CAIRBAR SCHUTEL

PRECES ESPÍRITAS

Brasil (1936)

 

(Uma coleção de preces extraída do cap. 28 de "O Evangelho Segundo O Espiritismo". Cairbar Schutel incluiu textos sobre Desencarnação, Religião, Oração, além da Prece de Cáritas)

 

Preâmbulo:

Os espíritos sempre afirmam: "A forma nada vale, o pensamento é tudo. Orai de acordo com vossas convicções e conforme melhor vos apraz; um bom pensamento vale mais que palavras numerosas, das quais o coração está ausente".

Os espíritos não prescrevem nenhuma fórmula definitiva para a prece; quando no-las oferecem, têm em mente fixar as idéias e, sobretudo, despertar nossa atenção para certos princípios da Doutrina Espírita. Outras vezes fazem-no para auxiliar as pessoas que têm dificuldade em formular suas idéias, pois que muitas acreditariam não ter realmente orado, uma vez que seus pensamentos não foram devidamente expressos.

A coleção de preces contidas neste opúsculo é o resultado de uma escolha feita entre diversas preces que nos foram ditadas pelos Espíritos em diferentes circunstâncias. Eles teriam podido ditar outras, em outros termos, apropriadas a certas idéias ou a casos específicos. Todavia, pouco importa a forma se o pensamento é o mesmo.

A finalidade da prece é elevar nossa alma a Deus. A diversidade das fórmulas não deve estabelecer nenhuma diferença entre aqueles que crêem ou descrêem de sua eficácia e menos ainda entre os adeptos do Espiritismo, pois que Deus aceita todas as preces, desde que sejam sinceras.

É preciso, pois, que não se considere esta compilação como um formulário absoluto, mas sim como variações baseadas nas instruções oferecidas pelos Espíritos. Elas contêm uma aplicação dos princípios da moral evangélica, podem ser tidas como um complemento às orientações espirituais relativamente aos nossos deveres para com Deus e o próximo, nas quais são recordados todos os princípios da Doutrina Espírita.

O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, desde que sejam ditadas pelo coração e não pelos lábios; ele não impõe nenhuma e nenhuma repudia. Deus é muito grande, afirma, para ignorar a voz que por Ele implora ou que Lhe ergue louvores, apenas porque o faz de uma certa maneira e não de outra. Quem quer que lance anátema contra as preces que não estão em seu formulário, apenas provará que desconhece a grandeza de Deus. Crer em Deus atendo-se a uma fórmula é emprestar-lhe a pequenez e as paixões da Humanidade.

Uma condição essencial da prece, segundo Paulo, o apóstolo (XXVII, 16), é ser inteligível, a fim de que fale ao nosso espírito. Por isso não basta que seja dita em uma linguagem compreensível àquele que ora. Há preces formuladas em linguagem tão vulgar que não dizem mais ao pensamento do que se fossem em uma língua estrangeira e que, por isso mesmo, não alcançam o coração. As poucas idéias que contêm são, quase sempre, abafadas sob a superabundância das palavras e o misticismo da linguagem.

A principal qualidade da prece é ser clara, simples, concisa, sem fraseologia inútil nem luxo de epítetos, que não passam de enfeites de ouropéis. Cada palavra deve ter o seu alcance, revelar uma idéia, fazer vibrar uma fibra da alma. Numa palavra, ela deve levar à reflexão. Só assim condicionada a prece pode atingir seu objetivo. De outra forma é apenas um ruído. Observai com que ar de distração e com que volubilidade são recitadas na maioria das vezes; vê-se os lábios que se movem, mas a expressão da fisionomia e mesmo o som da voz põem-nos em face de um ato maquinal, puramente exterior, ao qual a alma permanece indiferente.

As preces reunidas nesta compilação estão divididas em cinco categorias: Preces gerais; Preces pela própria pessoa; Preces pelos vivos; Preces pelos mortos; Preces especiais pelos enfermos e os obsediados.

Com a intenção de despertar as atenções, mais particularmente para o objeto de cada prece e tornar mais compreensível o alcance delas, são precedidas por uma instrução preliminar, espécie de exposição de motivos, denominada "Ação da Prece".

Allan Kardec

Coletânea de Orações Espíritas:

Os Espíritos recomendaram colocar a "Oração Dominical" no cabeçalho da coleção, não somente como prece, mas também como símbolo. De todas as preces, é esta a que eles põem em primeiro lugar, seja porque proveio do próprio Jesus (Mateus, cap. 6, vs. 9 a 13), seja porque ela pode suprir todas as outras, conforme o sentimento de que for impregnada.

É o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obra-prima de sublimidade em sua singeleza. Com efeito, sob a mais restrita forma, ela resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo; encerra uma profissão de fé, um ato de adoração e obediência, o pedido de coisas necessárias à vida e o princípio de Caridade. Dizê-la por intenção de alguém é pedir para ele o que se pediria para si mesmo.

Entretanto, em razão mesmo da sua brevidade, o sentido profundo encerrado nas poucas palavras que a compõem escapa a muitos, e por isso a dizem, geralmente, sem dirigir o pensamento sobre as aplicações de cada uma de suas partes; pronunciam-na como uma fórmula cuja eficácia é proporcionada ao número de vezes que se repete, de acordo quase sempre com os números cabalísticos, TRÊS, SETE e NOVE tirados da antiga crença supersticiosa pela virtude dos números e em uso nas operações da magia.

Para suprir o vácuo que a concisão desta prece deixa no pensamento e seguindo o conselho e assistência dos bons Espíritos, acrescentou-se a cada proposição um comentário que lhes desenvolve o sentido e demonstra as aplicações.

A Prece

I - Pai nosso que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome!

Acreditamos em Vós, Senhor, porque tudo revela o Vosso poder e a Vossa bondade. A harmonia do Universo testemunha uma sabedoria, uma prudência e uma previdência que excedem a todas as faculdades humanas; o nome de um Ser soberanamente grande e sábio está inscrito em todas as obras da criação, desde o mais insignificante arbusto e o mais diminuto inseto, até nos astros que se movem no espaço; por toda a parte vemos a prova de uma solicitude paterna; cego é aquele que Vos não reconhece em Vossas obras, orgulhoso aquele que Vos não glorifica e ingrato o que Vos não presta ação de graças.

II - Venha a nós o vosso reino!

Que o reino de paz e de Caridade, instituído pelo Vosso Amado Filho, Jesus Cristo, se torne conhecido e obedecido por todos, para que cessem as maldades deste mundo. Que a inteligência e a razão humana se esclareçam à luz das divinas verdades, de que são portadores os Vossos Santos Espíritos, para que a incredulidade desapareça da Terra e todos possam reconhecer a Vós como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo o Mestre soberano que Vós enviastes.

III - Seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu!

Ajudai-nos a observar as Vossas leis e a submetermos, sem murmurar, aos decretos divinos, porque Vós sois a fonte da sabedoria e do amor e nós, criaturas inferiores, devemos satisfazer a Vossa vontade.

IV - O pão nosso de cada dia nos dai hoje!

Dai-nos o alimento material para entreter as forças do corpo e o alimento espiritual para o desenvolvimento de nosso espírito. Dai-nos amor ao trabalho: ao trabalho material e ao trabalho espiritual, para não ficarmos estacionários na Estrada da Vida e para que possamos auxiliar aos necessitados com as nossas dádivas. Dai-nos, pois, Senhor, o pão nosso de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos pelo trabalho as coisas necessárias à vida do corpo e à vida do Espírito.

V - Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos nossos ofensores!

Senhor, da Caridade fizestes uma lei expressa para nós e fora dessa lei não poderíamos reclamar a Vossa indulgência. Se nós mesmos recusamos o perdão àqueles de quem nos queixamos, com que direito reclamaríamos para nós o perdão das muitas faltas que contra Vós temos cometido? Se vos aprouver retirar-nos hoje mesmo deste mundo, permiti que possamos nos apresentar perante Vós, puros de toda a animosidade, a exemplo do Cristo, cujas derradeiras palavras foram de indulgência pelos seus algozes.

VI - Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal!

Dai-nos forças para resistirmos às sugestões dos maus espíritos que, tentando desviar-nos do caminho do bem, nos inspiram pensamentos maléficos.
Sustentai-nos e inspirai-nos pela voz dos Anjos Guardiões e dos bons Espíritos, a vontade de corrigirmos as nossas imperfeições a fim de fecharmos a alma ao acesso dos espíritos impuros.

VII - Assim seja!

Assim seja; praza a Vós, Senhor, que os nossos desejos se realizem; todavia nos inclinamos diante da Vossa infinita sabedoria.

Allan Kardec - O Evangelho Segundo Espiritismo, Cap. XVIII

A Prece de Cáritas:

Deus nosso Pai, que tendes poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação, dai luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

 

Deus, dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

 

Senhor, que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes. Piedade, meu Deus, para aquele que vos não conhece; esperança para aquele que sofre. Que a Vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz, a esperança e a fé.

 

Deus, um raio de luz, uma centelha do Vosso amor pode iluminar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão; um só coração, um só pensamento, subirão até vós, como um grito de reconhecimento e amor.

 

Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! poder, oh! bondade, oh! beleza, oh! perfeição, e queremos de algum modo alcançar a vossa misericórdia.

 

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão, dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se deve refletir a Vossa Imagem.

Cáritas

 

(*) Esta prece não se encontra em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", mas na obra Rayonnements la Vie Spirituelle, de W. Krell, livro que fez grande sucesso em seu lançamento e é ainda editado na Bélgica. Esta prece do Espírito Cárita foi psicografada na noite de 25 de dezembro de 1873, portanto, há mais de 100 anos.

 

Ver no site a obra Allan Kardec - A Prece Segundo Evangelho

 

Ver no site a obra Allan Kardec - O Evangelho Segundo Espiritismo

 

Fontes: A Luz na Mente - Revista On line de Artigos Espíritas (A prece é prática religiosa recomendada por todos os bons espíritos)

 

Fontes: A Luz na Mente - Revista On line de Artigos Espíritas (O poder da oração sob o enfoque espírita)

 

Fontes: A Luz na Mente - Revista On line de Artigos Espíritas (O artifício da meditação não pode engessar nossas mãos)

"E eu vos digo: pedi e dar-se-vos-á: buscai e achareis: batei, e abrir-se-vos-á"

(Lucas 11:9)

 

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