ERNESTO BOZZANO

POVOS PRIMITIVOS E MANIFESTAÇÕES SUPRANORMAIS

 

Pneumatofonia - (Do grego - pneuma - e - phoné, som ou voz.) - Voz dos Espíritos; comunicação oral dos Espíritos, sem o concurso da voz humana

 

Ernesto Bozzano - Delle manifestazioni supernormali tra i popoli selvaggi

 Casa Editrice Luce e Ombra

Roma (1926)

Introdução da obra:

O autor reúne nesta monografia uma série de casos reconhecidamente selecionados e documentados, acerca de manifestações supranormais entre os atuais povos primitivos: selvagens e não selvagens.

Trata-se de uma análise acurada de documentos sobre a telepatia, a clarividência no presente, no passado e no futuro, a levitação humana, os aportes, a voz direta, as materializações, as aparições dos vivos e dos defuntos e outras manifestações metapsíquica que se realizam, na maior parte, entre os povos selvagens.

O que acima de tudo importa notar é que os fenômenos manifestados naqueles povos são, em tudo, análogos aos que se verificam junto a nós, povos civilizados. Isso torna-se-á particularmente evidente porque o autor teve o cuidado de reviver, continuamente, ou de citar, em verdade, os casos semelhantes da casuística européia-americana.

A seriedade da documentação é tal que induz a refletir-se também sobre a fenomenologia aparentemente embaraçosa, tal, por exemplo, os fenômenos da Licantropia.

Com a leitura desta obra, pode-se, portanto, ter uma idéia de algumas importantes categorias da Metapsíquica.

Esta exposição comentada cientificamente, sem possibilidade de objeção e provida de casos também moderníssimos, não deixará de interessar, além do mais, a outros cultores da Metapsíquica, como antropólogos, etnólogos e psicólogos.

Estes últimos encontrarão uma concepção totalmente nova acerca da gênese da idéia da sobrevivência entre nós e entre os selvagens; idéia que foi sempre referida - com o princípio da escola de Spencer e partidários - sobre casos banais como fenômenos do sonho, do eco, da própria imagem refletida na água etc.

Entretanto, na realidade, ela tem origem nos fatos controlados e indiscutíveis como são os fatos metapsíquicos que se realizam entre os povos selvagens de maneira idêntica como entre nós.

A importância e a originalidade dessas demonstrações de Bozzano não passarão despercebidas por alguns. Elas assinalam o início duma concepção totalmente nova nos confrontos da antropologia psicológica.

Verona, setembro de 1941

Gastone de Boni

Construção da garganta ectoplásmica e sua utilização:

Cap.10

Materialização

Prosseguiram os serviços normalmente.

Entre os votos de êxito dos companheiros encarnados semiconfiantes, a médium foi conduzida a pequeno gabinete improvisado, fazendo-se, em seguida, ligeira oração. Via-se, no entanto, que, como acontecia em outras reuniões, os amigos terrestres emitiam solicitações silenciosas, entrando as vibrações mentais em conflito ativo, desservindo ao invés de auxiliar no trabalho da noite, o qual requisitava a mais elevada percentagem de harmonia.

À claridade fraca e suave da luz vermelha que substituíra a forte lâmpada comum, notavam-se as emissões luminosas do pensamento dos amigos encarnados. Francamente, não havia na pequena comunidade o espírito de entendimento divino do serviço em curso. Ninguém ponderava a expressão do fato para a Humanidade terrena, sequiosa de revelação celeste. Via-se que a reunião era profundamente dominada pelo “eu”.

Enquanto uns exteriorizavam exigências, outros determinavam as criaturas desencarnadas que deveriam comparecer nos fenômenos de materialização. Procurei, contudo, coibir minhas impressões de desagrado, porque todos os trabalhadores de grande elevação, no recinto, portavam-se calmamente, tratando os companheiros carnais com desvelado carinho, quais sábios em face de crianças queridas ao coração.

Diversos servidores espirituais começaram a combinar as radiações magnéticas dos companheiros terrenos, a fim de constituírem material de cooperação, enquanto Calimério, projetando seu sublime potencial de energias sobre a médium, operava-lhe o desdobramento que durou alguns minutos.

Verônica e outras amigas amparavam a jovem, parcialmente libertada dos veículos físicos, mas algo confusa e inquieta ao lado do corpo, já mergulhado em profundo transe.

Em seguida notei que, sob a ação do nobre orientador da tarefa, se exteriorizava a força nervosa, à maneira dum fluxo abundante de neblina espessa e leitosa.

Notando a perturbação vibratória do ambiente, em vista da atitude desaconselhável dos companheiros encarnados, disse Calimério ao controlador mediúnico:

— Alencar, é necessário extinguir o conflito de vibrações. Nossos amigos ignoram ainda como auxiliar-nos, harmonicamente, através das emissões mentais. É mais razoável se abstenham da concentração por agora. Diga-lhes que cantem ou façam música de outra natureza. Procure distrair-lhes a atenção deseducada.

Alencar, porém, que se encontrava sob preocupações fortes, diante das múltiplas obrigações que deveria desempenhar no momento, pediu a colaboração de Alexandre, que se colocou à disposição dele, imediatamente:

— André — falou o meu orientador, em tom grave —, improvisemos a garganta ectoplásmica. Não podemos perder tempo.

E, identificando-me a inexperiência, acrescentou:

— Não precisa inquietar-se. Bastará ajudar-me na mentalização das minúcias anatômicas do aparelho vocal.

Estava aturdido, mas o instrutor considerou:

— A força nervosa do médium é matéria plástica e profundamente sensível às nossas criações mentais.

Logo após, Alexandre tomou pequena quantidade daqueles eflúvios leitosos, que se exteriorizavam particularmente através da boca, narinas e ouvidos do aparelho mediúnico, e, como se guardasse nas mãos reduzida quantidade de gesso fluido, começou a manipulá-lo, dando-me a impressão de estar completamente alheio ao ambiente, pensando, com absoluto domínio de si mesmo, sobre a criação do momento.

Aos poucos, vi formar-se, sob meus olhos atônitos, um delicado aparelho de fonação. No íntimo do esqueleto cartilaginoso, esculturado com perfeição na matéria ectoplásmica, organizavam-se os fios tenuíssimos das cordas vocais, elásticas e completas na fenda glótica e, em seguida, Alexandre experimentava emitir alguns sons, movimentando as cartilagens aritenóides.

Formara-se, ao influxo mental e sob a ação técnica de meu orientador, uma garganta irrepreensível.

Com assombro, verifiquei que através do pequeno aparelho improvisado e com a cooperação dos sons de vozes humanas, guardados na sala, nossa voz era integralmente percebida por todos os encarnados presentes. Parecendo-me satisfeito com o êxito de seu trabalho, Alexandre falou pela garganta artificial, como quem utilizava um instrumento vocal humano:

— Meus amigos, a paz de Jesus seja convosco! Ajudem-nos, cantando! Façam música e evitem a concentração!…

Fez-se música no ambiente e vi que o Irmão Alencar, depois de ligar-se profundamente à organização mediúnica, tomava forma, ali mesmo, ao lado da médium, sustentada por Calimério e assistida por numerosos trabalhadores.

Aos poucos, valendo-se da força nervosa exteriorizada e de vários materiais fluídicos, extraídos no interior da casa, aliados a recursos da Natureza, Alencar surgiu aos olhos dos encarnados, perfeitamente materializado.

Surpreendido, reconheci que a médium era o centro de todos os trabalhos. Cordões tenuíssimos ligavam-na à forma do controlador e, quando tocávamos levemente na organização mediúnica, o amigo corporificado demonstrava evidentes sinais de preocupação, o mesmo acontecendo à jovem médium em relação a Alencar.

Os gestos incontidos de entusiasmo dos assistentes, que tentavam cumprimentar diretamente o mensageiro materializado, repercutiam desagradavelmente no organismo da intermediária.

O Irmão Alencar entreteve pequena palestra, diante dos companheiros terrestres extasiados. Não eram, todavia, as palavras trocadas entre ele e os assistentes que me impressionavam o coração, e, sim, a beleza do fato, a realidade da materialização dando ensejo a dilatadas esperanças no futuro humano, quanto à fé religiosa, à filosofia confortadora da imortalidade e à ciência enobrecida, a serviço da razão iluminada.

Alexandre aproximou-se de mim e considerou:

— Repare na grandeza do acontecimento. O médium desempenha o papel de entidade maternal, enquanto Alencar, sob a influência positiva de Calimério, permanece em temporária filiação ao organismo mediúnico. Todas as formas que se materializarem serão “filhas provisórias” da força plástica da intermediária.

O amigo que conversa com os encarnados é Alencar, mas os seus envoltórios do momento são nascidos das energias passivas da médium e das energias ativas de Calimério, o mais elevado diretor desta reunião. Se forçarmos o médium em nosso Plano, feriremos Alencar em processo de materialização; se os companheiros terrenos violentarem o mensageiro, repentinamente corporificado, esfacelarão a médium, acarretando consequências funestas e imprevisíveis.

Perplexo, ante o fenômeno, indaguei:

— Mas esta força nervosa é apenas propriedade de alguns privilegiados na Terra?

— Não — replicou Alexandre —, todos os homens a possuem com maior ou menor intensidade; entretanto, é preciso compreender que não nos encontramos, ainda, no tempo de generalizar as realizações. Você sabe que este domínio exige santificação.

O homem não abusará no setor do progresso espiritual, como vem fazendo nas linhas de evolução material, onde se transformam prodigiosas dádivas divinas em forças de destruição e miséria. Meu amigo: neste campo de realizações sublimes, a que nos sentimos ligados, a ignorância, a vaidade e a má-fé permanecem incapacitadas por si próprias, traçando fronteiras de limitação para si mesmas.

Impressionado com as maravilhas sob meus olhos, notei que, ao apelo de Alencar e com o concurso generoso de Calimério, materializaram-se mãos e flores, à maneira de mensagens afetuosas para os assistentes da reunião.

Reinava grande alegria entre todos, com exceção do Sr. P…, que revelava intraduzível mal-estar, sob o controle direto de vários trabalhadores espirituais que lhe neutralizavam a nociva influência.

Depois de maravilhosos minutos de serviço e júbilo, com significativas demonstrações de agradecimento a Deus, terminaram os trabalhos da noite, cooperando todos nós para que a médium fosse perfeitamente reintegrada no seu patrimônio psicofísico.

Meu coração transbordava de contentamento e esperança; todavia, era forçoso confessar que, para tamanhas manifestações de serviço e tão sublimes bênçãos, era muito reduzido o entendimento dos encarnados.

Semelhavam-se a crianças afoitas, mais interessadas no espetáculo inédito que desejosas de consagração ao serviço divino. Francamente, estava desapontado. Tantos emissários celestes a se esforçarem por meia dúzia de pessoas que pareciam distantes do propósito de servir à causa da Verdade e do Bem?!

Expus minha opinião ao devotado instrutor, mas Alexandre respondeu, tranquilo:

— E Jesus? Considera você que Ele tenha trabalhado somente para os galileus que o não compreendiam? Julga que tenha ensinado tão só no templo de Jerusalém? Não, meu amigo: convença-se de que todos os nossos atos, no bem ou no mal, estão sendo praticados para a Humanidade inteira.

Por agora, os nossos companheiros terrestres não nos entendem, nem cresceram devidamente para a completa consagração a Jesus, mas a semeadura é viva e produzirá a seu tempo. Nada se perde.

E, sorrindo, rematou, depois de longa pausa:

— É verdade que você, no mundo, foi médico sempre interessado em ver o resultado de seu trabalho, mas não se esqueça do esforço silencioso dos semeadores do campo e recorde que as sementes depositadas nos sarcófagos egípcios, há alguma milhares de anos, estão começando a produzir maravilhosamente no solo da Terra.

Fontes: MISSIONÁRIOS DA LUZ - 03º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”. Ditado pelo Espírito André Luiz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Ver no site o médium George Valiantine (Voz Direta dos Espíritos)

Fontes: Portal Guia HEU

Fontes: A Luz na Mente - Revista on line de Artigos Espíritas (A Ciência terá que avançar para desvendar as várias dimensões da vida)

Fontes: A Luz na Mente - Revista on line de Artigos Espíritas (Espiritismo e Ciência - Uma reflexão necessária)

"Por ocasião em que se realizava um banquete oferecido pelo rei Balthazar, ao qual compareceram mais de mil pessoas da corte, no momento em que bebiam vinho e louvavam os deuses, apareceram dedos que escreviam de fronte do candieiro, na superfície da parede da sala do rei, o qual via os movimentos da mão que escrevia."

(Daniel, 5:5)

"Todo o povo, porém, ouvia as vozes e via os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando: e amedrontado e abalado com o pavor parou longe."

(Êxodo, 20:18)

"Eu fui arrebatado em espírito um dia de domingo, e ouvi por detrás de mim uma grande voz como de trombeta."

(Apocalipse, 1:10)

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns (Obra de Allan Kardec - "Obra de Allan Kardec" - Da Pneumatografia ou escrita direta. Da Pneumatofonia - Cap. XII)

 

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Ernesto Bozzano - Delle manifestazioni supernormali tra i popoli selvaggi (1926) (Ital.)