ERNESTO BOZZANO

OS ENIGMAS DA PSICOMETRIA

 

Psicometria [do grego psyché + métron (do latim metru) + -ia] - 1. Em Psicologia, é o registro e medida dos fenômenos psíquicos por meio de métodos experimentais padronizados. 2. Em a ciência espírita, designa a faculdade anímica de ler impressões e recordações ao contato com objetos comuns.

Psicometria e a faculdade que têm algumas pessoas de lerem impressões e recordações ao contato de objetos comuns. Psicometria é, também, faculdade mediúnica. Faculdade pela qual o sensitivo, tocando em determinados objetos, entra em relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados. Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor.

 

Ernesto Bozzano - Gli enigmi della psicometria

Casa Editrice Luce e Ombra

Roma (1920)

Introdução da obra:

Pois que a psicometria não passa de uma das modalidades da clarividência, a esta pertencem, também, os seus enigmas.

É natural, portanto, que, ao falarmos nesta obra de uma, sejamos levados a tratar da outra.

De qualquer modo, para não ampliar demasiadamente o assunto, limitar-nos-emos a versar exclusivamente o tema da psicometria, que contém os principais enigmas a resolver.

De resto, as suas modalidades próprias lhe conferem um caráter especial, que permitem considerar à parte.

As modalidades segundo as quais se estabelece a conexão entre o sensitivo e a pessoa ou meio concernente ao objeto “psicometrado” distinguem, efetivamente, a psicometria das outras formas de clarividência.

No sonambulismo provocado, é o próprio operador quem estabelece a relação entre o sensitivo e a pessoa ou o meio colimados.

Na ausência de operador, é o consulente que, por sua presença, faculta a ligação entre o sensitivo e ele próprio ou a pessoa e o meio distantes.

Na clarividência utilizada por quiromancia, cartomancia, visão do cristal, os diversos objetos ou processos empregados podem considerar-se como simples estimulantes, próprios para suscitar o estado psicológico favorável ao desembaraço das faculdades subconscientes.

Na psicometria, muito pelo contrário, parece evidente que os objetos apresentados ao sensitivo, longe de atuarem como simples estimulantes, constituem verdadeiros intermediários adequados, que, à falta de condições experimentais favoráveis, servem para estabelecer a relação entre a pessoa ou meio distantes, mercê de uma influência real, impregnada no objeto, pelo seu possuidor.

Essa influência, de conformidade com a hipótese psicométrica, consistiria em tal ou qual propriedade da matéria inanimada para receber e reter, potencialmente, toda espécie de vibrações e emanações físicas, psíquicas e vitais, assim como se dá com a substância cerebral, que tem a propriedade de receber e conservar em latência as vibrações do pensamento.

Após as experiências recentes e decisivas de Edmond Duchatel e do Doutor Osty nos domínios da psicometria, não é mais possível duvidar da realidade dessa influência pessoal, absorvida pelos objetos e percebida pelos sensitivos.

O que ainda se não sabe é se a influência em apreço contém virtualmente a história do dono do objeto – história suscetível de ser psicometricamente evocada pelos sensitivos em seus mínimos pormenores, tal como afirmam alguns experimentadores.

Sem embargo, ao menos no que diz respeito à influência de pessoas vivas, tudo concorre para demonstrar que tal latitude de poderes é, em grande parte, imaginária.

A influência pessoal registrada pelos objetos não exerce, realmente, outro papel que o de estabelecer a relação com a pessoa ou meio distantes, que se tenha em vista “psicometrar”.

Essa influência fornece uma pista ao psicômetra e lhe permite segui-la.

Daí resultaria que as descrições e revelações verídicas, obtidas graças à relação psicométrica, longe de serem diretamente extraídas da influência contida nos objetos psicometrados, seriam alcançadas por meio das faculdades clarividentes e telepáticas do sensitivo e orientadas, isto sim, pela influência persistente nos objetos.

Todavia, apresso a acrescentar que essa limitação de poderes da psicometria (dos quais acabo de tratar unicamente do ponto de vista das influências de natureza humana registradas pelos objetos), não eliminaria a hipótese dos professores Buchanan e Denton, mediante a qual o objeto seria, por si mesmo, capaz de revelar minuciosamente a sua própria história.

Não. A minha observação tende apenas à limitação da hipótese, modificando-lhe a significação.

Os informes obtidos, graças à análise psicométrica, constituiriam, em todo o caso, uma questão de relações estabelecidas por um meio que não seria material propriamente dito, tal como provaremos depois.

Aqui assenta o problema mais importante da fenomenologia psicométrica.

O fato de penetrar os segredos biográficos da matéria, inanimada, permaneceria bem mais misterioso, mesmo que se operasse com o concurso das relações com um meio que não fosse matéria, precisamente.

Em torno deste enigma maior, outros enigmas surgem não menos perturbadores.

Porque, de fato, tudo parece demonstrar que os sensitivos entram, às vezes, em relação com os reinos vegetal e animal, a tal ponto se identificando com a influência contida no objeto psicometrado, que dir-se-ia apropriarem-se das sensações, dos entendimentos, das vibrações e sensações rudimentares dos organismos ou substâncias estudados.

Assim, da mesma forma pela qual a influência deixada num objeto por pessoa viva tem a virtude de pôr o sensitivo em relação com a subconsciência dessa pessoa, assim também a mesma influência, deixada nos objetos por uma pessoa falecida, teria o poder de pôr o sensitivo em relação com o Espírito do falecido.

Esta última suposição parecerá bem menos inconcebível que as até agora enunciadas, pois é uma premissa menor, conseqüência lógica da premissa maior.

Outras modalidades, não menos enigmáticas, apresentam-se na fenomenologia psicométrica e haveremos de as examinar, à proporção que ressaltarem dos respectivos fatos.

Ernesto Bozzano

Conclusão da obra:

Ao concluir, louvo-me de haver demonstrado que, na base dos fenômenos psicométricos, encontra-se sempre uma influência especializada e latente, registrada pela matéria e perceptível aos sensitivos; e que essa influência consiste, possivelmente, em sistemas de vibrações psíquicas e físicas determinadas, seja pela atividade cerebral do pensamento, seja pelas manifestações da vida, seja pela realização dos fenômenos da Natureza.

Nesta última modalidade de psicometria, a influência não é registrada e conservada diretamente pela matéria, mas pelo éter nela imanente.

Na base das percepções psicométricas encontra-se, constantemente, um fenômeno de relação, estabelecido entre o sensitivo e pessoas vivas ou mortas, ou então com seres animais, organismos vegetais e estados da matéria, em relação com o objeto psicometrado.

Graças a essa relação, o sensitivo extrai as suas percepções telepaticamente de pessoas vivas ou mortas, fluidicamente ligadas ao objeto; e as extrai telestesicamente dos animais e plantas, como do próprio éter imanente no objeto e não da matéria que o constitui. Ordinariamente, a faculdade psicométrica é uma função do Eu integral subconsciente, posto que se verifique, muitas vezes, com a intervenção de entidades desencarnadas.

Finalmente, demonstramos que os sensitivos percebem os fatos sob a forma de imagens pictográficas transmitidas ao Eu integral subconsciente e, algumas vezes, por entidades desencarnadas.

Essas imagens correspondem, a mais das vezes, a acontecimentos reais: mas também podem ser, eventualmente, de natureza simbólica, colimando uma informação.

Ernesto Bozzano

A psicometria:

O rápido curso de aprendizagem que vínhamos realizando atingia a sua fase final.

Aulus não dispunha de tempo para favorecer-nos com experiências mais amplas.

Era um trabalhador comprometido em serviços diversos.

Embora isso compreendêssemos, Hilário e eu nos sentíamos algo melancólicos.

O Assistente, contudo, desenvolvia todas as possibilidades ao seu alcance para conservar-nos o entusiasmo habitual.

Atravessávamos ruas e praças, quando nos defrontamos com um museu, a que se acolhiam alguns visitantes retardatários.

E o nosso orientador, como quem se dispunha a aproveitar as horas que nos restavam para dilatar observações e apontamentos, convidou-nos a entrar, exclamando:

— Numa instituição como esta, é possível realizar interessantíssimos estudos. Decerto, já ouviram referências à psicometria. Em boa expressão sinonímica, como o é usada na Psicologia experimental, significa «registro, apreciação da atividade intelectual», entretanto, nos trabalhos mediúnicos, esta palavra designa a faculdade de ler impressões e recordações ao contacto de objetos comuns.

Passamos por longo portal e, no interior do edifício, reparamos que muitas entidades desencarnadas iam e vinham, de mistura com as pessoas que anotavam utilidades de outro tempo, com crescente admiração.

— Muitos companheiros de mente fixa no pretérito freqüentam casas como esta pelo simples prazer de rememorar... — comentou o Assistente.

Verifiquei que algumas preciosidades, excetuando-se uma que outra, estavam revestidas de fluidos opacos, que formavam uma massa acinzentada ou pardacenta, na qual transpareciam pontos luminosos.

Notando-me a curiosidade, o instrutor aclarou, benevolente:

— Todos os objetos que você vê emoldurados por substâncias fluídicas acham-se fortemente lembrados ou visitados por aqueles que os possuíram.

Não longe, havia curioso relógio, aureolado de luminosa faixa branquicenta.

Aulus recomendou-me tocá-lo e, quase instantaneamente, me assomou aos olhos mentais linda reunião familiar, em que venerando casal se entretinha a palestrar com quatro jovens em pleno viço primaveril.

Com aquele quadro vivo a destacar-se ante a minha visão interior, examinei o recinto agradável e digno. O mobiliário austríaco imprimia sobriedade e nobreza ao conjunto, que jarrões de flores e telas valiosas enfeitavam.

O relógio lá se encontrava, dominando o ambiente, do cimo de velha parede caprichosamente adornada.

Registrando-me a surpresa, o Assistente adiantou:

— Percebo a imagem sem o toque direto. O relógio pertenceu a respeitável família do século passado. Conserva as formas-pensamentos do casal que o adquiriu e que, de quando em quando, visita o museu para a alegria de recordar. É um objeto animado pelas reminiscências de seus antigos possuidores, reminiscências que se reavivam no tempo, através dos laços espirituais que ainda sustentam em torno do círculo afetivo que deixaram.

Hilário tateou a preciosidade e falou:

— Isso quer dizer que vemos imagens aqui impressas por eles, por intermédio de vibrações...

— Justamente — confirmou o orientador. —O relógio está envolvido pelas correntes mentais dos irmãos que ainda se apegam a ele, assim como o fio de cobre na condução da energia está sensibilizado pela corrente elétrica. Auscultando-o, na fase em que se encontra, relacionamo-nos, de imediato, com as recordações dos amigos que o estimam.

Hilário refletiu alguns momentos e observou:

— Então, se estivéssemos interessados em conhecer esses companheiros e encontrá-los, um objeto nessas condições seria um mediador para a realização de nossos desejos...

— Sim, perfeitamente — aprovou o instrutor —; usaríamos, para isso, alguma coisa em que a memória deles se concentra. Tudo o que se nos irradia do pensamento serve para facilitar essa ligação.

— Muito importante o estudo da força mental — considerei, sob forte impressão. Aulus sorriu e comentou:

— O pensamento espalha nossas próprias emanações em toda parte a que se projeta. Deixamos vestígios espirituais, onde arremessamos os raios de nossa mente, assim como o animal deixa no próprio rastro o odor que lhe é característico, tornando-se, por esse motivo, facilmente abordável pela sensibilidade olfativa do cão.

Quando libertados do corpo denso, aguçam-se-nos os sentidos e, em razão disso, podemos atender, sem dificuldade, a esses fenômenos, dentro da esfera em que se nos limitam as possibilidades evolutivas.

— Somos, desse modo, induzidos a crer — considerou meu companheiro — que não dispomos de recursos para alcançar o pensamento daqueles que se fizeram superiores a nós...

— Sim, aqueles que atingiram uma elevação que não somos capazes de imaginar, remontaram a outros planos, transcendendo-nos o modo de expressão e de ser. O pensamento deles vibra em outra freqüência. Naturalmente, podem acompanhar-nos e auxiliar-nos, porque é da Lei que o superior venha ao inferior quando queira, contudo, por nossa vez, não nos é facultado segui-los.

O Assistente refletiu um instante e prosseguiu:

— Simbolizemos, para discernir. O que ocorre, entre eles e nós, acontece entre nós e os seres que se nos localizam à retaguarda. Podemos, por exemplo, cuidar dos interesses das tribos primitivas ou retardadas, sem que elas consigam fazer o mesmo em nosso favor. Penetramos os costumes e conhecimentos da taba, sem que a taba entenda patavina de nosso edifício cultural.

O pensamento nos condiciona ao circulo em que devemos ou merecemos viver e, só ao preço de esforço próprio ou de segura evolução, logramos aperfeiçoá-lo, superando limitações para fazê-lo librar em esferas superiores.

O Assistente fitou-nos com bondade e acrescentou:

— No entanto, evitemos digressões em desacordo com os nossos objetivos essenciais.

— Imaginemos — disse por minha vez — que nos propuséssemos fixar a atenção num exame mais circunstanciado. Poderíamos, assim, conhecer a história da matéria que serve à formação do relógio que analisamos?

— Sem dúvida. Isso demandaria mais trabalho, mais tempo, contudo, é iniciativa perfeitamente viável.

— Cada objeto, então — concluiu Hilário —, pode ser um mediador para entrarmos em relação com as pessoas que se interessam por ele e um registro de fatos da Natureza...

— Sem mais nem menos — confirmou Áulus, seguro de si —; não podemos esquecer que o paleontologista pode reconstituir determinadas peças da fauna pré-histórica por um simples osso encontrado a esmo.

Quando se nos apura a sensibilidade de maneira mais intensiva, em simples objetos relegados ao abandono podemos surpreender expressivos traços das pessoas que os retiveram ou dos sucessos de que foram testemunhas, através das vibrações que eles guardam consigo.

E, num sorriso, ajuntou:

— As almas e as coisas, cada qual na posição em que se situam, algo conservam do tempo e do espaço, que são eternos na memória da vida.

Logo após, detivemo-nos a estudar primorosa tela do século 18, que não apresentava qualquer sinal de moldura fluídica.

Efetivamente, era uma preciosidade isolada. Por ela, não nos foi possível estabelecer qualquer contacto espiritual de natureza exterior.

Aulus assumiu a atitude do professor benevolente que lhe era peculiar e explicou:

— Pesquisado mais intimamente, este quadro será interessante registro, oferecendo-nos informações acerca dos ingredientes que o constituem, entretanto, não funciona como «mediador de relações espirituais, por achar-se plenamente esquecido pelo autor e por aqueles que provavelmente o possuíram...

Avançamos mais além.

Ao lado de extensa galeria, dois cavalheiros e três damas admiravam singular espelho, junto do qual se mantinha uma jovem desencarnada com expressão de grande tristeza.

Uma das senhoras teve palavras elogiosas para a beleza da moldura, e a moça, na feição de sentinela irritada, aproximou-se tateando-lhe os ombros.

A matrona tremeu, involuntariamente, sob inesperado calafrio, e falou para os companheiros:

— Aqui há um estranho sopro de câmara funerária. É melhor que saiamos...

Confiou-se o grupo a manifestações de bom-humor e retirou-se, acompanhando-a noutro rumo. A entidade, que não nos assinalava a intromissão, pareceu-nos contente com a solidão e passou a contemplar o espelho, sob estranha fascinação.

Aulus acariciou-a, de leve, tocou o objeto com atenção e comentou:

— Anotaram o fenômeno? Do pequeno conjunto de visitantes, a irmã que registrou a aproximação da jovem, sob nosso exame, é portadora de notável sensibilidade mediúnica. Se educasse as suas forças e sondasse o espelho, entraria em relação imediata com a moça que ainda se apega a ele desvairadamente. Receber-lhe-ia as confidências, conhecer-lhe-ia o drama intimo, porque imediatamente lhe assimilaria a onda mental, senhoreando-lhe as imagens...

Hilário, incapaz de sofrear a curiosidade que nos esfogueava o cérebro, indagou sobre a moça. Que fazia ali, naquele túmulo de recordações? por que se interessava, com tanta ânsia, por um simples espelho, sem maior significação?

O Assistente, como quem já esperava por nosso inquérito, respondeu sem pestanejar:

— Toquei o objeto para informar-me. Este espelho originalíssimo foi confiado à jovem por um rapaz que lhe prometeu casamento. Vejo-lhe a figura romântica nas reminiscências dela. Era filho de franceses asilados no Brasil, ao tempo da França Revolucionária de 1791. Menino ainda, aportou no Rio e aí cresceu e se fez homem. Encontrou-a e conquistou-lhe o coração.

Quando arquitetavam projetos de casamento, depois da mais Intima ligação afetiva, a família estrangeira, animada com os sucessos de Napoleão, na Europa, deliberou o retorno à pátria. O moço pareceu desolado, mas não desacatou a ordem paterna. Despediu-se da noiva e lhe implorou guardasse a peça como lembrança, até que pudesse voltar, e serem então felizes para sempre...

Contudo, distraído na França pelos encantos de outra mulher, não mais regressou... Depressa esqueceu responsabilidades e compromissos, tornando-se diferente. A pobrezinha, no entanto, fixou-se na promessa ouvida e continua a esperá-lo. O espelho é o penhor de sua felicidade. Imagino a longa viagem que terá feito no tempo, vigiando-o como sendo propriedade sua, até que a lembrança viesse por fim repousar no museu.

— O assunto — aventei, preocupado — compele-nos a refletir sobre as antigas histórias de jóias enfeitiçadas...

— Sim, sim — ponderou o Assistente —, a influência não procede das jóias, mas sim das forças que as acompanham.

Hilário, que meditava a lição maduramente, considerou:

— Se alguém pudesse adquirir a peça e conduzi-la consigo...

— Decerto — atalhou o instrutor — arcaria também com a presença da moça desencarnada.

— E isso seria justo?

Aulus esboçou leve sorriso e obtemperou:

— Hilário, a vida nunca se engana. É provável que alguém apareça por aqui e se extasie à frente do objeto, disputando-lhe a posse.

— Quem?

— O moço que empenhou a palavra, provocando a fixação mental dessa pobre criatura, ou a mulher que o afastou dos compromissos assumidos. Reencarnados, hoje ou amanhã, possivelmente um dia virão até aqui, tomando-a por filha ou companheira, no resgate do débito contraído.

— Mas não podemos aceitar a hipótese de a jovem desencarnada ser atraída por algum círculo de cura, desembaraçando-se da perturbação de que é vitima?

— Sim — concordou o orientador —, Isso é também possível; entretanto, examinada a harmonia da Lei, o reencontro do trio é inevitável. Todos os problemas criados por nós não serão resolvidos senão por nós mesmos.

A conversação era preciosa, contudo, a responsabilidade impelia-nos para diante.

De saída, renteamos com o gabinete em que funcionava a direção da casa.

Vendo duas cadeiras vagas, junto a pequena mesa de trabalho, meu colega consultou, com o evidente intuito de completar a lição:

— Creio que os móveis sob nossa vista são utilizados por auxiliares da administração do museu... Se nos sentarmos neles, poderemos entrar em relação com as pessoas que habitualmente os ocupam?

— Sim, se desejarmos esse tipo de experiência — informou o orientador.

— E em nos referindo aos encarnados? —prosseguiu Hilário. — Qualquer pessoa, em se servindo de objetos pertencentes a outros, tais como vestuários, leitos ou adornos, pode sentir os reflexos daqueles que os usaram?

— Perfeitamente. Contudo, para que os registrem devem ser portadores de aguçada sensibilidade psíquica. As marcas de nossa individualidade vibram onde vivemos e, por elas, provocamos o bem ou o mal naqueles que entram em contacto conosco.

— E tudo o que observamos é mediunidade?...

— Sim, apesar de os fatos dessa ordem serem arrolados, por experimentadores do mundo científico, sob denominações diversas, entre elas a “criptestesia pragmática”, a «metagnomia tátil», a “delestesia”.

E, tomando-nos a dianteira para o retorno à via pública, rematou:

— Em tudo, vemos integração, afinidade, sintonia... E de uma coisa não tenhamos dúvida:

Através do pensamento, comungamos uns com os outros, em plena vida universal.

Fontes: NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE. Capítulo 26,  8º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”. Ditado pelo Espírito André Luiz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (A psicometria ante os desafios da sensibilidade psíquica)

Fontes: Jornal Mundo Espírita (Órgão de Divulgação da Federação Espírita do Paraná)

"Os extraordinários fenômenos de psicometria por meio do contato com a pena de um pombo, o galho de uma árvore, um pedaço de carvão ou de barro.

Poder-se-á indagar: E se o objeto psicometrado teve, no curso dos anos, diversos possuidores? Com a vida de qual deles o médium entrará em relação?

Ernesto Bozzano, com irresistível lógica, que o médium entrará em relação com os fatos ligados àquele (possuidor) cujo fluido se evidenciar mais ativo em relação com o sensitivo.

A esse aspecto do fenômeno psicométrico, Bozzano denominou de «afinidade eletiva.

Pela psicometria o médium revela o passado, conhece o presente, desvenda o futuro.

No tocante à relação com o passado e o presente, qualquer explicação é desnecessária, uma vez que a alínea «a» nos dá satisfatória resposta: o objeto, móvel ou imóvel, impregnado da influência pessoal do seu dono, conserva-a durante longo tempo e possibilita o recolhimento das impressões."

Ernesto Bozzano "Os Enigmas da Psicometria"

"Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada,que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, peneumatágrafos, escreventes ou psicógrafos."

Allan Kardec "O Livro dos Médiuns"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - A Psicometria (Martins Peralva - Estudando a Mediunidade)

 

Ernesto Bozzano - Os Enigmas da Psicometria PDF

 

Ernesto Bozzano - Les Enigmes de la Psychométrie (Fr)