ALEXANDRE AKSAKOF

UM CASO DE DESMATERIALIZAÇÃO parcial do corpo de um médium

 (Incluindo a História das aparições do Espírito Katie King)
 

Título original em Francês

Alexandre Aksakof - Étude sur les matérialisations des formes humaines

Librairie des sciences psychiques

Éditeur - P. G. Leymarie

Paris (1897)

Sinopse da obra:

A presente obra aborda o impressionante fenômeno da desmaterialização parcial do corpo de um médium, que pode ocorrer durante as sessões de materialização de Espíritos.

 

Esse fenômeno foi obtido nas experiências do Sr. Aksakof com a Sra. d’Espérance, conhecida médium de efeitos físicos.

 

O autor analisa cuidadosamente os princípios científicos que presidem esse fenômeno tão incomum.

 

A obra apresenta, ainda, em forma de Apêndice, os relatos das célebres materializações do Espírito Katie King, através da mediunidade de efeitos físicos da jovem Florence Cook. Essas experiências foram levadas a cabo pelo respeitável cientista e pesquisador inglês, Sir William Crookes.

 

Atesta a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo físico, fazendo germinar em muitas almas a esperança e a fé.

 

Trechos da obra:

Um caso dos mais extraordinários produziu-se, em dezembro de 1893, numa sessão realizada em Helsingfors (Finlândia) pela Sra. d’Espérance, fato que projeta viva luz sobre os misteriosos fenômenos de materialização e que confirma, pela vista e pelo tato de muitas testemunhas, o que até à presente data não era senão um postulado teórico exigido pela lógica.

Em todos os tempos foi reconhecido pelo Espiritismo que o fenômeno de materialização se produz a expensas do corpo do médium, que fornece os elementos necessários, isto é, que um certo grau de desmaterialização do médium corresponde ao começo inevitável do fenômeno de materialização do Espírito. Mas, ainda ninguém se tinha decidido a levar essa teoria aos seus últimos limites, a tirar as conseqüências extremas que deviam daí se deduzir absoluta e logicamente.

De um lado, escasseavam dados e observações diretas que justificassem essa conclusão; de outro, o fato extraordinário de desmaterialização, que é forçoso agora admitir (e que, entretanto, não é mais extraordinário do que o da própria materialização, a que já nos vamos habituando), explica, de modo suficiente, a razão pela qual ele ainda não foi expressamente formulado e admitido em geral.

Temos, entretanto, um fato que nos dá o direito de nos exprimirmos com maior certeza; é o que vamos tentar descrever.

O estudo dos fatos mediúnicos leva-nos a admitir três espécies de materializações:

1 – A materialização invisível, que devemos admitir indiretamente, vendo-se movimentos de objetos que somente um órgão humano invisível poderia provocar, como o indiquei na obra Animismo e Espiritismo, e tendo-se as sensações de contacto que se experimenta nas sessões meio obscuras, e que se atribui a uma mão, embora esta fique invisível.

Essa suposição está confirmada pelos fatos em geral da fotografia transcendental e em certos casos particulares desse gênero de fotografia, em que a vista e o tato das formas invisíveis à vista normal são confirmados pela fotografia.

Tais são, por exemplo, as fotografias de Beattie, assim como as de Mumler, nas quais a Sra. Conant, a famosa médium americana, vê uma aparição que lhe toca a mão, e em que a fotografia prova ser isso realmente uma mão pertencente a um ser invisível à vista ordinária; ou ainda a fotografia do Sr. Tinkham, sobre a qual se vê um pequeno pedaço da roupa ser erguido por uma mão invisível.

A fotografia transcendental fornece-nos a prova da existência efêmera de formas reais, objetivas, que não podemos compreender a não ser pela hipótese de uma materialização, em princípio, ainda invisível aos nossos olhos. A matéria necessária é, certamente, tomada do médium, mas sua quantidade é a tal ponto mínima que o grau de desmaterialização do médium não é perceptível aos nossos sentidos.

2 – O fenômeno bem conhecido da materialização visível e tangível, mas somente parcial e incompleta. Assim, a aparição das mãos deu-se desde o começo do movimento espírita. Produziu-se em plena luz, enquanto o médium se achava no meio dos assistentes. Mais tarde, nas sessões obscuras, essas mãos continuavam a ser sentidas, ao mesmo tempo em que as do médium estavam presas. Nestas condições também se obtiveram materializações parciais: cabeças, bustos, figuras mais ou menos fluídicas, porém na obscuridade.

Quando, enfim, se começou a isolar o médium atrás da cortina ou no gabinete escuro, obtiveram-se aparições de mãos, cabeças, bustos, que eram mais nítidas e se mostravam mesmo com um pouco de luz. Segundo a teoria, esse fenômeno de materialização parcial deve corresponder a uma desmaterialização parcial do médium, isto é, de algum dos seus órgãos, ou a uma desmaterialização geral mais ou menos inapreciável aos nossos sentidos.

Não se pôde fazer sobre o médium, que, nestes casos, se achava sempre só no gabinete, observações diretas quanto às mudanças que podiam acompanhar, no seu corpo, a produção dos fenômenos.

Mas, em último lugar, no caso das sessões com a Sra. d’Espérance, de que vamos tratar minuciosamente, obtivemos a plena confirmação das nossas conclusões lógicas; enquanto a Sra. d’Espérance se achava sob uma fraca luz diante da cortina, e que as semimaterializações se produziam detrás desta (por exemplo, aparições de mãos e bustos), várias pessoas certificaram-se, por meio do tato e da vista, de que se produzira uma semidesmaterialização do seu corpo, isto é, dos seus pés e das suas pernas.

3 – A materialização completa, isto é, a de uma forma humana completamente visível e tangível que, para a vista comum, não difere em nada de um corpo humano vivo. Este fenômeno é o desenvolvimento mais elevado, o non plus ultra da materialização, durante a qual o médium acha-se isolado na obscuridade e geralmente em transe (sono magnético).

Um longo estudo deste fenômeno força a reconhecer que, enquanto se obtém a completa materialização de uma forma humana, essa materialização apresenta indubitavelmente os traços do médium. É daí que resultam as suspeitas de embuste e o desejo de desmascará-lo, etc. Todas as tentativas para ver o médium e a forma inteira ao mesmo tempo (durante as quais, infelizmente, não se tem atendido ao estado dos dois corpos: o do médium e o da forma) têm sido infrutíferas, com raras exceções.

Quando, enfim, se estava certo, por meio de garantias excepcionais (por exemplo, segurando-se os cabelos do médium no exterior do gabinete ou submetendo-o a uma corrente galvânica), de que o médium não podia fazer, consciente ou inconscientemente, o papel dessa forma de aparição, e que, entretanto, a semelhança da forma e do médium era completa (como no caso de John King, que se assemelhava ao seu médium Williams, e de Katie King, que se assemelhava a Miss Cook, sua médium), foi-se obrigado a admitir que o duplo ou desdobramento do médium era o ponto de partida do fenômeno.

Mas, essa expressão conduz-nos a uma falsa interpretação, porque pode compreender-se ou imaginar-se que esse duplo é, por assim dizer, uma metade, um simulacro do seu corpo, enquanto o seu verdadeiro corpo se acha atrás da cortina.

Na realidade, isso não é uma metade, nem um simulacro de corpo, mas, sim, um verdadeiro corpo completo, em carne e osso, que é em tudo semelhante ao médium. Que se tornou, então, no mesmo instante, o seu corpo real?

Não se pode, razoavelmente, admitir que o médium tenha, num dado momento, dois corpos completos absolutamente idênticos. Já dissemos que era completamente lógico o admitir-se que o grau de materialização de uma aparição corresponde ao grau de desmaterialização do médium; se, em conseqüência, a materialização da forma humana que aparece é completa, a desmaterialização do médium deve também ser completa, ou, ao menos, deve chegar a um ponto tal que ele poderá tornar-se invisível aos nossos olhos, se nos quisermos assegurar do seu estado durante esse fenômeno.

Ver no site a médium Elisabeth d’Espérance

Ver no site a médium Florence Cook

Fontes: Le Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec

Fontes: KardecPedia

"O Espiritismo tem sido muito escarnecido pelos ignorantes e pelas pessoas interessadas em destruí-lo; mas, como ele se apóia  nos fatos naturais, venceu os detratores e, mais forte do que  nunca, caminha para a conquista do mundo intelectual. Como  explicar o seu progresso incessante? É que ele tem por método a  pesquisa científica, aquela que emprega a observação e a experiência, e porque recruta seus adeptos entre as pessoas positivas,  ávidas de conhecimentos exatos sobre o amanhã da morte."

 

Gabriel Delanne "O Paladino do Espiritismo"

 

 

"O Espiritismo tem consequências de tal gravidade; toca em questões de tal alcance; dá a chave de tantos problemas; oferece-nos, enfim, tão profundo ensino filosófico, que ao lado de tudo isso uma mesa girante é pura infantilidade."

 

Allan Kardec - Discurso de encerramento do ano social (1858-1859)

 

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

 

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Alexandre Aksakof - Un cas de dematerialisation (1897) (Fr)