ERNESTO BOZZANO

Experiências mediúnicas e eventos de morte

em sua relação com fenômenos de assombração

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Ernesto Bozzano - Esperienze medianiche ed eventi di morte nei loro rapporti coi fenomeni d’infestazione

Istituto di Studi Psichici

Milano (1935)

 

Tradutora do Italiano para o Português

Fabiana Rangel

Prefácio da obra:

O grande Ernesto Bozzano demonstrou com base em fatos que os fenômenos de “assombração” são da mesma natureza que os que se obtêm nas sessões mediúnicas. Portanto , comprova a existência de uma relação direta entre os fenômenos de "assombração" e as experiências das sessões mediúnicas, com a consequência teórica da investigação abraçada.

Segundo observou, na “assombração” os mortos fornecem ótimas provas de identificação sob métodos investigativos e de classificação científica. Deste modo, não há dúvida de que os reagrupamentos dos fatos de diferentes tipos de fenômenos, convergem para a demonstração de que os fenômenos de “assombração” e os mediúnicos eram transformáveis, convertíveis, reversíveis uns nos outros.

Bozzano em nalguns momentos se limitou a citar os poucos episódios da monografia, que representam cinco grupos específicos de manifestações “sobrenaturais”, demonstrando, assim, a existência indubitável de uma relação direta entre os fenômenos de “assombração” e as manifestações mediúnicas experimentais. Compreendendo, portanto, que tal demonstração pode ser considerada provada cientificamente, com as consequências teóricas que dela derivam. Resultando, pois , a favor da interpretação espiritualista da grande maioria dos fenômenos investigados, tanto mediúnicos quanto de “assombração”.

Ernesto Bozzano ficou muito satisfeito com as pesquisas (“assombração” e os laços da mediunidade), embora ciente que surgiria os pesquisadores metapsiquistas que fariam objeções, respaldados nos animismos inexplicáveis poucos corretos, insidiosos e anticientíficos.

São Paulo, 18 de Fevereiro de 2016

Jorge Hessen

Introdução da obra:

Nesta monografia de Ernesto Bozzano vem experimentalmente demonstrado, pela primeira vez, com base em fatos, que os fenômenos de assombração em questão são da mesma natureza que os que se obtêm nas sessões mediúnicas, e isso no sentido de que há casos de manifestações mediúnicas experimentais que se transformam em fenômenos de assombração.

Há outros casos em que acontece o contrário, onde os fenômenos de assombração se transformam em manifestações mediúnicas experimentais e há outros ainda em que os fenômenos de assombração cessam para sempre após uma sessão mediúnica convocada para esta finalidade no ambiente assombrado, ou cessam após o cumprimento atrasado de uma promessa feita no leito de morte e não cumprida, ou irrompem de repente em ambientes onde recentemente fora consumado um delito ou um suicídio.

Trata-se, então, de episódios que se revestem de notabilíssimo valor sugestivo, porque demonstram a existência indubitável de uma relação direta entre os fenômenos de assombração e as experiências mediúnicas, com a consequência teórica que dali deriva; relação ulteriormente convalidada por uma outra classe de episódios afins: a das manifestações de mortos pouco depois de sua morte, quando se manifestam por modalidade análoga aos fenômenos de assombração.

Ora, se a tudo isso se acrescenta que muito frequentemente nas manifestações do gênero acontece a intervenção de mortos que fornecem ótimas provas de identificação, ou mesmo de mortos que aparecem em forma e são reconhecidos, sobretudo, quando afirmam atraso considerável quanto à idade regular de matrícula os autores dos fenômenos, demonstram-no com fatos, no sentido de que prometem não recomeçar, mantendo a palavra dada.

Ora, repito, se se acrescentam também esses dados às circunstâncias de manifestação acima enumeradas, deve-se convir que leva uma contribuição notabilíssima à tese aqui proposta, qual seja, a demonstração científica da sobrevivência humana, longe de depender exclusivamente de informações pessoais fornecidas pelos mortos comunicantes. Ao invés disso, é convalidada por um acúmulo imponente de provas variadas que convergem como ao centro, na direção da demonstração de tal capitalíssima Verdade, a qual, por ser intuída e compartilhada por todos os povos da Terra, resulta a mais combatida pela grande maioria dos homens de ciência.

* * *

Os casos do tipo acima são bastante numerosos, mas, infelizmente para quem empreende por uma investigação, os relatos raramente observam sua importância teórica, que se limita a mencionar de passagem, em trabalhos com outros fins, resultando que a maioria desses episódios é reduzido a pouco mais do que meras alusões anedóticas, as quais não são suscetíveis de serem consideradas em uma classificação científica; o que é mais lamentável, pois se tem quase sempre a impressão de que são alusões a episódios autênticos.

Por outro lado, do ponto de vista do presente trabalho, os casos desta natureza, que são relatados com uma amplitude de particularidades, têm o problema oposto, qual seja, que os relatos em que eles estão contidos são demasiado longos para que se possa relatá-los completamente. Por isso, vou ter de me limitar a resumi-los, apenas informando sobre as peças essenciais e remetendo às obras que contenham as narrativas integrais.

Refiro-me de antemão a alguns exemplos de experiências mediúnicas que se transformam em fenômenos de "Poltergeist".

Os Fantasmas:

A Academia assim define este vocábulo: “Diz-se dos Espíritos que se supõe voltarem do outro mundo.” Ela não diz: que voltam. Só os espíritas são bastante loucos para ousarem afirmar tais coisas. Seja como for, pode-se dizer que a crença nos fantasmas é universal. Evidentemente se funda na intuição da existência dos Espíritos e na possibilidade de comunicação com eles. Sob este ponto de vista, todo Espírito que manifesta sua presença, seja pela escrita de um médium, seja apenas batendo numa mesa, seria um fantasma.

Mas geralmente esse nome quase sepulcral é reservado para os que se tornam visíveis e que se supõe, como diz com razão a Academia, vir em circunstâncias mais dramáticas. São histórias de comadres? O fato em si, não; os acessórios, sim. Sabe-se que os Espíritos podem manifestar-se à vista, e até mesmo sob uma forma tangível, eis o que é real. Mas o que é fantástico são os acessórios, onde o medo, que tudo exagera, ordinariamente acompanha esse fenômeno em si tão simples que se explica por uma lei muito natural e que, consequentemente, nada tem de maravilhoso nem de diabólico. Por que, então, temem-se os fantasmas?

Precisamente por causa desses mesmos acessórios que a imaginação se compraz em tornar apavorantes, porque ela se apavorou e talvez tivesse acreditado ver o que não viu. Em geral eles são representados sob um aspecto lúgubre, vindo de preferência à noite, de preferência nas noites mais escuras, em horas fatais, em lugares sinistros, amortalhados ou vestidos de modo esquisito. Ao contrário, o Espiritismo ensina que os Espíritos podem mostrar-se em qualquer lugar, a qualquer hora, de dia como de noite; que em geral o fazem sob a aparência que tinham em vida; que só a imaginação criou os fantasmas; que os que aparecem, longe de serem temíveis, as mais das vezes são parentes ou amigos que vêm a nós por afeição, ou Espíritos infelizes aos quais podemos ajudar. Também são, por vezes, brincalhões do mundo espírita, que se divertem às nossas custas e se riem do medo que causam.

Compreende-se que com estes o melhor meio é rir também, e provar-lhes que não temos medo. Aliás, eles se limitam quase sempre a fazer barulho e raramente se tornam visíveis. Infeliz de quem os leve a sério, porque redobram as brincadeiras. Seria o mesmo que exorcizar um moleque de Paris. Mesmo supondo seja um mau Espírito, que mal poderia ele fazer? Não seria cem vezes mais racional temer um valentão vivo do que temer um valentão morto que se tornou Espírito? Aliás, sabemos que estamos constantemente rodeados por Espíritos, que só diferem dos que chamamos fantasmas porque não os vemos.

Os adversários do Espiritismo não deixarão de acusá-lo por aceitar uma crença supersticiosa. Mas o fato das manifestações visíveis, constatado, explicado pela teoria e confirmado por inúmeras testemunhas, não se pode impedir, e nem mesmo todas as negações poderão impedir que se reproduza, porque há poucas pessoas que consultando as suas lembranças não se recordam de algum caso dessa natureza e que não podem pôr em dúvida.

Então o melhor é ser esclarecido sobre o que há de verdadeiro ou de falso, de possível ou impossível nas histórias desse gênero. É explicando-se uma coisa, raciocinando sobre ela, que nos premunimos contra o medo pueril. Conhecemos muita gente que temia muito os fantasmas. Hoje que, graças ao Espiritismo, sabem o que é isto, seu maior desejo é ver um. Conhecemos outras que tiveram visões que as tinham apavorado; agora que as compreendem, não mais se abalam. Conhecem-se os perigos do mal do medo para os cérebros fracos. Ora, um dos resultados do conhecimento do Espiritismo esclarecido é precisamente curar esse mal, o que não é um dos seus menores benefícios.

Allan Kardec - Revista Espírita de julho de 1860

Ver no site as Irmãs Fox - Margaret, Kate e Leah (As Origens do Espiritismo)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Programa Espiritismo em Foco)

Fontes: Fondazione Biblioteca Bozzano De Boni

Fontes: Ricerca Sulla Vita Della Spirito (Ernesto Bozzano)

"Os Espíritos são as almas dos homens que já perderam o corpo físico. A exemplo do que observamos na Humanidade encarnada, o conhecimento que eles têm é correspondente ao seu grau de adiantamento moral e intelectual. A morte é uma passagem para a vida espiritual e não dá valores morais ou de inteligência a quem não os tem".

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"A força do Espiritismo não reside na opinião de um homem nem de um Espírito; ela está na universalidade do ensinamento dado pelos últimos; o controle universal, como o sufrágio universal, decidirá no porvir as questões litigiosas; fundirá a unidade da Doutrina bem melhor do que um concílio de homens. Esse princípio, disso estamos certos, senhores, fará o seu caminho, como fez o: Fora da caridade não há salvação, porque está fundamentado sobre a mais rigorosa lógica e na abdicação da personalidade. Não poderá contrariar senão os adversários do Espiritismo, e aqueles que não têm fé senão em suas luzes pessoais".

Allan Kardec "Revista Espírita de Maio de 1864"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns (Obra de Allan Kardec - "O Livro dos Médiuns" - Cap. 09 - Locais Assombrados)

 

Revista Espírita de 1861 (Obra de Allan Kardec - "Revista Espírita de janeiro de 1861" - O Espírito Batedor do Aube)


Ernesto Bozzano - Experiências mediúnicas e eventos de morte em sua relação com fenômenos de assombração (PDF)

 

Ernesto Bozzano - Experiências mediúnicas e eventos de morte em sua relação com fenômenos de assombração (DOC)