JOHN WORTH EDMONDS

UMA  SELEÇÃO DE FOLHETOS  ESPIRITUAIS

SOBRE ESPIRITISMO


OBRA RARA TRADUZIDA

 

Título Original em Inglês

A Selection of Spiritual Tracts on Spiritualism

E.U.A.

(1858 - 1860)

 

Tradutor do Inglês para o Português

Wellington Alves

Comentários do tradutor:

Trabalhador da primeira hora, o Juiz Edmonds veio neste livro, através de pequenos folhetos e cartas distribuídos aos periódicos da época, mostrar como e por que se converteu ao Espiritismo, além de versar sobre diversos assuntos, como identificação dos espíritos, pretensas incongruências dos espíritos acerca da localização do Paraíso (as diversas moradas na casa do Pai), xenoglossia, "raps", mediunidade de efeitos físicos, manifestações mediúnicas e o porquê das relações mortais-espirituais.

Notando-se a incrível semelhança nos pontos dados pelo autor com a Codificação do egrégio Allan Kardec, na França, separados por um oceano de distância, isso durante a feitura do próprio livro basilar da Codificação, o Livro dos Espíritos (1857)

Tradutor da obra

Wellington Alves - Novembro de 2011

Introdução da obra:

JUIZ EDMONDS, SOBRE ESPIRITISMO

AO PÚBLICO:

Em meu retorno de uma recente jornada ao interior, descobri que, durante minha ausência, uma decisão pronunciada por mim tinha sido tomada como uma oportunidade para um ataque, de vários lados, às minhas crenças religiosas. Eu estava inteiramente cônscio que aquele julgamento, correndo contra o sentimento popular, sujeitaria minha ação a severas críticas, porém, confesso que não antecipei que poderia dele sair um ataque contra minhas opiniões religiosas. Fosse eu um cidadão normal, contentar-me-ia em meramente clamar o direito que pertence a cada um neste país, o de abraçar uma fé - o mais importante de todos os tópicos – de tal modo como minha consciência poderia ditar-me. E, assim, eu talvez ficasse satisfeito com o desafio. Socorrer-me-ia apontar um único artigo em meu credo que visaria qualquer outra coisa do que uma virtude pública valorosa. Contudo, como a posição que eu ocupo rende a solidez tanto quanto a integridade de meu julgamento em uma matéria de interesse público, estou agrilhoado ao conhecimento do direito de outros de questionarem minha fé e minha própria obrigação em defendê-la.

Eu reconheço mais uma obrigação. Na medida em que eu aceitei minha posição atual sob o entendimento implícito, pelo menos, de que eu acreditava na religião cristã e administraria nossas leis civis de acordo com os princípios da Lei Divina como nos foram revelados, sob a qual todas as nossas instituições foram baseadas, então sou obrigado a certificar àqueles que me confiaram com o atributo divino de administrar justiça entre os homens que minha reverência a essa revelação não foi destruída, nem minha obediência àquela lei moral obstruída.

Não esperava, de todo modo, por esses ataques e ser pressionado com tais obrigações, porém por já os ter sofrido que eu preparei a publicação de um volume sobre o assunto, o qual, se não fosse pelas minhas outras ocupações já estaria nas mãos de editores. Nele darei elucidações e provas de minhas crenças, cujos limites deste artigo não me permitem alongar e contento-me nesta ocasião com assertivas gerais que poderão dar uma idéia correta do que é o que eu acredito e tenho feito. Mesmo isso não seria necessário se aqueles que me atacaram tivessem-me feito justiça por si mesmos publicando algo que eu disse ou escrevi a respeito. Porém, até agora fui capaz de alcançar o público apenas através de publicações de muito limitada circulação, e as mais erradas noções foram assimiladas como minha crença e a má-interpretação foi aumentada pela imprudência com a qual afirmações errôneas foram fabricadas por aqueles que não podiam sabê-las verdadeiras, porém que poderiam facilmente terem-se asseverados que eram falsas.

Assim um cronista, com uma falta de sentimento que talvez não seja surpreendente, falou de minhas consultas com minha esposa falecida pelas quais eu tomaria minhas decisões. Outro disse sobre "rumores" de eu ter consultado manifestações espíritas para me dirigirem as decisões. Outro, que minha crença é "uma variação irreconciliável com toda revelação divina, e é nada além do que um trabalho demoníaco", e ainda outro, que "isso constitui um abandono de todo autocontrole e uma rendição da supremacia da razão, como informado e iluminado pelos sentidos, aos mais insensatos malabarismos."

Todas essas afirmações estão tão longe da verdade quanto podem e eu posso, com alguma justiça, reclamar por ter sido submetido a tais imputações graves meramente porque tomei uma decisão que fora inaceitável a uma parcela da comunidade. Contudo não foi com o objetivo de reclamar que sentei para escrever. Tenho consciência que não é só por mim, mas pela crença que professo, que é o objeto do ataque. É "o tema poderoso e não o considerável advogado" que ofende. Eu também tenho consciência por que tantos erros existem na mente pública sobre tal assunto e meu alvo, tanto quanto creio que possa alcançá-lo, é corrigir tais erros - para afirmar verdadeiramente, tanto quanto posso aqui, aquilo que eu acredito e a base na qual minha crença está fundada - para que todo aquele que se interessar sobre a matéria e ler o que tenho a dizer tenha meios de julgar o que eu realmente acredito e não o que os outros erroneamente imputam-me como uma crença.

Sou sinceramente grato aos meus detratores por não me imputar quaisquer motivos fúteis ou egoístas, por conceder que como um cidadão comum eu "estou isento de críticas públicas", que eu "não" sou "um tolo" e por confinar-se a mera imputação que eu esteja trabalhando sob mistificação. É, além disso, a esse ponto que me confino à minha dissertação.

Foi em janeiro de 1851 que minha atenção foi primeiramente chamada ao "intercâmbio espiritual." Eu estava, à época, um tanto quanto afastado da sociedade, pois laborava sobre grande depressão. Ocupava-me somente com a leitura acerca da morte e a existência humana após a mesma. Eu tive, no curso de minha vida, lido e ouvido do púlpito tantas doutrinas contraditórias e conflitantes sobre o assunto que mal sabia no que acreditar. Não poderia, mesmo se quisesse, crer no que eu não entendia e estava ansiosamente procurando saber se após a morte nós nos encontraríamos de novo com aqueles a quem amamos aqui e sob quais circunstâncias. Fui convidado por uma amiga a testemunhar as "batidas de Rochester" . Aceitei, mais para agradá-la e para passar as entediantes horas. Pensei bastante no que havia testemunhado e determinei-me a investigar o assunto e descobrir o que era. Se fosse uma fraude ou ilusão, pensei que poderia detectar. Por quase quatro meses, devotei ao menos duas tardes por semana, e algumas vez até mais, a testemunhar o fenômeno em todas suas fases. Mantive cuidadosos relatos de tudo que testemunhei e, de tempos em tempos, comparava-os, para detectar incoerências e contradições. Li tudo que caía em minhas mãos sobre o assunto e, especialmente, tudo da professada "exposição da mistificação". Fui de lugar em lugar, vendo diferentes médiuns, indo a diferentes encontros, às vezes com pessoas que eu nunca havia me encontrado antes, em lugares totalmente desconhecidos por mim - às vezes no escuro, em outras na luz - com descrentes inveterados e com, mais freqüentemente, zelosos crentes. Por bem, aproveitei cada oportunidade que me foi concedida, cuidadosamente peneirando a questão até o fundo. Eu era todo o tempo um descrente e testei a paciência dos crentes com meu ceticismo, minha capciosidade e minha obstinada recusa de ceder na minha crença. Eu vi ao meu redor alguns cedendo por uma ou duas sessões apenas, outros novamente, sob as mesmas circunstâncias, admitindo certa descrença, e outros que se recusaram a testemunhar e se confirmaram descrentes. Não poderia imitá-los e recusei-me a ceder a menos sob o mais irrefutável testemunho. A prova veio e com tal força que nenhum homem são poderia manter sua fé.

Tão grande a questão que eu investigava, se o que eu vi foi produzido por meros meios mortais ou por algum agente invisível e desconhecido, se foi uma fraude, uma impostura ou o que fosse, era o produto de alguma causa desconhecida e invisível. Detalhar o que testemunhei excederia os limites desta comunicação, pois meus escritos daqueles quatro meses sozinhos preenchem perto de cento e trinta páginas inteiras. De todo modo, mencionarei alguns pontos, o que dará uma idéia geral do que caracterizava as entrevistas, agora passando da casa das centenas. A maioria delas ocorreu na presença de outros além de mim. Preservei os nomes nos escritos, mas não os divulgarei, porque não desejo submetê-los ao escrutínio que parece, mais estranhamente, ser jogado a todos que vêem o assunto com qualquer outro sentimento além de uma resoluta e obstinada incredulidade, qualquer que sejam as provas. Porém, umas considerações advieram destes fatos: primeiro, que eu tenho muitas testemunhas que posso evocar para estabelecer a verdade de minhas assertivas e, segundo, que se eu fui iludido e não vi nem ouvi o que acho que vi e ouvi, minha ilusão foi compartilhada por muitas pessoas tão perspicazes, inteligentes, honestas e iluminadas como as que são encontradas em qualquer lugar ao nosso redor.

Minha atenção foi primeiramente chamada ao intercâmbio pelas pancadas, então bem comuns, mas agora o mais incongruente modo de comunicação. É claro que eu procurava por engodos, e primeiramente invoquei meus sentidos e as conclusões que minha razão tirava de suas provas. Porém, eu era incapaz de dizer como os médiuns poderiam causar o que eu testemunhara sobre tais circunstâncias: os médiuns caminhavam pela sala, quarenta ou cinqüenta passos e as pancadas eram distintamente ouvidas metros atrás deles, pela distância inteira, à frente e por detrás várias vezes, sendo ouvidas perto do cimo de uma porta de mogno, onde o médium não podia alcançar e como se fosse batido por um punho forte; do soalho de um carro em movimento, em uma estrada, e no chão e na mesa, quando sentado no almoço, em uma lanchonete de estrada; em diferentes partes da sala, às vezes muitos metros distante do médium, e onde ela não poderia alcançar - às vezes na mesa e imediatamente após no chão e de volta a diferente partes da mesa, em rápida sucessão, capacitando-nos a sentir as vibração tão bem quanto ouvir os sons; em outras, quando as mãos e pés do médium estavam firmemente e cuidadosamente seguras por alguém da sessão, e finalmente em uma mesa onde ninguém tocava.

Após depender de meus sentidos, naquelas várias fases do fenômeno, eu invoquei a ajuda da ciência e, com a assistência de um reputado eletricista e seu maquinário juntamente com oito ou dez pessoas inteligentes, educadas e perspicazes, examinei o assunto. Conduzimos nossas pesquisas por muitos dias e estabelecemos duas coisas: primeiro, que o som não era produzido por qualquer pessoa presente ou perto de nós e, segundo, que não estavam próximos à nossa vontade e prazer.

Entrementes, outra apresentação atraiu minha atenção e eram "manifestações físicas", como foram batizadas. Ali, vi uma mesa de pinho com quatro pernas elevar-se do chão, no centro de um círculo de seis ou oito pessoas, virar-se de ponta cabeça e baixar ao chão perto de nossos pés, depois subir sobre nossas cabeças e colocar-se lentamente atrás do sofá no qual sentávamos. Eu soube que a mesma mesa se colocara sob duas pernas com o seu tampo em um ângulo de quarenta e cinco graus em relação ao chão, quando nem caiu sobre si mesma nem poderia qualquer pessoa presente pô-la de volta sob as quatro pernas. Eu vi uma mesa de mogno, tendo apenas um pé central e com uma lamparina ardendo sobre si, se alevantar do chão uns trinta centímetros, a despeito dos esforços dos presentes e ir para frente e para trás como se alguém a fizesse mover sem que a lamparina se mexesse. Vi a mesma mesa virar de ponta cabeça, de modo que a lamparina deveria ter caído se não estivesse sendo segura por alguma coisa além do próprio peso, porém, nem caiu nem se mexeu. Sei de uma sineta de jantar tirada de uma alta prateleira em um armário, voar acima das cabeças de quatro ou cinco pessoas, então correr pelo cômodo sobre as cabeças de doze ou quinze pessoas na sala de estar, passar pela porta dos fundos e então cair pesadamente ao chão. Eu freqüentemente ouço sobre pessoas puxadas por uma força que era impossível de se resistir, e uma vez, todas as minhas próprias forças foram adicionadas em vão para segurar um dos afetados. Sei de uma cadeira de mogno jogada de lado e movida suavemente pelo chão, com ninguém a tocando, por uma sala onde havia pelo menos uma dúzia de pessoas e parava repetidas vezes a poucos centímetros de mim, sendo que da última vez com tal violência que quase quebrou minhas pernas.

Não é nem um dízimo, nem uma centésima parte do que eu já testemunhei, porém é suficiente para mostrar a natureza geral do que estava perante mim.

Ao mesmo tempo, eu ouvi de outros, cujos testemunhos podem ser creditados em qualquer transação humana, os quais não me posso permitir a desconsiderar, contos de performances ainda mais extraordinárias.

Enquanto essas coisas aconteciam, apareciam nos jornais várias explicações e "exposições de mistificações", como eram chamadas. Eu li-as cuidadosamente, na expectativa de ser assistido nas minhas pesquisas, e não podia nada fazer além de sorrir para as temeridades e futilidades das explicações. Por exemplo, enquanto certos professores em Buffalo se congratulavam em ter descoberto dedões e juntas estalantes, as manifestações naquela cidade mudaram para o toque de um sino debaixo da mesa. Eles eram como a solução dada por um eminente cientista na Inglaterra, que atribuía os tapões nas mesas à força das mãos que ficavam apoiadas sobre ela, esquecendo o fato material de que as mesas freqüentemente moviam-se quando não havia mão alguma sobre elas.

O que acima mencionei aconteceu na presença de outros tanto quanto na minha. Não aludi a nada que houve acontecido quando estive sozinho, pois isso depende apenas de meu testemunho, portanto, preferi não submeter sua veracidade às imprevidentes e maldosas contradições daqueles que se aventuram a denunciar como uma "impostura atroz" o assunto no qual são profundamente ignorantes e que foram examinados e cridos por milhares e dezenas de milhares de concidadãos, que, para dizer o mínimo, são tão honestos e inteligentes quanto eles. Nem eu estou muito ansioso para submeter minha fé ao julgamento daqueles que perseguiram Galileu até a morte por descobrir nosso sistema planetário e ser unido aos gritos de "tolo" ao barco a vapor de Fulton, "mistificação" ao telégrafo de Morsel e "insanidade" à ferrovia de Gray.

Tendo, após uma longa série de paciente pesquisa, satisfazendo-me nesse ponto, parti para minha próxima pesquisa. De onde vem à inteligência que está por trás de tudo isso? Pois tal inteligência era uma característica marcante do fenômeno.

Assim, tenho freqüentemente tomado conhecimento de perguntas mentais sendo respondidas, isto é, questões meramente enquadradas na mente do interrogador e não reveladas por ele ou conhecida por outros. Preparando-me para uma sessão, sentei-me sozinho em minha sala e cuidadosamente preparei uma série de questões para serem propostas e, para minha surpresa, descobri-as respondidas na precisa ordem a qual as escrevi, sem retirar meu caderno do bolso e quando eu tinha certeza de que nenhuma pessoa presente sabia da preparação prévia das perguntas, muito menos que eram meus mais secretos pensamentos, os quais nunca teria revelado a homem ou mulher mortal, elas foram faladas livremente, como se eu as tivesse revelado. Propósitos que eu privativamente mantive foram publicamente escancarados e mais de uma vez fui admoestado pela inteligência que se manifestava acerca de meus pensamentos.

Ouvi médiuns que usam palavras gregas, latinas, espanholas e francesas, quando sei que não possuem conhecimento de nenhuma outra língua além da materna; e é um fato que pode ser atestado por muitos, que às vezes falam e escrevem em línguas estrangeiras e desaparecidas, as quais lhes são totalmente desconhecidas.

Ainda assim a pergunta persiste, poderá tudo isso ser, por alguma operação misteriosa, mero reflexo da mente de alguns dos presentes? A resposta era que os fatos que foram comunicados eram desconhecidos, porém foram verificados verdadeiros, por exemplo: quando eu estava ausente inverno passado, na América Central, meu amigo na cidade ouviu sobre meu paradeiro e minha saúde sete vezes, e quando retornei, ao comparar suas informações com os relatos em meu diário, foram confirmadas invariavelmente. Então, em minha recente visita ao Oeste, meu paradeiro e condição foram ditos a um médium desta cidade enquanto eu viajava na ferrovia entre Cleveland e Toledo. Então, pensamentos foram revelados sobre assuntos que não estavam então em minha mente, e em completo desacordo com minhas próprias noções. Isso ocorre regularmente comigo e com outros, como que para estabelecer plenamente o fato de que não fora a nossa mente quem deu luz ou afetou a comunicação.

Iguais a isso são dois bem autenticados casos de pessoas que podem ler os pensamentos nas mentes dos outros. Um é de um artista da cidade de alta reputação e outro, o editor de um jornal de uma cidade vizinha. Este me escreveu que, na companhia de três amigos, ele perfez um experimento e por quarenta tentativas sucessivas descobriu que podia ler os pensamentos secretos de seus companheiros assim que eram formados e sem eles terem sido revelados. Então, também, há um exemplo de duas pessoas, uma delas também residentes nesta cidade, que dão uma descrição fiel da personalidade e até mesmo o humor predominante da mente de qualquer pessoa, de todo modo desconhecida deles, sobre os quais fixam a sua atenção.

Esses não são casos apócrifos. As partes estão à mão, e no nosso meio, e qualquer pessoa que quiser pode fazer a investigação, como eu fiz, e se satisfazer.

Contudo, tudo isso, e muito, muito mais de uma natureza cognata, veio mostrar-me que havia uma inteligência de alta ordem envolvida nestes novos fenômenos - uma inteligência externa e além da mera sapiência mortal; pois não havia outra hipótese a qual eu vislumbrava ou ouvia que poderia tudo explicar, cuja realidade é estabelecida pelo testemunho de dezenas de milhares, e pode facilmente ser asseverada por qualquer um que se imponha o problema de inquirir.

Se esses dois pontos estão estabelecidos - e há agora nestes Estados Unidos centenas de milhares de seres sapientes que investigaram e acreditaram - então vêm estas importantes questões. Para qual fim afinal? Para qual propósito? Com que objetivo?

A estas que eu dirigi minhas recentes atenções, devotando a tarefa mais de dois anos todo o tempo livre que eu pude colocar, e aumentando tal tempo o máximo possível ao retirar-me de todas as antigas formas de lazer. Fui de corrente em corrente, de médium em médium, procurando conhecimento sobre o assunto onde quer que eu pudesse ir, seja de livros, seja por observação, e utilizando a inteligência de que eu fui dotado pela natureza, afiada e melhorada pela prática de trinta anos no tribunal, no Legislativo e no Judiciário.

Eu descobri que havia muitos modos nos quais essa inteligência invisível comunicava-se conosco, além das pancadas e mesas batedoras, e que através desses outros modos vieram muitas outras comunicações distintas pela sua eloqüência, sua alta ordem intelectual e seu tom moral puro e elevado; ao mesmo tempo, descobri muitas inconsistências e contradições que foram calculadas para enganar. Eu vi muitas pueris e algumas afirmações muito absurdas, mas muitas outras que eram admiravelmente feitas para tornar o homem melhor e mais feliz, daí comecei a trabalhar para ver se eu poderia, fora desse caos, ajuntar algo que poderia ser de valor.

Estava satisfeito que alguma coisa a mais era pretendida do que a gratificação de uma curiosidade; algo mais do que a alcova de um apetite doente para algo maravilhoso, algo mais do que a promulgação de banalidades oraculares, algo mais do que perturbadores objetos materiais para a admiração do amante maravilhoso, algo mais do que dizer a idade dos vivos ou mortos, etc.

Por esse algo a mais que eu laboriosamente pesquisei. Eu pensava que era mais sábio do que condenar sem investigar e denunciar sem conhecer. O que eu descobri nesta experiência, intento doar ao mundo, que todos possam julgar por si mesmos que haja algo que valha a atenção de seres inteligentes. Isso teria sido feito se minhas horas vagas tivessem-me dado tempo de preparar meu manuscrito para a gráfica. Agora eu espero que meu livro seja publicado nos idos de Setembro, e para ele eu indico, como já disse, para minúcias particulares.

Neste meio tempo, é-me, e a outros, devido dizer que nossa fé, crescendo destas pesquisas, não está "em desacordo irreconciliável com a revelação." Quão pouco fazem, quem perpetra tal ataque, idéia dessa matéria! Enganados pela crueza que sozinha é vista nos jornais diários, porque matérias mais graves não podem ser ali admitidas, a idéia é, temo, entretida por algo que esta nova filosofia está em desacordo com a revelação do Cristo, o Redentor. Isto é decerto um triste engano e um que os crentes estariam muito felizes em corrigir, se apenas a oportunidade pudesse-lhes ser dispensada.

Então, também, é um grave erro supor que isso "constitui um abandono de todo autocontrole e uma rendição da supremacia da razão, como informado e iluminado pelos sentidos." Não havia ainda, digno-me a dizer, um credo religioso promulgado entre os homens, que tão inteiramente renega a fé cega e tão completamente demanda sempre o exercício de julgamento e a supremacia da razão.

Por isso é que somos ensinados que nenhuma dessas coisas extraordinárias que são testemunhados por tantos sejam miraculosas ou fluem de alguma suspensão das leis naturais, porém, estão em conformidade e executadas por essas leis; que, como a locomotiva e o telégrafo magnético, são maravilhosos apenas àqueles que não os entendem ou não são familiarizados com eles; que tais leis, e os meios pelos quais produzem os resultados, são aptas de serem descobertas por pesquisa humana; que o conhecimento não está confinado a poucos, mas aberto a todos, ricos ou pobres, nobres ou plebeus, sábios ou ignorantes, àqueles que saibam pacientemente pesquisarem e que quando for atingido não será nada além do trabalho do coração, "um caminhar mais perto de Deus", e um intercâmbio com nossos companheiros de mais elevado caráter, isentos de egoísmos e devotados ao absoluto avanço de todo conhecimento e bondade, ambos neste mundo e no do porvir.

Isto é uma parte do que averigüei em minhas pesquisas. Porém, ainda há mais. Há aquilo que conforta o enlutado e rejunta o coração partido; aquilo que suaviza a passagem ao túmulo e tira da morte seu horror; aquilo que ilumina o ateu e nada pode além de reformar o viciado; aquilo que anima e encoraja o virtuoso contra os julgamentos e vicissitudes da vida e aquilo que demonstra ao homem seu papel e seu destino, deixando-o não mais vago e incerto. O que isto é, não posso, nos limites desta carta, explicar, porém no devido tempo o será e cada um poderá julgar per si.

Mas agora posso eu perguntar se superestimei a importância do assunto de minhas inquirições? Um pouco mais de quatro anos se passaram desde que as "batidas de Rochester" ficaram famosas. Então, médiuns podiam ser contados em uma mão, agora são milhares - então, os crentes poderiam ser contados as centenas, agora por dezenas de milhares. É crida pela melhor informação que todo o número nos Estados Unidos deva ser muitas centenas de milhares, e que nesta cidade e suas vizinhanças devam ser de vinte e cinco a trinta mil. Há dez ou doze jornais e periódicos devotados à causa e a Biblioteca Espiritual embarca mais do que uma centena de diferentes publicações, algumas das quais já atingiram a tiragem de dez mil cópias. Além da inconfundível multidão, há muitos homens de altas patente e talentos entre eles - médicos, advogado e clérigos em grande números, um bispo protestante, o venerando presidente de uma faculdade, juízes de nossas altas cortes, membros do Congresso, embaixadores estrangeiros e ex-membros do Senado Nacional.

O que tem, assim, espalhado com rapidez tão maravilhosa, apesar do ridículo que impediu muitos de uma confissão aberta, o que atraiu a atenção de muitas das melhores mentes entre nós, pode não ser inválido de minha investigação, ou de pessoa mais sábia e mais confiável do que eu.

Agora, passou um ano que minha peculiar fé foi assunto de comentários públicos. Durante todo o tempo, mantive-me silente àqueles ataques, contentando-me a continuar minhas investigações até que pudesse chegar a resultados satisfatórios. Talvez, estive calado por muito tempo, pois, no meio tempo, muitas noções errôneas, como as da fé, foram disseminadas. Porém, eu estava relutante em falar até que tivesse certeza que eu tinha razão, para que eu não pudesse dizer alguma crueza que, eventualmente, eu fosse me arrepender, ou cometer algum erro que seria difícil de corrigir, ou, em suma, infelizmente induzido ao erro por minha ignorância em vez de sabiamente guiado por meu conhecimento.

Entrei na investigação originalmente pensando em fraudes e querendo tornar pública tal exposição. Tendo as minhas pesquisas, tirei uma diferente conclusão. Senti a obrigação de fazer conhecido que o resultado é muito forte. Portanto, principalmente, é por isso que eu dei o resultado ao mundo. Eu disse principalmente porque há outra consideração que me influenciou, e que é o desejo de estender a outrem um conhecimento que eu conscientemente sei posso fazê-lo feliz e melhor.

Se aqueles quem duvida disso pudessem despender uns poucos dias comigo em minha biblioteca e testemunhassem as chamadas que eu recebo de estranhos de todas as partes do país, se eles pudesse olhar meu portfólio e ler as cartas que derramam-se sobre mim de todas as partes e de pessoas que eu nunca vi e nunca verei, eles seriam capazes, a partir das provas assim decorados pelo bem que foi feito, de formar alguma noção do que pode ainda ser conseguido e eles não perguntariam se eu descobri uma compensação para o descrédito que é tão livremente amontoado sobre mim pelos ignorantes ou na efusiva gratidão dos corações que houveram-se, por meio intermédio, aliviados. Um deles disse (e é um justo exemplo do todo) "você perfez o papel do Bom Samaritano e apôs linimentos nas feridas de alguém que iria morrer e deu, ao seu leito de morte, calma e esperança, o que poderia ter sido perturbado por dúvidas."

Este, então, é o delito pelo qual eu tenho sido acusado no tribunal do público com tão impiedosa condenação, declarado indigno de meu alto ofício, falsamente acusado de consultar qualquer outra coisa além da lei do país e a minha própria razão nos juízos que eu pronunciei oficialmente e tive evocado contra mim "os fogos de Smithfield e os cadafalsos de Salém." Com tal condenação, eu apelo ao julgamento calmo e imparcial de meus concidadãos, com uma firme confiança em sua justiça.

Nova Iorque, 1º de agosto de 1853.

J.W. EDMONDS

Ver no site as Obras Completas de Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"Os médiuns apresentam numerosíssimas variedades nas suas aptidões, o que os torna mais ou menos próprios para obtenção de tal ou tal fenômeno, de tal ou tal gênero de comunicação.

Segundo essas aptidões, distinguimo-los por médiuns de efeitos físicos, de comunicações inteligentes, videntes, falantes, auditivos, sensitivos, desenhadores, poliglotas, poetas, músicos, escreventes, etc.

Não devemos esperar do médium aquilo que está fora dos limites da sua faculdade.

Sem o conhecimento das aptidões mediúnicas, o observador não pode achar a explicação de certas dificuldades ou de certas impossibilidades que se encontram na prática"

"Allan Kardec - O Livro dos Médiuns, Cap. XVI, n.° 185"

 

  RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

John Worth Edmonds - Uma seleção de folhetos espirituais sobre Espiritismo PDF

 

John Worth Edmonds - Uma seleção de folhetos espirituais sobre Espiritismo DOC

 

John Worth Edmonds - A Selection of Spiritual Tracts on Spiritualism (Eng)