Ernesto Bozzano

Os Fenômenos de Telestesia (Telepatia)

 

(Telepatia: Percepção à distância, implicando uma sensação ou visualização direta de coisas ou condições, independentemente de qualquer veículo sensorial conhecido, e em circunstâncias que excluem a presunção de serem as noções adquiridas originárias de mentalidade estranha à do percipiente).

 

Ernesto Bozzano - Dei fenomeni di Telestesia

Casa Editrice Luce e Ombra

Roma (1920)

Sinopse da obra:

Nesta obra Bozzano analisa as diferentes modalidades dos fenômenos telestésicos (telepatia), incluindo-os na clarividência e procurando desvendar-lhes os enigmas.

Os Fenômenos de Telestesia [telepatia = do grego têle + pat- + -ia]) são as transferência de pensamentos e emoções de pessoa para pessoa, sem o emprego dos sentidos conhecidos. Allan Kardec usou a expressão telegrafia humana, significando a comunicação à distância entre duas pessoas vivas, que se evocam reciprocamente.

Esta evocação provoca a emancipação da alma, ou do Espírito encarnado, que vem se manifestar e pode comunicar seu pensamento pela escrita ou por qualquer outro meio.
Introdução da obra:

No Glossário que precede a obra principal de Fredrich Myers, a significação do vocábulo Telestesia vem assim definida: Percepção à distância, implicando uma sensação ou visualização direta de coisas ou condições, independentemente de qualquer veículo sensorial conhecido, e em circunstâncias que excluem a presunção de serem as noções adquiridas originárias de mentalidade estranha à do percipiente.

A seu turno, o professor Charles Richet deu uma definição análoga, nos seguintes termos: Conhecimento que tem o indivíduo de qualquer fenômeno não perceptível nem cognoscível pelos sentidos normais, e estranhos a toda e qualquer transmissão mental, consciente ou inconsciente.

Fica, assim, bem entendido que, antes de classificar entre os fenômenos telestésicos um caso de clarividência, é preciso indagar se ele se pode esclarecer por meio de modalidades outras, mediante as quais se verificam os fenômenos telepáticos e também, às vezes, os de criptomnesia, como, por exemplo nos de objetos perdidos, graças a um sonho revelador.

Segue-se daí que, aplicando essa regra às manifestações da clarividência em geral, verificamos poderem ser os fenômenos presumidos de visão ou percepção supranormal reduzidos à transmissão ou leitura de pensamento e, em parte, a fenômenos de criptomnesia.

É indubitável.

Sobretudo, nos casos em que a lucidez é adquirida por intermédio de pessoas presentes ou de objetos entregues aos sensitivos (psicometria), pertencentes a pessoas distantes, porém vivas, a presunção da leitura ou transmissão do pensamento parece fundada, as mais das vezes.

Nesses casos, efetivamente, não se obtém apenas visualizações de objetos ou ambientes distantes, mas também percepções do temperamento, do caráter, do estado emocional, afetivo, mental das pessoas ausentes.

Raramente as imagens do sensitivo se reportam ao presente; antes, o que abrolha é o passado e por vezes o futuro, todas aquelas condições e circunstâncias diretamente imperceptíveis à vista comum, e mesmo indiretamente pelo cérebro e pelos centros ópticos.

Daí resulta que, no limite das manifestações em apreço, essas circunstâncias resolvem o problema a prol da leitura ou transmissão do pensamento subconsciente.

Ao demais, isso não obsta a que os fenômenos de telestesia possam eventualmente produzir-se em paralelo aos de clarividência telepática, como atestam e provam outras modalidades de fatos nos quais já não se trata de pessoas capazes de serem psicometradas à distância, mas da visualização direta de objetos ou meios independentes de qualquer percepção telepática do pensamento subconsciente de um terceiro.

Cumpre notar, todavia, que, mesmo no caso dos fenômenos de telestesia, tudo contribui para provar que não se trata de visão propriamente dita, nem mesmo visão indireta com o concurso dos centros ópticos, mas, sim, de visualizações alucinatórias verídicas (a que o professor Hyslop chamaria imagens pictográficas transmitidas pela personalidade subconsciente (e excepcionalmente por entidades desencarnadas), a fim de informar a personalidade consciente daquilo que lhe interessa).

Restaria, pois, resolver o árduo problema do recurso empregado por essa personalidade subconsciente, no intuito de entrar em relação com o objeto ou ambiente distantes, de feição a percebê-los, a conhecê-los ou a documentar-se a seu respeito.

Mais adiante voltarei a esse ponto tão importante, já que para o momento o que importa é enunciar elementos outros de análise, esperando que a narrativa dos episódios nos ofereça, sucessivamente, essa oportunidade.
Isto posto, entro logo a fundo no assunto a versar.

Ernesto Bozzano

Telegrafia do Pensamento (Allan Kardec)

Por que o que ocorreu no mundo físico, pela telegrafia elétrica, não ocorreria no mundo moral pela telegrafia humana?

Allan Kardec

A telegrafia humana! Certamente, eis com que provocar o sorriso daqueles que se recusam a admitir tudo o que não cai sob os seus sentidos materiais. Mas, que importam as zombarias dos presunçosos? Todas as suas negações não impedirão às leis naturais de seguirem o seu curso e de encontrarem novas aplicações, à medida que a inteligência humana estiver em condições de sentir-lhes os efeitos.

Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este age sobre os fluidos como o som age sobre o ar; carregam o pensamento como o ar nos traz o som. Pode-se, pois, dizer, com toda a verdade, que há nos fluidos, ondas e raios de pensamentos que se cruzam, sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros.

É assim que os movimentos mais secretos da alma repercutem no seu envoltório fluídico; que uma alma pode ler numa outra alma, como num livro, e ver o que não é perceptível para os olhos do corpo. Os olhos do corpo vêem as impressões interiores que se refletem sobre os traços do rosto: a cólera, a alegria, a tristeza; mas a alma vê sobre os traços da alma, os pensamentos que não se traduzem por fora.

A fotografia e a telegrafia do pensamento são questões até aqui apenas afloradas. Como todas aquelas que não dizem respeito às leis que, por essência, devem ser universalmente manifestadas, foram relegadas a segundo plano, se bem que a sua importância seja capital e que os elementos de estudo, que elas encerram, sejam chamados a esclarecer muitos problemas, até aqui, permanecidos sem solução.

Quando um artista de talento executa um quadro, a obra magistral à qual consagra todo o gênio que adquiriu progressivamente, nele estabelece primeiro as grandes massas, de maneira a ser compreendido, desde o esboço, todo o partido que dele espera tirar; não é senão depois de ter elaborado minuciosamente o seu plano geral, que ele procede à execução dos detalhes; e, se bem que este trabalho deva ser tratado com mais cuidado, talvez, do que o esboço, seria, entretanto, impossível se este último não o precedesse.

Ocorre o mesmo no Espiritismo. As leis fundamentais, os princípios gerais, cujas raízes existem no espírito de todo ser criado, deveram ser elaboradas desde a origem. Todas as outras questões, quaisquer que elas sejam, dependem das primeiras; é a razão que dele faz, durante um certo tempo, negligenciar o estudo direto.

Com efeito, não se pode, logicamente, falar de fotografia e de telegrafia do pensamento, antes de ter demonstrado a existência da alma, que manobra os elementos fluídicos, e a dos fluidos que permitem estabelecer relações entre duas almas distintas. Hoje, ainda, quase que não estamos suficientemente esclarecidos para a elaboração definitiva desses imensos problemas! Contudo, algumas considerações de natureza a preparar um estudo mais completo, certamente, aqui não estarão deslocadas.

O pensamento, criando imagens fluídicas, se reflete no envoltório perispiritual como numa chapa de vidro, ou ainda, como essas imagens de objetos terrestres que se refletem no vapor do ar; aí toma um corpo e se fotografa de alguma sorte.

Há mais: que um homem, por exemplo, tenha a idéia de matar um outro, por impassível que seja o seu corpo material, o seu corpo fluídico é colocado em ação pelo pensamento, do qual reproduz todas as nuanças; ele executa fluidicamente o gesto, o ato que desejou realizar; o seu pensamento cria a imagem da vítima, e a cena inteira se pinta, como num quadro, tal como está em seu espírito.

A Força do Pensamento

O homem tem uma ação direta sobre as coisas como sobre as pessoas que o cercam. Frequentemente, uma pessoa de quem se faz pouco caso, exerce uma influência decisiva sobre outras que têm uma reputação muito superior. Isso se prende a que, sobre a Terra, vêem sempre mais máscaras do que rosto, e que os olhos ali estão obscurecidos pela vaidade, interesse pessoal e todas as más paixões.

A experiência demonstra que se pode agir sobre o espírito dos homens com o seu desconhecimento. Um pensamento superior, fortemente pensado, para me servir dessa expressão, pode, pois, segundo sua força e sua elevação, atingir mais perto, ou mais longe, homens que não têm nenhuma consciência da maneira pela qual ele lhe chega. Do mesmo modo que, frequentemente, aquele que o emite não tem consciência do efeito produzido por essa emissão.

Aí está um jogo constante das inteligências humanas e de sua ação recíproca, umas sobre as outras. Juntai a isso a ação daquelas que estão desencarnadas e calculai, se o puderdes, o poder incalculável dessa força composta de tantas forças reunidas.

Se se pudesse duvidar do mecanismo imenso que o pensamento põe em jogo, e dos efeitos que ele produz de um indivíduo a outro, de um grupo de seres a um outro grupo, e, enfim, da ação universal dos pensamentos dos homens uns sobre os outros, o homem ficaria deslumbrado! Sentir-se-ia aniquilado diante dessa infinidade de detalhes, diante dessas redes inumeráveis ligadas, entre si, por uma poderosa vontade, e agindo harmonicamente para alcançar um objetivo único: o progresso universal.

Pela telegrafia do pensamento, apreciará, em todo o seu valor, a lei da solidariedade, refletindo que não há um pensamento, seja criminoso, seja virtuoso ou outro qualquer, que não tenha uma ação real sobre o conjunto dos pensamentos humanos e sobre cada um dentre eles.

E, se o egoísmo lhe fizesse desconhecer as conseqüências, para outro, de um pensamento perverso que lhe fosse pessoal, seria levado, por esse mesmo egoísmo, a bem pensar, para aumentar o nível moral geral, pensando nas conseqüências, sobre si mesmo, de um mau pensamento nos outros.

São outra coisa senão uma conseqüência da telegrafia humana do pensamento, esses choques misteriosos que nos previnem da alegria ou do sofrimento, num ser querido distante de nós? Não é por um fenômeno do mesmo gênero que devemos os sentimentos de simpatia ou de repulsa que nos arrastam para certos Espíritos e nos afastam de outros?

Certamente, aí está um campo imenso para o estudo e a observação, mas do qual não podemos perceber ainda senão o conjunto; o estudo dos detalhes será a conseqüência de um conhecimento mais completo das leis que regem a ação dos fluidos uns sobre os outros.

Fontes: KARDEC, ALLAN. Obras Póstumas. IDE, Araras, SP, 7ª edição, 1999, cap.: Introdução ao Estudo da Fotografia e da Telegrafia do Pensamento.

Fontes: Ricerca Sulla Vita Della Spirito (Biblioteca Espírita Italiana)

Fontes: Fondazione Biblioteca Bozzano De Boni

Fontes: Portal Italiano (Lo Spiritismo)

"(...) Se se pudesse suspeitar do imenso mecanismo que o pensamento aciona e dos efeitos que ele produz de um indivíduo a outro, de um grupo de seres a outro grupo e, afinal, da ação universal dos pensamentos das criaturas umas sobre as outras, o homem ficaria assombrado! Sentir-se-ia aniquilado diante dessa infinidade de pormenores, diante dessas inúmeras redes ligadas entre si por uma potente vontade e atuando harmonicamente para alcançar um único objetivo: o progresso universal"

 

Allan Kardec "Obras Póstumas - Fotografia e telegrafia do pensamento"

 

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

 

 

Artigos Espíritas - A Telestesia (Vidência) (Gabriel Delanne - A alma é imortal)

 

 

Artigos Espíritas Jorge Hessen - Fenômenos de TCI revivem os fatos que deram origem ao Espiritismo Publicado no O Consolador - Revista Semanal de Divulgação Espírita

 

 

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