Uma descrição do periódico Fanciful da chegada dos espíritos na Casa Fox em Hydesville nos Estados Unidos aonde marca o início da Doutrina Espírita

 

ERNESTO BOZZANO

Breve História dos “raps”

 

 

Ernesto Bozzano - Breve Storia Raps

Casa Editrice Luce e Ombra

Roma (1911)

Sinopse da obra:

Ernesto Bozzano faz um estudo compacto dos conhecidos fenômenos denominados “raps” (pancadas produzidas por entidades mediúnicas), que serviram, particularmente no início da expansão do Espiritismo com as Irmãs Fox e outros, para chamar a atenção dos seres humanos sobre a existência dos seres espirituais e, conseqüentemente, a sobrevivência do espírito além da morte do corpo físico.

Conclusão:

Chegado ao término da minha tarefa, e querendo resumir e concluir, observo, antes de tudo, que esta breve classificação de fenômenos aparentemente elementares, como são considerados os “golpes mediúnicos”, serve para demonstrar como o prof. Richet tinha razão ao considerá-los “um dos mais belos fenômenos da Metapsíquica”, acrescentando que a história dos raps parecia tão interessante que era de augurar-se que algum metapsiquista empreendesse uma cuidadosa classificação dos fenômenos de tal natureza.

E, na realidade, a presente classificação, embora sumária, serve para demonstrar como os fenômenos em questão, na aparência uniformes e monótonos, assumem, ao contrário, variedades de manifestação e se produzem em situações de ambientes tão variadas que resultam tão interessantes e sugestivos quanto qualquer outra categoria de manifestações metapsíquicas.

Vimos, demais, que o próprio fenômeno assume, às vezes, modalidades de manifestações imponentes, até mesmo terrificantes, como na categoria dos fenômenos de assombramento; mas que também assume, muitas vezes, significado teoricamente bastante eloqüente, no sentido espiritualista, na categoria dos fenômenos telepáticos, para tornar-se, finalmente, variadíssimo, instrutivo e importante, tanto no sentido teórico quanto no prático, na categoria dos fenômenos medianímicos.

Nesta última categoria, as investigações experimentais que apresentam maior importância do ponto de vista das induções a extrair-se para uma justa interpretação dos fenômenos supranormais em geral são as dos “golpes medianímicos projetados à distância”, tanto mais que tais experiências se prestam a ser obtidas a pedido, com a quase certeza de se poder repeti-las, caso em que se adiantaria um largo trecho para a solução de muitos problemas metapsíquicos. Quer dizer que, se em virtude dos processos da análise comparada e da convergência das provas, se conseguir demonstrar, sobre a base dos fatos, que em tais experiências não se trata sempre de uma transmissão telepático-alucinatória, de impressões fônicas subjetivas, por conseguinte inexistentes em si, em tal caso se veria restringir, de modo notável, o domínio hoje atribuído à telepatia e dever-se-ia recorrer a uma hipótese mais concreta, que seria a de Myers, segundo a qual em tais contingências se trataria de projeções, à distância, de um “centro fantasmogenético real”, o qual, porém, não seria um fenômeno de “bilocação”, mas implicaria, antes, a possibilidade de uma “cisão inicial da personalidade humana sensível e consciente”, logo uma primeira fase do fenômeno de desdobramento entre o “corpo etéreo” e o “corpo somático”. Tudo isto do ponto de vista de quem quer ater-se à “hipótese menos ampla”, a qual, sem embargo, dificilmente poderia sustentar-se em face ao conjunto integral dos fatos em que se encontram, positivamente, “casos de bilocação” propriamente ditos e casos de intervenção extrínseca.

E se isto pode-se desde já afirmar, é lícito dizer, sem temor de equivocar-se, que se se empreenderem investigações, em tal sentido, em múltiplos grupos experimentais, conseguir-se-ão provas decisivas, sobre a base dos fatos, em favor da intervenção de entidades de defuntos em uma seção relevante das manifestações em exame, tal como ocorre com todas as demais.

Sentir-me-ei muito satisfeito se a presente monografia servir de incentivo para orientar as pesquisas dos grupos de pesquisa no sentido de se fazerem experiências de “projeções à distância dos golpes medianímicos”.

Ernesto Bozzano

As Irmãs Fox:

HYDESVILLE, vilarejo situado próximo da cidade de Rochester, rio condado de Wayne, no Estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, passou à História como o berço do Novo Espiritualismo, ou seja, o Espiritismo dos povos de língua inglesa.

Numa tosca cabana residia uma família protestante composta de: John Fox, sua mulher Margareth e as filhas menores Margareth, Catherine e Kate Fox.

Cabana na qual moraram, antes deles, os esposos Bell e sua criada Lucrécia Pelves.

Nessa modesta residência se verificaram fatos estranhos, que alarmaram seus moradores e toda a vizinhança: ruídos, pancadas, batidas, punham todos em desassossego. Ninguém descobria sua origem.

As filhas do casal Fox, Margareth e Kate e ainda a mais velha, Lia, casada, eram médiuns. Kate, de 11 anos, no dia 31 de março de 1848, quando as pancadas (em inglês chamadas “raps”) se tornaram mais persistentes e fortes, resolveu desafiar o mistério, travando-se um diálogo com o que todos julgavam fosse o diabo:

— “Senhor Pé-rachado, faça o que eu faço, batendo palmas”.

Imediatamente se ouviram pancadas, em número igual ao das palmas. A sra. Margareth, animada, disse, por sua vez:

— “Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro.”

Logo se fizeram ouvir as pancadas correspondentes.

— “É um espírito?”, perguntou, em seguida. “Se for, dê duas batidas.”

A resposta, afirmativa, não se fez esperar.

— “Se for um espírito assassinado, dá duas batidas. Foi assassinado nesta casa?”

Duas pancadas estrepitosas se fizeram ouvir.

Estabelecera-se assim, naquele memorável 31 de março de 1848, a telegrafia espiritual e hoje, em Lily Dale, no Estado de Nova lorque, a tosca cabana é admirada como relíquia histórica e uma placa assinala a data considerada do nascimento do Novo Espiritualismo.

Um vizinho dos Fox, de nome Duesler, usando o alfabeto para obter respostas mais rápidas, conseguiu saber:

- o nome do assassino (o sr. Bell),

- o móvel do crime (roubo do dinheiro e coisas do assassinado, um mascate, Charles B. Rosma ou Joseph Ryan),

- o local (o quarto leste da casa),

- a data (havia 5 anos, à meia noite de uma terça-feira)

- e o modo como se dera o crime (a golpes de faca de açougueiro, na garganta, sendo o corpo levado para a adega).

Graças ao depoimento de Lucrécia Pelves, criada dos Bell, Davi Fox e outros desceram à adega, onde cavaram, encontrando tábuas, alcatrão, cal e cabelos humanos, bem como utensílios do mascate.

Seu corpo, todavia, só apareceu em 1904 (56 anos depois), quando uma parede da casa ruiu, assustando crianças que brincavam perto e deixando a descoberto o esqueleto do morto, inclusive uma lata, de seu uso, hoje ainda guardada em Hydesville.

Assim, os fatos vieram confirmar a estranha denúncia de um morto, que saía das trevas para relatar a ação criminosa de que fora vítima, há anos.

Entretanto, é preciso considerar o episódio em suas verdadeiras finalidades, porque inúmeros crimes semelhantes se dão e nem por isso as vítimas os denunciam, de modo semelhante.

Nem a finalidade da comunicação era a punição do culpado (que disso se encarregam, sempre, as leis divinas), porque à pergunta sobre se o assassino podia ser punido pela lei, se podia ser levado ao Tribunal, nenhuma resposta foi dada.

É para unir a humanidade e convencer as mentes céticas da imortalidade da alma”, disseram os Espíritos; era de fato o início de um movimento de caráter quase universal, tendente a despertar a Humanidade para a vida espiritual, que seria revelada, pouco depois, pela Codificação da Doutrina Espírita, tarefa gigantesca a ser realizada pelo grande missionário Allan Kardec.

“Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis”, escreveu Conan Doyle, em sua “História do Espiritismo”, porquanto os fatos insólitos os “raps”, produzidos pelos espíritos batedores, se multiplicavam, despertando consciências através de mensagens apropriadas.

Grande número de adeptos das novas crenças fizeram realizar em Rochester, na Sala Coríntia (Corinthian HaIl) a primeira reunião pública, para exame e debate dos fatos, nomeando-se comissões para investigar sua veracidade. Nada menos de três tiveram de os confirmar.

Figuras notáveis dos Estados Unidos reconheceram a veracidade dos fenômenos, que honestamente não podiam negar: o Governador Tallmadge e o Juiz Edmonds, cuja filha Laura se tornou depois médium notável de xenoglossia (mediunidade poliglota).

Entretanto, a reação das trevas foi grande, graças, sobretudo, ao meio intolerante em que se davam os fenômenos, numa sociedade de protestantes e numa época de obscuridade.

As irmãs Fox, certa vez, quase foram linchadas no teatro, que tiveram de deixar às escondidas.

Muito sofreram os médiuns, por meio dos quais, como sabemos, realizam-se os fenômenos e as irmãs Fox não constituiriam exceção.

Contudo, diz o Prof. José Jorge, no opúsculo “Dos RAPS de Hydesville até Allan Kardec”:

“Cumpre consignar aqui a envergadura moral do casal Fox que, contrariados e perseguidos pela Igreja Metodista a que pertenciam, preferiram de lá ser expulsos, a negar os fenômenos espíritas, ou a abdicar da verdade de que foram testemunhas”.

Como queriam os Espíritos, o acontecimento repercutiria na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das “Mesas Girantes”, prepararia o advento do ESPIRITISMO.

José Jorge - Dos RAPS de Hydesville até Allan Kardec

As Irmãs Fox

Margaret, Kate e Leah (1850)

 

 

 

Casa da Família Fox

28 de março de 1848

Hydesville, Estados Unidos da América

 

Ver no site as Irmãs Fox (Margaret, Kate, Leah)

 

Ver no site o pesquisador espírita José Lhomme "O Fenômeno das Mesas Falantes"

 

Fontes: Fox Sisters Memorial Park (Memorial das Irmãs Fox nos Estados Unidos)


 

"Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei"

 

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

 

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

 

 

 

Artigos Espíritas - O Apelo de Hydesville (Revista de Espiritismo nº. 34 – FEP)

 

 

 

Ernesto Bozzano -  Breve História dos “raps” PDF

 

 

 

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