CAMILLE FLAMMARION

 O DESCONHECIDO E OS PROBLEMAS PSÍQUICOS

(Manifestações de moribundos. Aparições. Telepatia. Comunicações psíquicas. Sugestão mental. Vista a distância. O mundo dos sonhos. A predição do futuro)

 

Camille Flammarion - L Inconnu et les problèmes psychiques

Éditeur: E. Flammarion

Paris (1917)

Sinopse da obra:

Camille Flammarion foi um renomado astrônomo francês que durante décadas reuniu e classificou mais de 4.000 narrações sobre os fenômenos considerados sobrenaturais.

A presente obra é um repositório de inúmeros fatos surpreendentes, analisados cientificamente pelo autor com o objetivo de demonstrar a existência da alma como elemento real e independente do corpo físico, e que sobrevive à destruição deste último.

São expostos, conforme as palavras do autor, na conclusão da obra, “442 fenômenos de ordem psíquica que indicam a existência de forças ainda desconhecidas agindo entre os seres pensantes e pondo-os em comunicação latente uns com os outros”

Flammarion narra e comenta casos de diversas categorias de fenômenos psíquicos, entre eles: as manifestações telepáticas de moribundos, aparições, comunicações psíquicas, sugestão mental, vista a distância, sonhos e predições do futuro.

Por fim, convida-nos ao estudo e ao trabalho na busca do conhecimento desse mundo invisível e das forças ainda desconhecidas que nele operam.

Introdução da obra:

As constantes e universais aspirações da humanidade pensante, a lembrança e o respeito dos mortos, a idéia inata de uma justiça imanente, o sentimento de nossa consciência e de nossas faculdades intelectuais, a miserável incoerência dos destinos terrestres, comparada à ordem matemática que rege o Universo, a imensa vertigem do infinito e da eternidade que nos vem das alturas da noite constelada e, no fundo de todas as nossas concepções, a identidade permanente do nosso eu, apesar das variações e das transformações perpétuas da substância cerebral – tudo concorre para nos dar a convicção da existência de nossa alma como entidade individual, da sua sobrevivência à destruição do nosso organismo corporal e da sua imortalidade.

A demonstração científica, entretanto, não está ainda feita, e os fisiologistas ensinam, ao contrário, que o pensamento é uma função do cérebro, que sem este não há pensamento e que tudo em nós se extingue com a morte do corpo. Há flagrante contradição entre as superiores aspirações da humanidade e as conclusões da chamada ciência positiva.

Por outro lado, não se pode saber, nem se pode afirmar, senão aquilo que se conseguiu aprender, e ninguém saberá jamais senão o que lhe for dado aprender. Somente a ciência progride na história atual da humanidade. Ainda que bem raramente se lhe faça a justiça e se lhe testemunhe o reconhecimento a que faz jus, a verdade é que a Ciência transformou o mundo. Estão firmados sobre ela, na época presente, os alicerces da nossa vida intelectual e mesmo da nossa vida material. Somente a ciência nos pode esclarecer e conduzir.

Esta obra é um ensaio de análise científica de fatos considerados, geralmente, como estranhos à ciência e até mesmo como incertos, fabulosos e mais ou menos imaginários.

Mostrarei que tais fatos existem.

Tentarei aplicar os métodos das ciências de observação à constatação e à análise de fenômenos relegados até agora, em regra, ao domínio dos contos, do maravilhoso ou do sobrenatural e procurarei demonstrar que eles são produzidos por forças ainda desconhecidas e pertencentes a um mundo invisível, natural, diferente do que é abrangido pelos nossos sentidos.

É racional esse tentame? É lógico? Poderá conduzir-nos a resultados apreciáveis? Ignoro-o. Contudo, não há negar que seja ele interessante.

E se puder indicar-nos o caminho a seguir para chegarmos ao conhecimento da natureza da alma humana e à demonstração científica da sua sobrevivência, conduzirá certamente a humanidade a um progresso superior a todos os que lhe têm sido trazidos, até aqui, pela evolução gradual de todas as outras ciências reunidas.

A razão humana não pode admitir como certo senão o que se acha demonstrado. Mas, por outro lado, não temos o direito de negar coisa alguma a priori, pois que o testemunho dos nossos sentidos é incompleto.

É nosso dever encetarmos o estudo de qualquer questão, sem nenhuma idéia preconcebida, e nos dispormos a admitir o que ficar provado, negando-nos, pelo contrário, a admitir o que não tiver essa comprovação necessária.

Geralmente, em todas as questões que se referem à telepatia, às aparições, à vista a distância, à sugestão mental, aos sonhos premonitórios, ao magnetismo, às manifestações psíquicas, ao hipnotismo, ao Espiritismo e a certas crenças religiosas, o que surpreende é o descaso que se tem feito do senso crítico no exame dos assuntos em discussão, em contraste com a profusão incoerente de tolices que se tem acolhido como verdades.

É aplicável, porém, o método de observação científica a todas essas pesquisas? Eis o que nos cumpre desde logo apreciar, através mesmo dessas pesquisas.

Em princípio, não devemos dar crédito a coisa alguma sem provas. Dois métodos apenas existem, nesse terreno: o da antiga escolástica, que afirmava certas verdades a priori, às quais deviam os fatos adaptar-se, e o da ciência moderna, proposto por Bacon, que parte da observação dos fatos e somente estabelece a teoria mediante a sua constatação.

Escusado seria acrescentar que o segundo desses métodos é o aplicado nestes estudos.

O programa da presente obra é essencialmente científico. Deixarei de lado, por princípio, as coisas que não me parecem estar confirmadas, seja pela observação, seja pela experiência.

Muitos há que objetam: “Que adianta pesquisar? Nada pode-reis encontrar nesse domínio, pois aí se acham segredos cujo conhecimento Deus a si próprio reserva.” Sempre existiram pessoas que preferem a ignorância ao saber. Com esta maneira de raciocinar e de agir, jamais se chegaria a saber coisa alguma, e mais de uma vez foi ela aplicada também às pesquisas astronômicas. É o modo de raciocinar dos que têm o hábito de não pensar por si mesmos e que entregam a pretensos mentores o cuidado de conservar em paz suas consciências, confiadas sempre à direção de outrem.

Fingem outros objetar que esses capítulos das ciências ocultas fazem recuar o nosso saber para a Idade Média, em lugar de o impelir para o futuro luminoso, preparado pelo progresso moderno.

Ora, o estudo raciocinado desses fatos tem tanto poder para levar-nos aos tempos dos sortilégios, como o estudo dos fenômenos astronômicos e de conduzir-nos ao tempo da Astrologia.

Ao começar esta obra, os meus olhos acabam de passar sobre o prefácio do livro do Conde Agenor de Gasparin sobre As mesas girantes e de ler nele o que se segue:

“Há uma expressão, pesada e agressiva, que importa ser esclarecida: “o objetivo de meu trabalho não é sério”. Em outros termos, não queremos saber se tendes ou não tendes razão; basta-nos saber que a verdade, cuja defesa pretendeis tomar, não se acha em o número das verdades catalogadas e autorizadas, dessas de que a gente pode tratar sem comprometer-se, verdades confessáveis, verdades sérias. Existem verdades ridículas; tanto pior para elas! Sua oportunidade chegará talvez e então as pessoas que se respeitam dignar-se-ão tomá-las sob a sua proteção; mas, esperando essa oportunidade, por todo o tempo em que existam pessoas que pisquem os olhos ao ouvir falar de tais verdades ou que a respeito delas haja murmúrios de zombaria nos salões, será de mau gosto afrontar o clamor da opinião assentada. Não nos faleis da verdade! Trata-se de guardar as conveniências, de ter compostura, de não se afastar da trilha por onde marcham enfileirados os homens sérios.”

Estas palavras, escritas há quase meio século, são sempre verdadeiras. A nossa pobre espécie humana, tão ignorante de tudo, para a qual as horas se passam, em geral, tão estupidamente, compreende em suas fileiras indivíduos que têm por si mesmos uma admiração muito séria, e se consideram, por isso, capazes de julgar os homens e as coisas. Só há um partido a tomar quando se estuda uma questão qualquer: não se preocupar com esses indivíduos, nem com as suas opiniões públicas ou particulares e ir direito, à frente deles, na pesquisa da verdade. Três quartas partes da humanidade são constituídas de seres ainda incapazes de compreender essa pesquisa e que vivem sem pensar por si mesmos. Deixemo-los com os seus julgamentos superficiais e desprovidos de valor real.

Há muito tempo que me ocupo destas questões, nas horas de lazer, que me restam dos meus trabalhos astronômicos. Meu antigo diploma de “associado livre da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, assinado por Allan Kardec, acaba de passar sob os meus olhos: é datado de 15 de novembro de 1861 (eu tinha então 19 anos e já estava há três anos como aluno-astrônomo no Observatório de Paris). Há mais de um terço de século tenho estado ao corrente da maior parte dos fenômenos observados no conjunto do nosso globo terrestre e tenho examinado a maior parte dos médiuns. Sempre me pareceu que esses fenômenos mereciam estudados com um critério de livre exame e acreditei, em várias circunstâncias, que devia insistir neste ponto. É, sem dúvida alguma, por causa desta longa experiência pessoal, que tão insistentemente se me tem reclamado a redação desta obra.

Do mesmo modo a prática habitual dos métodos experimentais e das ciências de observação assegura um controle mais digno de confiança do que as vagas aproximações com que nos satisfazemos habitualmente na vida ordinária.

Eu, porém, continuava hesitante. Terá, realmente, chegado o tempo de ser esse estudo iniciado? Estaremos suficientemente preparados para isso? Terá chegado o fruto à maturidade?

Pode-se, entretanto, começar (e assim se procede razoavelmente). Os séculos se encarregarão de desenvolver o gérmen lançado à terra.

É este, pois, um livro de estudos, concebido e executado com o exclusivo propósito de conhecer a realidade, sem preocupação das idéias geralmente admitidas até este momento, com a mais completa independência de espírito e o mais absoluto desinteresse para a opinião pública.

Necessário é, por outro lado, confessar que se este trabalho é interessante e por si mesmo pode ele apaixonar, do ponto de vista da pesquisa de verdades ainda não conhecidas, bastante ingrato é ele sob o ponto de vista da opinião pública.

Todo mundo, ou, pelo menos, quase todo mundo, desaprova os que lhe consagram algum tempo.

Pensam os homens de ciência que não constitui ele um assunto científico e que é sempre lamentável perder uma pessoa o seu tempo. Os que, pelo contrário, crêem cegamente nas comunicações espíritas, nos sonhos, nos pressentimentos, nas aparições, acham que é inútil introduzir nesses estudos um espírito crítico de análise e de exame.

Não podemos, de modo algum, desconhecer que o assunto permanece impreciso e obscuro e que teremos muita dificuldade em esclarecê-lo convenientemente.

Não servisse, porém, este trabalho senão para levar uma pequena pedra ao edifício dos conhecimentos humanos, e eu já me considerava feliz em havê-lo empreendido.

O mais difícil para o homem é, quer me parecer, conservar-se absolutamente independente e livre de toda ambição pessoal; dizer o que pensa, o que sabe, sem receio algum da opinião que possam fazer a seu respeito, permanecendo alheio a tudo isso. Pôr em prática a divisa de Jean Jacques é acarretar inimigos sem conta. A humanidade é, antes de tudo, uma raça egoísta, grosseira, bárbara, ignorante, covarde e hipócrita. Os seres que vivem pelo espírito e pelo coração constituem exceção.

O mais curioso, talvez, é que a livre pesquisa da verdade desagrada a todo mundo, isso porque cada cérebro tem seus pequenos prejuízos, de que não se quer desapegar.

Se eu disser, por exemplo, que a imortalidade da alma, já ensinada pela Filosofia, será brevemente demonstrada experimentalmente pelas ciências psíquicas, mais de um céptico rirá da minha afirmativa.

Se, pelo contrário, eu afirmar que o espírita que evoca Sócrates ou Newton, Arquimedes ou Santo Agostinho, por meio da sua mesa, e que supõe conversar com eles, é vítima de uma ilusão, eis que todo um partido lançará mão de enormes pedras para lapidar-me.

Mas, ainda uma vez, não nos preocupemos com essas diversas opiniões.

É comum perguntar-se-nos: “A que podem conduzir esses estudos sobre os problemas psíquicos?”

E à pergunta responderemos: – A mostrar que a alma existe e que não são quimeras as esperanças de imortalidade.

O materialismo é uma hipótese que não pode mais ser sustentada, desde que melhor conhecemos a matéria. Esta não oferece mais o sólido ponto de apoio que se lhe atribui. Os corpos são constituídos de milhares de átomos invisíveis, móveis, que não se tocam e se acham em perpétuo movimento uns ao redor dos outros; esses átomos, infinitamente pequenos, são presentemente considerados em si mesmos como centros de força. Onde está a matéria? Ela desaparece sob o influxo do dinamismo.

Uma lei intelectual rege o Universo, no organismo do qual o nosso planeta não é mais do que humilde órgão: é a lei do progresso. Mostrei em minha obra O Mundo Antes da Criação do Homem que o transformismo de Lamarck e de Darwin é apenas uma constatação de fatos e não uma causa (o produto não pode ser jamais superior à sua fonte produtora), e em minha obra O Fim do Mundo, que nada pode acabar, pois que, desde toda a eternidade, tudo o que existiu existe ainda.

O estudo do Universo faz-nos entrever a existência de um plano e de um fim, que não têm por objeto especial o habitante do nosso planeta e que são, aliás, indevassáveis pela nossa pequenez.

A lei do progresso, que rege a vida, a organização física dessa mesma vida, a atração dos sexos, a inconsciente previdência das plantas, dos insetos, das aves, etc., para se assegurarem a sua progenitura; o exame dos principais fatos da História Natural estabeleceu, como escreveu Oersted, que há um princípio espiritual na Natureza.

Os atos da vida habitual não nos mostram o pensamento senão no cérebro do homem e dos animais. Dessa observação concluíram os fisiologistas que o pensamento é uma propriedade, um produto do cérebro. Afirma-se, dizemos nós, que não há pensamento sem cérebro.

Ora, nada nos autoriza a admitir que a esfera de nossas observações seja universal, que ela compreenda todas as possibilidades da Natureza, em todos os mundos.

Ninguém tem o direito de afirmar que sem cérebro não possa existir pensamento.

Se um ou outro dos milhões de micróbios que habitam nosso corpo procurasse generalizar suas impressões, poderia conjeturar, navegando no sangue de nossas artérias ou de nossas veias, devorando nossos músculos, furando-nos os ossos, viajando pelos diversos órgãos do nosso corpo, desde a cabeça até os pés, que este corpo, como o seu, é regido por uma unidade orgânica?

Estamos precisamente no mesmo caso relativamente ao Universo astral.

O Sol, coração gigantesco do seu sistema, fonte de vida, resplandece no centro das órbitas planetárias, gravitando, por sua vez, em um organismo sideral mais vasto ainda. Não temos o direito de negar que uma idéia possa residir no espaço e dirigir seus movimentos como nós dirigimos os movimentos de nossos braços ou de nossas pernas.

A potência instintiva que rege os seres vivos, as forças que entretêm as pulsações de nossos corações, a circulação de nosso sangue, a respiração de nossos pulmões, o funcionamento de nossos órgãos, têm uma existência tão positiva, como outras, no universo material, que regem condições de existência incomparavelmente mais importantes do que as de um ser humano, pois que, por exemplo, se o Sol se extinguisse ou se o movimento da Terra fosse deslocado, não seria apenas um ente humano que viria a morrer, mas a população inteira do globo, sem falar dos outros planetas.

Existe no cosmos um elemento dinâmico, invisível e imponderável, espalhado através do Universo, independente da matéria visível e ponderável e que age sobre ela. E nesse elemento dinâmico há uma inteligência superior à nossa.

Sim, sem dúvida alguma, nós pensamos pelo cérebro, do mesmo modo que vemos pelos olhos e ouvimos pelo sentido do ouvido; mas não é o nosso cérebro que pensa, da mesma forma que não são os nossos olhos que vêem. Que se diria de alguém que felicitasse uma luneta por ver nitidamente os canais de Marte? O olho é um órgão, como igualmente o é o cérebro.

Os problemas psíquicos não são, como parece por vezes, tão estranhos assim aos problemas astronômicos. Se a alma é imortal, se o céu é a sua futura pátria, o conhecimento da alma não pode permanecer estranho ao conhecimento do céu. O espaço infinito não é o domínio da eternidade? Que há, portanto, de estranhável em que astrônomos tenham sido pensadores, pesquisadores, ansiosos de se esclarecerem sobre a natureza real do homem, como a da Criação? Não exprobremos a Schiaparelli, diretor do Observatório de Milão, observador assíduo do planeta Marte; ao professor Zöllner, do Observatório de Leipzig, autor de pesquisas importantes sobre os planetas; a Crookes, que foi astrônomo antes de ser químico; ao astrônomo-físico Huggins e a tantos outros sábios como o professor Richet, Wallace, Lombroso, etc., o terem procurado saber o que há de verdade em tais manifestações. A verdade é uma só e tudo se contém na Natureza.

Eu ousaria mesmo acrescentar que não haveria grande interesse para nós em estudarmos o universo sideral, se estivéssemos certos de que ele nos é e nos ficará eternamente estranho, se jamais pudéssemos em coisa alguma conhecê-lo pessoalmente. A imortalidade através das esferas siderais parece-me ser o complemento lógico da Astronomia.

Em que nos pode o céu interessar, se não vivemos mais do que um dia sobre a Terra?

As ciências psíquicas acham-se muito retardadas relativamente às ciências físicas.

A astronomia teve seu Newton, a Biologia tem apenas o seu Copérnico, a Psicologia ainda dispõe somente dos seus Hipparchos e dos seus Ptolomeus. Tudo o que podemos fazer atualmente é recolher observações, coordená-las e ajudar o desenvolvimento da nova ciência.

Pressente-se e pode-se prever que a religião do futuro será científica, será fundada no conhecimento dos fatos psíquicos. Esta religião da ciência terá sobre todas as outras anteriores uma vantagem considerável: a unidade. Hoje, um judeu ou um protestante não admite o culto da virgem e dos santos, um muçulmano abomina “o cão do cristão”, um budista repudia os dogmas do ocidente. Nenhuma dessas divisões poderia existir em uma religião fundada sobre a solução científica geral dos problemas psíquicos.

Estamos, porém, longe de chegar às questões de teorias ou de dogmas. O que importa, antes de tudo, é saber se em verdade os fenômenos de que se trata existem e de se evitar a perda de tempo e o ridículo de procurar a causa do que não existe! Constatemos desde logo os fatos. As teorias virão mais tarde. Esta obra será sobretudo composta de observações, de exemplos, de constatações, de testemunhos. O mínimo de frases possível.

Trata-se de acumular provas de tal sorte que a certeza resulte do seu acúmulo.

Ensaiaremos uma classificação metódica dos fenômenos, reunindo em grupos aqueles que entre si oferecem maior analogia e procurando em seguida explicá-los.
Este livro não é um romance, mas um repositório de documentos, uma tese de estudo científico. Desejei, na sua confecção, seguir a máxima do astrônomo Laplace: “Estamos tão longe de conhecer todos os agentes da Natureza – escrevia ele, precisamente a propósito do magnetismo humano –, que não seria próprio de um filósofo negar os fenômenos unicamente porque são eles inexplicáveis no estado atual de nossos conhecimentos. O que nos cumpre, apenas, é examiná-los com uma atenção escrupulosa e determinar até que ponto é preciso multiplicar as observações ou as experiências, a fim de obter uma probabilidade superior às razões que se pode invocar, por outro lado, para não admiti-las.”

Está conhecido o nosso programa: Aqueles que estiverem dispostos a seguir-nos verão que, se este trabalho tem um mérito, é o da sinceridade. Desejamos saber se se pode chegar à afirmativa de que os fenômenos misteriosos de que a humanidade parece ter sido testemunha, desde a mais remota antigüidade, existem realmente. Não temos outro objetivo senão a pesquisa da verdade.

Camille Flammarion

Paris, março de 1900

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Sonambulismo - Faculdade intrigante e pouco debatida)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Espírito e matéria ante a lei de evolução)
 

"Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo"

 (Epístola aos 1 Coríntios 12:4)

 

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