JORGE HESSEN

 Puritanos e Vendilhões

(QUESTÕES DOUTRINÁRIAS - À LUZ DO ESPIRITISMO)

Prefácio:

A Moral Mediúnica não se impõe de maneira coercitiva ou ao tilintar das moedas, esclarece Herculano Pires.(1) Só existe realmente uma maneira de se conseguir passaporte para o “Céu”: a prática da caridade cristã humilde, silenciosa e secreta, sem alardes e intenções mercenárias. Esse é um dos princípios mais exigentes da Moral Mediúnica, que substitui o sacerdócio remunerado pelo mediunato gratuito.

Portanto, o Médium não pode vender o que não é dele, não pode extorquir dinheiro do próximo.

A gratuidade estabelecida por Kardec na prática espírita tornou-se o princípio básico da ética doutrinária, fundamentada nos Evangelhos. O médium, o orador, o doutrinador, todos os que dão assistência espiritual individualmente, em sentido religioso nada podem cobrar.

Obviamente longe do campo espiritual e religioso não existe o princípio da gratuidade. Mas na prática espírita deve prevalecer o dar de graça o que de graça recebemos.

A finalidade desse princípio é evitar a institucionalização religiosa do Espiritismo em forma de igreja, evitar o comércio religioso, a simonia das igrejas. Porque um orador pago ou um médium pago expõe-se à tentação de transformar a doutrina em meio de vida. Dessa tentação pode nascer a profissionalização religiosa, que acabaria subordinando a própria doutrina aos interesses financeiros.

Onde entra o lucro e o interesse pessoal, desaparece a abnegação e com ela a mais alta virtude espírita que é a doação de si mesmo em favor da causa humanitária. Não se trata de um princípio religioso, mas de uma medida ética em defesa da pureza da prática espírita.

O homem sofre a hipnose da moeda, o dinheiro o alucina e o transforma em desonesto. São poucos os que resistem a esse poder do dinheiro, que na verdade não está no dinheiro mas na alma gananciosa e vaidosa. Há casos espantosos de instituições que se enriqueceram e esqueceram as suas próprias finalidades, transformando-se em verdadeiras casas comerciais, onde o interesse financeiro se sobrepõe aos interesses sagrados da doutrina.

Felizmente a maioria dos médiuns têm resistido a essas tentações e triunfado dignamente. Obviamente não se pode manter um hospital, uma creche, um orfanato espírita, sem a contratação de profissionais de várias categorias, espíritas ou não, que darão a sua força de trabalho devidamente remunerada.

Mesmo nesses casos há gestos de abnegação de espíritas que se dedicam à execução de serviços gratuitos, muitas vezes recebendo o salário e devolvendo-o no todo ou em parte aos cofres da instituição como doação. Não estão obrigados a isso, mas o fazem na intenção de melhor colaborar com as instituições, convictos da sua importância e necessidade.

São Paulo, 05 de julho de 2011

Irmãos W e Jorge Hessen

Referência:

(1) Pires J. Herculano. MEDIUNIDADE - (Vida e Comunicação) - Conceituação da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais, Cap. 9, São Paulo: EDICEL, 1984.

Fontes: Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (O vício ante as garras insaciáveis do parasitismo espiritual)

Fontes: Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (O Espiritismo Na Era Digital, Uma Realidade Irreversível)

"Obrigação principal do espírita é zelar pelo seu tesouro: a Doutrina Espírita. Mas, para isso, ele deve estudá-la, conhecê-la bem, pois, do contrário, como haverá de zelar por ela? O Espiritismo não é apenas uma eclosão mediúnica, não é somente manifestações de espíritos. É a Doutrina do Consolador, do Espírito da Verdade, do Paráclito, prometida e enviada pelo Cristo para nos orientar."

Herculano Pires "O zelador da Doutrina Espírita"

"Os Espíritos enganadores sabem perfeitamente a quem se dirigem. Há pessoas simples e pouco instruídas mais difíceis de enganar do que outras, que têm finura e saber. Lisonjeando-lhes as paixões, fazem eles do homem o que querem."

"Allan Kardec - Livro dos Médiuns, item 268, 26a."

 

RELAÇÕES DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo (Cap. XV - Fora da caridade não há salvação)

 

  Jorge Hessen - Puritanos e Vendilhões