CAIRBAR SCHUTEL

&

Professor Faustino Ribeiro Júnior

 

Polêmica Religiosa

Espiritismo e Protestantismo

 

Em Face dos Evangelhos e da Ciência

(1ª Edição - 1911)

 

Prefácio da obra:

Eu não fazia menção de mandar imprimir nova edição deste livrinho, porque, sobre o assunto, existem obras de muito maior valor e que muito melhor do que esta, podem auxiliar aos estudantes na busca da Verdade.

Entre outras, lembramos - "O Protestantismo e o Espiritismo", do Senhor Farmacêutico Benedito A. da Fonseca; e "O Protestantismo e o Espiritismo à Luz do Evangelho", do Senhor Dr. Romeu do Amaral Camargo. (VER NO LINK ABAIXO)

Mas, alguns amigos disseram-me nunca ser demais um livro em que se põe em foco a "Questão Religiosa" tanto mais que o nosso traz o mérito de transcrever todos os artigos de inspiração protestante destinados a fazer ruir o Espiritismo. Acabamos assim de ceder às inspirações dos que, como nós, desejam ver à luz da publicidade um confronto, embora superficial, do Protestantismo com o Espiritismo.

Este trabalho, com efeito, deve ser de utilidade para facilitar aos estudiosos, meios mais dissuasivos e substanciosos para uma crítica mais valorosa. Quando nada, ele será um cicerone despretensioso e humilde com boa vontade para guiar almas sedentas ao rochedo da Verdade, onde a água da Vida jorra incessantemente cristalina e deliciosa a ponto de sentir-se saciado quem dela beber.

A nova edição vai corrigida e aumentada com ligeiros tópicos pelo autor deste prefácio, mas unicamente na parte compreendida pelos seus escritos.

Como se vai ver, não tivemos a pretensão de esgotar o assunto: estas páginas sendo o resultado de uma polêmica em que dois contendores se bateram cortesmente pela imprensa, não representam mais que breve polêmica.

Oxalá seja este livrinho bom auxiliar daqueles que desejam conhecer o Protestantismo e o Espiritismo.

Cairbar Schutel - 22 de janeiro de 1931

Trechos da obra:

XIII

A crença por decreto

Deus existe, mas não para satisfazer os nossos caprichos e desejos. Somos nós que existimos para cumprir a sua vontade.

Leão Tolstoi

Antes que o prof. Faustino prossiga nas transcrições de passagens do Antigo Testamento que não vem ao caso da discussão, bom é declararmos ao ilustre moço que aceitamos as Escrituras como um livro histórico que encerra verdades inconcussas, sem, porém, darmo-lhes a infalibilidade com que as quer presentear o generoso moço.

Não negamos as portentosas revelações divinas que contém esse grandioso livro, mas preciso se torna que nos não esqueçamos que a frágil mão do homem não vacilou de enxertar nas páginas deste livro débeis concepções que têm trazido a confusão nos espíritos.

Além disso não pode ter a Bíblia a infalibilidade que lhe empresta o distinto moço porque entre o Antigo e o Novo Testamento há enorme diferença a ponto de serem revogadas por este leis exaradas naquele.

O que digo? - leis!... todo o Antigo Testamento foi revogado por Jesus. A Lei Mosaica foi posta à margem desde o dia em que teve lugar o grande epílogo do Calvário - A humanidade terrestre foi apresentado um outro Testamento - o Novo que foi selado com o sangue do mais Puro Espírito que baixou a este planeta.

E Paulo, o doutor das gentes quem o diz em sua 2.ª Epistola aos Coríntios cap. III, 14: "Porém, os seus sentidos foram endurecidos; porque até o dia de hoje o mesmo véu fica por, levantar na lição do Velho Testamento, O QUAL FOI REVOGADO POR CRISTO".

Os Efésios, como o professor Faustino, não compreenderam as palavras do convertido de Damasco, então este falou-lhes à letra: "Dizendo Novo, envelheceu o primeiro.

Ora, o que foi tornada velho, e se envelhece, perto está de esvaecer". (Aos Efésios VI I, 7 a 13).

E Cristo que afirma o que acabamos de repetir: "Ouvistes o que foi dito pelos Antigos: "Não jurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor". Eu, porém vos digo: de maneira alguma jureis". (Mateus V. 33 e 34).

Nas tábuas da Lei está escrito: "Não jurarás no nome do Senhor em vão". Cristo vem e diz: "De maneira alguma jureis".

A Lei Mosaica manda apedrejar a mulher adúltera. Vem o Cristo à terra, foi-lhe apresentada uma mulher que fora apanhada em adultério, e o Verbo de Deus diz aos seus acusadores: aquele de vós que se julgar sem pecado atire a primeira pedra; e como nenhum se animasse a tal, o Amoroso Espírito se dirige à mulher: "ninguém te condenou? - nem eu, vai-te mas não peques mais".

As escrituras se compõem do Antigo e Novo Testamento, e o prof. Faustino não desconhece isto porque tem citado ambos; qual deles é o infalível?

Toda a lei deve estar de acordo com a elevação intelectual do povo que a recebe. Para os homens do tempo de Moisés a lei de Moisés era muito boa. A lei Mosaica é a lei do terror, porque assim o requeria o instinto perverso do povo que debaixo dessa lei se achava.

Veio Cristo numa época mais adiantada, e trouxe a lei do amor que, se não foi aceita pela totalidade dos homens de seu tempo, entretanto o foi por muitos espíritos que se puseram ao serviço da mesma lei. Jesus não pode dizer mais aos homens do seu tempo porque eles não compreenderiam e isso o declarou categoricamente quando disse: Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas vós não podeis suportar agora.

Porém quando vier o Espírita de verdade ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas falará de tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. (João XVI, 12 e 13).

Cremos na revelação divina, ilustre amigo, mas cremos que ela seja progressiva, que se dê como tem-se dado em todas ás épocas.

O progresso é uma lei fatal e à medida que o Espírito progride novos meios de aperfeiçoamento lhe são concedidos.

O estacionamento é a morte e nós espíritas cremos na vida eterna.

Cairbar Schutel

Ver no site o discípulo de Cairbar Schutel (Dr. Romeu do Amaral Camargo)

Fontes: Casa Editora O Clarim

Fontes: Portal Paulo Neto (Artigos espíritas)

"A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário compreender."

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"Reservar-se o direito de atacar e não admitir resposta é um meio cômodo de ter razão. Resta saber se é o de chegar à verdade."

Allan Kardec - Revista Espírita, outubro de 1862 - Resposta a “Abeille Agenaise, pelo Sr. Dombre.

 

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