ERNESTO BOZZANO

 

XENOGLOSSIA

 

(Mediunidade Poliglota)

 

 

Xenoglossia (do grego xenom = estranho, estrangeiro + glossa = língua) Xenoglossia — ou mediunidade poliglota — é a faculdade pela qual o médium se expressa, oral ou graficamente, por meio de idioma que não conhece na atual encarnação.


 

 

Ernesto Bozzano - Medianità poliglotta (Xenoglossia)

 

Libreria Lombarda

 

Milano (1933)
 

Sinopse da obra:

 

E um fenômeno mediúnico no qual uma pessoa é capaz de falar idiomas que nunca aprendeu, como, por exemplo, uma pessoa começar a falar alemão fluentemente sem nunca ter aprendido alemão, ser alemão ou conviver com alemães.

 

A mediunidade xenoglossia apresenta casos muito interessantes em que vários pesquisadores apresentam episódios notáveis com o médium Florizel Von Reuter, pesquisado pelo presidente Dr. Walter Francklin da Sociedade de Pesquisa Psíquicas de Londres, que receberam mensagens em russo, húngaro, norueguês, polonês, holandês, lituano, irlandês, persa, árabe e turco.

 

Além da psicografia, apresenta escrita em longas frases em grego e outros casos em chinês, japonês e dialetos antiqüíssimos, inclusive voz direta em que algumas vezes essas vozes eram de Espíritos conhecidos de pessoas presentes que os identificavam de pronto, e quase sempre as mensagens eram em línguas e dialetos desconhecidos do médium, xenoglossia na escrita e voz direta.

 

Introdução da obra:

 

O termo “xenoglossia” foi proposto pelo professor Richet, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmente e, às vezes, ignoradas de todos os presentes, dos casos afins, mas radicalmente diversos, de “glossolalia”, nos quais os pacientes sonambúlicos falam ou escrevem em pseudolínguas inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, pseudolínguas que não raro se revelam orgânicas, por serem conformes às regras gramaticais.

 

Não é aqui ocasião de nos ocuparmos com estes últimos fenômenos, que são de ordem sonambúlico-hipnótica e nada têm de comum com a “mediunidade poliglota”, como nada de comum apresentam com as manifestações metapsíquicas deste gênero, se bem aconteça que incidentes de glossolalia se intercalem em genuínas manifestações supranormais, o que não é de causar surpresa, dado que não se poderão evitar as interferências subconscientes em qualquer ramo da metapsíquica, até que estejam mais bem conhecidas as leis psicofísicas que diferenciam os estados mediúnicos dos estados sonambúlicos.

 

Do ponto de vista teórico, a “mediunidade poliglota” se mostra uma das mais importantes manifestações da fenomenologia metapsíquica, pois por ela se eliminam de um só golpe todas as hipóteses de que disponha quem queira tentar explicá-las, sem se afastar dos poderes supranormais inerentes à subconsciência humana, porquanto a interpretação dos fatos, no sentido espiritualista, se impõe aqui de forma racionalmente inevitável.

 

Quer isto dizer que, graças aos fenômenos de xenoglossia, se deve considerar provado que, nas experiências mediúnicas, intervêm entidades espirituais extrínsecas ao médium e aos presentes.

 

Não ignoro que os propugnadores, a todo custo, da origem subconsciente de toda a fenomenologia metapsíquica, não chegando a explicar as manifestações em apreço, por meio das hipóteses de que dispõem, formularam timidamente uma outra, que se denomina “memória ancestral”, segundo a qual os médiuns seriam aptos a conversar numa língua inteiramente desconhecida deles, desde que algum de seus antepassados houvesse pertencido ao povo cuja língua eles falam.

 

Nesse caso fora de presumir-se que as condições mediúnicas fazem brotar, das estratificações de uma hipotética “memória ancestral” subconsciente, o conhecimento pleno do idioma falado pelo ascendente do médium.

 

A bem da história, importa lembrar que a hipótese da “memória ancestral” foi sugerida originariamente pela doutora russa Maria Manaceine, porém com o intuito muito limitado de explicar um outro fenômeno mnemônico bastante discutido: o da emersão de lembranças de acontecimentos que na realidade nunca se deram na vida daquele que os recorda, fenômeno que Manaceine, depois de Letourneau, procurou explicar, estendendo a influência da lei de hereditariedade também aos da memória, mas unicamente sob a forma da emergência fragmentária de fatos sucedidos aos antepassados.

 

Como se vê, a concepção originária da doutora eslava, se bem que audaz, era legítima e podia discutir-se. Outro tanto, certamente, já não ocorre com a extensão absurda e fantástica que agora se quer imprimir à mesma hipótese.

 

A insólita circunspeção, porém, com que tal extensão foi alvitrada por si só demonstra que quem a sugeriu, visando apenas livrar-se, a qualquer preço, da invasão intempestiva da hipótese espirítica, tinha plena consciência de que aventava uma outra de todo impossível. Assim sendo, não parece caso de tomá-la a sério.

 

Todavia, observarei que ela igualmente não afrontaria os recentíssimos exemplos de médiuns que, até este momento, já conversaram numa dúzia de línguas diversas, o que leva a presumir que, com o prosseguimento das experiências e com a manifestação de novas personalidades de defuntos que pertenceram a outras raças, os médiuns em questão ainda darão prova de ulteriores conhecimentos lingüísticos.

 

O professor Richet considera “verdadeiro milagre” o fenômeno de falar em línguas ignoradas e não tenta diminuir a imensa importância teórica do fato, em sentido espiritualista. Entretanto, acha que a existência dos fenômenos de xenoglossia, longe ainda de ficar provada e, com estas judiciosas considerações, conclui uma breve enumeração de episódios do gênero:

 

“Resumindo: nenhum dos casos expostos apresenta suficiente valor probante... Segue-se que não é possível se lhes conceda direito de cidadania no vasto domínio da metapsíquica subjetiva. Seja, porém, como for, inclino-me a crer que um dia, talvez não distante, se terá de reconhecer autêntico algum caso de tal natureza.

 

Nessa expectativa, cumpre se apresentem exemplos melhores, que venham relatados de forma menos fragmentária, menos imperfeita do que a que se nota nos até agora conhecidos...” (Tratado de Metapsíquica, pág. 280 da primeira edição.)

 

Não se pode negar que o Professor Richet tenha razão de exprimir-se assim, com relação a quase todos os casos por ele citados, os quais, todavia, apenas representam pequeníssima parte dos que existem no gênero de que tratamos. Infelizmente, o acervo deles se acha disperso um pouco por toda parte, em livros, opúsculos, revistas, em condições, pois, de não serem facilmente encontráveis pelos estudiosos.

 

Estando as coisas nesse pé, segue-se que àquele que quiser que os fenômenos de xenoglossia adquiram “direito de cidadania no vasto domínio da metapsíquica”, indispensável se torna que comece por reunir e pôr em ordem um certo número deles, obedecendo a uma especial classificação. Foi o que me propus fazer, com a presente monografia.

 

Mas, é inegável que, quando se empreende formar uma coleção de casos do gênero com que nos ocupamos, verifica-se que a observação do Professor Richet pode estender-se muito além dos que ele considerou, por isso que, se é certo que os fenômenos de xenoglossia se mostraram sempre relativamente freqüentes no conjunto dos da metapsíquica e se multiplicaram nestes últimos tempos, contudo, quando se começa a reunir e analisar os ditos fenômenos, nota-se que eles se apresentam muito amiúde relatados de forma puramente anedótica, com tal parcimônia de pormenores circunstanciais, que não chegam a ser utilizáveis com escopo científico, o que tanto mais deplorável se faz quanto, as mais das vezes, são episódios não só muito importantes, como patentemente genuínos.

 

Daí decorre que a messe dos fatos que me abalanço a enumerar parece bem pouca coisa, em confronto com o imponente material recolhido. Como quer que seja, por felicidade, entre os casos aqui apreciados, bom número se conta dos que vêm referidos de maneira cientificamente apropriada, além de serem de data recente ou recentíssima.

 

Devo também assinalar outro embaraço sério que encontrei ao organizar a presente classificação. Deparou-se-me ele na circunstância de que certos casos clássicos de xenoglossia se revelam familiares a quem quer que seja versado em metapsíquica e eu mesmo já tive ocasião de os citar e comentar em outros trabalhos.

 

Como proceder nessa conjuntura? Suprimi-los não parecia aconselhável, uma vez que, assim, a classificação – a primeira pelo que concerne aos casos em exame – sairia muito lacunosa. Tirei-me, então, da dificuldade, adotando uma “meia medida”: a de os acolher, mas para relatá-los em breves (se bem que adequados) resumos.

 

Do ponto de vista da classificação dos casos, observo que os fenômenos de xenoglossia se produzem nas seguintes modalidades várias de características extrínsecas: com o automatismo falante (possessão mediúnica); com a mediunidade audiente (clariaudiência), caso em que o médium repete foneticamente as palavras que subjetivamente percebe; com o automatismo escrevente (psicografia e tiptologia); com a voz direta; com a escrita direta.

 

Neste último caso, trata-se, quase sempre, de mãos materializadas, visíveis ou invisíveis, que escrevem diretamente as suas mensagens. Cumpre se lhes juntem, finalmente, os poucos casos de fantasmas materializados, que escreveram ou falaram em línguas ignoradas do médium.

 

Dada esta explicação, entro sem mais demora no assunto.

 

Ernesto Bozzano

A xenoglossia ou mediunidade poliglota na bibliografia espírita:

 

Cap. 23 - Fascinação

 

Um doloroso caso de mediunidade destrambelhada, sob ação cruel de um obsessor desencarnado, põe a descoberto fatos infelizes que já duram um milênio(!). A vítima de uma vingança, uma médium, tem tanta sintonia com seu algoz, que retransmite palavras num dialeto já morto, usado ao tempo passado no qual ambos se acumpliciaram em crime. Esse fenômeno caracteriza a “mediunidade poliglota” ou xenoglossia.

 

De igual processualística ocorre a mediunidade pela qual um médium psicógrafo registra texto em idioma que lhe é desconhecido (na atual existência...)

 

Fontes: NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE 08º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”. Ditado pelo Espírito André Luiz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Comentário do site:

 

O site apresenta mais um fenômeno instigante, a Xenoglossia (do grego Xenom = estranho, estrangeiro + Glossa = língua). Tal e raro fenômeno é interpretado algumas vezes segundo os fundamento dos habituais dogmas religiosos e as das definições das funções psíquicas e metapsíquicas:

 

- Há dogmas que impõem a crença da “Santíssima Trindade” em que Deus é dividido em três “pessoas”: O Pai, Filho, Espírito Santo. Durante os cultos de tais crenças ocorre supostamente o intercâmbio do “Espírito Santo” com os fiéis, circunstância em que o ungido profere palavras e “ensinamentos” através de línguas estranhas. Ou seja o Criador se apresenta e conversa pessoalmente com as criaturas.

 

- Há o grupo e formado de parapsicólogos que explica ser a xenoglossia advinda da pródiga elaboração linguística do inconsciente, normalmente em momentos de euforia, excitação, transe, etc., sem haver necessariamente nenhuma ligação com o “sobrenatural”. Ou seja todo o fenômeno tem um fundo anímico, pois é provocado pelas estruturas subconscienciais da pessoa.

 

O Espiritismo estuda o tema no Livro dos Espíritos, capítulo XIV, item 223, vejamos:

 

15. Os Espíritos só têm a linguagem do pensamento, não a articulada, e portanto usam apenas uma língua. Assim, um Espírito poderia exprimir-se por via mediúnica numa língua que nunca falara quando vivo. Nesse caso, de onde tira as palavras que emprega?

 

"Já respondeste a pergunta por ti mesmo, ao dizer que os Espíritos só tem uma língua, que é a do pensamento. Todos compreendem essa língua, tanto os homens como os Espíritos. Ao dirigir-se ao Espírito encarnado do médium, o Espírito errante não fala em francês nem em inglês, mas na língua universal do pensamento. Para traduzir as suas idéias numa linguagem articulada, transmissível, e ele utiliza as palavras do vocabulário do médium."

 

16. Se for assim, o Espírito só deveria exprimir-se na língua do médium, mas sabe-se que escreve em línguas que lhe são desconhecidas. Não há nisso uma contradição?

 

"Observe-se primeiro que nem todos os médiuns são igualmente aptos a esse gênero do exercício. Em seguida, que os Espíritos só se prestam a ele acidentalmente, quando julgam que isso pode ser útil. Para as comunicações usuais, de certa extensão, preferem servir-se de uma língua familiar ao médium, que lhes apresenta menos dificuldades materiais a superar."

 

17. A aptidão de certos médiuns para escreverem numa língua estranha não provém do fato de a terem usado noutra existência, conservando-a na atual em forma intuitiva?

 

"Certamente isso pode acontecer, mas não é uma regra. O Espírito pode, com algum esforço, superar momentaneamente a resistência material. É o que se verifica quando o médium escreve, na sua própria língua, palavras que não conhece."

 

E no capítulo XVI do Livro dos Médiuns, lê-se: "Médiuns poliglotas: os que têm a faculdade de falar ou escrever em línguas que lhes são desconhecidas. Muito raros."

 

Como vimos, somos espíritos imortais, tivemos muitas reencarnações, aprendemos muitas línguas e nada mais natural que todo esse acervo aprendido possa surgir através da mediunidade (muito raramente, pois é quando os desencarnados falam noutras línguas durante o transe) ou pelo processo anímico (conteúdo linguístico provindo do próprio médium.)

Irmãos W. e Jorge Hessen

 

 

 

A mensagem da página fac-símile foi psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, de trás para diante, no idioma inglês, na sede da União Espírita Mineira, após concerto em benefício do Abrigo Jesus, realizado em 4 de abril de 1937, pelo exímio violinista Levino Albano Conceição, cego desde os sete anos de idade. Esta linda saudação, recebida em dois minutos, escrita em caracteres invertidos, poderá ser lida em um espelho, em cuja frente deverá ser colocada. Lê-se, então, o seguinte:

 

“My dear and generous friends of the fraternity’s doctrine.
Good health and peace in God, our Father!
Let us learn the life in the love’s law, from the instructions of Jesus Christ; Except this work almost in the earthly word represent the struggle and studies of the vanity and from the darkness of the little men’s science.

 

Your brother,

Emmanuel”

 

Fontes: Espíritos Diversos - “Mandato de amor”- Psicografia de Chico Xavier - Organizador Geraldo Lemos Neto

 

Ver no site o pesquisador de fenômenos espíritas Hyppolite Baraduc

 

Ver no site o pesquisador espírita Herculano Pires

 

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Advento do Paracleto)

 

Fontes: Portal - Mundo Espírita

 

Disse-lhes Jesus...

 

"Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura.

Expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas"

 

(Evangelho de Marcos - 16,15)

 

 

"Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava."

 

(Atos 2:1-4)

 

 

RELAÇÃO DE OBRAS DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns (Obra de Allan Kardec "O Livro dos Médiuns" - Parte II - Médiuns Especiais - Cap. XVI)

 

 

Ernesto Bozzano - Xenoglossia PDF

 

 

Ernesto Bozzano - Medianità poliglotta (Xenoglossia) (1933) (Ital.)