HERCULANO PIRES

REVISÃO DO CRISTIANISMO

 

Sinopse da obra:

Nesta obra Herculano nos oferece uma visão histórica do fenômeno cristão e de suas dimensões espirituais, com base nas pesquisas universitárias de suas origens e do seu desenvolvimento na era mitológica.

É um livro de estudo e não de polêmica. Propõe a revisão total do cristianismo atual como exigência irrevogável da Era cósmica em que estamos entrando.

Além disso, o autor procura reintegrar a figura de Jesus de Nazaré na sua verdadeira condição humana, demonstrando que ele era um homem real e não representa um agregado de mitos e símbolos, que figura na linha dos profetas de Israel. Esclarece, ainda, que Jesus não previu nem desejou a Igreja Cristã, que ele não foi um fundador de religião, nem mesmo um reformador religioso.

Capítulo da obra:

13

Matéria, Mito e Antimatéria

Na atual perspectiva científica, o Cristianismo aparece, historicamente, como o postulado da Ciência. Jesus de Nazaré postulou o conhecimento futuro de toda a realidade em que vivemos. Ensinou que essa realidade se estrutura em leis permanentes e invioláveis, que uma vez conhecidas, nos dariam o domínio do real. Se percebia os primeiros frêmitos da palingenesia, do nascimento de um novo mundo, como acentuou Guignebert, também anunciou a palingênese natural do morrer e renascer do homem, a estrutura cósmica das muitas moradas, as relações psicofísicas de alma e corpo, a flexibilidade da matéria considerada como densa e estática, a possibilidade de ação mental e psíquica sobre o corpo, a importância dos sentimentos e pensamentos no comportamento individual e social, o predomínio do espírito sobre o corpo e a existência do corpo espiritual, provando essa existência no ato da sua própria ressurreição. Sua posição não foi a de um místico apegado às esperanças do povo, mas a de um sábio que conhecia as leis da metamorfose universal das coisas e dos seres e nelas confiava. O seu ato de entrega à crucificação, à destruição da morte, para a ressurreição posterior, que de fato realizou-se, prova o seu conhecimento seguro e perfeito das leis psicobiofísicas, da realidade mitolizada pela ignorância do tempo. Sua previsão quanto à deturpação do seu ensino e a necessidade de seu restabelecimento futuro, e sua promessa de enviar no tempo devido o socorro espiritual para conduzir os homens a toda a verdade, demonstrava o seu conhecimento racional e seguro das leis da evolução natural e cultural.

Renan, Guignebert e todos os pesquisadores que se colocaram entre ambos, em nosso tempo, não compreenderam a amplitude da sua visão científica e histórica do mundo, porque só em nossos dias, essa visão começaria a ser compreendida, graças à revolução científica da atualidade. Essa a razão por que Guignebert entendeu que ele não se preocupava com o futuro longínquo. Mas foi fácil a Guignebert compreender que ele não pretendia fundar nenhuma Igreja e nem mesmo reformar nenhuma religião, por isso ressaltava da lógica imediata da sua posição, que confirmava os anseios de transcendência humana, nas aspirações mal compreendidas e mitolizadas do povo judeu. Só o tempo poderia provar, como hoje prova, que a visão de Jesus não se restringia àquelas esperanças, mas a toda a verdade que iria surgir nos séculos posteriores ao seu ensino.

A própria natureza do Mito, que ele combatia, não poderia ser compreendida, sem o prévio e real conhecimento da natureza da matéria, que só agora se desvenda, pouco a pouco, aos olhos atônitos dos homens. Porque o Mito, como dissemos, é um produto do real, quando vislumbrado apenas em sua manifestação superficial. As afirmações anteriores das grandes correntes espiritualistas, segundo as quais a matéria era ilusória, só convenciam os homens de tendência mística. Era necessária a prova científica dessa realidade, para que os homens em geral começassem a compreender o sentido dessas afirmações. A matéria, como a víamos até fins do século passado, era mito e não realidade. O homem real, vivendo seu corpo material sobre a crosta sólida do planeta, morrendo e desaparecendo numa cova, nada tinha de real, era apenas uma criação imaginária, elaborada com os dados falsos dos nossos sentidos de percepção. E foi esse mito que os materialistas quiseram transformar na única realidade possível, menosprezando os que se recusavam a aceitá-lo. O Mito da Matéria, estranha entidade metafísica que subvertia a realidade e mostrava-se inteligente, ativo e dominador, como os mitos da Grécia e de Roma. Repudiando os deuses olímpicos, que eram figurações antropomórficas dos vários aspectos da Natureza, os cientistas erigiam a Matéria em Deusa Absoluta. Tudo procedia dela e sem ela nada existia. Daí a elevação do nosso sensório à categoria de medida do mundo, como quisera Protágoras, o sofista. O Espírito foi simplesmente caracterizado como um epifenômeno produzido pelos misteriosos e inexplicáveis poderes da Matéria.

Essa inversão total da realidade é típica do processo mitológico, no esforço de racionalização do mundo. A Razão, que era também definida como função cerebral, produzida pelas potências desconhecidas da caixa craniana, submetia-se à Deusa Matéria, usando os seus instrumentos de medida e peso para classificar o real e rejeitar o imaginário.

Basta esse rápido apanhado para nos mostrar que são formas de interpretação do mundo. E a validade dessas interpretações depende do grau de aproximação ao real que elas revelem. Não havendo nenhuma possibilidade de avaliação desse grau, no momento em que a interpretação se impõe coletivamente, seja como Mitologia ou como Ciência, ela se converte na realidade possível daquele momento histórico. Mas, no futuro, quando o desenvolvimento da Razão, na experiência, revelar as falhas e os enganos da interpretação, as revisões do conhecimento exigiram a reformulação da realidade suposta, em termos de atualização cultural. Jesus de Nazaré revelou pleno conhecimento desse processo, como se vê na parábola evangélica do fermento que leveda a massa de farinha. De maneira mais positiva, esse conhecimento transparece da promessa de restabelecimento dos seus ensinos no futuro, quando permitissem o esclarecimento de princípios incompreendidos ou mal interpretados.

A atividade de Jesus foi puramente didática e seus objetivos eram puramente éticos. Daí a razão porque Guignebert entendeu que ele não pretendia fundar nenhuma religião, nem reformar o Judaísmo. A verdade histórica confirma a primeira assertiva, mas não a segunda, pois Jesus, operando no meio judaico, teria de reformular, como realmente o fez, muitos conceitos do Judaísmo, destruindo alguns e formulando outros. Neste sentido ele foi, sem dúvida possível, um reformador do Judaísmo. A História da Igreja Primitiva mostra de sobejo, como se vê no Livro de Atos, a ação reformadora de Jesus, através dos seus apóstolos e discípulos. E nem podia ser de outra maneira, pois se Jesus simplesmente endossasse a posição judaica, nada teria feito de novo, nenhuma aproximação da realidade teria sido feita por ele. O exame crítico das origens do Cristianismo prova suficientemente que Jesus virou o Judaísmo pelo avesso, ampliando a Aliança a toda a Humanidade, com as devidas modificações de dogmas e preceitos.

Como sempre acontece nas fases críticas da evolução humana, as forças retrógradas, manifestadas em Jerusalém, encontraram na Europa o campo propício à organização de sua resistência. Não se trata de uma premeditação ou providência individual ou de grupos, mas da ação natural da lei de inércia, do instinto de conservação. A queda de Roma, com a invasão dos bárbaros, permitiu a ascensão da Igreja e o desenvolvimento do sistema medieval, em que, por todo um milênio, completou-se a desfiguração de Jesus e a deturpação do Cristianismo. Wilhelm Dilthey chamou a Idade Média de caldeirão. Nesse fervente caldeirão de paixões, ambições e loucuras, forjou-se a consciência do Ocidente, enquanto o Oriente tentava resistir em Bizâncio. Ainda hoje, encontramos nos intelectuais europeus constantes manifestações de uma nostalgia do Milenário, dessa horripilante fase de estagnação turbulenta, em que o arbítrio e a arrogância do Império morto se vestiu de púrpura para tentar deter a rota da História. Todos os formalismos pretensiosos, todas as disciplinas esmagadoras, todo o prestígio do Sagrado, ali se mesclaram e se entrechocaram, numa aparência de unidade exterior que dava segurança aos que pactuavam com a volta a César. Desse chão fecundado pelo sangue dos inocentes e pelas lágrimas dos impotentes nasceu a floração bárbara das torturas e das matanças covardes, que se arrebentariam em frutos de destruição e morte, nas guerras mundiais do nosso tempo. É dessa amarga raiz que revelam estranha nostalgia intelectuais europeus, que sentem novamente a insegurança de suas posições e privilégios, nesta nova fase crítica da vida planetária.

Os ideais gregos de um mundo estético e ético, harmonioso e perfeito, redespertados na Renascença, abriram as possibilidades de revisão dos valores antigos, para a reformulação de utopias como a da República de Platão, ao mesmo tempo em que os sonhos do individualismo ateniense e as aspirações jônicas da busca da verdade incitavam a Ciência a romper os limites do mecanicismo auto-suficiente. Abriram-se as entranhas misteriosas da matéria e nela se reencontrou o espírito. Deu-se então início à revisão total às Ciências, num salto mortal às profundezas do infinitesimal e à essência do Ser e à imensidade do Cosmos. Os mitos morreram e a realidade se desdobrou em grandezas, até então inimagináveis. Foi esse o maior milagre do Cristo, produzido pelo poder do seu pensamento e da sua vontade, dois milênios após a sua derrota aparente nas mãos dos algozes judeus e romanos.

As atividades taumatúrgicas de Jesus, que os teólogos interpretaram como manifestações divinas e os cientistas contestaram como resíduos de baixa e antiga crendice popular, nada mais eram do que a parte prática do seu ensino, demonstrações ilustrativas das potencialidades do espírito. Hoje, todo o acervo tantas vezes injuriado e caluniado das pesquisas espíritas, bem como das Ciências Psíquicas que nasceram delas, da Metapsíquica, e as conquistas científicas da Metapsíquica e da Parapsicologia, filhas confessas do Espiritismo, revelam-nos o sentido didático dos milagres de Jesus. E foram esses milagres, racionalmente opostos por Jesus aos prodígios e às trapaças dos antigos magos, que levaram os cientistas modernos a investigar corajosamente as potencialidades ocultas do homem. Kardec despojou os supostos milagres de sua aparência miraculosa. Para escândalo dos teólogos, clérigos e acadêmicos vestidos de pesados e ridículos fardões, Kardec exibiu o fato mediúnico em sua nudez total, como a Verdade recém-saída do fundo do poço. E o fez apoiado na taumaturgia do Cristo, na comparação dos atos de Jesus com os fatos em voga no seu tempo. Os verdadeiros cientistas, assim desafiados, não recusaram o revide, que lhe deram em termos científicos, através de pesquisas sérias e profundas. Sua posição científica era incontestável. Suas armas eram a Razão e a Pesquisa. Em nome do Cristo, não por delegação de qualquer Igreja, mas por conseqüência histórica, pela necessidade de ampliação do Conhecimento, do restabelecimento da Verdade no plano cultural, Kardec arrastou as Ciências para os abismos que ela temia. Desfez-se o Mito do Milagre, transformado em fenômeno científico. Reabriram-se as perspectivas do postulado cristão.

Hoje, os princípios fundamentais do ensino de Jesus se integram na realidade científica. Superada a barreira dos preconceitos, os dogmas da ignorância entraram em falência irreversível. Assistimos agora a um espetáculo grotesco. Os clérigos cristãos aderem a Simão, o mago, empenhando-se numa batalha lucrativa, através de cursos e exibições de magia teatral (pagos a tanto por cabeça), na tentativa inútil de desmoralizar os cientistas e os avanços atuais de suas pesquisas. Apresentam-se como cientistas improvisados, com títulos que não possuem e nem podem possuir, pois suas próprias exibições de pelotiqueiros demonstram a sua incapacidade para compreender o assunto de que tratam, enquanto seu palavreado impróprio, suas explicações grosseiras e rebarbativas, sua absoluta falta de disciplina mental e de critério lógico, põem inevitavelmente a nu a sua insuficiência mental e cultural, o seu primarismo irredutível. E enquanto isso as Igrejas se esvaziam, o materialismo avança nas sendas do desespero humano, a criminalidade individual e coletiva aumenta assustadoramente, os freios da moral se arrebentam ao impacto do erotismo e da alucinação dos tóxicos, a violência dos poderosos contra os inermes toma proporções diluvianas e o Cristianismo Oficial nada pode fazer de eficaz em favor do mundo, porque se divorciou de suas origens e se enleou precisamente nos interesses conflitivos do mundo. Não pode sequer provar ao homem desesperado que a morte é uma ilusão, porque as provas dessa realidade afetam a rede ilusória da sua dogmática envelhecida.

A descoberta científica da antimatéria seria suficiente para estourar todas as estruturas religiosas do Cristianismo dominante. Os próprios cientistas se aturdiram com ela e, a princípio, entenderam que havia Universos separados de matéria e antimatéria. Mas o avanço das pesquisas mostrou o contrário: que matéria e antimatéria se conjugam em forma de verso e reverso nas estruturas atômicas. A produção de partículas de antimatéria em laboratório e, por fim, a produção de um antiátomo de Hélio na URSS, revelaram a possibilidade da existência de Universos interpenetrados. Dois Universos diferentes, de estruturas contraditórias, podem coexistir num mesmo espaço, sem que um seja normalmente percebido pelo outro. É a prova científica da duplicidade do homem, que em si mesmo, é espírito e matéria, e da duplicidade do mundo, que, como dizia Talles de Mileto, “é cheio de deuses”. (E deuses, no seu tempo, eram espíritos, seres de condição superior à humana). Se num mundo de antimatéria pode existir tudo quanto existe no mundo material, apenas em situações diferentes, e se esse mundo interpenetra o da matéria, torna-se explicável cientificamente a relação do chamado mundo dos mortos com o mundo dos vivos e vice-versa. Jesus ensinou que os mortos ressuscitam e podem comunicar-se com os vivos. E, como costumava fazer, provou essa verdade com a sua própria ressurreição. Mas o corpo ressuscitado de Jesus não tinha as mesmas condições do corpo carnal, embora pudesse aparentá-las. Esse corpo não estava sujeito às leis da matéria, podia aparecer e desaparecer de maneira estranha. O Apóstolo Paulo explicaria esse problema na sua I Epístola aos Coríntios: “Temos corpo animal e corpo espiritual; planta-se o corpo animal e ressuscita o espiritual. O corpo espiritual é o corpo da ressurreição”. Mas, como é feito esse corpo e de que elemento?

Físicos, biofísicos e biólogos soviéticos, designados oficialmente para realizar pesquisas na Universidade de Kirov, no Cazaquistão, sobre a suposta existência de um corpo energético das plantas, dos animais e do homem, conseguiram provar a existência desse corpo. Graças às famosas câmaras Kirilian, de fotografias através de superfícies materiais imantadas com alta-freqüência elétrica, viram, fotografaram e filmaram esses corpos energéticos, nos três reinos mencionados. Verificaram mais, que esses corpos são constituídos de plasma físico (o quarto estado da matéria, descoberto pelo pesquisador espírita inglês, o físico William Crookes). O corpo bioplásmico é o corpo da vida. As pesquisas mostraram que no momento da morte o corpo bioplásmico se desprende do corpo material e este se transforma em cadáver. Detectores de pulsações biológicas provaram a continuidade do corpo bioplásmico após a morte física. É claro que essas pesquisas se tornaram perigosas para o Estado soviético, que se apóia na Filosofia materialista de Karl Marx. O Estado proibiu a exportação dessa descoberta perigosa e condenou os cientistas que a haviam feito. Mas duas pesquisadoras da Universidade de Prentice Hall (Estados Unidos) já haviam tido acesso ao material das pesquisas e as divulgaram no livro Descobertas Psíquicas Por Trás da Cortina de Ferro, já traduzido e publicado no Brasil, pela Editora Cultrix, de São Paulo. Cabe agora aos cientistas ocidentais darem prosseguimento a essas pesquisas, o que certamente será feito. A vitória cristã, dentro da própria fortaleza soviética, prova mais uma vez a necessidade urgente da revisão cultural do Cristianismo em nosso tempo. Poderão as Igrejas do Cristianismo Oficial impedir o prosseguimento dessas pesquisas? Em nome de quem? De Jesus?

A descoberta do corpo bioplásmico e de suas funções vitais e organizadoras reduz o corpo material à condição de um robô biológico. Sem ele, o corpo somático não vive, não funciona. Os cientistas soviéticos se alegraram ao constatar que ele se constitui de um plasma físico, pois isso favorece a concepção materialista do homem. Mas foram forçados a reconhecer que na sua estrutura plásmica existem partículas diferenciadas que não puderam ser reconhecidas. A teoria espírita do corpo espiritual define esse corpo como semimaterial, constituído de energias físicas e energias de natureza extrafísicas ou espirituais. Foi por isso que Kardec recusou-lhe o nome tradicional de corpo espiritual, preferindo chamá-lo de perispírito, que equivale a envoltório do espírito, como o perisperma que envolve as sementes vegetais. Quanto às funções, o corpo bioplásmico se identifica inteiramente com o perispírito: é ele que dá vida ao corpo material, que o organiza segundo o seu modelo próprio, que rege todas as suas funções, mantém o seu equilíbrio orgânico e controla a sua higidez. Os cientistas soviéticos verificaram a existência, no corpo bioplásmico, de sinais que eles chamaram de hieróglifos luminosos e coloridos, que constituem uma espécie de código da saúde do organismo. Segundo eles, é possível obter-se, no exame desse código, como se faz no exame das correntes elétricas do cérebro, através do eletroencefalograma, as informações sobre o estado geral do organismo, com a previsão de desequilíbrios funcionais e doenças futuras. Disso resulta também a possibilidade de ação curativa através de processos energéticos, o que despertou o interesse dos cientistas pela antiga técnica chinesa da acupuntura. Também a ação da homeopatia e do hipnotismo se torna mais compreensível. Experiências realizadas nos Estados Unidos com animais, para verificar-se a existência de força estruturadora, nas diversas regiões controladoras do corpo animal, deram resultados positivos. Pesquisas telepáticas provaram a possibilidade de ação mental, mesmo à distância, sobre disfunções orgânicas e doenças, inclusive infecciosas.

As pesquisas parapsicológicas, por sua vez, libertaram a Psicologia da sujeição biológica, estabelecendo a distinção entre mente e cérebro. Whately Carington, da Universidade de Cambridge (Inglaterra), formulou a teoria das estruturas psicônicas, segundo a qual a mente não se constitui de matéria, mas átomos extrafísicos a que chamou de psícons. Os Profs. Pratt e Louise Rhine, da Universidade de Dukes (EUA), comprovaram a realidade dos fenômenos teta, de comunicação mediúnica. G. S. Soal, da Universidade de Londres, e Price, da Universidade de Oxford, comprovaram também a existência dessas comunicações. As gravações de vozes em fitas magnéticas, iniciadas na Suíça e hoje em estudo e pesquisa em todo o mundo, completam as provas científicas atuais da sobrevivência após a morte do corpo físico e da possibilidade de comunicações entre o mundo dos espíritos e o nosso mundo material. Essas aberturas científicas nos levam naturalmente de volta ao culto pneumático das origens cristãs, à taumaturgia de Jesus e dos apóstolos, aos fenômenos de aparições e transfigurações, como o do Tabor, relatado nos Evangelhos. Todo o quadro dos ensinos e das demonstrações didáticas de Jesus, rejeitado pelos cientistas como produto de antigas superstições, reaparece nas Ciências atuais através de processos tecnológicos de obtenção, verificação e controle. O problema da reencarnação tornou-se, também, uma questão científica, até mesmo na URSS, onde se destaca o nome do Prof. Wladimir Raikov, da Universidade de Moscou.

A designação de antimatéria para as energias descobertas fora do campo atômico conhecido estabeleceram a diferenciação metodológica entre dois mundos. Mas a constatação posterior de que essas energias se conjugam com as da matéria, na constituição do Universo, restabeleceram a unidade conceitual e efetiva de um mundo só, dividido em campos diferenciados. Com isso, voltamos à teoria helenística de Plotino, sobre as hipóstases de uma realidade universal única, mas diferenciada na sua estruturação. Para Plotino, a realidade se constituía de camadas superpostas ou planos de existência, que vão desde a matéria do nosso mundo até a antimatéria dos planos puramente espirituais. Admitia a reencarnação, como o trânsito constante dos seres através desses planos, e dava aos seres humanos a designação de almas viajoras. A teoria cristã dos três céus, a que Paulo se refere, compara-se à de Plotino. Em todos os tempos, os homens revelaram a percepção intuitiva dessa realidade múltipla, que atualmente as pesquisas científicas atuais estão comprovando de maneira positiva e rigorosa, graças às novas possibilidades de investigação.

A antimatéria se apresenta como uma espécie de réplica à matéria. As partículas atômicas, que constituem a matéria, têm suas réplicas em partículas semelhantes e contrárias a elas, como se fossem as suas imagens refletidas num espelho. Por exemplo, o elétron é um dos satélites que giram em torno do núcleo atômico. Essa partícula é dotada de carga negativa. Descobriu-se uma partícula semelhante a ela, mas dotada de carga positiva, à qual se chamou de próton. São consideradas partículas gêmeas ou reflexas. As partículas materiais e as de antimatérias só diferem entre si no tocante à carga, posição e velocidade. O espaço formado pelas partículas de antimatéria constitui um novo espaço, o que levou os físicos a reconhecerem a existência de outro espaço, no qual existe um outro mundo semelhante e contrário ao nosso. Esta é apenas uma explicação elementar, para dar aos leitores pouco informados a respeito a idéia de antimatéria. Esse paralelismo sugeriu a existência de mundos ou Universos paralelos no espaço cósmico, pois a produção de antipartículas em laboratório mostrou que o encontro de uma partícula com uma antipartícula resultava na explosão de ambas, que se convertiam em raios gama. Considerou-se impossível a existência simultânea de matéria e antimatéria num mesmo mundo. Mas a continuação das pesquisas modificou essa hipótese inicial. Passou-se a considerar a possibilidade de coexistência de espaços diferenciados, predominando, num deles, a matéria e, no outro, a antimatéria. Teríamos, então, os mundos interpenetrados da teoria espírita, com a diferenciação de planos, como nas hipóstases de Plotino ou como na tradição cristã dos céus superpostos. Recentemente os soviéticos anunciaram a produção de um antiátomo de Hélio em laboratório. O avanço da Física nesse terreno assemelha-se à epopéia da expansão marítima do século XVI. O mundo se alarga na proporção em que os navegadores avançam através dos mares misteriosos, desvendando os seus mistérios e descobrindo outras regiões povoadas. A descoberta do corpo bioplásmico vem completar essa imagem. O perispírito, ou corpo espiritual, poderia ser a forma corpórea da humanidade de um mundo de antimatéria. Cristo encarnado era um ser material da nossa condição humana. Cristo desencarnado, em sua ressurreição, um ser espiritual, cujo corpo se assemelhava ao que deixara na Terra, mas estruturado ao inverso do outro. A morte não nos aniquila, apenas nos transforma (transforma), nos passa de uma forma a outra e de um plano existencial a outro, na dinâmica ainda mal conhecida da realidade em que vivemos.

Todo esse problema, como vimos, ressalta dos ensinos e das demonstrações práticas de Jesus de Nazaré. Mas só agora os homens estão se tornando capazes de, como Tomé, tocar com os dedos as chagas do seu corpo ressuscitado, em que o corpo morto se reflete como a imagem invertida das partículas atômicas. Como poderiam as Igrejas Cristãs enfrentar esta hora de transformação de um novo mundo, sob a carga mágica e mitológica dos seus dogmas e sacramentos? A grandeza conceitual do Cristianismo do Cristo não cabe no diminuto espaço das mentes atulhadas de resíduos mágicos e míticos. Temos de fazer, com urgência, a revisão de nossas posições cristãs. Os astronautas já avançam no espaço cósmico, os cientistas mergulham sem escafandro nas profundezas do Poço da Verdade, dispostos a trazê-la nua e pura à superfície do planeta, calcinado pelo fogo da mentira, da ambição e da impiedade. Esta é uma hora de reflexão, entre as imagens refletidas nos espelhos da História.

Herculano Pires

Ver no site o pesquisador espírita Léon Denis "Cristianismo e Espiritismo"

Fontes: Conferências dos 100 anos do Nascimento de Herculano Pires (Francisco Cajazeiras, com o tema "O Cristianismo oficial é o mesmo que Jesus nos ensinou?")

Fontes: Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Reflexões históricas e as defecções do Cristianismo sem Jesus)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Cristianismo sem o Cristo e o Espiritismo)

"Os males deste mundo estão em razão das necessidades fictícias que criais para vós mesmos"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo (Obra de Allan Kardec - "O Evangelho Segundo O Espiritismo" - Introdução)

 

Herculano Pires - Revisão do Cristianismo PDF

 

Herculano Pires - Revisão do Cristianismo DOC