Ernesto Bozzano

Materializações de “Marie”, a dançarina, com a médium

 Florence Cook

 

A materialização é um fenômeno extraordinário pelo qual os Espíritos se apresentam, por assim dizer, corporificados.

“Podemos vê-los, tocá-los, fotografá-los, ouvi-los falar; em uma palavra, nos certificarmos por todos os meios possíveis de que, temporariamente, eles são tão vivos como os observadores.” 

 

(DELANNE, Gabriel. O fenômeno espírita: testemunho dos sábios)

 

Ernesto Bozzano

Le materializzazioni di "Maria la danzatrice" nelle esperienze con la Florence Cook

Tipografia Dante, Città della Pieve

Roma (1927)

Introdução da obra:

A longa carreira profissional da médium Srta. Florence Cook (depois Sra. Elgie Corner) divide-se, distintamente, em duas fases bem diferentes de notoriedade pessoal e fenomênica.

De fato, tornaram-se clássicas e famosíssimas as materializações do espírito de “Katie King”, começadas quando a médium era uma jovem de apenas 18 anos de idade e prosseguiram durante 3 anos seguidos.

Ao contrário, caíram no esquecimento as materializações de um espírito que sucedeu a “Katie King”, depois que esta, anunciando o fim de sua missão na Terra, se despediu da médium e de Sir William Crookes numa sessão memorável, cessando as suas manifestações para sempre.

Reconheço que o esquecimento da longa série de manifestações de “Marie”, a dançarina, encontra a sua justificativa no fato de serem tais manifestações bem menos interessantes do que as anteriores, quer pelo temperamento incivil e vulgar da entidade que se manifestava, quer porque se prestavam a suspeitas de fraude sempre renovadas, devido ao revezamento de experimentadores inexperientes que não podiam imaginar que os “espíritos de defuntos”, quando viveram em um ambiente social pouco evoluído, continuavam a se manifestar mundanos e pouco evoluídos, como o foram na vida terrena.

Tais suspeitas foram agravadas pelo fato de ter-se o referido espírito apresentado muitíssimo parecido com a médium, apesar de diferençar-se dela pelas proporções do corpo, alto e formoso, em contraste com o corpo da médium, pequeno e magro.

Daí resultou que as manifestações de “Marie”, a dançarina, faziam a pobre médium sofrer martírios e amarguras sempre renovados, que certos pesquisadores incompetentes lhe infligiam com acusações destituídas de qualquer fundamento e isso apesar de ter a médium constantemente exigido severo controle – ser despida, examinada e amarrada – e a despeito de terem sido as sessões realizadas quase sempre em casas alheias com o fim de impossibilitar a ajuda de “companheiros ocultos”.

Ernesto Bozzano

Sessão de materialização do espírito Maria em Paris, em 1900:

A Revue Spirite, de Allan Kardec, de 1900, traz a descrição de várias sessões de materialização realizadas naquele ano, em Paris, com o concurso da Sra. Corner, a célebre Florence Cook de William Crookes. Por falta de espaço, traduzimos apenas uma delas.

“No domingo, 22 de julho de 1900, às 9 horas da noite, reuniram-se em um hotel o Príncipe Wiszniewsky, a Princesa Wiszniewsky, o Sr. Doutor Bécour, as Sras. Bécour e Leymarie, o Sr. e Sra. Béra, o Sr. Côte, e o Sr. Martins Velho.

Às 9:15 da noite, os convidados dirigiram-se para a sala das sessões.

O gabinete era formado, no ângulo da única porta da sala, por duas cortinas de pano espesso e preto, caindo do teto ao soalho.

No interior do gabinete apenas havia uma cadeira, pregada no soalho; nessa cadeira é que a médium se sentava.

A Sra. Corner é uma mulher de cerca de quarenta anos de idade, morena, de cabelos muito pretos, de porte baixo, mas forte.

Ela senta-se na cadeira; está com um vestido escuro, decotado, tem as mangas curtas, com renda branca flutuante. Amarram-se-lhe as mãos com uma fita que aperta, primeiro, cada punho, fortemente; depois, as mãos são reunidas, deixando-se entre elas um intervalo de cerca de dez centímetros. O corpo é amarrado por uma outra fita presa às costas da cadeira; por fim, a fita dos punhos é amarrada à do corpo. Todas as extremidades livres das fitas são seladas com um cartão. Nessa situação, a médium não pode levantar-se nem se servir das mãos a mais de dez centímetros do corpo; tem todavia a liberdade de se abanar, em vista do calor sufocante do gabinete.

Em seguida, apagam-se as luzes, exceto a que é produzida por uma lanterna guarnecida de papel vermelho. A claridade é suficiente para que ninguém possa deixar o lugar em que está, sem ser percebido por todos. Os assistentes estão sentados em semicírculo, formando a cadeia diante das cortinas.

Depois de dez minutos de espera, ouve-se a voz do “capitão”; é uma voz rouca e pouco natural. Ele só se exprime em inglês.

O “capitão” repreende asperamente a médium por agitar o leque, e lhe diz que esses movimentos embaraçam o trabalho. Uma curta discussão se trava entre ele e a Sra. Corner, terminando pela queda do leque, violentamente projetado pela abertura das cortinas, em direção aos assistentes: o mesmo acontece com o colar da médium. Em seguida, um grande braço branco e descoberto aparece. Alguns instantes depois, “Maria” mostra-se na abertura das cortinas.

“Maria”, mais alta que a médium, traz um comprido vestido branco decotado e tem descobertos os braços, que parecem muito bem feitos. Ela cochicha em francês correto, mas diferente sensivelmente do francês da médium.

O Sr. Côte entregou a “Maria” uma caixa de jóias e esta foi levá-la ao Príncipe W..., que disse ter podido tocar as suas mãos, seu rosto e seu peito; uma vez ele sentiu o contato de mão de homem, que supõe ser do “capitão”. Como sobre a mesa estivesse um papelão luminoso, “Maria” o tomou e o aproximou do rosto do Sr. Côte, depois ela apanhou um lápis e um papel que estavam na mesa e, com um ruído seco, automático e com os movimentos bruscos e mal regrados, conhecidos por todas as pessoas que têm assistido à escrita mecânica por médiuns, traçou rapidamente algumas palavras de despedida.

Nesse momento, ouve-se a voz de “Su-Su”, que deseja aparecer; depois de ligeira discussão, o “capitão” permite que ele apareça. Finalmente, um homem baixo e moreno é percebido, não muito bem, ao lado das cortinas; sua presença parece perturbar as manifestações, que se enfraquecem cada vez mais, apesar da recomendação feita aos assistentes de sustentarem uma conversação animada. O papelão luminoso é restituído pela abertura da cortinas e, logo, nesse lugar do gabinete, produzem-se fogos fátuos, que volteiam. Depois de longo repouso, o “capitão” anuncia o fim da sessão, recomenda os cuidados a ter com a médium e despede-se.

Clareia-se a sala e os assistentes verificam que a médium está sentada e ligada à cadeira, como no começo da sessão, estando intactos os nós e o lacre.”

Fontes: William Crookes - Fatos Espíritas

Ver no site a médium Florence Cook no trabalho de materialização do espírito Katie King

Ver no site o pesquisador da médium Florence Cook "William Crookes"

Fontes: Fondazione Biblioteca Bozzano De Boni

Fontes: Ricerca Sulla Vita Della Spirito (Biblioteca Espírita Italiana)

"Os ateus e os materialistas não são a todo instante testemunhas dos efeitos do poder de Deus e do pensamento?

Isso não impede que neguem Deus e a alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos?

Aos fariseus, que lhe diziam: “Mestre, faze-nos ver algum prodígio”, não se assemelham os que hoje vos pedem lhes façais presenciar algumas manifestações?

Se não se converteram pelas maravilhas da criação, também não se converterão, ainda quando os Espíritos lhes aparecessem do modo mais inequívoco, porquanto o orgulho os torna quais alimárias empacadoras. Se procurassem de boa-fé, não lhes faltaria ocasião de ver; por isso, não julga Deus conveniente fazer por eles mais do que faz pelos que sinceramente buscam instruir-se, pois que o Pai só concede recompensa aos homens de boa vontade.

A incredulidade deles não obstará a que a vontade de Deus se cumpra. Bem vedes que não obstou a que a doutrina se difundisse. Deixai, portanto, de inquietar-vos com a oposição que vos movem.

Essa oposição é, para a doutrina, o que a sombra é para o quadro: maior relevo lhe dá.

Que mérito teriam eles, se fossem convencidos à força? Deus lhes deixa toda a responsabilidade da teimosia em que se conservam e essa responsabilidade é mais terrível do que podeis supor. Felizes os que crêem sem ter visto, disse Jesus, porque esses não duvidam do poder de Deus"

Allan Kardec "O Livro dos Médiuns"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD


Allan Kardec - O Livro dos Médiuns (Obra de Allan Kardec - "O Livro dos Médiuns" - Da ação dos espíritos sobre a matéria - Cap. I )
 

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