O APÓSTOLO DO ESPIRITISMO DA ESPANHA

Miguel Vives y Vives
 


Original em espanhol, de 1971

cesar bogo

La Cronista de Los Pobres: AmAlia

Confederación Espiritista Argentina


Original em espanhol, junio de 1908

REVISTA ESPIRITISTA LUZ Y UNIÓN

AS FESTAS EM HOMENAGEM A ALLAN KARDEC

E MIGUEL VIVES Y VIVES EM TERRASSA

 

REDACTOR JEFE: AMALIA DOMINGO SOLER

TIPOGRAFÍA DE LUZ Y UNIÓN

GRACIA - ESPAÑA

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Tradução: Teresa da Espanha

 Prefácio: Jorge Hessen

Revisão: Irmãos W. e Ery Lopes

 Formatação: Ery Lopes


Versão digitalizada:
© 2019

Distribuição gratuita:

Portal Luz Espírita

Autores Espíritas Clássicos

Prefácio da obra:

O material de pesquisa contido no portal Autores Espíritas Clássicos apresenta característica de fidedigna relíquia histórica, produto da profunda escavação para o encontro e resgate dos tesouros perdidos nos porões da indiferença ou censurável amnésia dos líderes que conduzem o tal movimento espírita. Em nosso exumo um nome encontramos no esquecimento da história do Espiritismo, trata-se do espanhol Miguel Vives y Vives, nascido em Barcelona em 1842.

Miguel Vives y Vives conheceu o Espiritismo em 1871 (dois anos após o epílogo carnal do Codificador) quando, muito enfermo, foi conduzido a um grupo espírita que o auxiliou na recuperação da saúde. A partir de então ficou os pés nas fileiras espíritas, fundando a Federação Espírita de Vallés, da qual surgiu a Federação Espírita da Catalunha. Posteriormente fundou o Centro Espírita Fraternidade Humana (1872), em Terrasa, aí tendo lançado a obra Guía Práctica Del Espiritista e que foi traduzida para a língua portuguesa por Herculano Pires que foi publicado pela editora EDICEL com o título "O Tesouro dos Espíritas". Mais tarde fundou a revista União, periódico que se incorporou à La Luz del Porvenir, que se destacou na divulgação do movimento naquele país.

Amália Domingo Soler, médium que protagonizou a recepção da obra clássica na literatura espirita intitulada “Memórias do Padre Germano”, foi parceira de trabalho de Vives y Vives. Em 1891, Vives mudou-se para Barcelona, buscando melhores ares para a sua saúde combalida. Nos primeiros dias de 1892, foi eleito Presidente do Centro Barcelonês de Estudos Psicológicos onde, não obstante seu precário estado de saúde prosseguiu na propagação do Espiritismo.

Miguel Vives quase sempre reunia os deserdados dos bens materiais em amplas refeições fraternais, nas quais não faltavam os manjares que recompunham o físico, enquanto com sua oratória apresentava o banquete do espírito, a fé perdida, a sede de amor, a necessidade da paz interior. Quando sua filha Michela se casou, um cortejo de centenas de mendigos acompanhou os noivos, oferecendo-lhes sua proteção.

Em 29 de setembro de 1881, quando Amália Domingo Soler visitava Tarrasa, o filho de Sr. Miguel, um vivo garoto de seis anos, apresenta-se trazendo nas mãos, orgulhoso e alegre, uma carta. Era um agradecimento dos presos do cárcere da cidade, com felicitações pelo onomástico de Sr. Miguel, a que chamavam "protetor" pelas muitas atenções que a eles prodigalizava, fazendo menos triste e aflitiva a condenação que suportavam.

Quando desencarnou, Miguel Vive y Vives recebeu do povo comovido os mais sentidos tributos. Sua morte causou profundo golpe à população da cidade espanhola. As fábricas paralisaram suas atividades, o comércio cerrou suas portas à hora do sepultamento do seu corpo, a fim de permitir aos seus empregados o acompanhamento do esquife ao cemitério.

Vives não era político, não cortejava a popularidade e, no entanto, graças ao seu exemplo de abnegação, recebeu diversas consagrações públicas de sua terra, apesar de viver num país de profundas tradições católicas, onde homens e livros foram queimados no decorrer de muitos séculos.

Nossa homenagem a um patrimônio não somente do Espiritismo, mas de toda a Humanidade.

Obrigado, Vives!!!

Jorge Hessen

O Combativo Escritor Espírita

Diante do Túmulo de Miguel Vives:

Túmulo que guardas os restos
de um homem bom e simples
a quem não seduziu o brilho
da pompa mundana;
se não houvesse mais nada
que esta humilde sepultura...
que tristeza! Que amargura!
Que decepção tão fatal!
Consagrar uma existência
a uma propaganda ativa,
dizendo ao homem: "Ande,
que você tem um futuro;
faça o bem pelo bem,
que todos são seus irmãos;
Tenha pena dos tiranos
que fazem o fraco gemer ».
E depois de fazer esforços
para promover as virtudes,
receber só a ingratidão
e o esquecimento, em conclusão...
Que triste seria, Santo Deus!
mas não; a vida dura;
e no tempo não há medida
que limite a ascensão.
O corpo fica na cova
e a alma vai muito longe
em busca de reflexos
de outros sóis de mais luz.
E a alma cujo envoltório
neste túmulo é deixado,
Já está longe da Terra:
Onde tanto amou a Cruz!
Foi um cristão reverente
um fervoroso espiritualista
ativo propagandista,
indo do progresso atrás.
Sempre cumprindo como os bons;
e é justo virmos aqui
dizendo: Não te esquecemos;
Não te dizemos Adeus!
Todo ano nós viremos
deixar umas flores humildes
que serão coloridas
pelo nosso beijo fraterno.
Olhe por nós lá do alto;
nós seguimos seus ensinamentos,
e mantemos a esperança
de que o Bem vencerá o mal.
Adeus, Miguel; até logo;
nunca o amanhã termina;
existe para a raça humana
sempre um futuro melhor.
Por você, é por você que sabemos
que a felicidade é infinita;
e que a água da vida
está na fonte do amor!...

Amália Domingo Soler

Por Kardec, por Miguel Vives:

Irmãos e irmãs: afastado a fortiori de vocês, materialmente, hoje meu espírito agitado voa apressadamente para esse delicioso lugar onde, com todos os pensamentos fundidos em um só, batendo todos os corações por um único sentimento, vocês cumprem o dever sagrado de render justo tributo aos veneráveis Mestre e Apóstolo do Espiritismo, Allan Kardec e Miguel Vives. Eu também cumpro esse dever: eu também estou com vocês.

Olhem-me, não me veem? Não veem uma sombra dolente, tímida, desanimada, lutando para sacudir de si o tédio da vida, submergindo-se no pélago de luz rutilante que a todos vocês inunda? Não me veem em pé com algumas páginas na mão, meus olhos fixos na figura majestosa do bom Vives que, fielmente representado por uma mão amorosa, preside impávido a Assembleia? Pois é; aqui estou eu, entre vocês, chorando de emoção, pela segunda vez, sacudindo meu tédio, despertando para uma nova vida e acariciando a mais bela aspiração dos meus sonhos... Olhem-me, olhem-me bem, e escutem-me com sua costumeira benevolência.

Nada que vocês não saibam eu poderia lhes dizer; nem sequer é possível acrescentar mais uma folha à imarcescível coroa tecida anos atrás para essas comemorações solenes; mas é meu dever, é nosso dever, refrescar seus louros, e a isso me disponho com toda a efusão de minha alma e com todo o escasso conhecimento de minha inteligência; escasso, sim, mas não por isso menos leal, menos sincero.

A santificação e a perdurabilidade de uma ideia não dependem apenas da ideia em si; é necessário descobrir quem saiba enaltecê-la, quem possa preconizá-la, quem possua a integridade moral suficiente para conservá-la e transmiti-la intacta, pura e sem mancha, no processo de sua divulgação. Na ausência dessas qualidades inalienáveis do propagandismo, o Cristianismo primitivo, o Cristianismo de Cristo, sofreu e sofre profundamente. E por essa razão, também, as figuras de Vives e Kardec são tão venerandas e colossais; porque ambos preencheram plenamente tão alta missão.

Eles enraizaram a ideia do "Espiritismo" que flutuava à mercê dos furacões da ignorância e da calúnia, e que pelos esforços titânicos deles evoluiu do efêmero e grotesco para o permanente e real, do embrionário e metafísico para o fato rotundamente matemático e eminentemente prático; encarnando de maneira irrefutável em um deles na experiência, que é A CIÊNCIA, e no outro na caridade, que é O AMOR.

Mas por isso mesmo, Allan Kardec e Miguel Vives, como muitos outros grandes espíritos que, através dos tempos, legaram à humanidade com a sua ciência, ou com o seu exemplo, a semente que constantemente dá frutos nos campos férteis do Progresso, não têm, não merecem ter outro modo de receberem sufrágios mais do que com a emulação.

Portanto, sem dúvida, vocês que formam a cabeça do Estado Maior no Espiritismo Kardecista espanhol, e o entenderam assim, não vacilam, mesmo à custa de trabalho e sacrifícios, na realização desses atos, que, embora não sejam necessários para nós, eles o são, e muito, para aqueles carentes do alimento restaurador das suas forças físicas e do poderoso néctar da fé raciocinada, que cimenta as nossas crenças e afugenta os desânimos do espírito, restituindo ou criando a energia necessária para lutar com vantagem e superar com certeza a grande batalha que necessariamente é preciso lutar para a conquista de um futuro de paz e ventura.

Para continuar essa obra emulativa, este trabalho regenerativo de NOSSOS DOIS GRANDES ESPÍRITOS, é necessário requerer todas as forças morais e materiais; é necessário que, despindo-nos de qualquer resto de paixão bastarda que poderíamos ter como escórias remanescentes de incêndios de tempos remotos, entendamos com prudência e confessemos com sinceridade, que ainda estamos distantes, muito distantes dos Seres a quem é forçoso imitarmos: sem desmaio ou indiferença, apertemos o passo, sem voltarmos a vista atrás!

Assim e somente então, podemos remediar (porque somente ao Espiritismo esta grande missão é reservada) o estado de iminente decadência intelectual e religiosa à qual fomos retrotraídos na Espanha, a influência má e absorvente do paganismo reformado, que a ilude, e a cesárea e férrea mão que a submete: assim, e somente assim os Grandes Gênios que nos precederam serão bem atendidos e honrados, porque assim e somente assim serão imitados.

Além disso; sabendo, como sabemos, que o Espiritismo não é obra de apenas o ser humano; sabendo, como sabemos, que os seres do espaço (talvez aqueles que desejamos imitar) colaboram conosco como fatores essenciais, utilizando leis que escapam às inteligências medíocres da generalidade dos considerados sábios; persuadidos como estamos da efetiva ajuda do Alto, não devemos nos deixar intimidar por aqueles que, em seu desejo pueril de negar o que não sabem ou o que parecem ignorar, atiram em nós as flechas enfadonhas de suas sátiras mordazes: não tenhamos medo deles, porque eles não conseguirão não, com todo seu mesquinho poder e com toda a sua pérfida astúcia, abafar o foco poderoso de irradiação imanente que ilumina o mundo e se chama Espiritismo: eles não o extinguirão, não, porque esse Foco é Deus e sua irradiação é A VERDADE ÚNICA, IMUTÁVEL, ETERNA.

Logo deixarei vocês, queridos irmãos, porque vou terminar; mas não será sem antes fazer uma declaração solene que acredito (porque conheço todos vocês e com preferência o nosso digno Presidente) e espero com viva e completa fé que vocês saberão como continuar a promover, cada vez mais e conforme as circunstâncias exigirem, o auge e a revelação da nossa Santa Doutrina, para o bem da Humanidade e glória dos Espíritos Mestres que homenageamos.

Estou aqui com vocês e já estou longe, materialmente distante, mas eternamente unido a vocês em vínculo indissolúvel, pela comunidade de ideias e pela gratidão e amor que sempre lhes professarei.

Ángel Grinda
Ilha Cristina 8 de junho 1908

A Miguel Vives:

Na minha memória, Miguel,
tu tens, faz tempo, um ninho
e ninguém te expulsará dele
porque sempre te amei tanto
que não posso te ser infiel.
Era obrigação te amar
depois de te conhecer;
mas ¿o que estou dizendo?
Para te admirar era o suficiente te ver;
porque tu atraías de tal modo
que era preciso dizer: Senhor!
Este homem não é deste mundo;
como ele fala bem de amor!
De amores grandes!… profundos!
Será um novo Redentor?
E foste, sim, tu foste um Redentor;
apóstolo da verdade,
Quantas verdades te ouvi dizer!
Como admirei a tua piedade,
e quanto aprendi contigo!
Quanto amavas os pobres!
Com eles e com as crianças
partilhavas teus prazeres,
a todos davas carinho,
porque com eles… tu vivias!
Nas tuas horas de lazer
dizias: “Venham, pobrezinhos!
Quero alegrar suas faces;
venham, também, pequeninos,
às minhas festas da paz!”
E de verdade, eram mesmo, sim;
a tua casa era um pomar florido,
e nela, quanto aprendi!
Daquelas festas, Miguel,
a lembrança vive em mim.
E viverá; tão profundo
que nunca te serei infiel;
não te esqueço nem um segundo,
porque a tua lembrança, Miguel…
é a minha bússola nesse mundo!...

Amália Domingo Soler

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

 

Grupo de mulheres preparando comida

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Grupo de mulheres preparando as mesas

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Chegada dos expedicionários à estação de Terrassa

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Aspecto geral da sala de jantar

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Entrada ao Cemitério

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

A manifestação ao por uma das principais ruas da cidade de Tarransa

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Aspecto da manifestação ao sair do local Social

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

A caminho do Cemitério

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

A manifestação passando pela Rambla

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Aspecto da sala de jantar durante o almoço daqueles que serviram a comida aos pobres

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Depois do almoço

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Casa Poal. Almoço na montanha

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

O nosso diretor almoçando cercado de amigos

As Festas em Homenagem a Allan Kardec e Miguel Vives y Vives em Terrassa
Revista Espiritista Luz y Unión, Junho de 1908

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Herculano Pires - A Missão do Espiritismo - Palestra gravada em 1956)

Fontes: Curso Espírita (Miguel Vives / Biografia)

Fontes: Luz Espírita (Espiritismo em Movimento)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus)

“Meu Deus! O que eu era antes de ser espírita? Uma criatura ignorada e completamente incapaz. Tanto era assim, que eu me sentia perdido na mais crítica e miserável situação em que um homem pode encontrar-se nos mais belos dias de sua juventude. Com a saúde perdida, os amigos se afastaram de mim; sem forças para trabalhar, fiquei cinco anos sem sair de casa. Era tal o meu estado, que sem a proteção dos pais da minha esposa, a quem nunca serei grato o suficiente, teria de ser internado em um hospital. Aquela situação já durava por cinco anos, quando meus cunhados se mudaram de Sabadell, onde eu morava desde criança, para Tarrasa. E foi mais por misericórdia do que por qualquer outro motivo que eles me levaram também, para ver se a minha saúde melhorava.

“Estávamos no ano 71 do século passado. Após seis meses em Tarrasa, um dia eu fui a Sabadell, e meu irmão de sangue falou-me do Espiritismo. No começo, achei aquele assunto muito estranho. Mas como ele estava falando sério, e eu conhecia seu juízo e honestidade em todas as questões da vida, compreendi que existia qualquer coisa de verdadeiro naquilo que ele me falava. Pedi a ele algumas explicações e, como única resposta, entregou-me as obras de Allan Kardec. Ler as primeiras páginas e compreender que aquilo era grande, sublime, imenso, foi questão de um instante. Meu Deus! — exclamei — O que está acontecendo?

“Então eu, que tinha desistido de tudo, agora percebia que tudo é vida, que tudo é evolução, e que tudo é infinito! Admirado diante de tanta grandeza, tomei a decisão de ser Espírita de verdade, estudar o Espiritismo e empregar todas as minhas forças na propagação de uma doutrina que me devolveu à vida e me ensinou, tão claramente, a grandeza de Deus.”

"O Apóstolo do Espiritismo - Miguel Vives y Vives"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

O Apóstolo do Espiritismo - Miguel Vives y Vives PDF

 

Cesar Bogo - La Cronista de los pobres Amalia (Esp.)

 

Revistas Luz y Unión (1908) (Esp.)

 

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