ERNESTO BOZZANO

METAPSÍQUICA HUMANA

A propósito da Introdução à
Metapsíquica Humana

Refutação do livro de René Sudre
 

Ernesto Bozzano - Per la difesa dello spiritismo

(A proposito della "Introduction à la Métapsychique Humaine" di René Sudre)

Società Editrice Partenopea

Napoli (1927)

 

 

René Sudre

(1880 - 1968)

Cientista Frances, Professor da L'Ecole des hautes Etudes Sociales, Vice-Presidente do Laboratório Nacional de Pesquisas Psíquicas, colaborador de inúmeros ensaios e resenhas para a Revue Metapsychique de 1926-1930. Pesquisa Psíquica desenvolvimento de pontos de vista de uma interpretação espiritual de natureza semelhante ao de Schopenhauer ou Henri Bergson, porém, mais intimamente em contato com as novas concepções do universo físico.

Em 1926 publicou a obra Introduction a la Metapsychique Humaine (Payot, Paris, que Hans Driesch, Bergson e outros consideram como a exposição mais lógica e concisa dos fatos psíquicos. Sudre nutria verdadeira aversão pelos espiritas e lutou contra todas as hipóteses doutrinárias, buscando todas as formas de sofisticar um sistema que englobaria uma nova psicologia para os fatos inexplicados pela ciência.

Apresentação de Ernesto Bozzano:

René Sudre

A propósito da “Introdução à Metapsíquica Humana”

Não me deterei em analisar o excelente tratado de metapsíquica publicado pelo Sr. René Sudre. Limitar-me-ei em notar que o autor conseguiu sintetizar, em um volume de proporções normais, exposição completa, erudita e bem feita de todas as categorias de fenômenos metapsíquicos. Pode-se mesmo dizer que o trabalho não só atinge o fim que o inspirou, senão que constitui também alguma coisa mais do que uma simples “Introdução ao estudo da metapsíquica”.

A sua utilidade torna-se indiscutível, mesmo para os competentes no assunto, que não teriam facilidade de encontrar disposto, com tanta clareza e êxito, o imponente cabedal da fenomenologia examinada.

Quanto à propaganda fecunda que um tratado como esse pode exercer nos meios científicos, não lamentarei, sequer, o antiespiritismo superlativamente sofístico do autor, sem o qual a obra perderia, nesse sentido, toda a eficiência naqueles meios ainda dominados pelos preconceitos materialistas.

Sob o ponto de vista pessoal meu – que diametralmente diverge daquele em que se coloca Sudre –, é natural, entretanto, me disponha a analisar, discutir e refutar, uma por uma, as principais opiniões e hipóteses antiespíritas, emitidas pelo autor, mormente por me parecer estar ele bem enfronhado no assunto e ser um pensador de talento indiscutível. É, sem dúvida alguma, um valente contendor, com o qual a discussão de grande proveito será, pois se apresenta na arena terçando as armas mais formidáveis dentre as que são usadas no campo em que milita.

Ernesto Bozzano

Conclusão de Ernesto Bozzano:

Chegado ao termo deste trabalho de ampla refutação de um livro excepcionalmente parcial e superlativamente sofístico, devo declarar-me plenamente convencido de, pelos fatos, haver provado que a “prosopopese-metagnomia”, hipótese fundamental sustentada por Sudre, para por ela explicar as manifestações metapsíquicas de efeitos inteligentes, de modo algum atinge o fim que teve em vista o autor.

As hipóteses complementares, por ele imaginadas para reforço daquela, apenas serviram, como tivemos ocasião de ver, para de modo eloqüente mostrar os esforços desesperados em que se debate para, desta ou daquela maneira, livrar-se da invasão, para si indesejável, da hipótese espírita.

Esses esforços levaram-no a formular as hipóteses complementares, que constituem concessões ao ponto de vista espírita, concessões para ele muito perigosas, por isso que o fazem transpor as fronteiras da morte, com um primeiro passo que, assim, dá no domínio espiritualista, admitindo justamente aquilo que constitui a base fundamental da tese espírita. E, de fato, a primeira hipótese complementar afirma a presença de um “fantasma fluídico”, ou “duplo”, que se separaria do corpo somático na crise da morte, para conservar uma vida independente da do seu criador, mas apto a se unir a um outro vivo, embora por breves dias.

A segunda admite a existência de “memórias que sobrevivem, mas que evidentemente não são do “psicológico morto”, nem, também, das personalidades vivas”.

A situação, que a si mesmo assim criou o nosso autor, torna-se insustentável e fadada a esboroar-se como um castelo de cartas ao primeiro embate da realidade, que se apresenta nos fatos a demolirem pelos alicerces o próprio edifício. Esses fatos, com efeito, demonstram que o “corpo etérico”, longe de sobreviver pelo curto tempo que, por comodidade teórica, lhe concede Sudre, sobrevive e se manifesta traduzindo lúcida inteligência, um século e mais após a morte do corpo somático, e, ao invés de permanecer inerte como compete a um “corpo fluídico” inconsciente, precisando para recobrar consciência de unir-se a um sensitivo, o “fantasma plástico” mostra-se capaz de manifestar a sua inteligência a qualquer distância do lugar em que se dera a sua desencarnação.

A segunda hipótese, relativa à sobrevivência das memórias integrais, mas impessoais e inconscientes, nas quais o médium vai captar os esclarecimentos necessários para “embrulhar” o próximo, é, por sua vez, contestada pelos fatos.

Estes demonstram, com efeito, que as personalidades espirituais não são personificações subconscientes, pois que sabem predispor e combinar acontecimentos, mesmo fora de qualquer ligação com o médium, entre uma sessão medianímica e outra.

Daí se vê que o trabalho de Sudre, que apresentava manifestamente o grave inconveniente de não se propor a procurar a Verdade através da Verdade, antes a intenção clara de a todo o transe procurar demolir a hipótese espírita, encontrou a sorte que merecia, desmantelando-se por completo ao primeiro contacto com a eloqüência demonstrativa dos fatos.

E se outra é a opinião de Sudre a tal respeito, é que certamente dispõe de elementos que a justifiquem e então fácil lhe deverá ser achar uma explicação natural para todos os casos de que trata este meu trabalho, competindo-lhe refutar, uns após outros, todos os argumentos por mim apresentados em favor da sua gênese indiscutivelmente espírita. Uma explicação natural, repito, para todos os casos que eu acabo de relatar e não para alguns escolhidos a dedo e que se prestem a “exercitações” sofísticas. Reservo-me, aliás, o direito de sobrecarregar a sua tarefa, já de si pouco convidativa, oferecendo-lhe na ocasião oportuna algumas centenas de outros casos análogos, cuidadosamente ordenados, classificados e comentados em um volume, já em preparo.

E aqui, depois de haver analisado a obra de Sudre, não me parece fora de propósito fazer algumas considerações sobre a mentalidade do autor, mentalidade que me parece merecer atentamente observada.

O talento de Sudre é indiscutível, mas ele nasceu sofista. Passa e torna a passar ao lado da Verdade e não a percebe; mexe e remexe em volta dela e, com cuidado, a evita; se com ela esbarra, por acaso, afasta-a com asco. São esses os traços característicos que distinguem o “sofista de nascença” do “sofista ocasional”. Todos os homens de ciência, todos os pensadores têm no seu passivo sofismas e paralogismos, mas ocasionalmente e dentro de justa medida; é um acidente psicologicamente inevitável.

Mas em Sudre o sofisma é a regra talvez única a não ter exceção; nasceu a tal ponto sofista que, quando alguém lhe aponta os sofismas, ele se cala. Cala-se porque não pode responder, mas, imperturbável, continua a fazer deles uso!

“É um “cúmulo” que demonstra claramente ser a sua mentalidade a tal ponto sofística que não lhe permite perceber a posição insustentável, direi mesmo, quase ridícula, em que o coloca essa atitude irracional.

E que ele seja um sofista de nascença prova-o outra circunstância por outra forma inexplicável, qual a de se não preocupar de aplicar às suas pesquisas os processos científicos da análise comparada e da convergência de provas.

Para combater a hipótese espírita, basta-lhe que um caso negativo qualquer lhe caia em mão e aproveita-o imediatamente para os seus fins, sem se preocupar absolutamente com os numerosos casos afirmativos que contradizem, neutralizam, anulam o incidente explorado com tão grande leviandade! E não é tudo, pois se diria que ele não compreende mesmo a necessidade, a utilidade dos métodos de pesquisas científicas indicados, visto não se preocupar com os fatos, ainda quando os conhece.

Torna-se, pois, evidente que a mentalidade de René Sudre, sendo a de um sofista de nascença de mistura com a de um temperamento manifestamente apaixonado do parti-pris, o torna inapto ao desempenho da tarefa de, com proveito, pesquisar as manifestações metapsíquicas.

O seu talento é de outra natureza. Poderia, quem sabe, colher louros imarcescíveis se se dedicasse ao jornalismo, à literatura, ao teatro, mas, no domínio da Metapsíquica, ele não conseguirá mais do que entravar o trabalho alheio, desorientar a pesquisa e retardar o advento da Verdade.

Comentário do site:

Ernesto Bozzano refuta as teses de René Sudre publicadas na "Introdução a Metapsíquica Humana". Sudre foi um dos parapsicólogos que mais se opôs aos conceitos espíritas, atribuindo cegamente ao rugido do subconsciente humano todas as explicações dos fenômenos espíritas. Foi um ferrenho materialista e nunca perdia oportunidade para atacar qualquer crença vinculados a fenômenos chamados “sobrenaturais”.

No embate destes dois pesquisadores dos fenômenos psíquicos. De um lado Ernesto Bozzano, impregnado da fé raciocinada, sustentando por quase meio século as teses dos fatos espíritas, demonstrando a existência, a natureza e a interferência do espírito no mundo físico. Do lado oposto está René Sudre, um materialista intransigente, arauto do ateísmo, alegando que a imortalidade da alma e a existência de Deus não existem porque tudo se encerra na morte do corpo físico.

Do confronto destes dois estudiosos na arena do debate metafísico, A Doutrina dos Espíritos sagrou-se vitoriosa com os argumentos imbatíveis de Ernesto Bozzano, que esquadrinhou a força da inteligência nos alicerces da fé e da razão, proporcionando ao homem os conteúdos consistentes sobre o destino espiritual que transcende imensamente o restrito perímetro da matéria.

A vida prossegue muito além dos densos apelos físicos e noutras dimensões seguiremos a caminhada rumo ao Supremo Criador.

Irmãos W. e Jorge Hessen

Ver no site o grande defensor do Espiritismo "Alexandre Aksakof"

Fontes: Palestras Espíritas Jorge Hessen

"Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imensa legião a movimentar-se sob as ordens do Senhor, espalham-se por sobre toda a Terra, semelhantes a luzes que descem dos céus, dentro da noite, vindo clarear o destino e abrir os olhos aos cegos"

Allan Kardec "Evangelho Segundo O Espiritismo"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - A Gênese (Obra de Allan Kardec - "A Gênese" - Caráter da revelação espírita - Cap. 1)

 

Ernesto Bozzano - Metapsíquica Humana PDF

 

Ernesto Bozzano - Metapsíquica Humana DOC

 

Ernesto Bozzano - Per la difesa dello spiritismo (Ital.)

 

Ernesto Bozzano - A propos de l introduction à la Métapsychisme Humaine (Fr)