RELATÓRIO DAS EXÉQUIAS  DA MADAME ALLAN KARDEC

"O ADEUS FINAL À MADAME RIVAIL, UM TRIBUTO DE AMOR"

(REVISTA ESPÍRITA DE JANEIRO DE 1883)

A Desencarnação da Madame Rivail

A GRANDE HEROÍNA DO ESPIRITISMO

(1795 - 1883)

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Título Original em Francês

Compte Rendu des Obsèques de Madame Allan Kardec

La Revue Spirite, Janvier 1883

Société Scientifique du Spiritisme, Fondée par Allan kardec

 

Tradutor do Francês para o Português

Abílio Ferreira Filho

Prefácio da obra:

Nas homenagens póstumas a madame Rivail, entre grandes nomes, falaram no funeral, Leymarie e Gabriel Delanne, todos fazendo sobressair os reais méritos da sucessora de Allan Kardec. Também foi lida, pelo Sr. Lecoq, comunicação mediúnica de Antônio de Pádua, recebida em 22 de janeiro, na qual ele descrevia a brilhante recepção de Amélie por Allan Kardec e elevados amigos da Espiritualidade.

O senhor Camille Chaigneau, membro da sociedade de estudos psicológicos e da união espírita francesa, discursou no funeral: « Irmãos e Irmãs espíritas, quando a morte se denomina separação, a morte é um luto e uma catástrofe para a generalidade dos homens; malgrado as potentes consolações do espiritismo, ela é um dilaceramento mesmo para nós espíritas. Quando a morte se denomina reunião, ela é uma luz e uma apoteose. E hoje, partilhados entre sentimentos diversos, dos quais um nos faz provar a impressão de um vazio doloroso, e outro que nos leva acima de nós mesmos até contemplar nos esplendores espirituais a alegria de uma alma que voa em direção ao companheiro que partiu antes dela, não devemos, antes de tudo, nos colocar acima de nossos próprios remorsos e sorrir estoicamente na felicidade dessa alma?

Lembrou Chaigneau que “nela, Allan Kardec ainda estava presente entre nós, e, como ela representava o culto de sua memória, ela representava a fidelidade à sua obra. Do mesmo modo, para nós, filhos da família espírita, sua partida é um luto, como tinha sido um luto a partida de Allan Kardec. Mas é próprio do espiritismo acender a luz que se desprende dos sofrimentos, e não estaríamos à altura dos ensinos que recebemos, se não soubéssemos nos penetrar da lei de imortalidade que transfigura todas as provas.”

A biografia de Amelie Gabriele não é senão uma história de seu devotamento de cada hora a Kardec, esse benfeitor da humanidade que foi seu esposo, - devotamento à sua vida, devotamento à sua memória. As mulheres, na História da Humanidade, sempre estiveram em planos secundários. Desenvolveram suas funções e contribuíram para a História, nas mais variadas formas. Umas criaram os grandes reis, outras, homens ilustres, nas áreas das ciências, artes, na política. E, tivemos aquelas que, nos bastidores, deram suporte para que vultos eminentes brilhassem.

Amélie foi professora de Letras e Belas Artes, tinha dotes para poesia e desenho, escreveu três livros: Contos primaveris (1825); Noções de desenho (1826) e O essencial em belas artes (1828). Como só as grandes mulheres conseguem, Amélie, corajosamente, se colocou ao lado do marido. Kardec passou a fazer a contabilidade de casas comerciais e traduções. Ela, sabedora do coração generoso e preocupado do marido com a instrução de crianças e jovens, colaborava na preparação de cursos gratuitos, ministrados na própria residência do casal, à noite, e que funcionaram de 1835 a 1840.

Madame Rivail, além de conselheira, foi a inspiradora de vários projetos que Kardec pôs em execução. Leymarie, que privava da convivência do casal, declarou que o Codificador tinha em grande consideração as opiniões de sua esposa. Mas havia uma missão muito maior destinada a esses dois corações que se amavam e que amavam a Humanidade. O chamado se deu, em 1854, com o fenômenos das mesas girantes, que Rivail passou a observar e pesquisar.

Lançado O livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, assinando como Allan Kardec, foi no apartamento do casal que se efetuavam sessões bastante concorridas, exigindo de Madame Rivail uma série de cuidados e atenções que, por vezes, a deixavam extenuada.

Confessa o Codificador na Revista Espírita, junho de 1865: “(…) Minha mulher (…) aderiu plenamente aos meus intentos e me secundou na minha laboriosa tarefa, como o faz ainda, através de um trabalho frequentemente acima de suas forças, sacrificando, sem pesar, os prazeres e as distrações do mundo aos qual sua posição de família a havia habituado.”

Com a desencarnação de Kardec, ela deu continuidade ao seu trabalho, com desinteresse e devotamento, fundando a Sociedade para a continuação das obras Espíritas de Allan Kardec, destinada à vulgarização do Espiritismo, por todos os meios permitidos pelas leis. Assim, a Revue Spirite continuou a ser publicada, como as demais obras de Kardec e todos os livros que tratassem a respeito da Doutrina Espírita.

São Paulo, 09 de julho de 2015

Abílio Ferreira Filho, Irmãos W. e Jorge Hessen

Discurso do Sr. G. Delanne:

MEMBRO DA UNIÃO ESPÍRITA FRANCESA

Senhoras, Senhores, Irmãos e Irmãs em crença,

No último domingo, faleceu na aldeia Ségur, a mulher superior que foi a companheira devotada daquele cujo nome, na história, aparecerá ao lado dos grandes missionários da Humanidade. Sem desejar aqui pronunciar um discurso, permitam-me relembrar, em algumas palavras, as virtudes daquela que acaba de voltar à grande pátria espiritual.

A Sra. Allan Kardec foi verdadeiramente a mulher forte segundo o Evangelho; a companheira do grande vulgarizador do espiritismo, ela adotou suas idéias; ela empregou todas as suas energias ao estudo dos novos princípios; ela venceu os preconceitos de seu século e de sua educação, e se elevou por sua vontade, até a altura do espírito de nosso Mestre; ela provou em seguida , pelo apego profundo que ela guardou pela sua maneira de ver, que o espiritismo tinha penetrado vivamente em seu coração. Sim, essas grandes e sublimes verdades que nosso filosofia professa, lhe deram a coragem de secundar corajosamente o propagador da nova fé, e de apoiá-lo nas lutas freqüentes tão rudes do apostolado.

A companheira de um homem superior sente que lhe incumbem deveres particulares; não somente ela tem, como toda esposa devotada, a tarefa de rodear de amor e de providências, mas ela tem a mais a santa missão de fortalecer sua alma nas horas dolorosas da prova; ela deve acalmar as cruéis feridas que são feitas no coração dos campeões do progresso, o ódio e o sarcasmo; ela deve encontrar as boas palavras que são para a alma bálsamos soberanos; ela deve enfim, por sua energia, recuperar as forças ao atleta fatigado.

A Sra. Allan Kardec foi essa mulher: ela não falhou na alta missão que lhe foi confiada. Durante as viagens de seu marido através da França, ela o envolveu com sua solicitude e sua perspicácia, desconcertando frequentemente, pela segurança de seu julgamento, aqueles que queriam especular sobre a bondade tão conhecida do Mestre.

Foi verdadeiramente um grande espírito aquele que animou estes despojos mortais; alimentada do ensino de nossos guias, ela ornou sua inteligência e seu coração de preceitos de amor e de fraternidade que são a essência de nossa filosofia.

Allan Kardec se inspirou em sua inteligência tão justa para a confecção de suas obras; ele não publicou nada sem tê-la consultado, e frequentemente aproveitou as opiniões que lhe fornecia a retidão de julgamento de sua companheira. É por isso que temos uma dupla perda nesse momento: a de uma mulher de coração, devotada a nossas idéias, e a de uma colaboradora do homem de gênio de que sentimos falta.

A morte veio para levá-la à terra como o fez com seu marido, sem longas dores que fazem da agonia uma coisa mais terrível que a morte em si mesma; ela deixou, por assim dizer, subitamente seu envoltório e levantou vôo no espaço, a pátria de todos nós.

Nós não aprendemos com sua partida sem ficarmos profundamente emocionados. Nós a conhecíamos como amiga, por ter sido sempre ao mesmo tempo apreciar seu grande coração, e malgrado a certeza de que ela está feliz, lamentamos sua morte pelos infelizes que tinham encontrado nela, ajuda e socorro. Ela tinha certa caridade ativa que consola, mais ainda pela palavra que pelos dons materiais, tanto que deve ser hoje um dos mais bonitos florões de sua coroa espiritual.

Desde a morte de Allan Kardec, sua viúva vivia de forma retraída, cercada de velhos amigos de seu marido; ela esperava com prazer o momento de juntar-se àquele a quem tinha tanto amado; ela seguia com um olhar atento os interesses de nossa querida doutrina, e deplorava com freqüência que a idade a impedisse de lhe consagrar mais tempo; mas seu coração e sua alma deixaram um só instante de pertencer inteiramente ao espiritismo.

Ela terá tido a suprema satisfação de morrer tendo a certeza de que a obra de seu tão querido marido jamais perecerá; ela assistiu com felicidade ao renascimento do movimento espírita na França e no estrangeiro. Ela voltou à vida espiritual, feliz de ver as idéias de nosso Mestre propagadas de novo com redobrado zelo. Não choremos por isso sobre esta tumba. Em conseqüência dos princípios que professamos, elevemos nossos corações aos espaços celestes. Roguemos ao Deus todo-poderoso que permita a essa querida alma de nos visitar com freqüência e retomar, com seu bem amado marido, a direção espiritual do espiritismo que fez sua felicidade aqui nos mundo, e que será sua glória mais pura no além-túmulo.
Discurso do Sr. Carrier:

Caro espírito da Senhora Allan Kardec, é com um profundo respeito que vimos vos testemunhar nossa simpatia; fostes a digna esposa do fundador da Revista Espírita, e, por vossa bondade, vosso devotamento à santa causa do progresso moral vós mereceis todo nosso respeito.

Nós vos devemos nosso reconhecimento por ter fundado a Sociedade da qual sois membro, e que deve continuar a reprodução das obras fundamentais da doutrina espírita.

As sábias precauções que tomastes nos tranqüilizam quanto ao porvir; o espiritismo, essa crença que responde pela razão e pelo estudo dos fatos, nos é cara a todos os títulos tanto quanto é consoladora em nossas provas cotidianas.

Esperemos, caro espírito venerável, que Deus vos permita voltar entre nós que temos necessidade de vossos bons conselhos; é o voto de todos vossos amigos e irmãs em crença cujo pensamento vos segue. Adeus, mestre Allan Kardec.

AO CARO ESPÍRITO QUE FOI A SENHORA ALLAN KARDEC

Companheira devotada do grande missionário,
Aceitai o adeus que acabamos de vos dar,
Pois vós muito merecestes do doce revelador
Que partilhando sua vida, partilhou seu coração!...
Liberais vos do corpo, alma generosa!
Ganhais com alegria a esfera mais feliz
Para reunir-se Àquele que nos mostrou o Bem
E para formar ainda um casal aéreo!
Falar dEle, é falar de vós : Minha lira
Para vós somente uma voz cuja grandeza o inspira...
Às vezes o Todo-Poderoso faz passar entre nós
Um Espírito que nos torna mais doce o destino,
Um inspirado que luta com sua fé fecunda
E fala combatendo os preconceitos do mundo:
Sua fronte tem o raio flamejante e sagrado
Como o tinha Jesus quando estava inspirado:
Faísca saindo da Divina chama
Cuja viva luz ilumina sua alma:
Eis aqui a verdade (diz ele), que se faz dia!
Mas é preciso praticar a Caridade, o Amor!
Combatentes do Dever, soldados do Pensamento,
Lede, a livro aberto, em vosso destino,
Fazei o bem, procurai o verdadeiro... Eis aqui minha mão
Para seguir do Progresso o radioso caminho:
Os Espíritos deram, por sua filosofia
Um potente específico ao mundo na agonia!

A todos os dois:

Reuni-vos então, simpáticos Espíritos
Para lançar vossos clarões aos terrenos escurecidos:
Nossas almas de encarnados se tornarão sérias,
Nossos ignorantes saberão, por vossas vozes generosas,
Que é preciso vencer o Mal que tanto nos faz sofrer:
Avancemos, por nossos esforços, em direção ao belo porvir!...
Glória a vós!... mas que digo eu, para que nossos louvores?
Do Deus que vós servis, tornar-vos-eis Anjos
Oh vós que desprezastes a fútil fama
Que a glória terrestre ligou ao vosso nome,
Vós, que murchar o orgulho de nela viver
Vós gravitais todos os dois em direção a Glória eterna!

Louis Vignon

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Allan Kardec O Educador - Documentário - Dora Incontri)

Fontes: Portal História do Espiritismo

"Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"Se Allan Kardec tivesse escrito que fora do Espiritismo não há salvação, eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu Fora da Caridade, ou seja, fora do Amor não há salvação"

Chico Xavier "O Grande Médium da Luz"

"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"O Espiritismo realiza o que Jesus disse ao consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Relatório das Exéquias da Madame Allan Kardec - O adeus final à Madame Rivail, um tributo de amor PDF (A Desencarnação da Madame Rivail)

 

Relatório das Exéquias da Madame Allan Kardec - O adeus final à Madame Rivail, um tributo de amor DOC (A Desencarnação da Madame Rivail)

 

Compte Rendu des obsèques de Madame Allan Kardec, La Revue Spirite, Janvier 1883

 

Allan Kardec - La Revue Spirite Janvier 1883