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ARISTOTELINO ALVES PRAEIRO

O GRANDE PROPAGADOR E PIONEIRO

DA DOUTRINA ESPÍRITA NO BRASIL

(1903 - 1993)

 

BIOGRAFIA ESPÍRITA GRÁTIS

 

Apresentação de Aristotelino Praeiro por Jorge Hessen:

Aristotelino Praeiro nos remeteu ao pensador Bertold Brechet: “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”

Praeiro foi indispensável no seu tempo e inolvidável na lembrança perene do mato-grossense! Era fisicamente de baixa estatura, porém um gigante no Espírito. Ser verbo era cadenciado de citações moralmente ricas. Era criterioso e pacato a um só tempo, um orador sem pompas e servia de padrão pela conduta inatacável.

O magnífico espírita, nomeado como “Um Peregrino do pantanal”, viveu no corpo físico e hoje vive no além envolto na luminosa esfera dos Espíritos bons.

 Entrevista com o biografo de Aristotelino Praeiro:

O site Autores Espíritas Clássicos, visando adentrar um pouco na história desse grande espírita, entrevistou Jorge Hessen, seu biógrafo e à época, secretário da Presidência da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso.

Autores Espíritas Clássicos: Conte-nos do início da vida de Aristotelino Praeiro.

Jorge Hessen: Praeiro nasceu no dia 1º. de maio de 1903, na Avenida XV de novembro, no bairro do Porto, Cuiabá . Aos 09 anos de idade tornou-se órfão e teve infância difícil já que os tutores Américo e Jaquecina eram muito severos. Agradecia, no entanto, essa criação dura que teria contribuído para a formação do seu caráter. Em fevereiro de 1917 abdicou do lar dos tios e se abrigou na Fazenda Machado, no Distrito da Guia, de propriedade do General Afonso Pinto de Oliveira. Depois, após algumas peregrinações até por Poconé, tornou-se lavrador para depois retornar a Cuiabá para prosseguir os estudos.

Autores Espíritas Clássicos: Como surgiu a sua vida militar?

Jorge Hessen: Em 1º. de novembro de 1922, Praeiro incorporou-se ao Exército brasileiro, servindo no velho 16º. Batalhão de Caçadores. Como militar teve que participar como legalista para debelar várias insurreições. Fez o curso de cabo e, no retorno a Cuiabá, em julho de 1926 reiniciou os estudos com os professores Cesário Neto e Ezequiel de Siqueira. Em seguida foi aprovado no exame de admissão para a Escola de Sargentos da Infantaria e seguiu para o Rio de Janeiro de onde, após o curso, foi mandado servir no Batalhão de Caçadores de Petrópolis.

Autores Espíritas Clássicos: Conte-nos como foi sendo construída a sua família consanguínea.

Jorge Hessen: Nos idos de 1929, já em Cuiabá, Praeiro ficou noivo de Adelina de Matos e graças a ela Praeiro adentros os pórticos da Doutrina Espirita. Além disso, numa sessão mediúnica familiar, presidida por Montezuma, foi solicitada conversação com os seus pais (desencarnados) e estes o exortaram a avançar nos estudos doutrinários. Em 1932, fez o curso de Educação Física no Quartel de Educação Física do Exército , localizado na Urca, Rio de Janeiro. Destacamos que antes mesmo de estar com sua formação religiosa definida Praeiro sempre prestou serviço de enfermagem, cuidando dos doentes com desvelo e piedade.

Autores Espíritas Clássicos: Sabe de algum acontecimento que tenha levado o Praeiro a ficar magoado ou desgostoso?

Jorge Hessen: Praeiro nunca teve mágoa, raiva ou tristeza pois ele era inteiramente uma pessoa resignada. Mas podemos assegurar que ele ficou amofinado, depois de ter servido por mais de 36 anos ao Exército , ser promovido a 2º. Tenente. Pelos cursos que fez, pelas participações contra os embates revolucionários , pela folha de trabalho militar sem uma única advertência, talvez pudesse ser transferido para a reserva no posto de capitão com as vantagens de major, mas isso não ocorreu e ele ficou triste.

Autores Espíritas Clássicos: Na vida civil reconheceram o exímio cidadão?

Jorge Hessen: Sim! Praeiro atendia os necessitados. Após a vida militar desenvolveu intenso serviço social e espiritual com vista ao socorro aos deserdados. Exerceu o cargo de Diretor do Departamento de Promoção Social da Prefeitura de Cuiabá, ele iniciou um esplêndido trabalho nos bairros pobres. Praeiro desencarnou em 18 de maio de 1993, porém seu nome está imortalizado numa das áreas doadas por Avelino Tavares, seu amigo de longa data, onde construiu um bairro para albergar os necessitados da época. Embora não tenha sido reconhecido nas fileiras militares, e estóico tenente foi condecorado pelos conterrâneos civis com o seu nome registrado num dos mais populosos bairros de Cuiabá de hoje – o BAIRRO PRAEIRO.

Autores Espíritas Clássicos: O Praeiro casou-se em segundas núpcias?

Jorge Hessen: Depois de cinco anos de viuvez, Praeiro resolveu casar com a cunhada Flavina de Matos com a qual teve nove filhos: Adelino Messias, Maria Auxiliadora, José Arnaldo, Alcione, Zaída Isabel, Esmeralda, Anice, Vilma e Aristotelino Filho. Todos eles unidos pelo amor. Atualmente são 25 netos, 34 bisnetos e 04 tetranetos.

Autores Espíritas Clássicos: Conte-nos da trajetória do Praeiro na Doutrina Espírita.

Jorge Hessen: No ano de 1929 Praeiro foi convidado por sua noiva Adelina de Matos, para assistir a uma sessão mediúnica na casa de D. Mariquinha (Maria Joana). O convite foi aceito menos pelo interesse pela sessão que pelo prazer de acompanhar a noiva. No transcurso da reunião, após a leitura do Evangelho, feita pelo Montezuma, manifestou-se de forma espontânea, por via psicofônica, uma entidade com características de acentuada elevação moral, transmitindo uma mensagem tocante e profunda, infundindo na intimidade do Praeiro certo devaneio para futuras concepções a respeito daquilo tudo. O Espírito abordava assuntos da mais alta transcendência, principalmente para pessoas leigas na matéria. Falou também sobre as futuras guerras e acontecimentos que ocorreram posteriormente.

A surpresa geral foi quando a entidade se identificou como Duque de Caxias.

A partir daí Praeiro passou a estudar o Espiritismo e a acatar o convite de Jesus para a sua tarefa na terra. Por onde quer que andasse, nas mais diferentes cidades onde viveu por força da condição militar, Aristotelino Alves Praeiro divulgou a Doutrina Espírita e promoveu conversões. Mas é certo que foi em Cuiabá, sua terra natal, a cidade onde sua majestosa obra mais se fez presente e produziu frutos imperecíveis.

Divaldo Pereira Franco ao ser agraciado com a cidadania mato-grossense, em plenário, durante sua palestra, pronunciou dirigindo-se a ele: “ Praeiro foi aquele desbravador , altruísta, que padeceu o ridículo, a chacota, a chalaça, a zombaria, mas não esfriou no ideal. Colocou em sua luta constante o marco de uma nova era em nome do Cristo, que está acima de todas as religiões, porque é o amor não amado e não pode conter em lugar nenhum, porque Ele é o continente e não o conteúdo. Desejo repartir essas honrarias com a personalidade singular do nosso querido Aristotelino Praeiro, este homem bom, doce e suave, cuja presença é um atestado de Cristianismo entre nós”.

Autores Espíritas Clássicos: Conte-nos como foi a criação da Federação Espírita de Mato Grosso?

Jorge Hessen: Mato Grosso era o único estado brasileiro que não dispunha de sua federação espírita e esta fundação deu-se na cidade de Campo Grande, no dia 15 de dezembro de 1955. A primeira diretoria ficou assim constituída: Presidente: Aristotelino Alves Praeiro, Vice-Presidente: Manoel Miraglia, Secretário Geral: Edu Xavier, 1º. Secretário: Gracildes Melo Dantas, 2º. Secretário: Nelson Miranda Santiago, 1º. Tesoureiro: Joaquim Justino de Souza, 2º. Tesoureiro: Clodoaldo Lima. Vale ressaltar que Praeiro exerceu a Presidência da Federação Espírita de Mato Grosso até a sua desencarnação em 18 de maio de 1993.

No discurso de posse da federação, ao finalizar o pronunciamento disse: “Em nome de Deus, em nome de Jesus, em nome daquele que me guia os passos na vida terrena, assumo a presidência da Federação Espírita de Mato Grosso e espero a cooperação dos meus confrades, em todos os setores de atividades evangélicas. Sirva para nós o lema do inesquecível mestre Allan Kardec: “Trabalho, Solidariedade, Tolerância.” Meus caríssimos, assumindo este compromisso lembremo-nos das palavras de Jesus: “aquele que quiser seguir após mim, tome a sua cruz, renuncie a si mesmo e siga-me”.

Autores Espíritas Clássicos: O Praeiro sofreu alguma perseguição por ter sido militante e líder espírita?

Jorge Hessen: Ele mesmo nos deu resposta a essa pergunta que fiz na década de 1990: ”Felizmente nunca me senti ferido ou magoado com o menosprezo das pessoas que, por desconhecerem o Espiritismo, nos colocassem à margem como pessoa anormal e nociva à sociedade. Devido ao preconceito religioso nas cidades antigas, onde predominava o catolicismo, nas décadas passadas, sempre sentia o afastamento das pessoas com relação à minha família, mas sempre, por outro lado, as flores recebidas eram mais abundantes” “(...) não me considero pioneiro, mas um simples voluntário que se incorporou ao Exército de Jesus, com o desejo de auxiliar os semelhantes. Encontrei a água cristalina do amor e matei a minha sede; a partir daí alimentei o desejo de que todos bebessem e fossem todos felizes”.

Autores Espíritas Clássicos: Nas suas palavras finais como definiria o Praeiro?

Jorge Hessen: Ele era uma pessoa paciente, tranquila, reservada, jamais o ouvimos falar alto, embravecido, porém, era enérgico. Acho que a única vez que a tristeza se apossou dele como disse acima, foi no final da carreira militar. Mas ele logo se recompôs, pois era um soldado de Jesus e conseguiu vencer a si mesmo no bom combate.

Sei que o livro que escrevi sobre ele não retrata exatamente o que ele foi para a História do Espiritismo no Brasil , quem sabe um dia alguém possa produzir um filme para retratá-lo com maior abastança de detalhes. Em que pese todas as comendas, honrarias e homenagens recebidas ele jamais se afastou dos pobres. Também exerceu na vida civil inúmeros cargos públicos, em todos eles dando o toque do seu modo de agir e conduzir pessoas e administração. Declarado irmão emérito pela Maçonaria, soldado que honrou a farda do Exército e administrador público de nomeada, Praeiro fez a conjugação perfeita entre o verbo amar e o socorro aos carentes. A postura fraterna que dedicava às pessoas, principalmente mais humildes, fez dele, de fato e de direito, o “peregrino da terra do pantanal”. Não é sem alegria que o homenageamos como não é por acaso que Cuiabá, tanto amada por ele, ostenta o seu nome em um de seus bairros.

"De minha parte quero agradecer-te porque sei que depois desta experiência, na outra encarnação, minhas pernas serão normais, minhas mãos trabalharão, meus ouvidos escutarão, minhas palavras serão os moldes dos meus raciocínios, e a Tua Justiça continuará sendo o cajado seguro das minhas conquistas eternas."

Jorge Hessen (O Combativo Escritor Espírita)

Fontes: Federação Espírita do Estado de Mato Grosso

Fontes: Câmara Municipal de Cuiabá

Fontes: A Luz na Mente - Revista on line de Artigos Espíritas

 

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.
Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!
A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante.
Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará.
A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.
Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.
Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.
Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.

1 Coríntios 13:1-13

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.
Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!
A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante.
Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará.
A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.
Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.
Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.
Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.

1 Coríntios 13:1-13

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - Comemoração do centenário de nascimento Aristotelino Alves Praeiro (Diário de Cuiabá - Edição nº 10606 - 04/05/2003)

 

Anuário Histórico Espírita da USE-SP (Artigo Publicado por Jorge Hessen)

 

Biografia de Aristotelino Alves Praeiro

 

Jorge Hessen - Praeiro, Peregrino da terra do pantanal (Biografia Espírita)

 

Jorge Hessen - Praeiro, Peregrino da terra do pantanal (Biografia Espírita Dividida Por Capítulos)