WILLIAM EGLINTON

O GRANDE MÉDIUM INGLÊS

DO PERÍODO VITORIANA

DE EFEITOS FÍSICOS

(1858 - 1933)

 

Ectoplasta [do grego ektós + plas (ma) + -ta] - Médium de efeito físico que empresta potencial ectoplásmico para materialização de Espírito ou objeto espiritual.

Ectoplasma [do grego e do latim, respectivamente: ektós + plasma]- 1. Biologia: parte periférica do citoplasma. 2. Parapsicologia: termo criado por Charles Richet para designar a substância visível que emana do corpo de certos médiuns. 3. Para a ciência espírita, designa a substância viscosa, esbranquiçada, quase transparente, com reflexos leitosos, evanescente sob a luz, e que tem propriedades químicas semelhantes às do corpo físico do médium, donde provém. É considerada a base dos efeitos mediúnicos chamados físicos, como a materialização, pois através dela os Espíritos podem atuar sobre a matéria.

 

O pesquisador da mediunidade de William Eglinton foi Alexandre Aksakof ver LINK

Biografia de William Eglinton:

Nasceu em 10 julho de 1858 em Londres, Inglaterra e desencarnou em 10 de março de 1933.

Foi um médium inglês de efeitos físicos da Era vitoriana.

No caso de William Eglinton há um notável volume — Twist Two Worlds por J. E. Farmer que encerra quase toda a sua atividade. Quando rapazinho, era muito imaginoso, sonhador e sensitivo mas, como tantos outros grandes médiuns na adolescência, não deu sinais de possuir qualquer dom psíquico.

Em 1874, portanto aos dezessete anos de idade, Eglinton entrou no grupo da família em cujo meio seu pai investigava os supostos fenômenos espíritas. Até então o grupo não havia obtido resultados; quando, porém, o rapaz a ele se ligou, a mesa ergueu-se ràpidamente do chão a ponto dos assistentes terem que se pôr de pé a fim de manter as mãos sobre ela. Para satisfação dos presentes as perguntas eram respondidas.

Na sessão seguinte, logo na noite imediata, o rapaz caiu em transe e foram recebidas comunicações evidentes de sua falecida mãe. Em poucos meses sua mediunidade se havia desenvolvido, e ocorriam manifestações mais fortes. Sua fama de médium espalhou-se e ele recebeu numerosos convites para sessões, mas resistiu a todos os esforços para o transformar em médium profissional. Finalmente cedeu em 1875.

Assim descreve Eglinton as suas sensações antes de entrar pela primeira vez na sala das sessões e a mudança que nele se operou:

Minhas maneiras, antes de entrar nisto, eram as de um rapaz alegre; mas assim que me vi em presença dos investigadores, uma sensação estranha e misteriosa se apoderou de mim e eu não a podia superar. Sentei-me à mesa, resolvido a impedir qualquer manifestação, caso algo acontecesse. Esse algo aconteceu mas eu não tinha forças para o evitar.

A mesa começou a dar sinais de vida e de vigor; subitamente ergueu-se do solo e pairou no ar, tanto que tínhamos de ficar de pé para ter as mãos sobre ela. Isto se deu em plena luz do gás. Depois respondeu inteligentemente às perguntas que lhe eram feitas e deu várias provas às pessoas presentes.

A noite seguinte nos encontrou ansiosos por novas manifestações e com um grupo maior, pois a notícia se havia espalhado de que “tínhamos visto fantasmas e falado com eles”, e outras coisas parecidas.

Depois de havermos lido a prece costumeira, em breve me pareceu que não era deste mundo. Veio-me uma sensação de êxtase e logo passei ao transe - Todos os meus amigos eram novatos no assunto e procuraram vários meios de me despertar, mas sem resultado. No fim de meia hora voltei ao estado consciente, sentindo um forte desejo de voltar àquele estado. Tivemos comunicações que, em minha opinião, provaram conclusivamente que o Espírito de minha mãe realmente tinha voltado ao nosso meio...

Então comecei a verificar quanto estivera enganado — quão terrivelmente vazia e material tinha sido a minha vida até então e senti um prazer inacreditável em saber, sem sombra de dúvida, que aqueles que deixaram a Terra poderiam voltar novamente e provar a imortalidade da alma. Na quietude de nosso grupo familiar gozamos ao máximo a nossa comunicação com os trespassados e muitas foram as horas felizes que assim passei.

Sob dois aspectos, os seus trabalhos se assemelham aos de D. D. Home. Suas sessões geralmente eram feitas em plena luz e ele sempre se submetia de boa mente aos testes propostos. Posteriormente, um forte ponto de semelhança se estabeleceu: é que os fenômenos eram observados e registrados por muitos homens eminentes e por boas testemunhas críticas.

Como Home, Eglinton viajou muito e sua mediunidade foi observada em muitos lugares.

Em 1878 viajou para a África do Sul. No ano seguinte visitou a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Em fevereiro de 1880 foi à Universidade de Cambridge e realizou sessões sob os auspícios da Sociedade de Psicologia.

Em março viajou para a Holanda, de onde seguiu para Leipzig, onde realizou sessões com o Professor Zõllner e outros ligados à Universidade. Seguiram-se Dresden e Praga, e em Viena, em abril, foram realizadas mais de trinta sessões, assistidas por muitos membros da aristocracia. Em Viena foi hóspede do Barão de Hellenbach, conhecido escritor, que, em sua obra “Preconceitos da Humanidade” descreveu os fenômenos então verificados.

Voltando à Inglaterra viajou para os Estados Unidos a 12 de fevereiro de 1881, demorando-se então três meses. Em novembro do mesmo ano foi à Índia e, depois de realizar numerosas sessões em Calcutá, regressou em abril de 1882. Em 1883 visitou novamente Paris, e em 1885 esteve ainda em Viena e em Paris. A seguir foi a Veneza, que descreve como um “verdadeiro viveiro do Espiritismo.”

Em 1885 Eglinton encontrou em Paris M. Tissot o famoso artista que assistiu às suas sessões e a seguir o visitou na Inglaterra. Uma notável sessão de materialização, em que duas figuras foram vistas completamente, uma das quais, uma senhora, reconhecida como uma parenta, foi imortalizada por Tissot numa tela intitulada “Aparição Medianímica”.

Esse belo e artístico trabalho de que há uma cópia na Aliança Espírita de Londres, mostra as duas figuras iluminadas por luzes espirituais, que carregam nas mãos. Tissot também fez uma água-forte do médium, que é reproduzida no frontispício de livro de Farmer, “Entre Dois Mundos”.

Um exemplo típico de sua iniciação mediúnica é dado por Miss Kingsbury e pelo Doutor Carter Blake, Docente de Anatomia no Westminster Hospital, nestes termos..

As mangas do casaco de Mr. Eglinton tinham sido costuradas às suas costas, perto dos punhos, com um cordão branco de algodão; os encarregados desse trabalho o amarraram depois à cadeira, passando a fita perto do pescoço e o colocaram junto a cortina da cabine e por detrás desta, defrontando a assistência, tendo os joelhos e os pés à vista.

Uma mesinha redonda com vários objetos foi posta em frente ao médium, fora da cabine e à vista dos assistentes; um pequeno instrumento de cordas, conhecido como Oxford Chimes, (Espécie de bandolim) foi posto emborcado sobre as suas pernas, sobre ele um livro e sobre este uma campainha.

Em poucos momentos as cordas foram tocadas, sem que mão alguma visível as tocasse; o livro, cuja lombada se voltava para os assistentes foi invertido, aberto e fechado repetidas vezes, de modo que os presentes viram a experiência com toda segurança; e a campainha foi tocada de dentro, isto é, sem serem levantadas as suas bordas.

A caixa de música colocada perto da cortina, mas inteiramente à vista, foi parada e depois dada a marcha, enquanto a tampa continuava fechada; de vez em quando dedos e, algumas vezes mãos se introduziam pelas cortinas. Depois que uma destas apareceu, pediram ao Capitão Rolleston que passasse o braço pela cortina e verificasse se a amarração e a costura estavam como de início. Ele verificou que estavam e o mesmo testemunho foi dado por outro cavalheiro, pouco depois.

Esta foi uma, de uma série de sessões excepcionais, realizadas sob os auspícios da British National Association of Spiritualists, em sua sede em Londres, 38 Great Russel Street. Referindo-se a elas diz lhe Spiritualist.

"O ensaio de manifestações por Mr. Eglinton tem grande valor, não porque outros médiuns não possam, igualmente, obter resultados conclusivos, mas porque em seu caso tinham sido observadas e controladas por um bom número de testemunhas críticas, cujo depoimento pesará diante do público".

A princípio as materializações de Eglinton eram obtidas à luz, enquanto os presentes se sentavam a uma mesa e não havia cabine. Também o médium ficava, em geral, consciente. Foi induzido a fazer sessões no escuro, a fim de obter manifestações, por um amigo que havia assistido a sessões de um médium profissional.

Tendo começado assim, sentia-se obrigado a continuar, mas verificou que os resultados alcançados eram menos espirituais. Uma característica dessas sessões de materialização era o fato de sentar-se entre os presentes e de serem as suas mãos seguradas. Nessas condições, materializações completas foram vistas à luz apenas suficiente para o reconhecimento das aparições.

Em janeiro de 1877 Eglinton fez uma série de sessões não profissionais, em casa de Mrs. Macdougall Gregory, viúva do Professor Gregory, de Edimburgo, perto do Park Lane. Foram assistidas por Sir Patrick e Lady Colquhoun, Lord Borthwick, Lady Jenkinson, Reverendo Maurice Davies, D. D., Lady Archibald Camphell, Sir William Fairfax, Lord e Lady Mount-Temple, General Brewster, Sir Garnet e lady Wolseley, Lord e Lady Avonmore, Professor Blackie e muitos outros. Mr. W. Harrison, redator de The Spiritualist assim descreve uma dessas sessões:

Na noite de segunda-feira última dez ou doze amigos se reuniram em volta de uma grande mesa circular, com as mãos juntas, em cujas condições o médium Mr. W. Eglinton ficava seguro pelos dois lados. Não havia outras pessoas na sala além das que estavam sentadas à mesa. Um fogo que se apagava dava uma luz fraca, que apenas permitia que se vissem as silhuetas dos objetos.

O médium estava na parte da mesa mais próxima do fogo, de modo que suas costas ficavam para a luz. Uma forma, na inteira proporção de um homem, ergueu-se lentamente do chão até ao nível da borda da mesa; estava a cerca de trinta centímetros atrás do cotovelo direito do médium. O assistente mais próximo era Mr. Wiseman, de Orme Square, Bayswater. A forma estava coberta com um pano branco, e as feições não eram visíveis. Como se achava próximo ao jogo, podia ser vista distintamente pelos que se achavam mais próximos.

Foi observado por todos que assim estavam que o canto da mesa ou os assistentes não tapavam a vista da forma; assim, foi observada por quatro ou cinco pessoas e isto não foi resultado de impressões subjetivas. Depois de erguer-se até o nível da mesa, mergulhou e não mais foi vista, ao que parece tendo esgotado as forças. Mr. Eglinton estava numa casa estranha e vestido a rigor. De um modo geral foi um teste de manifestação que não podia ser produzido por meios artificiais.

Uma sessão descrita por Mr. Dawson Rogers apresentou características notáveis. Foi a 17 de fevereiro de 1885, em presença de catorze pessoas, em condições de prova. Conquanto um quarto interno tivesse sido usado como cabine, Mr. Eglinton ai não ficou — mas entre os assistentes, cujos assentos tinham sido dispostos em forma de ferradura.

Uma forma se materializou e passeou pela sala, dando a mão a cada um dos presentes. Depois aproximou-se de Mr. Eglinton, que em parte estava sendo sustentado por Mr. Rogers, para que não caísse e, tomando o médium pelos ombros, levou-o para a cabine. Diz Mr. Rogers:

“A forma era de um homem algumas polegadas mais alto, e mais velho que o médium. Vestia uma túnica flutuante, era cheio de vida e de animação e uma vez ficou a três metros do médium”.

Há um particular interesse ligado a essa fase de sua vida no aspecto de mediunidade psicográfica, ou de escrita em lousas. A esse respeito existe uma esmagadora massa de testemunhas. À vista dos maravilhosos resultados que obtinha, é digno de nota que fez sessões por mais de três anos sem obter a escrita de uma única letra.

Foi a partir de 1884 que ele concentrou sua força nessa forma de manifestação, que era considerada a mais adequada aos principiantes, especialmente porque todas as sessões se realizavam às claras. Recusando-se a fazer sessões de materialização para um grupo de investigadores que não tinham, então, qualquer experiência, Eglinton assim justificou a sua atitude:

Sustento que um médium é colocado numa posição de muita responsabilidade, e que tem o dever de satisfazer, tanto quanto lhe seja possível, aqueles que o procuram. Agora, a minha experiência, um tanto variada, leva-me à conclusão de que nenhum céptico, por melhor intencionado e honesto que seja, pode ficar convencido nas condições prevalecentes nas sessões de materialização, e o resultado é um maior cepticismo de sua parte e a condenação do médium.

As coisas são diferentes quando há um grupo para testemunhar tais fenômenos, e com os quais sempre terei prazer em fazer sessões. Mas um neófito deve ser preparado por outros métodos. Se o seu amigo se interessa em comparecer a uma sessão de escrita na ardósia eu terei o prazer de arranjar uma hora; do contrário deverei declinar da sessão, pelas razões acima, e que se recomendam por si mesmas a você e a todos os pensadores espíritas.

No caso de Eglinton, é preciso dizer que eram usadas lousas comuns de escola e que os assistentes tinham a liberdade de trazer as suas próprias lousas e que, depois de lavadas, um fragmento de lápis para ardósia era colocado em cima desta e que esta era colocada debaixo do tampo da mesa, fazendo-se pressão contra o mesmo; que a ardósia era segurada pelo médium, mas de modo que o seu polegar fosse visível na parte superior do tampo. Então o som da escrita era ouvido e, a um sinal consistente de três batidas, a lousa era examinada, verificando-se que continha uma mensagem.

Do mesmo modo duas lousas do mesmo tamanho eram usadas, superpostas e amarradas, como também se usavam as lousas-caixas, às quais se ligavam cadeados com chave. Em muitas ocasiões foram obtidas escritas numa única lousa posta em cima da mesa, com um lápis em cima da mesa, mas debaixo da ardósia.

Mr. Gladstone fez uma sessão com Eglinton a 29 de outubro de 1884, e mostrou-se muito interessado pelo que aconteceu. Quando Light publicou um relato dessa sessão, foi transcrito na maioria dos jornais de importância no país e o movimento ganhou consideravelmente com essa publicidade.

Consta que ao terminar a sessão Mr. Gladstone teria dito:

"Sempre pensei que os homens de ciência correm muito por uma trilha. Fazem um trabalho nobilitante na sua própria linha especial de pesquisa, mas, muito freqüentemente se sentem sem disposição para um pouco de atenção a assuntos que aparentemente estão em conflito com a sua maneira de pensar. Na verdade não é raro que tentem negar coisas que jamais investigaram, pois não meditam bastante que possa haver forças de cuja natureza eles nada sabem".

Sofreu ataques de fraude por pesquisadores de superficialidade materialistas e principalmente pela Sra Eleanor Sidgwick, porém foi defendido por pesquisadores de vultos como: Barão de Hellenbach, Zõllner, Charles Richet, Alfred Russel Wallace e muitos outros que testemunharam a mediunidade estuante de William Eglington.

Em 1887 Eglinton visitou a Rússia. Ele deu uma sessão para o imperador Alexandre III. Nesta ocasião, ALEXANDRE AKSAKOF teve oportunidades de testar o médium repetidas vezes, e ele também sustentou que Eglinton possuíam grandes e genuínos poderes psíquico.

Entre os livros que citam o médium William Eglinton, destacam-se Um Caso de Desmaterialização, Animismo e Espiritismo publicados pelo pesquisador espírita Alexander Aksakof, e a sua biografia 'Twixt Two Worlds de J. E. Farmer que foi publicado no ano de 1886.

Fontes: Conan Doyle - História do Espiritismo

O testemunho de um sábio:

MATERIALIZAÇÃO DE UM ESPÍRITO

Durante o ano de 1886, achava-se o Sr. Aksakof em Londres, experimentando com o médium Eglinton. Tratava de conseguir provas da fotografia transcendental, (01) fenômeno sobre o qual ouvira falar em São Petersburgo.

(01) Fotografias obtidas na obscuridade, sem forma materializada visível.

Combinou-se efetuar as sessões na casa recentemente construída de um rico cavalheiro inglês, amigo particular do Sr. Aksakof, assistindo a elas o dono da casa, sua esposa, um amigo, Sr. N..., o Sr. Aksakof e Eglinton.

O salão do terceiro andar foi escolhido.

Na entrada do salão havia uma cortina roxa, suspensa de um lado por um cordão de seda. Para obter-se a obscuridade, fecharam-se as janelas, cobrindo-as, em seguida, com panos.

A máquina fotográfica foi colocada de modo que Eglinton, sentado diante da cortina, assim como o fundo desta, visível através da abertura, podiam ser retratados. Os “chassis” e as placas, marcadas com o nome do Sr. Aksakof em caracteres russos, haviam sido por ele trazidos. À esquerda do aparelho colocou-se pequena mesa redonda e, sobre esta, uma lâmpada de álcool, rodeada por largo cartão, ao qual se adaptou um refletor côncavo, metálico, com 7 polegadas de diâmetro.

A lâmpada alumiava assim a sala, de modo a evitar a luz sobre a objetiva do aparelho e, ao mesmo tempo, serviria para acender o magnésio. Nessa mesa também se achavam várias tranças de magnésio, cada uma composta de três fios desse metal, com 7 ou 8 polegadas de comprimento, preparadas pelo Sr. Aksakof, e que davam luz suficiente, segundo se verificou em ocasiões anteriores, para a obtenção de um resultado satisfatório em fotografia.

Essas tranças fixavam-se solidamente, por um arame de ferro, em tubos de vidro; o Sr. N... ficou encarregado de acendê-las a um sinal convencionado, tendo o especial cuidado de dirigir o campo luminoso do refletor sobre as figuras que deviam ser fotografadas.

Terminados esses preparativos, o Sr. Aksakof fechou a porta do salão com a chave, que guardou no bolso, e de uma caixa retirou um “chassis” que colocou na máquina fotográfica.

Eglinton, sentado à frente da objetiva do aparelho e diante da cortina, caíra em transe (sono magnético), com o corpo inclinado para os experimentadores e as mãos cruzadas no peito. Sua respiração, penosa e quase convulsiva, anunciava que ia produzir-se algum fenômeno importante.

Entretanto, as primeiras manifestações, apesar de surpreendentes, não satisfizeram ao Sr. Aksakof, que, julgando terminada a experiência, decidiu suspendê-la, quando, repentinamente, e no momento em que ardia uma trança de magnésio, saiu por detrás da cortina uma forma de homem, que avançou quatro ou cinco passos na sala, colocando-se depois ao lado de Eglinton, que jazia como morto na cadeira.

“A forma estava vestida de branco – diz o Sr. Aksakof –; seu rosto era rodeado de uma barba preta, descoberta, e uma espécie de turbante envolvia sua cabeça.

– É Abdulá!... – exclamei.

– Não – respondeu-me o dono da casa –; esta “forma” tem duas mãos, e a de Abdulá, que aparecia nas sessões que Eglinton nos deu em S. Petersburgo tinha somente metade do braço esquerdo.

Como para confirmar esta observação, o fantasma moveu os braços, saudou-nos e desapareceu por detrás da cortina. Alguns segundos depois tornou a aparecer e, à luz do magnésio, vi com surpresa que o fantasma rodava o seu braço esquerdo.

Eglinton, em transe profundo, não podia suster-se em pé. Eu estava a cinco passos dele e, à luz intensa que o alumiava, pude contemplar o estranho visitante.

Era um homem jovem, cheio de vida; distinguiam-se-lhe claramente a pele viva do rosto, a barba negra, as espessas e escuras sobrancelhas e seu olhar enérgico, fixo no aparelho todo o tempo que durou o magnésio (15 segundos) em chama. Quando se mandou cobrir a objetiva e antes que se extinguisse a luz, a “forma” desapareceu atrás da cortina e Eglinton caiu, como morto, no chão.

A situação era crítica; não nos movemos, contudo, porque Eglinton estava influenciado por uma força sobre a qual nada podíamos. Imediatamente se abriu de novo a cortina, reaparecendo o fantasma, que se aproximou de Eglinton e, inclinando-se para ele, começou a fazer passes sobre o seu corpo.

Olhávamos em silêncio e com assombro tão estranho espetáculo; no fim de alguns momentos Eglinton moveu-se; levantou-se pouco a pouco, ficando, por fim, em pé. Então, a “forma” rodeou-o com os seus braços e conduziu-o ao seu lugar.

Imediatamente, ouvimos a voz débil de Joey (um dos Espíritos-guias de Eglinton), recomendando que levássemos o médium para o ar fresco e lhe déssemos de beber água com “brandy”. A dona da casa apressou-se a ir buscar água; mas, encontrando fechada a porta, voltou para pedir-me a chave. Respondi-lhe que me desculpasse; como, porém, o fato era muito extraordinário, eu desejava abrir a porta pessoalmente. Examinei a fechadura à luz e abri-a em seguida.

Eglinton, em transe profundo, não podia sustentar-se em pé, e foi preciso que o levássemos nos braços para o refeitório, onde o colocamos em frente a uma janela aberta; presa de convulsões, caiu ele no chão, produzindo-se uma hemoptise.

Foram necessários quinze minutos de fricções e o uso de sais para fazê-lo voltar a si e despertá-lo do seu profundo sono.

Deixando-o entregue aos donos da casa, fui com o Sr. N... revelar as placas e, logo que começou a aparecer o desenho, voltei apressadamente ao refeitório para dar a Eglinton, que não podia mover-se, essa excelente notícia.

O médium pagou caro o seu triunfo, pois passou mais de hora e meia sem poder caminhar.

As fotografias foram preparadas no dia seguinte e saíram muito boas: as duas formas, em pé, se haviam movido, embora isso não fosse perceptível à vista; o resultado não deixa, contudo, de ser satisfatório. Reconhece-se perfeitamente a de Eglinton, apesar de estar com a cabeça inclinada para trás e apoiada sobre o braço que a sustém.

Ao seu lado está a forma humana que vimos com vida; a barba e as sobrancelhas se notam perfeitamente; o mesmo não sucede com os olhos, pois estão difusos; a particularidade desta figura é, todavia, o nariz, curto e completamente diferente do de Eglinton, e que lembra muito o da figura obtida pela fotografia transcendental. As sobrancelhas não se parecem com as desta figura, porém sim com as de Eglinton. As fotografias têm num canto o meu nome em caracteres russos.”

Depois de algumas considerações, o Sr. Aksakof termina:

“Os incrédulos dirão que houve fraude, pois nas experiências estava interessado um médium de profissão, que devia ser pago. Entretanto, é evidente que aí Eglinton não podia realizar tudo quanto seria preciso para enganar-nos; logo, deve-se supor um conluio entre os donos da casa e os da loja onde comprei o aparelho fotográfico e as placas.

O Sr. X..., dono da casa, ocupa posição social idêntica à minha e, portanto, não se pode dizer que existisse nele um móvel material como a causa de fraude; isto, sem contar com o fato de que a execução teria sido muitíssimo complicada, reuniria circunstâncias mais que suficientes para descobrir-se o embuste. Não é, pois, possível que qualquer interesse tenha podido induzi-lo a um artifício; e, ademais, por que deveria ser ele e não eu o enganador?

É mais lógico supor em mim o interesse de mentir, pois o meu intuito seria evidente: nada mais natural que, absorvido no Espiritismo, eu me visse obrigado a defendê-lo por qualquer modo.

A incredulidade, porém, não me surpreende nem me desanima, porque as convicções não são fruto da casualidade; elas são a resultante das opiniões anteriores que concorreram para a sua formação, no decurso dos séculos; a crença nos fenômenos da Natureza não se adquire pela razão e pela lógica, mas sim pela força do hábito, e por essa mesma força o maravilhoso deixará de o ser.”

Alexandre Aksakof

Fontes: Alexandre Aksakof - Um caso de Desmaterialização

O testemunho de um sábio:

MATERIALIZAÇÃO DE UM ESPÍRITO

Outra experiência, nas mesmas condições, foi organizada pelo Dr. Nichols com o médium Eglinton.

Essa sessão é tanto mais importante por isso que não só as pessoas presentes podiam vigiar os pés e as mãos do médium, mas ainda porque os moldes em gesso representavam mãos que foram reconhecidas.

Eis o artigo do Sr. Nichols, publicado no Spiritual Record de dezembro de 1883:

“Quando o Sr. Eglinton era meu hóspede em South-Kensington, tentamos obter moldes de mãos materializadas. Minha filha Willie, cujos escritos e desenhos vos são conhecidos pelos espécimes que vos comuniquei, nos prometeu tentar produzir o molde de sua mão.

Por conseguinte, fizemos os preparativos necessários; adquiri duas libras de parafina, da que se emprega para o fabrico das velas, e que é uma substância branca, semelhante à cera, porém mais friável. Fundi-a na minha estufa e deitei-a em um balde de zinco, cheio de água quente até à metade, para conservá-la em fusão. Em seguida enchi um segundo balde com água fria.

Tínhamos convidado uma roda escolhida, composta de doze pessoas, dentre as quais só havia um estranho, um doutor alemão, o Sr. Friese, que se interessava muito pelo Espiritualismo. O Sr. Eglinton tomou lugar por trás de uma cortina que isolava uma parte do aposento, em um dos extremos. Ele estava sentado no centro, no lugar em que as duas metades da cortina se reuniam e, defronte dele, aquém da cortina, assentou-se o doutor alemão que lhe segurava as mãos.

O gás iluminava bastante, de maneira que podíamos perfeitamente ver-nos uns aos outros. Quando tudo ficou pronto, levei os dois baldes que estavam no meu aposento, um com água fria e o outro com água quente e a parafina em fusão; coloquei-os em um ângulo do aposento, por trás da cortina, a uma distância de cerca de 6 pés do Sr. Eglinton, cujas mãos eram detidas, como já disse, pelas do Dr. Friese.

 

Os convidados sentaram-se em semicírculo, o mais distante possível da cortina. Cada um de nós era distintamente visível; ninguém estava perto dos baldes; do mesmo modo, ninguém teria podido aproximar-se deles.

No fim de alguns instantes, ouvimos vozes que saíam do lugar em que se achavam os baldes, bem como o revolver da água, e imediatamente depois as pancadas de advertência. Então, aproximei-me e retirei os baldes de trás da cortina.

Sobre a água fria, havia duas peças de parafina solidificada, uma das quais tinha a forma de uma luva branca espessa de alabastro, e a outra representava alguma coisa de análogo, porém muito menor. Retirei o mais volumoso desses objetos e percebi que ele era oco e que tinha a forma da mão humana.

O outro objeto era o molde da mão de um menino, Uma senhora que fazia parte da sociedade notou naquela mão um sinal particular, ligeira deformidade característica que lhe fazia reconhecer a mão de sua filha, que tinha morrido afogada no sul da África na idade de cinco anos. Conduzi os dois baldes para o meu gabinete de estudos, deixando os moldes flutuarem na superfície da água. Fechei a porta e retirei a chave.

No dia seguinte fizemos aquisição de gesso muito fino e o introduzimos na forma grande. Para retirar dela o modelo foi preciso sacrificar o molde. Esse modelo da mão da minha filha Willie, com seus dedos longos e afilados e aquele movimento gracioso que ela tinha adquirido mergulhando na parafina em fusão, quase na temperatura da água fervente, até hoje eu o conservo em cima do pano de meu fogão, dentro de uma redoma. Todos ficam surpresos com a semelhança desse modelo com a minha própria mão, quando a coloco na mesma posição, à exceção da enorme diferença de tamanho.

Aquela mão nada tem da forma convencional que os estatuários criam: é a mão puramente natural, anatomicamente correta, mostrando cada osso e cada veia e as menores sinuosidades da pele. É sem dúvida alguma a mão que eu conhecia tão bem em sua existência mortal, que depois eu apalpei tão freqüentemente quando se apresentava materializada.

O molde menor foi entregue à mãe do menino. Ela conservou o seu gesso, não tendo a mínima dúvida a respeito da identidade daquela mão com a de sua filha.

Posso afirmar, da maneira mais formal, que a prova em gesso que está guardada em cima do meu fogão foi vazada no molde da mão materializada de minha filha. De princípio a fim, a experiência foi dirigida por mim e submetida às mais rigorosas condições.

Se o molde tivesse sido tirado em mão viva, não teria podido ser retirado dela. A circunferência do punho é menor uma polegada e meia do que a da palma na região do polegar. Mão semelhante não poderia retirar-se do molde sem quebrá-lo em muitos fragmentos. A única explicação possível desse fenômeno seria supor que, para deixar o molde, a mão se desfez ou se desmaterializou.

Dr. Nichols

Fontes: Alexandre Aksakof - Animismo e Espiritismo

Os testemunhos dos sábios:

O Sr. Edward J. Bennett garante o que afirma o Sr. Wallace na sua observação, dizendo:

“Estive presente nessa ocasião e certifico ser exata a narração do Sr. Wallace.”

Referindo-se às suas experiências com Henry Slade, o Sr. Wallace atesta o seguinte:

“A escrita foi produzida na parte superior da lousa, quando eu a segurava e comprimia contra a face inferior da mesa, e as duas mãos do Dr. Slade, em contato com a que me restava livre, pousavam sobre a mesa. Durante a escrita, o ruído do lápis era percebido. Esse fenômeno é absolutamente concludente. A prestidigitação não pode explicá-lo nem imitá-lo.

A escrita apareceu também na face inferior da lousa, quando esta descansava sobre a mesa e as mãos do Dr. Slade estavam expostas às minhas vistas.

Enquanto o Dr. Slade segurava a lousa com uma das mãos e tinha a outra presa pela minha, outra mão distinta elevou-se rapidamente, descendo depois entre a mesa e o meu corpo; e finalmente, estando as mãos do Dr. Slade e as minhas descansando sobre o centro da mesa, a parte mais afastada desta ergueu-se até dar à superfície uma posição quase vertical; depois, toda a mesa se levantou e rodou no ar por cima de minha cabeça.

Esses fenômenos se deram em pleno dia, estando a sala iluminada pela luz do sol, e só estando presentes o Dr. Slade e eu. Com ligeiras variantes, podem ser testemunhados pelos nossos homens de ciência, e é de esperar que os que não se dão ao trabalho de examiná-los cessem, em todo caso, de falar com desprezo das faculdades intelectuais e perceptivas dos que afirmam de visu a realidade desses fatos.”

É certo, como disse o Sr. Wallace, que nenhum homem de autoridade se tem apresentado para pôr em dúvida a realidade do fenômeno, depois de estar bem convencido da sua ocorrência. Acontece, porém, que os investigadores neófitos, depois de poderosamente impressionados pelos fenômenos que observaram, abandonam suas convicções, e não devemos surpreender-nos por haver isso sucedido com alguns professores da Alemanha, que, pouco ou quase nada conhecendo do fenômeno, se deixaram arrastar pelas manifestações obtidas por intermédio do Dr. Slade.

Nada há de impossível em que eles venham depois a escarnecer ou discorrer contra essa convicção. Não é surpreendente que um investigador inexperto, raciocinando sobre os fenômenos, depois de ter alguma certeza da sua veracidade, venha a julgá-los totalmente incríveis. Daí as tão frequentes retratações de pessoas um tanto convertidas. Exige-se longo preparo para que um filósofo ou um físico seja um Fichte e possa conciliar todos os fatos que se acham em contradição com o que eles ensinavam.

Zöllner (nascido em 1834), que descreveu os fenômenos obtidos por intermédio de Slade em diversas obras, não voltou atrás. Talvez que ele tenha vida para conseguir novas provas confirmadoras das suas experiências.

Emmanuel Herman Fichte (1797-1879), filho do famoso John Gottlieb Fichte, já era espírita muito antes de Slade visitar a Alemanha. Pouco antes de sua morte, publicou um folheto, em que afirma os fatos fundamentais, e com sinceridade recomenda o grande assunto à atenção do mundo científico e religioso.

Responde habilmente a Hæckel, o materialista entusiasta que deplorava a “simplicidade” dos eminentes físicos alemães, que “se tinham deixado apanhar na armadilha de Slade”. Fichte atesta a importância dos resultados obtidos e afirma que as manifestações de Slade pertencem ao domínio da Física.

O Prof. Ulrici, de Halle (nascido em 1806), não testemunhou os fenômenos de Slade, mas, apesar disso, aceitou-os em parte, à vista do atestado dos outros, como vindo confirmar as suas teorias filosóficas. A crítica de Wundt, contudo, parece tê-lo feito recuar um pouco. Evidentemente, faltava-lhe aquela força de convicção que só pode ser inspirada por um perfeito conhecimento do fenômeno, adquirido numa prática de muitos anos.

Fontes: Epes Sargent - Bases Científicas do Espiritismo

Método de obtenção de escrita em ardósias

John Stephen Farmer - Twixt Two Worlds

Fac-símile de escrita direta em ardósia obtida com a presença de Mr. Adshead's

John Stephen Farmer - Twixt Two Worlds

William Eglinton em estado de transe provoca a materializações do espírito de Abdullah e que Alexandre Aksakof demonstra a prova da incontestável autenticidade da materialização através da mediunidade do médium William Eglington.

Alexandre Aksakof - This photograph is from an 1887 volume of Light, a spiritualist magazine by the London Spiritualist Alliance. The medium William Eglinton with Abdullah from experiments in London in 1880.

Fontes: Survival After Death

Fontes: Portal Voice Box

 

Algumas considerações do Sr. Alexandre Aksakof:

"A incredulidade, porém, não me surpreende nem me desanima, porque as convicções não são fruto da casualidade; elas são a resultante das opiniões anteriores que concorreram para a sua formação, no decurso dos séculos; a crença nos fenômenos da Natureza não se adquire pela razão e pela lógica, mas sim pela força do hábito, e por essa mesma força o maravilhoso deixará de o ser."

Alexandre Aksakof "Um caso de Desmaterialização"

"Através do médium William Eglinton recebi a prova de que Zöllner, que foi o primeiro na Alemanha a ter coragem de falar desses escritos de ardósia, descobriu uma grande verdade e que todos os seus adversários que não leram nem viram nada neste domínio estão errados."

Alfred Russel Wallace "Um dos pais da Teoria da Evolução"

"Homem mundano chora e se lamenta à beira dos túmulos, essa porta aberta para o infinito. Se estivesse familiarizado com as leis divinas, era sobre os berços que deveria gemer: o vagido do recém-nascido não será um lamento do espírito, diante das tristes perspectivas da vida."

Léon Denis "No Invisível"
 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Biografia de William Eglinton

 

John Stephen Farmer - Twixt Two Worlds (1886) (Eng)

 

Alexandre Aksakof - Um caso de Desmaterialização PDF

 

Alexandre Aksakof - Animismo e Espiritismo PDF

 

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