OS IRMÃOS DAVENPORT

OS QUE VENDERAM OS BENS ESPIRITUAIS

A DEFESA DO ESPIRITISMO POR ALLAN KARDEC

 

La "Gazette du Midi"

devant le spiritisme

à propos des frères Davenport

Étude philosophique, par Ernest Altony

Editeur Mengelle

Marseille (1865)

 

A “Gazette du Midi”

perante o Espiritismo

A PROPÓSITO DOS IRMÃOS DAVENPORT

(Revista Espírita - NOVEMBRO 1865)

Apresentação do site:

Os Irmãos Davenport foram contemporâneos das Irmãs Fox, nasceram também nos Estados Unidos, foram médiuns de manifestações físicas, chamaram a atenção das massas sobre a manifestação dos espíritos, foram perseguidos pelo fundamentalismo religioso da época.

No dizer Conan Doyle compara as estas grandes manifestações de  espíritos a “uma invasão devidamente organizada”, invasão do mundo por um exército espiritual, incumbido de dominá-lo pela força do bem e orientá-lo para os rumos finais da perfeição humana.

Os Irmãos Davenport são partes integrantes desta grande invasão espiritual, mesmo não sendo espíritas, pois mercantilizaram os seus dons espirituais, fizeram acordar nas mentes da época a questão da eternidade do homem e a comunicabilidade com os espíritos desencarnados.

Irmãos W.

Apresentação da Biografia:

IRMÃOS DAVENPORT: UMA LIÇÃO PARA NÃO SER ESQUECIDA

As situações vividas são aprendizados que jamais devem ser esquecidos, sejam estes relativos a momentos risonhos, sejam eles de infortúnios. São experiências escritas no caderno da vida que não devem ser olvidadas, mas, isto sim, lembradas sempre, para que  dirimam-se as falhas e repitam-se os acertos. Relembramos na coluna Efemérides deste mês uma destas lições que jamais deve ser  esquecida, vivida pela Doutrina Espírita em seus primórdios.

Trata-se da trajetória dos irmãos Davenport. O mais velho dos  irmãos, Ira Erastus Davenport, nasceu em 17 de setembro de 1839, enquanto o outro, William Henry Davenport, a 1º de fevereiro  de 1842, ambos na cidade de Buffalo, no estado de Nova Iorque, Estados Unidos.

O pai dos meninos era funcionário do  Departamento de Polícia de Buffalo sendo descendente de colonos ingleses que vieram para a América do Norte. Enquanto isso, a  mãe era nascida em Kent, na Inglaterra, e veio ainda criança, para aquele país. Quando o garoto mais velho tinha apenas 7 anos de  idade, fenômenos estranhos começaram a ser presenciados pela família, que era perturbada durante a noite por eventos como  batidas, socos, ruídos e estalos. Inicialmente, os garotos, juntamente com a irmã mais nova, Elizabeth, presenciavam fenômenos  ruidosos, cujas mensagens eram por eles decodificadas.

Conforme o tempo passava, as manifestações se tornavam cada vez mais  complexas e as notícias sobre estas se espalhavam com grande rapidez. Ira passou a desenvolver a mediunidade da escrita  automática, escrevendo mensagens sobre cujos temas não possuía conhecimento algum. A levitação foi outro evento que passou a  fazer parte do cotidiano do jovem, que ficava a nove pés do solo, acima da cabeça dos expectantes.

O mesmo se passou com os  dois mais novos. Diz-se que os fenômenos não cessavam sequer nos horários de refeição. Certa feita, durante o momento de  alimentação da família, os talhares flutuaram e começaram a dançar, juntamente com a mesa, que foi erguida no ar. Outros  eventos, como o movimento de um lápis à luz do dia sem contato humano, ou mesmo presenciar o evento de voz direta, também  passaram a entrar no acervo da família Davenport. Estes acontecimentos, acompanhados por centenas de pessoas que moravam na  cidade, passaram a atrair não somente espectadores curiosos como investigadores e pesquisadores da época.

No ano de 1857, quando Ira contava 18 anos de idade, os irmãos receberam pesquisadores da universidade de Harvard para que  fossem analisados, assim como os fenômenos produzidos por intermédio de ambos. Os pesquisadores imobilizaram os rapazes  com 150 metros de corda, e ainda os isolaram dentro de uma cabine. Entre ambos ficou disposto um dos investigadores, Prof.  Pierce. Logo uma mão foi materializada e instrumentos musicais colocados no local passaram a ser ouvidos e suspensos em torno  do professor, que a todo o momento verificava se os garotos ainda estavam imóveis. Quando os demais pesquisadores abriram a  cabine, uma surpresa: os jovens estavam  soltos, e as cordas enroladas no pescoço de Pierce. Apesar do fato contundente, nenhum relatório foi publicado e não houve  sequer pronunciamento por parte dos pesquisadores.

Conforme dizia o saudoso médium mineiro Chico Xavier o mediunismo seria  para muitos, porém o Espiritismo, para poucos. Pois a Doutrina não se fez para os jovens.

Os irmãos passaram a promover grandes espetáculos com estes eventos naturais, inclusive, em até certo ponto, ocultando-os em  “gabinetes mediúnicos” dando-lhes um toque teatral e sobrenatural. E assim como se faz em todos os espetáculos, passaram a  cobrar pelos que organizavam. A falta da Doutrina na disciplina de comportamento desses médiuns passou a gerar a decadência.

Em 1864 foram à Inglaterra. As opiniões se dividiam entre julgamentos de charlatães a homens de boa fé. Em algumas cidades,  principalmente na Inglaterra, precisaram cancelar as apresentações a fim de protegerem a própria vida. Ira e William nunca se  interessaram em estudar com seriedade a mediunidade de que eram portadores e dar-lhe um fim útil. Reduziram esse valioso  recurso de interlocução entre encarnados e desencarnados a mero divertimento teatral que, não obstante ter despertado a  curiosidade de muitos quanto à imortalidade da alma, causou mais polêmicas do que esclarecimentos.

Em carta a um amigo, Ira  Davenport declarou: “Nós nunca afirmamos de público a nossa crença no Espiritismo. Não considerávamos isso de interesse  para o público, nem oferecemos nosso entretenimento como resultado de habilidade manual nem, por outro lado, como  Espiritismo. Deixávamos que os amigos e os mortos resolvessem isso lá entre eles, como melhor pudessem. Mas, infelizmente,  fomos por vezes vítimas de sua discordância”.

Após sua passagem por Londres, Inglaterra, os irmãos foram a Paris e, ironicamente, enviaram uma pessoa que procurou Allan Kardec para que os apoiasse. O Codificador da Doutrina, como que numa lição de vigilância e cautela absteve-se de qualquer opinião visto que não tinha fatos para um posicionamento.

Os irmãos, após vários meses morando num pequeno castelo, próximo à cidade francesa, sem fazer contato com quem quer que fosse, voltaram para Londres, numa apresentação na sala Hertz, em 12 de setembro de 1865. O desfecho? Deplorável. Um dos espectadores invadiu o palco, quebrou a cabine e alegou que tudo não  passava de truques.

Mas, os Davenport não se detiveram. Passaram também, por vários outros países como Alemanha, Rússia, Polônia. Entretanto, haviam caído no descrédito da maioria. Os detratores da Doutrina Espírita encontraram nos irmãos elementos para atacá-la.

Entretanto com a serenidade de quem possui os elementos da Ciência, a lhe sustentar a argumentação, o Espiritismo a tudo  suportou não compactuando com a vendagem de eventos com data e hora marcada para interação com os espíritos. Porém, jamais  entrou no mérito de discussão se os fatos eram ou não verdadeiros, uma vez que necessitariam de criteriosa análise.

Conforme publicado no jornal Courrier de Paris du Monde Illustré, de 16 de setembro de 1865, num artigo assinado por Neuter, assim afirma com propriedade o autor:

“O Espiritismo não consiste em se fazer amarrar por cordas, nem nesta ou naquela experiência física; jamais tendo tomado esses senhores sob o seu patrocínio e jamais as tendo apresentado como colunas da Doutrina, que estes nem mesmo reconhecem, não recebe nenhum desmentido de sua aventura. Seu revés não o é para o Espiritismo, mas para os exploradores do Espiritismo”.

Os irmãos que se esqueceram do aviso do Mestre Jesus a dar de graça o que de graça haviam recebido com seriedade e vigilância, não podiam ter outro fim que não outro: receberam a sua paga no que tange à matéria e  desencarnaram em completo descrédito. Hoje, são considerados como excelentes mágicos...

A Doutrina Espírita, porém,  sobreviveu, enfrentando a situação com a razão, tendo em mãos a Ciência, a Filosofia e a Religião.

Fontes: Federação Espírita do Paraná

Apresentação de Allan Kardec:

Os Irmãos Davenport em Bruxelas

Os irmãos Davenport acabam de passar algum tempo na Bélgica, onde deram pacificamente suas representações. Temos numerosos correspondentes nesse país, mas não nos consta, nem por informação destes, nem pelos jornais, que tais senhores ali tenham sido alvo das cenas lamentáveis que ocorreram em Paris. Será que os belgas dariam lições de urbanidade aos parisienses? Poder-se-ia crê-lo, comparando as duas situações. O que é evidente é que em Paris havia uma opinião formada, uma cabala organizada contra eles; e a prova disso é que os atacaram antes de saber o que iam fazer, antes mesmo que tivessem começado. Vaiar os que fracassam, os que não cumprem o que anunciam, é um direito comprado em toda parte, quando se paga a entrada. Mas, escarnecê-los, insultá-los, maltratá-los, quebrar seus instrumentos, antes mesmo que entrem em cena, é o que não se permitiria o último saltimbanco da feira. Seja qual for a maneira por que se considere esses senhores, tais procedimentos não têm desculpa num povo civilizado.

De que os acusavam? De se fazerem passar por médiuns? De pretenderem operar com a ajuda dos Espíritos? Se, da parte deles, era um meio fraudulento para excitar a curiosidade do público, quem tinha o direito de se queixar? – Os espíritas, que podiam achar ruim a exibição de uma coisa lamentável. Ora, quem se queixou? Quem denunciou o escândalo, a impostura e a profanação? Precisamente os que não crêem nos Espíritos. Todavia, entre os que mais alto gritam que eles não existem, que fora do homem nada há, alguns acabam, graças às manifestações, se não por crer, ao menos por temer que haja alguma coisa. O medo de que os irmãos Davenport viessem prová-lo muito claramente desencadeou contra eles verdadeira cólera; se tivessem certeza de que eles não passavam de hábeis prestidigitadores, não haveria razão para temerem o primeiro escamoteador que surgisse. Sim, estamos convictos de que o medo de os ver triunfar foi a causa principal dessa hostilidade, que precedeu o seu aparecimento em público e preparou os meios de fazer abortar o seu primeiro espetáculo.

Mas os irmãos Davenport não passavam de um pretexto; não era à sua pessoa que visavam, mas ao Espiritismo, ao qual pensavam que eles pudessem dar uma sanção, e que, para grande pesar de seus antagonistas, frustra os efeitos da malevolência, pela prudente reserva de que jamais se afastou, apesar de tudo quanto fizeram para dela fazê-lo sair. Para muitas pessoas, é um verdadeiro pesadelo. Era preciso conhecê-lo muito pouco para crer que aqueles senhores, colocando-se em condições que ele desaprova, lhe pudessem servir de auxiliares. Contudo, serviram à sua causa, mas dele fazendo falar na ocasião e, sem o querer, a crítica lhe deu a mão, provocando o exame da doutrina. É de notar que todo o arruído feito em torno do Espiritismo é obra desses mesmos que o queriam abafar. O que quer que tenham feito contra ele, este jamais gritou; os adversários é que gritaram, como se já se julgassem mortos.

Extraímos do Office de publicité, jornal de Bruxelas, que dizem ter uma tiragem de 25.000 exemplares, as passagens seguintes de dois artigos publicados nos números de 8 e 22 de julho último, sobre os irmãos Davenport, bem como duas cartas de refutação, lealmente inseridas no mesmo jornal. Apesar de um tanto gasto, o assunto não deixa de ter seu lado instrutivo.

 Crônica Bruxelense

 “É bem certo que tudo acontece e que não se deve dizer: ‘Desta água não beberei.’ Se me tivessem dito que algum dia eu veria o armário dos irmãos Davenport ou esses ilustres feiticeiros, eu teria sido capaz de jurar que isto jamais aconteceria, pois basta que me digam que alguém é feiticeiro para me tirar toda curiosidade a seu respeito. O sobrenatural e a feitiçaria não têm inimigo mais obstinado do que eu. Eu não iria ver um milagre quando o mostrassem de graça: essas coisas me inspiram a mesma aversão que os bezerros de duas cabeças, as mulheres de barba e todos os monstros; acho idiotas os Espíritos batedores e as mesas inteligentes, e não há superstição que me faça fugir para o fim do mundo. Julgai se, com tais disposições, eu teria ido engrossar a multidão no caso dos irmãos Davenport, quando os diziam em comércio regular com os Espíritos! Também confesso que não me teria vindo a idéia de desmascarar a trapaça, de quebrar o seu armário e provar que realmente eles não eram feiticeiros, pois me parece que, assim, eu teria dado a prova de que eu mesmo tinha acreditado em suas pompas e em seus prodígios. Ter-me-ia parecido infinitamente mais simples afastar, logo de início, essa suposta feitiçaria e supor que, tendo enganado a tanta gente, deveriam ser criaturas muito hábeis em seus exercícios. Quanto a compreender, eu não me teria dado a esse trabalho. Para quê, desde que os Espíritos aí não tomam parte? E se tivesse havido muitos pobres Espíritos no outro mundo para neste virem fazer o papel de comparsas, para quê, ainda?

“Li com muita atenção, embora tivesse em que empregar melhor o meu tempo, a maior parte dos livros usados pelos espíritas e aí encontrei tudo quanto era necessário para satisfazer a necessidade de uma religião nova, mas não com que me converter a essa velha novidade. Consultados todos os Espíritos, cujas respostas são citadas, nada disseram que não tivesse sido dito antes deles e em melhores termos do que as repetiram. Ensinaram-nos que é preciso amar o bem e detestar o mal, que a verdade é o contrário da mentira, que a alma é imortal, que o homem deve tender incessantemente a tornar-se melhor e que a vida é uma provação, coisas todas já sabidas há milhares de anos, e para a revelação das quais era inútil evocar tantos mortos ilustres e até personagens que, por mais célebres que sejam, jamais existiram. Não falo mesmo do Judeu-Errante; mas, imaginai que eu vá evocar Dom Quixote e que ele volte; isto não seria divertido ao máximo?

“Eu não tinha mais que uma objeção a respeito dos irmãos Davenport, já que não passavam de hábeis prestidigitadores. Esta objeção se resume nisto: afastado com muito gosto todo o Espiritismo, e de comum acordo, seus exercícios bem podiam não passar de um divertimento medíocre. É provável que não me tivesse vindo a idéia de ir vê-los se, feita a oferta graciosa de ir até lá, eu não tivesse considerado que a crônica obriga, que nem tudo são rosas na vida e que o cronista deve ir aonde vai o público e aborrecer-se um pouco, com direito à desforra. Resolvido a fazer as coisas em consciência, inicialmente fui de dia à sala do Círculo Artístico e Literário, onde se ocupavam na montagem do famoso armário. Vi-o ainda incompleto, à luz do dia, e despojado de toda a sua “poesia”. Se as ruínas precisam da solidão e das sombras da noite, os truques dos prestidigitadores necessitam da luz do gás, da multidão crédula e da distância. Mas os irmãos Davenport são bons jogadores e jogam as cartas à mesa. Podia-se ver, e entrava quem quisesse. Um empregado ianque montava o armário com tranqüilidade; os violões, os pandeiros, as cordas, as campainhas lá estavam, de mistura com cofres, roupas, pedaços de tapetes, telas de embalagem; tudo ao abandono, à mercê de qualquer um e como desafio à curiosidade. Isto parecia dizer: Virai, revirai, examinai, procurai, investigai, fazei alguma coisa! nada sabereis.

“Nada há mais de insolentemente simples que o armário. É um armário para roupa branca, para vestuários, e que absolutamente não tem o aspecto de ser feito para alojar Espíritos. Pareceu-me de nogueira; na frente tem três portas, em vez de duas e se me afigura danificado pelas viagens que fez ou pelos ataques que sofreu. Dei uma olhadela, não muito de perto, porquanto, por mais aberto que estivesse, imaginei que um móvel tão misterioso devia cheirar a mofo, como a espineta mágica na qual escondiam Mozart em criança.

“Declaro formalmente que, a menos de aí pôr minhas roupas, eu não saberia o que fazer do armário dos irmãos Davenport. Cada qual no seu ofício. Eu o revi à noite, isolado sobre o estrado, diante da rampa: já tinha um aspecto monumental. A sala estava cheia, como jamais esteve nos dias em que Mozart, Beethoven e seus intérpretes bancavam as despesas da noite. O mais belo público que se pode ter: os mais amáveis, os mais espirituosos, as mais belas mulheres de Bruxelas, depois os conselheiros da Corte de Cassação, presidentes políticos, judiciários e literários; todas as academias, senadores, ministros, representantes, jornalistas, artistas, empreiteiros de construção, marceneiros, “que eram como um buquê de flores!” O honrado Sr. Rogier, ministro dos negócios estrangeiros, estava naquele sarau, onde lhe fazia companhia um antigo presidente da Câmara, o Sr. Vervoort que, desiludido das grandezas humanas, só conservou a presidência do Círculo, aliás uma realeza encantadora. À vista disto, senti-me completamente seguro. Um de nossos melhores pintores, o Sr. Robie, fez eco ao meu pensamento, dizendo-me: ‘Vedes! A Áustria e a Prússia podem bater-se quanto queiram. Contanto que a crise européia não perturbe o nosso ministro dos negócios estrangeiros, a Bélgica pode dormir em paz.’ Isto me pareceu peremptório, vós mesmo o julgareis e, sabendo que o Sr. Rogier assistiu sorridente ao sarau dos irmãos Davenport, podeis dormir tranqüilamente. É o que tendes melhor a fazer.

“Vi todos os exercícios dos irmãos Davenport e de modo algum procurei compreender o seu mistério. Tudo quanto posso dizer, sem pensar o mínimo em lhes diminuir o sucesso, é que não me é possível sentir o menor prazer nestas coisas. Elas não me interessam. Em minha presença amarraram os irmãos Davenport; dizem que os amarraram muito bem; depois puseram farinha em suas mãos e os trancaram no armário, baixaram a luz do gás e ouvi um grande ruído de violões, de campainhas e de pandeiros no armário. De repente o armário abriu-se: um pandeiro rolou até os meus pés, brusca e violentamente, e os irmãos Davenport apareceram, desamarrados, saudando o público e sacudindo a farinha que haviam posto em suas mãos. Aplaudiram muito. Aí está!

– Enfim, como explicais isto?

– Há pessoas no Círculo que o explicam muito bem. Quanto a mim, por mais que deite os bofes pela boca, absolutamente não sinto vontade de o explicar. Eles se desamarraram, eis tudo; e a mágica da farinha foi feita com habilidade. Acho os preparativos demorados, o ruído enfadonho e tudo pouco divertido. E nada de espírito, nem no singular, nem no plural.

– Assim, não acreditais?

– Não; creio no aborrecimento que senti.

– E o Espiritismo? não acreditais nele?

– Isto é pergunta de Sganarello a Don Juan. Logo ireis perguntar se creio no espírito mau. Responderei como Don Juan, que acredito que dois e dois são quatro e que quatro e quatro são oito. Ainda não sei se, vendo o que se passa na Alemanha e alhures, não seria forçado a fazer reservas.

– Então sois ateu?

– Não. Sem modéstia, sou o homem mais religioso da Terra.

– Assim, acreditais em Deus, na imortalidade da alma, na...

– Creio. É a minha felicidade e a minha esperança.

– E tudo isto se concilia convosco: quatro e quatro são oito!

– Precisamente. Tudo está aí. O turco é uma bela língua.

– Então ides à missa?

– Não. Mas não vos impeço de ir lá.

O pássaro no galho, o verme brilhando na erva, os globos no espaço e meu coração cheio de adoração me cantam a missa noite e dia. Amo a Deus apaixonadamente e sem temor. Que quereis que, com isso, eu faça das religiões e de outras variedades do davenportismo?

– E o Espiritismo? e Allan Kardec?

– Creio que o Sr. Allan Kardec, que faria muito melhor se usasse o seu nome verdadeiro, é tão bom cidadão quanto vós e eu. Sua moral não difere da moral comum, que me basta. Quanto às suas revelações, gosto tanto quanto do armário dos Davenport, com ou sem violões. Li as revelações dos Espíritos; seu estilo não vale o de Bossuet e, salvo citações feitas das obras dos homens ilustres, é pesado e por vezes banal. Eu não gostaria de escrever como o mais forte do grupo: meu diretor me diria que o macarrão é bom, mas que dele não se deve abusar. O Espiritismo tem sobrenatural e 17 N. do T.: Grifo nosso. Alusão aos irmãos Davenport. dogmas e eu desconfio desse bloco enfarinhado. Já havia dito isto há cinco anos, falando da doutrina, pois se trata de uma doutrina: aí há de tudo para improvisar uma religião nova. Seria melhor ser simplesmente religioso e ater-se às revelações do Universo.

“Vejo esta religião despontando. Já é uma seita, e considerável; não podeis imaginar o número e a seriedade das cartas que já recebi, por ter abordado o Espiritismo ultimamente. Ele tem os seus fanáticos, terá os seus intolerantes, seus sacerdotes, porque o dogma se presta à ação intermediária, uma vez que os Espíritos têm classes e preferências. Assim que esse novo dogma conquistar dez por cento dos crentes, veremos o seu clero. Eu o creio destinado a herdar do catolicismo, tendo em vista os seus aspectos sedutores. Esperai apenas que os espertos aí se misturem, e os profetas e os evocadores privilegiados surgirão através do mistério da coisa, que é suave e poética, como as ervas daninhas num campo de trigo.

Eis duas cartas que foram dirigidas. Vêm de pessoas leais, ingênuas e convictas; é por isto que as publico.

“Ao Sr. Bertram.

“Há quatro anos eu era o que se pode chamar um franco-retardatário. Católico sincero, acreditava nos milagres, no diabo, na infalibilidade papal. Assim, eu teria aceito sem discutir a Encíclica de Pio IX, com todas as suas conseqüências na ordem política.

“Mas, perguntareis, para que serve esta confissão de um desconhecido? Palavra de honra, Sr. Bertram, vou informar-vos, 18 N. do T.: Alusão à encíclica Quanta cura (1864), que condenava o liberalismo, o socialismo e o naturalismo. Pio IX (1792 - 1878) foi um dos papas que por mais tempo estiveram à testa da Igreja Católica. Seu pontificado durou trinta e dois anos, incluindo todo o período em que Allan Kardec codificou o Espiritismo mesmo sob o risco de excitar a vossa verve trocista ou de vos fazer fugir até o fim do mundo.

“Um dia vi, em Antuérpia, uma mesinha, vulgarmente chamada mesa falante, que me respondeu a uma pergunta mental em meu idioma natal, desconhecido dos assistentes; entre estes havia espíritos fortes, maçons que não acreditavam em Deus, nem na alma. A coisa lhes deu a refletir, leram com avidez as obras espíritas de Allan Kardec; fiz como eles, sobretudo quando vários sacerdotes me asseguraram que tais fenômenos eram obra exclusiva do... demônio. Não lamentei o tempo que isto me custou; muito ao contrário. Nesses livros não só achei a solução racional e muito natural do fenômeno acima, mas uma saída para muitas questões, para muitos problemas que eu me questionava de longa data. Aí encontrastes matéria para uma religião nova; mas, Sr. Bertrand, acreditais que haveria grande mal nisto, se fosse o caso? O catolicismo corresponde de tal modo às necessidades de nossa sociedade que não possa ser revigorado, nem substituído vantajosamente? Ou acreditais que a Humanidade possa dispensar toda crença religiosa? O liberalismo proclama belos princípios, mas é, em grande parte, céptico e materialista. Nessas condições jamais ligaria as massas a si, tampouco o catolicismo ultramontano. Se o Espiritismo um dia for chamado a tornar-se uma religião, será a religião natural, bem desenvolvida e bem compreendida, e esta, certamente, não é nova. É, como dizeis, uma velha novidade; mas é, também, um terreno neutro, onde todas as opiniões, tanto políticas quanto religiosas, um dia poderão dar-se as mãos.

“Seja como for, desde que me tornei espírita, algumas más línguas me acusam de me haver tornado livre-pensador. É verdade que a partir de então, assim como os espíritos fortes, de que falava acima, não creio mais no sobrenatural, nem no diabo; mas, em compensação, acreditamos um pouco mais em Deus, na imortalidade da alma, na pluralidade das existências; filhos do século dezenove, percebemos uma estrada segura e por ela queremos impulsionar o carro do progresso, em vez de o retardar. Vedes, pois, que o Espiritismo tem ainda seu lado bom, já que pode operar tais mudanças. E agora, para voltar aos irmãos Davenport, seria erro fugir às experiências, ou concluir de modo preconceituoso contra elas, em virtude de serem novas. Quanto mais extraordinários os fatos, mais merecem ser observados conscienciosamente, e sem idéias preconcebidas, porquanto, quem poderia vangloriar-se de conhecer todos os segredos da Natureza? Nunca vi os irmãos Davenport, mas li o que a imprensa francesa escreveu sobre eles e fiquei admirado da má-fé posta no caso. Os amadores poderão ler com proveito o livro Forças naturais desconhecidas, de Hermès (Paris, Didier, 1865); é uma refutação do ponto de vista da Ciência, das críticas dirigidas contra eles. Se é verdade que aqueles senhores não se apresentam como espíritas, nem conhecem a doutrina, não há por que o Espiritismo lhes tomar a defesa. Tudo o que se pode dizer é que fatos semelhantes  aos por eles produzidos são possíveis em virtude de uma lei natural hoje conhecida e pela intervenção de Espíritos inferiores. Apenas até aqui estes fatos ainda não se tinham produzido em condições tão pouco favoráveis, em horas fixas e com tanta regularidade.

“Espero, senhor, que acolhais estas observações desinteressadas e lhes deis hospitalidade em vosso jornal. Possam elas contribuir para elucidar uma questão mais interessante para os vossos leitores do que poderíeis supor.

“Vosso Assinante,

H. Vanderyst”

“Ei-la publicada! não me acusarão de pôr “a luz sob o alqueire.”

“Antes de mais, não tenho alqueire; depois, sem qualquer gracejo, não vejo aqui muita luz. Jamais fiz objeção à moral do Espiritismo; ela é pura. Os espíritas são honestos e caridosos: seus donativos para as creches mo provaram. Se se apegam aos seus Espíritos superiores e inferiores, nisso não vejo inconveniente. É uma questão entre o seu instinto e a sua razão.

“Há um pós-escrito na carta. Ei-lo:

“Permiti chame a vossa atenção para a obra que acaba de ter a honra do Índex: Pluralidade das Existências da Alma, de Pezzani, advogado, onde essa questão é tratada fora da revelação espírita.”

“Passemos à outra carta:

(Segue-se uma segunda carta no mesmo sentido que a precedente, e que termina assim):

“Estou convicto de que, no dia em que a imprensa se dispuser a desenvolver tudo quanto o Espiritismo encerra de belo, o mundo fará progressos imensos, moralmente. Tornar claro ao homem que cada um traz em si a verdadeira religião, a consciência, deixá-lo em presença de si mesmo para responder por seus atos diante do Ser Supremo, que coisa importante! Não seria matar o materialismo, que faz tanto mal no mundo? Não seria uma barreira contra o orgulho, a ambição, a inveja, coisas que tornam infelizes os homens? Ensinar ao homem que deve fazer o bem para merecer sua recompensa? Certamente há homens que estão convencidos de tudo isto, mas quantos em relação à generalidade? E tudo isto se pode ensinar ao homem. De minha parte, evoquei meu pai e, conforme as resposta que obtive, a dúvida não é mais possível.

“Se eu tivesse a felicidade de manejar a pena como vós, trataria o Espiritismo como chamado a nos inculcar uma moral suave e agradável. Meu primeiro artigo teria por título: O Espiritismo, ou a destruição de todo fanatismo. A queda dos jesuítas e de todos os que vivem da credulidade humana. Colhem-se todas essas idéias no excelente livro de Allan Kardec. Como eu gostaria que tivésseis minha maneira de encarar o Espiritismo! Como faríeis bem à moral! Mas, meu caro Bertram, como pudestes encontrar sobrenatural e feitiçaria no Espiritismo? Não acho mais extraordinário em nos comunicarmos com nossos parentes e amigos passados ao outro mundo, por meio do fluido que nos põe em contato com eles, do que nos comunicarmos com os irmãos deste globo a distâncias fabulosas por meio do fio elétrico!” Tudo publicado sem observação e sem comentário, para provar apenas que o Espiritismo tem, na Bélgica, partidários ardentes em sua fé. Positivamente a seita faz progressos, e logo o catolicismo terá de contar com ela.

“A imprensa parisiense não agiu de má-fé com os irmãos Davenport; o que ela faz ver bem é que estes não mais exibem pretensões ao sobrenatural. Ao menos que eu saiba, já não dão exibições a cinqüenta francos por cabeça. Entretanto, creio que as pessoas que quisessem pagar seu lugar por esse preço não seriam mal recebidas. Para concluir, afirmo que seus exercícios não me parecem feitos para exercer grande influência sobre o futuro das sociedades humanas.”

Bertram

Depois das duas cartas que se acaba de ler, não teremos muita coisa a dizer sobre o artigo. Sua moderação contrasta com a acrimônia da maioria dos que outrora foram escritos sobre o mesmo assunto. Ao menos o autor não contesta aos espíritas o direito de ter uma opinião, que ele respeita, embora não a compartilhe. Ao contrário de certos apóstolos do progresso, reconhece que a liberdade de consciência é para todos; já é alguma coisa. Concorda mesmo que os espíritas têm coisas boas e são de boa-fé. Enfim, constata os progressos da doutrina e confessa que ela tem um lado sedutor. Assim, faremos apenas ligeiras observações.

O Sr. Bertram nos considera tão bom cidadão quanto ele, e nós lhe agradecemos. Mas acrescenta que faríamos muito bem em usar o nosso nome verdadeiro. Por nosso lado permitimo-nos perguntar-lhe por que assina seus artigos como Bertram, em vez de Eugène Landois, o que nada tira de suas qualidades pessoais, pois sabemos que ele é o principal organizador da creche de Saint-Josse-Tennoode, da qual se ocupa com louvável solicitude.

Se o Sr. Bertram tivesse lido os livros espíritas com tanta atenção quanto o diz, saberia se os espíritas são tão simplórios para evocar o Judeu-Errante e Dom Quixote; saberia o que o Espiritismo aceita e o que condena; não afetaria apresentá-lo como uma religião, porque, da mesma maneira, todas as filosofias seriam religiões, desde que é de sua essência discutir as bases mesmas de todas as religiões: Deus e a natureza da alma. Compreenderia, finalmente, que se algum dia o Espiritismo se tornasse uma religião, não poderia tornar-se intolerante sem renegar seu princípio, que é a fraternidade universal, sem distinção de seita e de crença; sem abjurar sua divisa: Fora da caridade não há salvação, o símbolo mais explícito do amor ao próximo, da tolerância e da liberdade de consciência. Ele jamais disse: “Fora do Espiritismo não há salvação.” Se uma religião se apoiasse no Espiritismo com exclusão desses princípios, não seria mais Espiritismo.

O Espiritismo é uma doutrina filosófica que toca em todas as questões humanitárias. Pelas profundas modificações que traz às idéias, faz encarar as coisas de outro ponto de vista. Daí, para o futuro, inevitáveis modificações nas relações sociais; é uma mina fecunda onde as religiões, como as ciências, como as instituições civis, colherão elementos de progresso. Mas, porque toca em certas crenças religiosas, não constitui um culto novo, como não é um sistema particular de política, de legislação ou de economia social. Seus templos, suas cerimônias e seus sacerdotes estão na imaginação de seus detratores e dos que temem vê-lo tornar-se religião.

O Sr. Bertram critica o estilo dos Espíritos e coloca o seu muito acima; é direito seu e não lho disputaremos. Também não lhe contestamos que a moral dos Espíritos nada de novo nos ensina. Isto prova uma coisa: os homens são apenas mais culpados por praticá-la tão pouco. É, pois, de admirar que Deus, em sua solicitude, lhas repita sob todas as formas? Se, a tal respeito, o ensino dos Espíritos é inútil, o do Cristo o era igualmente, pois que ele não fez senão desenvolver os mandamentos do Sinai; os escritos de todos os moralistas também são inúteis, pois apenas repetem a mesma coisa em outros termos. Com tal sistema, quanta gente cujos trabalhos seriam inúteis, sem aí incluir os cronistas que, por sua condição, nada devem inventar.

Não resta dúvida de que a moral dos Espíritos é tão velha quanto o mundo, o que nada tem de surpreendente, porquanto, não sendo a moral senão a lei de Deus, esta lei deve ser de toda eternidade e a criatura nada pode acrescentar à obra do Criador. Mas não há nada de novo no modo de ensinar? Até agora o código de moral só tinha sido promulgado por algumas individualidades; foi reproduzido em livros que nem todo mundo lê ou compreende. Pois bem! hoje esse mesmo código é ensinado, não mais por alguns homens, mas por milhões de Espíritos, que foram homens, em todos os países, em cada família e, a bem dizer, a cada indivíduo. Credes que aquele que tiver sido indiferente à leitura de um livro, que tiver tratado as máximas que ele encerra como lugares-comuns, não ficará diversamente impressionado se seu pai, sua mãe ou um ser que lhe é caro e que respeita, lhe vem dizer, mesmo num estilo inferior ao de Bossuet: “Não estou perdido para ti, como pensavas; estou ao teu lado, vejo-te e te escuto; conheço-te melhor do que quando estava vivo, porque leio o teu pensamento. Para ser feliz no mundo onde estou, eis a regra de conduta a seguir; tal ação é boa e tal outra é má, etc.” Como vedes, é um ensino direto ou, se preferirdes, um novo meio de publicidade, tanto mais eficaz quanto vai direto ao coração; que nada custa; que se dirige a todos, ao pequeno como ao grande, ao pobre como ao rico, ao ignorante como ao sábio, e desafia o despotismo humano que lhe queria opor uma barreira.

Mas, direis, isto é possível? Não será uma ilusão? Essa dúvida seria natural se tais comunicações só fossem feitas a um único homem privilegiado, pois nada provaria que não se engane; mas, quando milhares de indivíduos as recebem semelhantes, diariamente e em todos os países do mundo, é racional pensar que todos sejam alucinados? Se o ensino do Espiritismo fosse relegado nas obras espíritas, não teria conquistado a centésima parte dos adeptos que possui. Esses livros apenas resumem e coordenam esse ensino; mas o que constitui o seu sucesso é que cada um encontra em seu íntimo a confirmação do que eles encerram.

Só haverá motivo para dizer-se que o ensino moral dos Espíritos é supérfluo quando se tiver provado que os homens são bastante bons para os dispensar. Até lá não é de admirar vê-los repetidos sob todas as formas e em todos os tons.

Direis, Sr. Bertram: – Que me importa que haja ou não Espíritos! É possível que isto vos seja indiferente, mas não é assim com todos. É absolutamente como se dissésseis: “Que me importa que haja habitantes na América, e que o cabo elétrico venha prová-lo!” Cientificamente é algo que prova o mundo invisível; moralmente, é muito. O fato de os Espíritos povoarem o espaço, que se julgava desabitado, é a descoberta de todo um mundo, a revelação do futuro e do destino do homem, uma revolução nas crenças. Ora, se a coisa existe, nenhuma negação poderá impedi-la de existir. Seus resultados inevitáveis bem merecem que com ela a gente se preocupe. Sois homem de progresso e repelis um elemento do progresso? um meio de melhorar a Humanidade, de consolidar a fraternidade entre os homens? uma descoberta que conduz à reforma dos abusos sociais, contra os quais clamais incessantemente? Credes em vossa alma imortal e não vos preocupais absolutamente em saber em que ela se tornará, em que se tornaram vossos parentes e amigos? Francamente, isto é pouco racional. Direis que não é no armário dos irmãos Davenport que o encontrareis; de acordo. Jamais dissemos que aquilo fosse Espiritismo. Todavia, esse mesmo armário, precisamente por que, certo ou errado, aí fizeram intervirem os Espíritos, fez falar muito dos Espíritos, mesmo aos que neles não acreditavam. Daí as pesquisas, os estudos, que não teriam sido feitos se esses senhores se tivessem apresentado como meros prestidigitadores. Se os Espíritos não estavam em seu armário, bem podiam provocar esse meio de fazer uma porção de gente sair de sua indiferença. Vedes que vós mesmo, sem que vos désseis conta, fostes levado a semear a idéia entre os vossos numerosos leitores, o que não teríeis feito sem esse famoso armário.

Quanto às verdades novas que ressaltam das revelações espíritas, fora da moral, recomendamos o artigo publicado na Revista de janeiro de 1865, sob o título de O que ensina o Espiritismo.

(Allan Kardec - Revista Espírita de Setembro de 1866)

Ver no site a obra Conan Doyle "História do Espiritismo"

Fontes: Federação Espírita do Paraná

Fontes: A Luz na Mente - Revista On Line de Artigos Espíritas

Fontes: Paulo Neto (Artigos Espíritas)

"Os jovens, com os quais tive um ligeiro contacto, e que jamais tinha visto antes de sua chegada a Londres, se me afiguraram, tanto no intelecto, quanto no caráter, acima da média de seus companheiros camponeses; não são notáveis pela inteligência, posto que razoavelmente habilidosos e Ira possui algum talento artístico. Os moços parecem absolutamente honestos e singularmente desinteressados e não mercenários – muito mais satisfeitos de que a gente fique contente com a sua integridade e com a realidade das manifestações, do que preocupados em ganhar dinheiro. Sem dúvida têm uma ambição, que é gratificada por terem sido escolhidos como instrumentos daquilo que consideram um grande bem para a humanidade"

 (Doutor Nichols - O Biógrafo dos Irmãos Davenport)

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Biografia de Irmãos Davenport

 

La Gazette du Midi - Devant le Spiritisme - Á propos des Frères Davenport (Fr)

 

L. Nichols - A Biography of the Brothers Davenport