ERNESTO BOZZANO

COMUNICAÇÃO MEDIÚNICAS ENTRE VIVOS

 

Transmissão oculta do pensamento esta foi a expressão utilizada por Allan Kardec (1804-1869) para designar o fenômeno da “telepatia”, termo que provavelmente ainda não existia na época em que lançou O Livro dos Espíritos (1857)

 

TRADUTOR HERCULANO PIRES

 

Ernesto Bozzano - Da mente a mente

Delle comunicazioni medianiche tra viventi

Casa Editrice Luce e Ombra

Roma (1924)

Sinopse da obra:

Nesta obra Bozzano faz a análise de uma classe de fenômenos mediúnicos curiosa e pouco explorada: a possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados, ou “os vivos” como nos denominamos em nosso plano material.

Através da investigação científica, o autor apresenta e esclarece as seguintes questões: Os vivos podem comunicar-se pelos médiuns? Então é possível a uma pessoa viva desdobrar-se em duas partes: corpo de um lado e espírito de outro? Mas se aceitarmos isso não estaremos retrocedendo às superstições de um passado morto, que o desenvolvimento das Ciências superou há muito?

Demonstra o autor que é necessário investigar as reais possibilidades e os limites em que se pode desenvolver a ação telepático-mediúnica entre pessoas vivas, auxiliando, desta forma, a demonstração da autenticidade espírita das comunicações análogas com as entidades de mortos.
Apresentação da obra:

Um estudo de Psicologia Integral

Os estudos da Psicologia introspectiva do passado limitavam-se ao campo subjetivo. Os estudos da Psicologia experimental moderna perderam-se no campo sensorial. O desenvolvimento da Psicologia profunda abriu a possibilidade de uma síntese, que a atual Parapsicologia tenta realizar.

Mas essa síntese já existe e seu ponto modal é o médium ou sujeito paranormal, em cujo psiquismo se fundem as manifestações anímicas e espirituais. É o que o eminente pesquisador italiano professor Ernesto Bozzano demonstra neste volume, dando uma resposta antecipada e definitiva a todas as questões de tipo bizantino hoje levantadas nesse terreno.

* * *

À maneira do que se fez no século passado e nos princípios do atual, investigadores sistemáticos ou sectários, uns e outros apegados de forma anticientífica a preconceitos culturais ou religiosos, procuram sustentar a natureza puramente anímica dos fenômenos paranormais.

Chegam a elaborar hipóteses de tipo teatral, como a de Tyrell sobre as aparições ou a de Sudre sobre as variações de personalidade do sensitivo, com a desesperada finalidade de afastar do campo das pesquisas a evidência da natureza psicológica dos fenômenos. Bozzano refutou, com lógica insuperável, em vários trabalhos, mas particularmente neste volume e em seu monumental Animismo ou Espiritismo? (resultado de quarenta anos de observações e estudos) essas hipóteses inviáveis.

Charles Richet, no fim da vida, reconheceu que as monografias de Bozzano erram de clareza meridiana, afirmando que elas “contrastam com as teorias que atravancam as Ciências”.

Richet, prêmio Nobel de Fisiologia em 1913, faleceu em 1935. Com a sua morte a Metapsíquica foi praticamente posta de lado pelos cientistas. Mas cinco anos depois já os profs. William McDougal e Joseph Banks Rhine davam impulso à Parapsicologia, demonstrando que a clarividência (1940) estava provada em rigorosas pesquisas de laboratório.

Grande número de parapsicólogos, hoje, com Rhine à frente, sustentam a tese de Bozzano de que esses fenômenos provam a existência no homem de algo que não se reduz ao físico.

As teorias sensoriais foram novamente golpeadas pela evidência da percepção extra-sensorial. Apesar disso, o velho Sudre voltou à liça para sustentar a sua posição superada e parapsicólogos como Robert Amadou, Robert Tocquet e alguns clérigos desprovidos de senso crítico empenharam-se numa campanha mundial de difamação de pesquisadores e médiuns do passado, julgando o que não viram.

Neste volume, Bozzano apresenta um dos seus estudos mais lúcidos e mais pertinentes (na atualidade) sobre a natureza dos chamados fenômenos psi. Tratando das comunicações mediúnicas entre vivos, demonstra que o psiquismo independente da criatura humana é o mesmo e age da mesma maneira nos fenômenos anímicos (ou mentais, como são hoje classificados) e nos fenômenos espíritas.

Vai além, demonstrando que a simples admissão do extra-sensorial prova que o psiquismo humano não pode ser reduzido às funções orgânicas. Se podemos ter percepções e comunicar-nos sem o intermediário habitual dos sentidos físicos é porque não somos somente materiais.

Mas não é apenas a conclusão lógica que pesa na balança. Bozzano, cujo espírito científico é inegável e dos mais penetrantes, não se contentaria somente com deduções e induções. Por isso nos mostra o argumento irrefutável dos fatos, em que sempre se apoiou. Não se trata, pois, de um simples debate em torno de hipóteses a favor e contra.

O que temos neste livro é uma exposição de fatos, e o que somente os cegos não vêem, de fatos que se repetem incessantemente por toda parte e em todos os tempos. Assim, o lançamento da primeira tradução deste livro em português é uma contribuição valiosa e necessária ao desenvolvimento atual dos estudos da fenomenologia paranormal, particularmente no Brasil, que vem sofrendo o impacto de campanhas sistemáticas e interesseiras de desmoralização desse importante campo da investigação científica.

Muitas inteligências capazes ainda se acomodam no pressuposto ingênuo de que este é um problema de interpretação. Mas a realidade é bem outra.

As interpretações constituem apenas a fumaça de camuflagem lançada pelos que não querem aceitar a evidência dos fatos, seja por uma questão de atitude (o que é anticientífico) ou de posição dogmática, materialista ou religiosa (o que é hoje culturalmente inaceitável). O problema que este livro coloca é de Ciência e por isso mesmo os dados que apresenta são objetivos.

Já é tempo de se compreender que a prevenção mental é tão danosa para o avanço do conhecimento quanto o foi no passado a prevenção emocional do fideísmo religioso. Querer saber se somos mais do que simples organismos materiais não é menos científico, nem menos digno ou menos inteligente do que procurar saber se somos apenas organismos materiais.

E por que motivo devemos encarar objetivamente os fenômenos materiais e negar o direito de isenção ao estudo dos fenômenos psicológicos (no mais alto sentido da expressão)? Que direito tem o cientista de afirmar a inexistência de fenômenos que tantos outros cientistas pesquisaram e cuja realidade sustentaram, enquanto eles, os negadores, se limitam a opiniões e argumentos?

A Psicologia integral que a Parapsicologia atual procura atingir é uma exigência do desenvolvimento científico dos nossos dias. Essa Psicologia integral é necessária para o verdadeiro conhecimento do homem, e mais do que isso, para a compreensão da própria natureza cósmica, da qual o homem é parte integrante.

Tolos não são os que sustentam o que viram, mas os que negam o que não viram. Mais tolos ainda quando teimam em não ver para não terem de refundir a precariedade de seus conhecimentos. Este livro é, sobretudo, um exemplo: o grande exemplo de um positivista que, à maneira de Lombroso, do próprio Richet e atualmente de Rhine, Soal, Price e Pratt, foi capaz de reexaminar os seus conceitos apriorísticos e reajustar a sua posição científica à realidade dos fatos.

São Paulo, janeiro de 1968

J. Herculano Pires

Comentário do site:

Allan Kardec na questão 420 do Livro dos Espíritos comenta: “O Espírito não está encerrado no corpo como numa caixa: ele irradia em todo o seu redor; porque pode comunicar-se com outros espíritos, mesmo no estado de vigília, embora o faça mais dificilmente.”

O ser encarnado possui muitas sensibilidades latentes que ainda ignoramos. Para muito além dos cinco sentidos conhecidos, o homem tem diferentes faculdades de ordem psíquica a saber: telepatia, clarividência, clariaudiência, retro e premonições e muitas outras.

Os pensamentos projetados criam as correntes de oscilações de partículas mentais contendo múltiplos conteúdo, tais fragmentos podem perfeitamente influenciar positiva ou negativamente os seres segundo a lei de sintonia.

Quando o Cristo preconizou o amor ao próximo, a vigília e oração não doutrinava sobre transitórios preceitos morais, todavia instruía sobre as leis imortais para a eternidade.

Como todos temos em maior ou menor grau a sensibilidade mediúnica é de extrema importância vigiarmos os desejos e pensamentos que frequentam a nossa mente.

Sendo assim, busquemos equilibrar as emoções, os sentimentos prestando atenção nas correntes mentais que produzimos, pois quanto mais elevado for o nosso ideal mais harmonia proporcionamos para nós mesmos e para o próximo.

Irmãos W. e Jorge Hessen

Ver no site o pesquisador espírita Herculano Pires

Fontes: Artigos Espíritas Jorge Hessen (Itatira - Surto mediúnico coletivo ou histeria generalizada?)

Fontes: Artigos Espíritas Jorge Hessen (A terceira revelação simboliza o retorno do Cristo à terra)

"Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração."

Evangelho de Mateus (6:21)

"O homem civilizado chegou a um ponto em que não mais se contenta com a fé cega. Ele quer conhecer tudo, saber o como e o porquê de cada coisa; preferirá, pois, uma filosofia que explica a outra que não explica."

Allan Kardec "Revista Espírita, junho de 1866 - Monomania incendiária precoce - Estudo moral"

 

RELAÇÕES DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns (Obra de Allan Kardec - "O Livro dos Médiuns" - Parte II - Das Materializações Espírita -  Das Evocações - Telegrafia Humana - Cap. XXV)

 

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Ernesto Bozzano - Da mente a mente - Delle comunicazioni medianiche tra viventi (1924) (Ital.)