Flamas Temáticas

QUESTÕES DOUTRINÁRIAS - À LUZ DO ESPIRITISMO

(JORGE HESSEN)

Prefácio:

Registramos aqui, à guisa de preâmbulo, inolvidáveis “Conselhos , Reflexões e Máximas” (1) propostos por Allan Kardec, ponderando sobre a formação de um legítimo grupo espírita. O desígnio dessa montagem , segundo o conspícuo lionês, deve ser assegurado com o imprescindível concurso de espíritas sinceros, conciliadores e benevolentes. Com esses atributos será estabelecido regras precisas para as admissões de novos adeptos. A primeira condição a fixar é a exigência do estudo metódico preliminar das obras básicas. A segunda é o engajamento formal ao grupo para os candidatos a dirigentes. Já para os frequentadores se pode ser menos rigoroso, entretanto por prudência é importante se assegurar das disposições destes iniciantes e, sem exceção, afastar os curiosos e os que tem motivação frívola na casa espírita.

Todo sucesso de um grupo espírita depende do ponto de partida de sua fundação, isto é, da composição dos grupos pioneiros. Se eles forem formados de bons espíritas, serão tantas boas raízes que darão bons brotos. Se, ao contrário, são formados de pessoas contestadoras e desarmônicas, de espíritas confusos, que se escravizam mais da forma que do fundo, e que consideram a moral como a parte acessória e secundária, inevitavelmente haverá disputas importunas e sem epílogo, melindres de suscetibilidades, seguida de conflitos precursores da desordem e desmantelamento do grupo.

Há colossais centros espíritas com numerosos médiuns e frequentadores e obviamente eles têm sua razão de ser do ponto de vista da propaganda, mas, para os estudos sérios do Espiritismo, é preferível se fazer uso dos grupos (menores) íntimos. Todavia, qualquer que seja a natureza da reunião, quer com muitos médiuns ou não, as condições que deve preencher para atender o objetivo são as mesmas e estas condições são explanadas no Livro dos Médiuns nº 341. (2)

Adverte Kardec que um capricho bastante frequente com alguns novos adeptos é o de crer se passarem a mestres após alguns poucos meses de estudo. Ora, o conhecimento do Espiritismo não se pode adquirir senão com o decorrer de muito tempo de estudos continuados. Há nessa pretensão de tais sabichões o não ter mais necessidade dos conselhos de outrem e de se crer acima de todos, uma prova inconteste de incompetência, pois que fracassa em um dos preceitos primeiros da Doutrina: a modéstia e a humildade.

Quando os obsessores encontram semelhantes disposições em alguns espíritas vaidosos, eles não falham em os superexcitar, distrair e persuadir de que somente eles possuem a verdade. É um dos escolhos que se pode encontrar, e contra o qual há de se prevenir, acrescentando que não é suficiente se dizer Espírita para se dizer Cristão: é preciso prová-lo pela prática. Notando aqui que o Espiritismo, tendo por objetivo a melhoria dos homens, não vem em absoluto buscar os que são perfeitos, mas aqueles que se esforçam por se transformar colocando em prática os ensinos dos Espíritos.

Sobre isso narra em O Evangelho Segundo o Espiritismo no Capítulo 17 , item 4, que se “reconhece o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para dominar as suas más tendências. (3) O verdadeiro Espírita não é aquele que chegou ao objetivo, mas é aquele que quer seriamente atingi-lo. Quaisquer que sejam então seus antecedentes, ele será um bom espírita desde que reconheça suas imperfeições e que seja sincero e perseverante em seu desejo de se corrigir.

Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, colocando um freio às paixões más; Será ainda o avanço moral, secundado aqui pelo progresso da inteligência, que reunirá os homens numa mesma crença estabelecida sobre as verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em por isso, aceita por todos. Daí infere-se que a unidade espírita será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, ferida desde todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem ver no próximo inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados, em vez de irmãos a serem amados.

São Paulo, 04 de janeiro de 2013

Irmãos W. e Jorge Hessen

Referência bibliográfica:

(1) Kardec, Allan. Conselhos Reflexões e Máximas de Allan Kardec: Editora Le Centre Spirite Lionnais Allan Kardec

(2) Kardec, Allan. O livro dos Médiuns, item nº 341, Rio de janeiro: Ed. FEB, 1990

(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo no Capítulo 17 , item 4, Rio de janeiro: Ed. FEB, 2000

Ver O Centro Espírita Joana D'arc entrevistou Jorge Hessen

"No desempenho da sua função, o Centro Espírita é sobretudo, um centro de serviços ao próximo, no plano  propriamente humano e no plano espiritual. O ensino evangélico puro, as preces e os passes, o trabalho de doutrinação representam um esforço permanente de esclarecimento e orientação de espíritos sofredores de suas vítimas humana, que geralmente são comparsas necessitados da mesma assistência."

Herculano Pires "Os Gigantes do Espiritismo"

 

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