CAIRBAR SCHUTEL

OS FATOS ESPÍRITAS E AS FORÇAS X

(1ª Edição -1926)

O Espiritismo traz provas tangíveis da imortalidade; os pensadores sérios devem estudá-lo atentamente

Gabriel Delanne

 

Introdução da obra:

As religiões, como a sabedoria dos nossos pais, se esvaem ao sopro do progresso, como nuvens batidas pelo vento.

Se é verdade que elas serviram para embalar gerações, é também fora de dúvida que não mais satisfazem almas e corações.

Úteis, talvez, nos tempos da infância da humanidade, já perdem atualmente a sua razão de ser.

A luz sucede às trevas; o alimento sólido sucede ao leite materno; Tudo evolui, tudo progride; o passado é como um código revogado, é um grito de esperança para o presente, como o presente é a alvorada do futuro.

Examinar, estudar, pesquisar, tal deve ser nosso dever, para que, a par da Verdade, não nos percamos em caminhos ímpios que prejudicam o nosso progresso.

O fim deste folheto é orientar os leitores, encaminhando-os para o estudo do Espiritismo em suas obras fundamentais, única doutrina que lhes pode garantir uma visão mais ampla da Vida com todas as suas peripécias empolgantes.

Ao dá-lo à publicidade um único objetivo nos encoraja: o de cumprirmos o nosso dever.

Cairbar Schutel

Trechos da obra:

I

As forças cegas e as secreções nervosas

Já é tempo de quebrar os vínculos que nos prendem aos prejuízos do passado.

A ciência não pode permanecer imobilizada à espera da boa vontade daqueles que se alistaram como seus sacerdotes e negam-lhe o trabalho de divulgação.

Há mais de meio século (*) os fatos espíritas, em sua moderna manifestação, se desenrolam no cenário do mundo e o espírito conservador das tradições avoengas procurando embargar as suas expressões positivas, ora por esta, ora por aquela forma, tem transviado a atenção dos homens para o estudo das verdades novas, que lhes vêm ampliar os horizontes da vida.

(*) Nota da Editora: a 1.ª edição deste livro é datada de maio de 1926.

Desde o começo das acentuadas manifestações psíquicas, que vêm revolucionando o mundo, nada menos de cinco teorias têm sido apresentadas pelos mestres das diversas escolas que tentam explicar, presos às suas idéias preconcebidas, a origem desses fenômenos imortalistas que vêm maravilhando o mundo.

Por mais de uma vez temos pulverizado, com lógica irresistível, essas conjeturas oriundas do espírito de sistema, mas é preciso que os nossos argumentos façam eco, pela repercussão da palavra escrita, a mais temível arma para os nossos adversários.

Dadas que foram as primeiras aparições, com as quais não se haviam relacionado os homens da nossa época e subjugados em sua acintosa negação insciente, visto como os fatos põem de lado os juízos suspeitos, a primeira explicação que veio à tona a dizer a natureza de tais fenômenos foi a do "ser coletivo", que se resume no seguinte:

"Um fluido especial se desprende da pessoa do médium, combina-se com o fluido das pessoas presentes, para constituir um personagem novo, temporário, independente em certa proporção, e produzindo os fenômenos verificados".

Eis o quanto pode a inteligência humana, digna de maiores encômios!

Tão agarrado à matéria se acha o espírito do homem, tão desviado se acha da Espiritualidade, que lhe parece impossível a existência da Vida Psíquica, e, portanto, ser essa a causa dos fenômenos que se vai observando.

E como descrê de tudo o que deixa de impressionar a sua retina, e acostumou-se a negar sistematicamente o que não podia ser percebido pelos seus grosseiros sentidos, em face das novas manifestações que com assombro tem testemunhado, julgou de melhor alvitre atribuí-las às "FORÇAS CEGAS" e "PRODUTOS DAS SECREÇÕES NERVOSAS" capazes, dizem, de formar um novo personagem apto para produzir ações que o próprio homem é incapaz de executar por si.

Por isso é que bem disse o luminar da nova ciência: "Oh, homem, quanto és grande, mas como te degradas tornando-te inferior aos brutos!"

Mas essa teoria devia ser destruída, pois assim como do nada, nada pode sair, assim também uma "força cega", sem inteligência, sem raciocínio, sem consciência e, portanto, sem método de ação, seria incapaz de engendrar um "ser" que revela poder, vontade, inteligência, raciocínio.

A teoria do ser coletivo, que pretendia formar o personagem transcendental, como Cyrano de Bergerac, o seu homúnculo saído da retorta, morreu, mas até hoje não lhe faltam sacerdotes a lhe entoarem o laudemus, quando deviam, diante desse sarcófago, que encerra mais uma múmia do espírito do orgulho, rebelando-se contra a Verdade, proferir o requiescat in pace do ritual rotineiro.

Mas é tempo dos erros passarem, e auxiliada pela inteligência iluminada e pelos poderes superiores, a humanidade ampliará a sua visão desvendando horizontes novos que a libertará dos grilhões do passado.

Cairbar Schutel

Trechos da obra:

II

As forças infernais

A insuficiência da teoria do ser coletivo para explicar os assombrosos fenômenos que maravilharam o mundo, devia forçosamente ser suprimida por uma outra teoria em que um poder maior se manifestasse.

E assim que a "teoria demoníaca" proclamada pelos remunerados sacerdotes das "seitas religiosas" foi exaltada, e em vez das forças cegas produzindo fatos inteligentes, entrou em cena o legendário Satã, criatura imaginária de concepção clerical.

Foi mais uma afronta à dignidade dos poderes espirituais do homem antes e depois da morte, uma nova cartada lançada contra a existência e imortalidade da alma, cujas verdades abalaram as academias e os altares, que precisavam permanecer para a honra e glória dos "imortais" vivedores dos templos.

Rabinos da lei, fariseus das modernas sinagogas, adstritos á idolatria, reverenciadores das imagens de escultura, proclamadores das estampas e verônicas milagrosas, que tanto fanatismo têm infundido nas massas e principalmente nas almas infantis, todos de braços dados, representantes dos Césares, lançaram terríveis imprecações contra os substanciosos fatos, básicos da imortalidade humana, e que não podem deixar de ser o sólido e indestrutível fundamento da ciência e da religião.

Era, porém, muito ilógica, inconcludente, irracional e blasfema essa teoria, para que se impusesse aos homens.

A existência e o poder de Satã vinha destruir a existência e o poder de Deus, reduzindo o Universo a um inferno hiante; Satã caíra e o rumor produzido nos templos abalou suas colunas.

As igrejas de Roma e Reformistas, vendo solapados os seus fundamentos, juraram desse dia em diante, não mais dar tréguas ao "adversário terrível" que fez desencadear e descer as águas impetuosas da Verdade sobre as bases de seus templos erguidos na areia movediça!

Mas as seitas Budistas e Bramânicas ainda não haviam se manifestado, e o Espiritismo, dando início ao cumprimento da Profecia de Joel, repetida por Pedro no Cenáculo, "derramava do seu espírito sobre toda a carne".

Duas teorias haviam caído, fazia-se mister que um novo monstro se erguesse para combater o Ideal que crescia e se engrandecia com as sucessivas vitórias que ia obtendo nos campos da inteligência.

A teoria gnômica, como lhe chamou Gibier, foi a terceira que apareceu, qual novo titã para destronar as almas dos mortos, cujos fenômenos vêm revolucionando o mundo.

É que tão infalíveis se julgam os sacerdotes do Tibet e os grandes lamas (espécie de bispos que usam vestuário violeta semelhante á capa de cônego romano, inclusive a mitra e o báculo), como os padres do catolicismo e os ministros do protestantismo.

Também eles deviam falar, pois a palavra sacerdotal, a que eles também, tinham direito, não havia sido proferida por seus lábios.

E a nova teoria bruxuleou no Himalaia, onde os cascões astrais, os diabretes e os gnomos, ditam leis aos magnos sacerdotes de Brama.

Cairbar Schutel

Ver no site a obra publicada por Gabriel Delanne "O Fenômeno Espírita"

Fontes: Casa Editora O Clarim

Fontes: Luz na Mente - Revista on Line de Artigos Espíritas (Coexistência entre Ciência e Espiritismo é possível?)

"O túmulo não é o ponto final da existência. Nosso destino é grandioso. Existem mundos de luz, onde reina a verdade; mundos que serão nossas futuras moradas! Assim como o progresso caracteriza perfeitamente a evolução gradativa do nosso planeta, que será um dia paraíso terrenal, assim também essa Lei inflexível, que rege os mundos que se balouçam no Éter, nos prepara moradas felizes, dispersas na Casa de Deus, que é o Cosmo infinito."

Cairbar Schutel "O Gigante do Espiritismo"

"A Caridade quando praticada, material, moral e espiritualmente falando é a Religião Pura que nos conduz a Deus. Foi para demonstrar esta verdade que Jesus baixou a este mundo, pois toda a sua vida, desde o seu nascimento até a sua morte, foi a expressão mais significativa da Caridade em toda a sua plenitude."

Cairbar Schutel "O Gigante do Espiritismo"

 

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