Paulo Neto - Kardec

 

A lógica da reencarnação

 

(Argumentos a favor da tese da pluralidade das existências)

Apresentação:

 

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei.” (Frase inserida no Dólmen do túmulo de Kardec, no cemitério do Père-Lachaise, Paris)

 

“[…] Os homens não vivem apenas uma vez e depois desaparecem para sempre; vivem inúmeras vidas em diferentes lugares, mas nem sempre neste mesmo mundo, e em meio a cada vida, há um véu de sombras. As portas finalmente se abrirão e veremos todos os lugares que nossos pés percorreram desde o princípio dos tempos. […].” (Papiro Ani, escrito por volta de 1.200 a 1.500 a.C., citado por SELEEM, R. O Livro dos Mortos do Antigo Egito)

Paulo Neto

 

 

Hugo Alvarenga Novaes, residente na cidade de Santa Rita do Sapucaí (MG), autor do Ebook A Reencarnação no Evangelho, (1) a quem agradecemos por ter se envolvido de corpo e alma nesse nosso projeto. Com extrema tolerância e muita paciência, apresentou-nos várias sugestões visando manter-nos no objetivo da presente pesquisa, ou seja, incluir todas as falas de Allan Kardec a respeito da reencarnação.

 

A bem-dizer podemos considerá-lo como um coorganizador do presente Ebook.

Considerações iniciais:

 

Nossa proposta é levantar, por ordem cronológica, tudo que se encontra nas obras da Codificação Espírita, relacionado aos argumentos de Allan Kardec (1804-1869) a favor da tese da reencarnação. Serão inseridos também alguns de seus comentários a respeito do tema.

 

Poderá acontecer que alguém faça restrições à citação da Revista Espírita, porém, poucos sabem do valor que Kardec deu a ela. Na transcrição seguinte, vejamos o que o Codificador disse:

 

35. Aos que quiserem adquirir essas noções preliminares pela leitura das nossas obras, aconselhamos que as leiam nesta ordem:

 

1º O que é o espiritismo. Esta brochura, de uma centena de páginas somente, contém sumária exposição dos princípios da doutrina Espírita, um apanhado geral desta, permitindo ao leitor apreender-lhe o conjunto dentro de um quadro restrito. Em poucas palavras ele lhe percebe o objetivo e pode julgar do seu alcance. Aí se encontram, além disso, respostas às principais questões ou objeções que os novatos se sentem naturalmente propensos a fazer. Esta primeira leitura, que muito pouco tempo consome, é uma introdução que facilita um estudo mais aprofundado.

 

2º O livro dos espíritos. Contém a doutrina completa, como a ditaram os próprios Espíritos, com toda a sua filosofia e todas as suas consequências morais. É a revelação do destino do homem, a iniciação no conhecimento da natureza dos Espíritos e nos mistérios da vida de além-túmulo. Quem o lê compreende que o Espiritismo objetiva um fim sério, que não constitui frívolo passatempo.

 

3º O livro dos médiuns. Destina-se a guiar os que queiram entregar-se à prática das manifestações, dando-lhes conhecimento dos meios próprios para se comunicarem com os Espíritos. É um guia, tanto para os médiuns como para os evocadores, e o complemento de o livro dos espíritos.

 

4º Revista espírita. Variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos isolados, que completam o que se encontra nas duas obras precedentes, formando-lhes, de certo modo, a aplicação. Sua leitura pode fazer-se simultaneamente com a daquelas obras, porém mais proveitosa será, e, sobretudo, mais inteligível, se for feita depois de o livro dos espíritos. (2) (3)(grifo nosso)

 

(2) KARDEC, O Livro dos Médiuns, 1ª parte, cap. III, item 34, p. 42-43.

 

(3) Deve-se considerar que na data de 14 de janeiro de 1861, quando O Livro dos Médiuns foi publicado, as obras O Evangelho Segundo Espiritismo,  o O Céu e o Inferno e A Gênese ainda não tinham sido publicadas.

 

Está aí, portanto, a razão de a citarmos.

 

Ficará evidente que Kardec, muitas vezes, levava textos da Revista Espírita para compor algum tema nas demais obras que publicou. Aqui, por exemplo, teremos o artigo sobre a Pluralidade das Existências, publicado na Revista Espírita, mês de novembro de 1858, compondo o item 222 de O Livro dos Espíritos.

 

Recorremos ao “melhor metro que mediu Kardec”, o jornalista Herculano Pires, um dos mais destacados discípulos de Kardec, que, em Na Hora do Testemunho, nos orienta:

 

[…] Precisamos de estudar Kardec intensamente, de assimilar os ensinos das obras básicas, de mergulhar nas páginas de ouro da ‘Revista Espírita’, não apenas lendo-a, mas meditando-as, aprofundando-as, redescobrindo nelas todo o tesouro de experiências, exemplos, ensinos e moralidade que Kardec nos deixou. […]. (4) (grifo nosso)

 

Considerando que tudo que mencionaremos será apenas transcrições de comentários de Kardec constantes das obras publicadas por ele, manteremos a fonte, o espaçamento normal e sem qualquer Espiritismo, afastamento da margem esquerda. Informamos que só serão colocados pontos de vista do Codificador.

 

Dito isso, vamos às transcrições…

 

(4) XAVIER e PIRES, Na Hora do Testemunho, p. 19.
 

Ver no site as Revistas Espíritas publicados por Allan Kardec

 

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Palestras Espíritas com Paulo Neto)

 

Fontes: Portal Paulo Neto (O Grande Articulista Espírita)

 

 

A pluralidade das existências é uma chave que abre novos horizontes; que dá uma razão de ser a inúmeras coisas incompreendidas; que explica o não explicado. Ela concilia todos os acontecimentos da vida com a justiça e a bondade de Deus. Por isso os que haviam chegado a duvidar dessa justiça e a dessa bondade, agora reconhecem o dedo da Providência onde o tinham ignorado.

 

Sem a reencarnação, com efeito, a que atribuir as ideias inatas? Como justificar a idiotia, o cretinismo, a selvageria, ao lado do gênio e da civilização? A profunda miséria de uns ao lado da felicidade de outros? As mortes prematuras e tantas outras coisas?

 

Allan Kardec: Revista Espírita, abril de 1862 - Conseqüências da doutrina da reencarnação sobre a propagação do Espiritismo

 

"Em todas as coisas, as ideias novas devem encaixar-se nas ideias adquiridas. Se estas não estão suficientemente elaboradas e consolidadas no cérebro; se o espírito não as assimilou, aquelas que aí quisermos implantar não criarão raízes. Estaremos semeando no vazio."

 

Allan Kardec: Revista Espírita, agosto de 1865 - O que ensina o Espiritismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Neto - Kardec, a lógica da reencarnação