ERNESTO BOZZANO

O retorno de Oscar Wilde

 

Ernesto Bozzano - Il ritorno di Oscar Wilde

Tipografia Dante, Città della Pieve

Roma (1925)

Prefácio da obra:

Travers-Smith, médium inglesa bem conhecida, escreveu um volume sob o título de Psychic messages from Oscar Wilde (Mensagens psíquicas de Oscar Wilde). Travers-Smith tornou-se, por sua vez, uma escritora classicamente excêntrica. Sua mediunidade era de natureza exclusivamente intelectual.

Sob o ponto de vista da identificação pessoal o texto das mensagens de Wilde constituía uma admirável reprodução fiel do estilo, da forma e da essência dos escritos por ele quando encarnado. Há um conjunto de provas de identificação pessoal baseado nas informações fornecidas pelo espirito Oscar Wilde relativamente à sua existência terrestre.

Todas as informações, que a investigação mostrou serem verídicas, eram absolutamente ignoradas dos médiuns e dos assistentes.

Nas mensagens a intelectualidade de Oscar Wilde ressurge de um modo literalmente completo, com todas as suas qualidades e todos os seus defeitos. Nota-se nestes últimos o timbre que tinha no seu temperamento de homem e escritor.

Vê-se, efetivamente, sobressair neles a estima, sem limites, que votava a si mesmo, como autor, o desprezo injustificado pelas produções literárias dos outros e a maneira cáustica, zombeteira e impenitente com a qual os desbancou.

Bem parece que Oscar Wilde não perdeu nada do seu orgulho e do seu egoísmo, mas lastima, por vezes, da perturbação que sofreram os seus sentidos e da falta de luz e de cor.

Travers-Smith observa que nenhum dos casos de identificação pessoal, de que ela tem conhecimento, teve, sobre a sua pessoa, uma influência tão eficaz como o de Oscar Wilde, para levá-la a acolher a explicação espírita dos fatos, pois dificilmente se encontrará um exemplo tão completo e circunstanciado em favor da tese da sobrevivência da alma.

Enfim, apesar da aversão dos ignorantes e repulsa a tudo o que é novo ou contém novidade o que se quer demonstrar, pelo método científico, a existência e a sobrevivência da alma, deve ser absolutamente análogo ao que se pede para se chegar à demonstração científica de uma outra hipótese qualquer, pertencente a qualquer outro ramo do saber humano.

Deve-se, então, admitir que, se um caso análogo ao Wilde (convergência de provas), a favor de uma dada hipótese (imortalidade), se verificou em outro ramo do saber humano, não se poderá deixar de proclamar logo a validade inabalável da hipótese discutida (comunicação dos mortos), o que equivale a reconhecer o pleno direito científico de concluir no mesmo sentido, afirmando que o caso de Oscar Wilde traz uma outra jóia esplêndida para o colar precioso de provas experimentais, da existência e da sobrevivência da alma.

São Paulo, 27 de agosto de 2016

Jorge Hessen

Hester Travers Smith

A GRANDE MÉDIUM IRLANDESA

(1868 - 1949)

Foi uma médium espiritualista sendo que ela escreveu Vozes do Vazio (1919), um relato de sua vida como uma médium, e as mensagens recebidas de Oscar Wilde (1923)

Ela estava intimamente associado com o pesquisador dos fenômenos espíritas Sir William Fletcher Barrett, o grande pesquisador psíquico.

Oscar Wilde

(1854 - 1900)

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde (Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, atual República da Irlanda)

Foi um influente escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa. Depois de escrever de diferentes formas ao longo da década de 1880, tornou-se um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890. Hoje ele é lembrado por seus epigramas e peças, e as circunstâncias de sua prisão, que foi seguido por sua morte precoce.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde nasceu na cidade de Dublin em 16 de outubro de 1854, quando o que hoje é a República da Irlanda ainda pertencia ao Reino Unido, na forma do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.

O segundo de três filhos, foi criado numa família protestante (depois convertendo-se à Igreja Católica), estudou na Portora Royal School de Enniskillen e no Trinity College de Dublin, onde se sobressaiu como latinista e helenista. Ganhou depois uma bolsa de estudos para o Magdalen College de Oxford.

Wilde saiu de Oxford em 1878. Um pouco antes de ter ganho o prêmio "Newdigate" com o poema "Ravenna".

Passou a morar em Londres e começou a ter uma vida social bastante agitada, sendo logo caracterizado pelas atitudes extravagantes.

Foi convidado para ir aos Estados Unidos a fim de dar uma série de palestras sobre o movimento estético por ele fundado, o esteticismo, ou dandismo, que defendia, a partir de fundamentos históricos, o belo como antídoto para os horrores da sociedade industrial, sendo ele mesmo um dândi.

Em 1883, vai para Paris e entra para o mundo literário local, o que o leva a abandonar seu movimento estético. Volta para a Inglaterra e casa-se com Constance Lloyd, filha de um rico advogado de Dublin, indo morar em Chelsea, um bairro de artistas londrinos. Com Constance teve dois filhos, Cyril, em 1885 e Vyvyan, em 1886. O melhor período intelectual de Oscar Wilde é o que vai de 1887 a 1895.

Em 1892, começa uma série de bem sucedidas histórias, hoje clássicos da dramaturgia britânica: O leque de Lady Windermere (1892), Uma Mulher sem Importância (1893), Um Marido Ideal e A importância de ser Prudente (ambas de 1895). Nesta última, o ar cômico começa pelo título ambíguo: Earnest, "fervoroso" em inglês, tem o mesmo som de Ernest, nome próprio.

Publica contos como O Príncipe Feliz e O Rouxinol e a Rosa, que escrevera para os seus filhos, e O crime de Lord Artur Saville.

O seu único romance foi O Retrato de Dorian Gray.

Oscar Wilde foi pioneiro na criação do filme de drama e no de ação.

A situação financeira de Wilde começou a melhorar, e, com ela, conquista uma fama ainda maior. O sucesso literário foi acompanhado de uma vida bastante mundana, e suas atitudes tornaram-se cada vez mais excêntricas.

Os julgamentos e a prisão

Em maio de 1895, após três julgamentos, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por "cometer atos imorais com diversos rapazes". Wilde escreveu uma denúncia contra um jovem chamado Bosie, publicada no livro De Profundis, acusando-o de tê-lo arruinado. Bosie era o apelido de Lorde Alfred Douglas, um dos homens de que se suspeitava que Wilde fosse amante. Foi o pai de Bosie, o Marquês de Queensberry, que levou Oscar Wilde ao tribunal. No terrível período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a Douglas, que a chamou de De Profundis.

A imaginação como fruto do amor é uma das armas que Wilde utiliza para conseguir sobreviver nas condições terríveis da prisão. Apesar das críticas severas a Douglas, ele ainda alimenta o amor dentro de si como estratégia de sobrevivência. A imaginação, a beleza e a arte estão presentes na obra de Wilde.

Após a condenação a vida mudou radicalmente e o talentoso escritor viu, no cárcere, serem consumidas a saúde e a reputação. No presídio, o autor de Salomé (1893) produziu, entre outros escritos, De Profundis, o clássico anarquista, A Alma do Homem sob o Socialismo e a célebre Balada do Cárcere de Reading.

Os últimos anos

Foi libertado em 19 de maio de 1897. Poucos o esperavam na saída, entre eles seu maior amigo Robert Ross.

Passou a morar em Paris e a usar o pseudônimo Sebastian Melmoth. As roupas tornaram-se mais simples e o escritor passou a morar num lugar humilde, de apenas dois quartos. A produtividade literária era pequena.

O fato histórico de seu sucesso ter sido arruinado pelo Lord Alfred Douglas (Bosie) tornou-o ainda mais culto e filosófico, sempre defendendo o amor que não ousa dizer o nome, definição sobre a homossexualidade, como forma de mais perfeita afeição e amor.

Oscar Wilde morreu de um violento ataque de meningite, agravado pelo álcool e pela sífilis, às 9h50 do dia 30 de novembro de 1900.

Em seu leito de morte foi aceito pela Igreja Católica Romana e Robert Ross, em sua carta para More Adey (datada de 14 de Dezembro de 1900), disse: Ele estava consciente de que havia pessoas presentes e levantou sua mão quando pedi, mostrando entendimento. Ele apertou nossas mãos. Eu então fui enviado em busca de um padre e, depois de grande dificuldade, encontrei o Padre Cuthbert Dunne, que foi comigo e administrou o Batismo e a Extrema Unção — Oscar não pode tomar a Eucaristia.

Wilde foi enterrado no Cemitério de Bagneux, fora de Paris, porém mais tarde foi movido para o Cemitério de Père Lachaise. Sua tumba é obra do escultor Sir Jacob Epstein, à requisição de Robert Ross, que também pediu um pequeno compartimento para seus próprios restos. Seus restos foram transferidos para a tumba em 1950.

Fontes: Oscar Wilde - Official Website

Fontes: Oscar Wilde - Official Website

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Morte, um tema que ainda golpeia anseios e aflige sentimentos)

"Se me tornei um discípulo convicto de Allan Kardec, é que o Espiritismo, luz da verdade inundando com suas ofuscante claridade, todo um mundo de velhos preconceitos, ensinou-me uma moral sublime, toda de bondade e de caridade que, somente, faz conhecer Deus, faz-me amá-lo, faz me crer em sua misericórdia.

Somente, ainda, ele ensina a desprezar a morte, já que atrás do túmulo não percebo mais o Deus inflexível dos católicos precipitando em seus infernos; somente, enfim, ele me ensina a amar a vida, já que, nos meus sofrimentos terrestres, vejo apenas um caminho estreito me conduzindo a uma estrada mais larga; aquela da perfeição e da suprema felicidade... Que são algumas horas de dor ao lado do infinito da evolução e do tempo!...

Eis o que penso da moral espírita. Quanto aos fenômenos psíquicos obtidos mediunicamente e diariamente constatados há mais de cinquenta anos, creem que é pueril querer discutir a existência deles.

Não sendo um sábio, não posso lhe dar uma opinião fundada na subconsciência, na transmissão do pensamento, na exteriorização da motricidade, etc, etc.

Tudo que lhe posso afirmar é que a hipótese da intervenção dos espíritos e a única a satisfazer as exigências do meu cérebro. Creio nos espíritos e em suas manifestações porque eles demonstraram sua existência de um modo muito simples tanto como plausível. Não creio no nada, porque ele é o oposto do ideal na qual todo homem aspira."

Louis Hapet

25 de março de 1905

(Sr. Louis Hapet, farmacêutico, laureado da faculdade de medicina, é um químico notável)

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns (Obra de Allan Kardec - "O Livro dos Médiuns" - Cap. 24 - Identidade dos Espíritos - As Provas Possíveis de Identidade - Como Distinguir os Espíritos Bons e Maus - Perguntas sobre a Natureza e a Identidade dos Espíritos)


Ernesto Bozzano - O Retorno de Oscar Wilde (PDF)