CAIRBAR SCHUTEL

INTERPRETAÇÃO SINTÉTICA DO APOCALIPSE

(1ª Edição - 1918)

 

Introdução da obra:

Anexo ao Novo Testamento, ou Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, encontra-se um livro denominado APOCALIPSE DE SÃO JOÃO. Essa obra é o resultado de uma comunicação que o "desterrado de Patmos" recebeu do Espírito de Jesus.

É o livro das predições que narra, em linhas gerais, aquilo que havia de suceder no mundo religioso, e que está tendo o seu cumprimento literal.

Além das exortações, recomendações às diversas igrejas, a parte mais interessante e, por isso mesmo, a apocalíptica, é a que faz referência às Bestas, aos Dragões, e à grande Prostituta, que, no dizer do profeta, é a falsa Religião, que conduz os homens à perdição.

Baseados em diversos autores que têm mais ou menos aprofundado as suas pesquisas, removendo os mistérios que embaraçam a interpretação de tão extraordinária revelação, vamos estudar os principais trechos que, pode-se dizer, constituem o enredo de dita obra.

"Nada há escondido que não haja de aparecer; nada há oculto que não seja mais tarde revelado", disse o incomparável Mestre.

Enquanto há ignorância, tudo é mistério, tudo é indecifrável; mas depois que o sol do progresso aquece as nossas almas, partem-se as cascas do mistério, rasga-se o véu da letra, e as coisas nos aparecem tais como são, a verdade ostentando a beleza da sua nudez.

O movimento da Terra, a gravitação dos corpos, a circulação do sangue, as vibrações, base da visão e da audição, foram outros tantos mistérios nas noites da ignorância. Mas a alavanca do progresso conseguiu remover as pedras que encerravam, no túmulo do preconceito, todos esses conhecimentos de que se ufana a geração deste século.

O "espelho de enigma" precede sempre a visão face a face, e, enquanto isso não acontece, cada qual vê os homens e as coisas através dos óculos da sua miopia e da mesma cor das suas opiniões preconcebidas. E por isso que muitos zoilos (maus críticos, invejosos), folheando as memoráveis páginas do Apocalipse, delas se servem como se fossem tintas de várias cores, onde costumam molhar a sua pena para satirizar fatos que não experimentaram e idéias que não estudaram.

Queremos referir-nos àqueles que, aproveitando-se dos nomes que o tornam admirados, abusam da estima de seus admiradores e, ultrapassando os limites do seu saber, crivam de setas envenenadas de sectarismo os fatos e a teoria espírita.

Foi prevendo a impressão que os conceitos desses escribas produzem no ânimo popular, propenso, quase sempre, a aceitar tudo o que é mau e a repelir o livre exame, que nos propusemos, em bem do ideal, a escrever a "Interpretação Sintética do Apocalipse".

Mais de uma das ilustres personalidades do mundo católico, clérigos e leigos, têm tido a incrível coragem de, sem mesmo conhecerem a matéria de que tratam, afirmar que o "Dragão" e a "Besta", caracterizados no Apocalipse de São João, são representados pela Maçonaria, pelo Espiritismo e por todos aqueles que não participam de suas idéias dogmáticas.

Felizmente, porém, não têm passado de afirmações gratuitas, sem apresentação de provas, despidas mesmo do espírito de raciocínio que deve acompanhar a todos os pesquisadores da Ciência ou da Religião.

Não queremos fazer crítica balofa, sem exame severo e meditação profunda, porque o nosso fim não é atacar agremiações nem personalidades, mas aclarar idéias, estudar questões que se ligam ao bem-estar geral, e, verberando o erro que subjuga as consciências, fazer brilhar a verdade, qual rútila estrela que nos mostra a Terra da Promissão.

Assim orientados, é que pretendemos penetrar os mistérios do Apocalipse, e, à semelhança do pescador de pérolas, oferecer, aos que nos lêem, a "pérola de raro valor", de que fala a parábola evangélica.

Cairbar Schutel

Trechos da obra:

EXPOSIÇÃO SINTÉTICA

A RELIGIÃO EM SUA MAIS SIMPLES EXPRESSÃO

A Religião é o laço que nos une a Deus, e a manifestação mais simples, e também, mais alta de religião, que o homem, com facilidade, concebe, é a caridade. A caridade é, pois, o expoente máximo da Religião.

Não dizemos que a Religião é a verdade, porque seria isso dificultar a conquista da Religião, que, com tanta sabedoria, tanto amor e tanto sacrifício, Jesus pôs ao alcance de todas as criaturas humanas.

A caridade se faz compreender por todos, e é a todos acessíveis. Mas a verdade só se alcança através dos grandes impulsos da inteligência. Esta, contudo, somente quando iluminada pela claridade, pode aspirar à contemplação interior de Deus. Por isso é que só a caridade salva.

Em resumo: a Religião, que ensina e conduz à caridade, tem o seu ponto de apoio no Evangelho de Jesus, porque foi este o maior Espírito que baixou a Terra, e soube, como nenhum outro, praticar a caridade em sua plenitude.

Eis, pois, o Código Religioso, em sua mais simples expressão:

EVANGELHO DE MATEUS

Capítulo V (43 a 48) - "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre bons e maus e vir chuvas sobre justos e injustos.

Por que, se vós não amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? não fazem os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? não fazem também assim os gentios?"

Capítulo VII (12): "Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o, assim, também, vós a eles; porque esta é a Lei e os Profetas."

Capítulo XXII (37 a 40): "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de todo o teu entendimento e de toda a tua alma. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante ao primeiro, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

Esses artigos e parágrafos do Código Divino resumem todas as virtudes que o homem pode praticar para obter a sua "perfeição espiritual". É, portanto, na obediência ativa dessa Lei que consiste a religiosidade.

DEDUÇÕES FILOSÓFICAS DA RELIGIÃO

A idéia religiosa traz, como conseqüência, a sobrevivência do Espírito à morte do corpo, e deste axioma derivam as condições físicas e morais do homem depois da morte. De onde se conclui que, para ser religioso, é preciso que o homem tenha fé nos seus destinos. Parece claro que ninguém pode ter "fé na vida futura", sem que dela tenha noção; e, para que dela tenha noção, é preciso que estude, investigue, compreenda.

Ninguém pode, pois, ser religioso sem que estude a Religião sob os seus vários aspectos.

E o Apóstolo das gentes, interpretando a Religião pela caridade, diz em uma de suas epístolas: "Que a vossa caridade abunde em todos os conhecimentos para que aproveis o melhor e não tenhais tropeços no dia do Cristo".

A Religião não dispensa os seus dois atributos: pureza e simplicidade. Estas condições, entretanto, que revestem a Religião, não a impedem de ser racional e experimental. E nesse sentido que a Religião manifesta, nas almas, o seu caráter verdadeiramente moral, pois representa a fé ativa e não a "fé cega", obcecada, filha do fanatismo.

Essas considerações eram indispensáveis para entrarmos no tema "Apocalipse", que pretendemos explicar.

Cairbar Schutel

Fontes: Casa Editora O Clarim

Fontes: Luz na Mente - Revista on Line de Artigos Espíritas (“Sem a religião, orientando a inteligência, cairíamos, todos, nas trevas da irresponsabilidade”)

"O Espiritismo é uma ciência cujo fim é a demonstração experimental da existência da alma e sua imortalidade, por meio de comunicações com aqueles aos quais impropriamente se têm chamado mortos."

Gabriel Delanne "O Fenômeno Espírita"

"O Espiritismo pleiteia um lugar nos vossos corações, não para vos dominar, nem para vos cegar os olhos da razão, mas para erguer neles a flâmula sagrada da Fé, que ilumina os vossos destinos imortais. Ele, como Jesus, não precisa de vós, nem da vossa influência, nem do vosso dinheiro. Deseja somente tornar-vos felizes, cônscios da vossa situação, dos vossos deveres, do futuro promissor que vos espera."

Cairbar Schutel "O Grande Gigante do Espiritismo"

 

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