HERCULANO PIRES

O MISTÉRIO DO BEM E DO MAL

 (Lições de Espiritismo / Crônicas)

 

Sinopse da obra:

José Herculano Pires manteve, durante muitos anos, no jornal “Diário de São Paulo”, órgão dos Diários e Emissoras Associados, uma coluna de crônicas espíritas, na qual abordava temas de interesse geral relacionados com a doutrina codificada por Allan Kardec. Assinava-as com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Nesta obra estão reunidas algumas das mais interessantes crônicas do autor, publicadas no referido jornal.

Jornalista, filósofo, escritor e professor, Herculano Pires alcançou grande conceito dentro e fora do movimento espírita. Sua produção literária ultrapassa aos oitenta títulos; alguns deles constituem-se verdadeiras obras filosóficas.

Herculano dedicou a maior parte de sua existência em favor da Doutrina Espírita, seja buscando interpretá-la com fidelidade, seja defendendo-a dos ataques dos adversários.

Capítulo da obra:

6

Evocação do momento em que Jesus nasceu entre os homens

Dificuldades históricas quanto ao local e à data do nascimento – A festa de Mitra no calendário romano – Uma realidade que transformou e transforma o mundo.

O nascimento de Jesus tem dado motivo a muitas controvérsias. Ninguém, sabe, exatamente, em que dia ocorreu e, nem mesmo, em que localidade. Os evangelhos não fixam nenhuma data, limitando-se a dar indicações vagas à época do nascimento.

Esse fato foi motivo de grandes críticas ao cristianismo, não faltando escritores, historiadores e mitólogos que procuraram explicar o nascimento e a vida de Jesus como puramente lendários. Chegou-se a afirmar que Jesus não era mais do que o mito solar e seus doze apóstolos, os doze signos do zodíaco. Isso levou um escritor francês a afirmar, como réplica, que Napoleão e seus doze generais nunca haviam existido, sendo apenas uma idealização mitológica.

O Espiritismo considera Jesus como um ser histórico, um homem que realmente existiu. Mas não aceita as lendas que se formaram ao redor da sua figura singular e da sua vida extraordinária. Sabemos, por exemplo, que a data de 25 de dezembro só foi fixada em princípios do quarto século, exatamente quando se iniciava a deturpação do Cristianismo, e que essa fixação se deu em Roma.

Vários historiadores admitem que essa data tenha sido escolhida de acordo com o calendário romano, por nela cair a festa do deus solar Mitra. É o que se pode ver em Jésus, de Ch. Guignebert, professor de História do Cristianismo, na Sorbonne, páginas 111 e 112, da edição de 1947, de Albin Michel, Paris.

Houve, durante muito tempo, várias datas consideradas pelos cristãos como prováveis: São Clemente de Alexandria, por exemplo, entendia que Jesus havia nascido a 19 de abril. Outros optavam pelo 18 de abril, o 29 de maio e o 28 de março. No oriente, diz Guignebert, o 6 de janeiro era geralmente aceito. Assim, a data de 25 de dezembro é apenas simbólica, não havendo acerto dessa escolha.

Mas a verdade é que, firmada pela tradição, e apoiada num passado bastante longo de solenidades religiosas ao deus solar, essa data se mostra impregnada de intensas vibrações espirituais. Na terra, como no espaço, é nela que se comemora, há dezesseis séculos, o nascimento de Jesus, como foi nela que se comemorou, durante a antiguidade, o advento dos deuses simbólicos de várias mitologias.

Kardec, ao lançar O Evangelho segundo o Espiritismo, firmou o princípio de que os fatos históricos, e outras partes dos relatos evangélicos, estranhos ao seu conteúdo de ensinos morais, pouco importam para a doutrina.

O que interessa ao Espiritismo não é a exatidão cronológica, mas a realidade da vida de Jesus e a legitimidade dos seus ensinos morais. Os espíritas, por isso mesmo, aceitam, sem relutância, a data de 25 de dezembro como marco tradicional do nascimento de Jesus, aproveitando-se para a evocação do momento em que o Senhor se encarnou entre os homens.

O que importa aos espíritas, no Natal, não é a celebração de um fato histórico cronologicamente assentado, mas a evocação de um acontecimento histórico da mais alta significação espiritual para a humanidade terrena. Se Jesus nasceu em Nazaré, como o indica Marcos, ou em Belém, como o dizem Mateus e Lucas, e se esse nascimento ocorreu em 6 de janeiro ou 25 de dezembro, isso pouco importa.

O que importa é que ele tenha nascido, vivido e pregado entre os homens, mas, principalmente, que nos tenha deixado uma doutrina capaz de reformar o mundo, como realmente o reformou e continuará reformando.

A existência de Jesus está hoje suficientemente provada. Mesmo do ponto de vista histórico, apesar da falta de documentos a respeito, as pesquisas mais recentes demonstram que realmente viveu na Palestina e nela morreu o fundador do Cristianismo. Guignebert assinala a deturpação mitológica dessa figura humana, com o fim de torná-la extra-humana, divina, supranormal, “sacrificou Jesus ao Cristo”.

E Henri Berr, no prefácio que escreveu para o livro de Guignebert, declara: “Mas Jesus existiu; isso, podemos dizer que o sabemos; a tese da não historicidade é um paradoxo”. Não é de admirar que, dois mil anos depois do seu nascimento, seja difícil precisar-se a data em que isso se verificou. Mas é de espantar que, depois da revolução que a sua figura e a sua doutrina produziram e continuam a produzir no mundo, ainda existam pessoas que as ponham em dúvida.

Herculano Pires

Ver no site a obra No Invisível publicado pela escritor espírita Léon Denis

Fontes: Conferências dos 100 anos do Nascimento de Herculano Pires (Francisco Cajazeiras, com o tema "O Cristianismo oficial é o mesmo que Jesus nos ensinou?")

Fontes: Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Controle universal dos ensinamentos dos espíritos, uma reflexão sobre Jesus e o Espiritismo)

"Já vimos, realmente, que é possível ao Espírito escrever diretamente. Muitas vezes têm sido escritas páginas inteiras pelos Espíritos, através da escrita direta. Mas acontece que os processos de comunicação são vários e o processo de psicografia, através de um médium de grande sensibilidade, como é o caso de Chico Xavier, facilita muito a transmissão de mensagens mais extensas. Como exemplo do que falamos, um livro, um romance, como os romances Há Dois Mil Anos, Cinqüenta Anos Depois, Ave Cristo e Paulo e Estêvão, ditados por Emmanuel a Chico Xavier, são obras que demandam muito tempo para serem escritas. O ato de escrevê-las pelo processo da escrita direta deve ser, naturalmente, muito penoso para os Espíritos. Então, eles preferem servir-se de um médium que tenha grande sensibilidade e, através desse médium, eles escrevem com mais facilidade e rapidez.

Mas nós precisamos saber o seguinte: quando Chico Xavier recebe um desses romances, ele não está apenas escrevendo, mas também vendo as cenas que se passam. Os Espíritos lhe dão, pela vidência, a cinematografia, por assim dizer, o filme daquele romance que está sendo escrito. Chico vê as cenas e vai escrevendo, de acordo com o que os Espíritos escrevem, através de sua mão. Chico não ouve os Espíritos falando. A sua mão, por assim dizer, fica entregue ao Espírito, que a utiliza e escreve com espantosa rapidez, páginas e mais páginas. É por esse motivo, certamente, por ser um processo mais eficiente e mais rápido, que eles preferem escrever através de um médium".

"Herculano Pires "No Limiar do Amanhã"
 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo (Obras de Allan Kardec - "O Evangelho Segundo O Espiritismo" - Meu reino não é deste mundo - Cap. II)

 

Herculano Pires - O Mistério do Bem e do Mal PDF