HERCULANO PIRES

ARIGÓ, VIDA, MEDIUNIDADE E MARTÍRIO

(BIOGRAFIA DE ZÉ ARIGÓ)

 

Trechos da obra:

A - Balanço dos fenômenos

 Fazendo um rápido balanço dos fenômenos relatados pelos médicos que ouvimos, chegamos a estas conclusões:

1 - Arigó age em estado de transe, pronunciando frases em alemão e falando português com sotaque alemão. Condição verificada por nós e confirmada por todos os médicos que ouvimos, embora alguns não possam afirmar que as frases estranhas sejam exatamente de alemão por não conhecerem suficientemente essa língua.

2 - Arigó age de maneira ríspida, não procurando agradar ninguém, nem mesmo os que declinam sua qualidade de médico. Não procura clientela e nem mostra desejo de conservá-la.

3 - As intervenções - tanto as operações quanto os chamados exames a ponta de faca - são feitas sem anestesia, sem assepsia, sem qualquer cuidado pré-operatório, sem ação hipnótica, aplicação de técnica letárgica, de acupuntura, de kuatsu, sem instrumentos ou ambientes adequados. Os pacientes não acusam dor e se mostram conscientes durante o ato, respondendo a perguntas.

4 - Os diagnósticos são feitos por meio extra-sensorial, inclusive à distância. Aos pacientes presentes Arigó geralmente pergunta o que sofrem, mas receita enquanto falam e muitas vezes corrige os doentes. De outras vezes receita para uma moléstia corriqueira de que o doente se queixa, mas acusa aos familiares e a outras pessoas a presença de câncer, realmente existente.

5 - Os diagnósticos, as receitas e as operações são efetuados com extrema rapidez. O médico Ary Lex cronometrou a extração de um quisto sinovial realizado em trinta segundos. Verificamos pessoalmente no trabalho de consultas a média de uma receita por minuto.

6 - Arigó deixa a faca ou o bisturi pendurados nos olhos do paciente, depois de enfiá-los entre o globo ocular e a pálpebra, na direção da arcada superciliar. Move a faca ou o bisturi na região ocular sem o menor cuidado, com violência, voltando o rosto para outro lado e sem provocar ferimentos. Produz com a faca a protrusão do globo ocular. Na presença do médico Elias Boainain deixou o bisturi e a faca pendurados, ao mesmo tempo, num único olho do paciente.

7 - Arigó produz a hemostasia e a coagulação do sangue por meio de ordens verbais ou simples aplicação de pequenas mechas de algodão. Na presença da médica Maria de Lourdes Pedroso fez o sangue parar na curva do maxilar do paciente, no momento exato em que devia escorrer pelo pescoço.

8 - Arigó identifica pessoas entre o povo, inclusive médicos que pretendiam observar anonimamente os fenômenos, como ocorreu com a médica psiquiatra referida no item acima.

9 - Arigó limpa a faca ou o bisturi nas mãos dos circunstantes ou em suas roupas e depõe nas suas mãos as peças anatômicas extraídas. Na presença da psiquiatra acima referida limpou o bisturi na blusa de uma moça e a blusa não ficou suja, embora o bisturi ficasse limpo.

10 - Arigó produziu na presença do médico José Hortêncio de Medeiros Sobrinho a cicatrização imediata de uma incisão para extração de quisto sinovial, deixando no lugar "apenas uma leve cicatriz."

Todos esses fenômenos são de natureza evidentemente paranormal, testemunhados pelos médicos e por milhares de pessoas de todos os graus de cultura que têm ido à procura do sensitivo. Outros fenômenos, como o aparecimento de líquidos em mechas de algodão, nas mãos de Arigó ou de pessoas que o ajudam, inclusive médicos, e o movimento de instrumentos cirúrgicos sem contato do médium, são relatados por centenas de pessoas.

B - Balanço das operações

As operações relatadas pelos médicos que depuseram nesta série foram as seguintes:

1 - Pterígio, nos depoimentos do oftamologista e cirurgião ocular Sérgio Valle, que citou como testemunha o seu colega Peri Alves Campos; do especialista em cirurgia geral, Ary Lex; da psiquiatra Maria de Lourdes Pedroso.

2 - Catarata, no depoimento do cardiologista José Hortêncio de Medeiros Sobrinho, que mencionou uma técnica de raspagem. O médico Ladeira Marques, do Rio, na citação que fizemos, refere-se a extração do cristalino.

Essa contradição aparece em numerosos relatos, parecendo que Arigó emprega duas técnicas diferentes, em ocasiões diversas. Ouvimos de uma jovem oculista a acusação de que Arigó usa uma técnica de raspagem, empurrando o cristalino de maneira perigosa, para dentro da órbita, segundo um velho processo chinês. Este é um caso curioso a ser esclarecido.

3 - Sinusite, com perfuração do assoalho do seio frontal, no depoimento da psiquiatra Maria de Lourdes Pedroso, confirmando um dos episódios do relato de nossas observações pessoais.

4 - Quisto sinovial, drenagem sem fechamento do corte, no depoimento do cirurgião Ary Lex; extração, com fechamento e cicatrização paranormal imediata no depoimento do médico Hortêncio de Medeiros Sobrinho.

5 - Lipoma, duas extrações no depoimento do cirurgião Ary Lex, que cronometrou uma delas, verificando que foi realizada em apenas trinta segundos.

6 - Fundo de olho, com protrusão ocular restabelecendo a visão de um cego desde a infância, no depoimento do médico Hortêncio de Medeiros, que não pode precisar a natureza exata dessa intervenção.

Também o médico Ladeira Marques, do Rio, refere-se a uma operação semelhante.

- Surdez, com introdução de uma pinça envolta em algodão nos ouvidos do paciente, sem extração de cera ou de qualquer outro elemento. O algodão saiu apenas manchado de serosidade amarelada, e o paciente ficou ouvindo. Depoimento do médico Hortêncio de Medeiros Sobrinho.

C - Casos de cura

Os casos de cura relatados pelos depoimentos médicos desta série são os seguintes:

1 - Câncer, cura radical por receituário de uma paciente de 28 anos, casada, no depoimento do médico Hortêncio de Medeiros Sobrinho. Caso comprovado com exames e operações anteriores, exames e operações posteriores. Cura radical, numa paciente de 30 anos, casada, no depoimento do médico Oswaldo Lidger Conrado.

Caso comprovado, como o anterior, mas não por operação posterior. Devemos juntar a este item o importante caso de remissão do processo canceroso num paciente médico, de 72 anos de idade, relatado pelo médico Oswaldo Conrado, e o caso de cura radical de câncer da laringe que serviu de ilustração a um de nossos artigos no "Diário de S. Paulo", relatado pelo próprio paciente, o cirurgião-dentista Otto Teixeira de Abreu, consultório à rua Riachuelo, nesta capital. Caso comprovado anteriormente por quinze radiografias, uma laringoscopia e uma biopse.

2 - Cura à distância (Arigó em Congonhas e o paciente em Salvador, na Bahia) de um caso de uremia em estado de coma, no depoimento do médico Oswaldo Conrado. Esse caso envolve também o fenômeno de precognição ou premonição, tendo o sensitivo anunciado a vinda futura do doente a São Paulo, que se confirmou.

 D - Observações finais

O caso do dentista Otto Teixeira de Abreu não figura em nenhum dos depoimentos médicos, mas incluímo-lo no balanço porque figurou como legenda de clichê ilustrando uma de nossas reportagens.

Caso importante pelas comprovações de laboratório, foi motivo também de uma reportagem de Moacyr Jorge publicada pelo "Diário da Noite", edição de 20 de dezembro de 1961. O último médico que tratou do caso, antes da cura produzida por Arigó, foi o Dr. Antônio Corrêa, com consultório à Praça da República em São Paulo.

No balanço das operações fizemos referência a uma divergência quanto às técnicas empregadas por Arigó na operação de catarata.

A oculista que nos falou a respeito nada observou em Congonhas e não quis fazer-nos nenhum depoimento, mas o Dr. Medeiros Sobrinho parece citar um caso de raspagem. É possível que Arigó empregue as duas técnicas, conforme os casos a tratar ou segundo as influências atuantes no momento. Isso, longe de desprestigiar o médium, enriquece a sua fenomenologia.

Como podia Arigó conhecer a velha técnica chinesa ao mesmo tempo que a técnica moderna? Quanto a esta última como vimos, há documentário cinematográfico. Está suficientemente provado que o sensitivo a emprega.

Não obstante é necessário compreender que o emprego de uma determinada técnica é feito apenas em linhas gerais. Como acentuou o Dr. Medeiros Sobrinho, o médium parece não respeitar, nem nas operações, nem no receituário, as normas comuns.

O médico Sérgio Valle declarou-nos, a respeito, que Arigó emprega "uma supermedicina", e por isso assusta os próprios médicos. Essa conclusão decorre da verificação pelo médico, de ocorrências espantosas na ação paranormal de Arigó.

Convém lembrar, por fim, que Arigó não usa nenhuma panacéia. Ele mesmo adverte a muitos doentes que não poderá curá-los e lembra sempre o karma, ou seja, a lei de causa e efeito da concepção reencarnacionista.

Aceite-se ou não a existência dessa lei, o fato é que Arigó não pretende curar a todos os doentes. Para muitos o seu receituário tem apenas efeito moral ou destina-se a minorar sofrimentos. Isso não invalida os espantosos casos de cura por ele realizados.

É preciso, enfim, compreender o sensitivo como um ser humano falível e não como um ser mitológico ou divino. Já é muito que ele esteja entre o homem e o divino, superando aquele mas ficando abaixo deste.

Os adversários de Arigó procuram desesperadamente casos de falhas no diagnóstico, no receituário, nas operações.

As falhas existem ou parecem existir num caso ou noutro, mas sempre em casos de segunda importância. Fossem importantes e estariam expostas nos jornais, no rádio, na televisão, denunciadas à Polícia e à Justiça. Arigó não é um taumaturgo. É apenas um indivíduo dotado de faculdades paranormais, e dotado em alto grau. Mesmo os maiores dotados podem falhar, pois a criatura humana não goza de infalibilidade.

O que interessa em Arigó não são as suas possíveis falhas, mas os seus acertos, que são muitos. Veja-se o que diz a sentença que o condenou: milhões de doentes passaram pelas suas mãos, e nenhum, até hoje, quis levá-lo à justiça.

Nem mesmo os seus algozes encontraram os Judas de que necessitavam para enriquecer o processo que lhe moviam. Não é isso extraordinário? Não basta isso para mostrar que estamos diante de ouro de lei - puro ouro das Gerais - no campo difícil do paranormal?

O “Crime” de Arigó. Este é um flagrante clássico. O Jornalista Orlando Criscuolo segura a cabeça do doente e o médium opera uma catarata, sem anestesia nem assepsia de qualquer espécie. Criscuolo pertencia a equipe de reportagem dos “Diários Associados” de São Paulo que presenciava operações de Arigó, em Congonhas. Curar eis o crime de Arigó.

Francisco Cândido Xavier, o conhecido médium de Pedro Leopoldo, e o médium Dr. Waldo Vieira de Uberaba, ao viajarem para os Estados Unidos e a Europa, em 1964, a serviço doutrinário, foram despedir-se de Arigó, em Conselheiro Lafaiete. Nessa ocasião foi feita esta fotografia histórica, que reúnem os três grandes médiuns brasileiros.

Fontes: Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires

Fontes: Editora Paidéia Ltda

"Eclosão da mediunidade de Arigó não provocou espanto apenas entre o povo e as pessoas que desconhecem o Espiritismo. Os próprios espíritas foram surpreendidos por esse extraordinário surto de manifestações mediúnicas. Por outro lado, no campo das Ciências, médicos, psicólogos e parapsicólogos sinceros, capazes de encarar os problemas com que se defrontam sem os embaraços do preconceito, também ficaram aturdidos diante do complexo de manifestações paranormais verificadas com Arigó."

Herculano Pires "Arigó, vida, mediunidade e martírio"

"O médium, diz Léon Denis, é um indivíduo dotado de capacidades mais extensas ou de mais sutis percepções que outro qualquer."

Léon Denis "No Invisível"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns  (Obra de Allan Kardec - "O Livro dos Médiuns" - Segunda parte - Dos Médiuns - Cap. XIV)

 

Herculano Pires - Arigó, vida, mediunidade e martírio PDF