defesa da doutrina, e o secreto será a sua destruição; supostos médiuns terão as comunicações de comando apropriadas ao oculto objetivo que se propõem; publicações que, sob o manto do espiritismo, se esforçarão por demoli-lo; doutrinas que lhe emprestarão algumas ideias, mas com o pensamento de suplantá-lo. Eis a luta, a verdadeira luta a ser sustentada, e que será perseguida com obstinação, mas da qual sairá vitorioso o mais forte."

Allan Kardec

Revista Espírita de Agosto de 1867

Em 1867, por meio de um médium em profundo estado sonambúlico, Kardec ouviu dos espíritos uma longa narrativa profética dos planos traçados para tentar destruir o doutrina espírita.

 

RELAÇÕES DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo (Cap. XV - Fora da Caridade Não Há Salvação)

 

Jorge Hessen - Esparzindo Juízos Kardecistas