
ERNESTO BOZZANO
CÉREBRO E PENSAMENTO
Trechos da
obra:
Finalizo, pois, chamando a atenção dos leitores sobre o fato de que os casos de indivíduos que conservam sua inteligência apesar da destruição parcial ou total do cérebro, contemplados conjuntamente com as circunstâncias notabilíssimas da existência na subconsciência humana de uma "memória integral" perfeita e de uma consciência individual superior, dotada de faculdades de sentido espiritual, conduzem logicamente a reconhecer a existência no homem de um espírito independente do organismo corporal, provido de um organismo espiritual ou "corpo etéreo", base da memória integral e das faculdades sensoriais supranormais.
Por outro lado, demonstramos que as conclusões que alcançamos, parecem perfeitamente conciliáveis com a teoria do "paralelismo psicofísico", sobre o qual insistem justamente nossos opositores. E afirmo "justamente", porque não pode haver dúvida alguma a respeito da verdade intrínseca dos fatos observados pelos fisiólogos. Mas estes fatos, se examinados à luz das modernas investigações sonambúlicas e metapsíquica, mudam radicalmente de significação. Faz-se, pois, necessário limitar o alcance teórico que abusivamente lhes assinalam, reconhecendo que, longe de demonstrar que o pensamento é uma função do cérebro, provam somente a existência de uma correlação, pela lei de equivalências, entre as atividades morfológicas e psíquicas, opostas entre si; correlação que poderia ser presumida a priori de tal modo parece natural e indispensável para bem compreender a função real e grandiosa confiada ao órgão do pensamento, função que é dupla: por um lado, a de registrar as vibrações físicas que chegam através dos sentidos, a fim de transformá-las de imediato em vibrações psíquicas perceptíveis para o espírito, e por outro lado, a de registrar as "imagens psíquicas" com as quais o espírito responde as vibrações específicas que chegam do meio terrestre, traduzindo-as e transmitindo-as à periferia em forma de ações apropriadas. Pois bem, é evidente que tudo isto não pode se realizar sem uma dispersão de energia nervosa em perfeita equivalência com a natureza e intensidade das atividades psíquicas em função. Os físicos tem, pois, razão, deste ponto de vista limitado.
Ao contrário, o acabamos de dizer demonstra que fisiólogos estão equivocados quando impregnam a legitimidade da hipótese espírita, apesar da convergência imponentemente de todas as provas em seu favor, e que a combatam em nome do eterno, sem dúvida efêmero obstáculos do paralelismo que existe entre as funções morfológicas e psíquicas do cérebro. Como se a existência de um instrumento que ao ser acionado consome energia, não fosse compatível co a do obreiro que o faz funcionar. Ao contrário! Os dois termos de maior problema de ser se conciliam admiravelmente entre si, são inclusive indispensável para resolvê-lo.
Os
espíritas proclamam, pois, solenemente, que a teoria do "paralelismo psicofísico" é legítima,
incontestável, inquebrantavelmente verdadeira, e que é preciso unicamente modificar sua
interpretação para fazê-la compatível com a nova psicologia supranormal que foi revelada pelas
investigações sonambúlicas e metapsíquicas.

P: Da influência dos órgãos se
pode inferir a existência
de uma relação entre o desenvolvimento dos do cérebro
e o das faculdades morais e intelectuais?
R: "Não confundais o efeito com a
causa. O Espírito
dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora,
não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que
impulsionam o desenvolvimento dos órgãos."
Allan Kardec - O Livro dos Espíritos
Cap. VII - Da volta do Espírito à vida corporal - Influência do organismo



Ernesto Bozzano - Cérebro e Pensamento