CAMILLE FLAMMARION

DEUS NA NATUREZA

 

Camille Flammarion - Dieu Dans La Nature

Didier et Compagnie, Ledoyen

Paris (1867)

Sinopse da obra:

Esta é uma das mais significativas obras clássicas do Espiritismo e, sem dúvida, a obra-prima de Camille Flammarion.

O autor apóia-se em princípios da natureza para demonstrar a existência de Deus. Entre os assuntos magnos, tratados com alta visão, contam-se: ateísmo, força e matéria, idéia inata e Deus, instinto e inteligência, leis do Universo e origem dos seres. São estudos que transmitem conhecimentos basilares aos espíritas.

Revelando profundo conhecimento científico, Flammarion utiliza, na presente obra, os próprios argumentos científicos dos materialistas (sobre Biologia, Fisiologia, Antropologia, Botânica, etc.), para demonstrar a existência do Ser Soberano, criador e sustentador do Universo.

Por esse motivo, a obra poderia, perfeitamente, ser também denominada “Deus na Ciência”.

Apresentação de Allan Kardec:

NOTÍCIA BIBLIOGRÁFICA

Deus na Natureza

Por Camille Flammarion

Como se sabe, depois de haver tratado, do ponto de vista da Ciência, a questão da habitabilidade dos mundos, que se liga intimamente ao Espiritismo, o Sr. Flammarion hoje aborda a demonstração de uma outra verdade, incontestavelmente a mais capital, porque é a pedra angular do edifício social, aquela sem a qual o Espiritismo não teria sua razão de ser: A existência de Deus. O título de sua obra — Deus na Natureza — resume toda a sua economia [organização]; logo de saída ele diz que não é um livro litúrgico, nem místico, mas filosófico.

Do cepticismo de um grande número de sábios, concluiu-se erradamente que, por si mesma, a Ciência era ateia, ou conduzia fatalmente ao ateísmo. É um erro que o Sr. Flammarion se empenha em refutar, demonstrando que se os cientistas não viram Deus em suas pesquisas, foi porque não o quiseram ver. Aliás, estão longe de ser ateus todos os sábios, embora muitas vezes se confunda o cepticismo relativo aos dogmas particulares de tal ou qual culto com o ateísmo. O Sr. Flammarion se dirige especialmente à classe dos filósofos, que abertamente fazem profissão de materialismo.

Diz ele: “O homem traz em sua natureza uma necessidade tão imperiosa de se deter numa convicção, particularmente do ponto de vista da existência de um ordenador do mundo e do destino dos seres, que se nenhuma fé o satisfaz, ele sente necessidade de demonstrar a si mesmo que Deus não existe, buscando o repouso de sua alma no ateísmo e na doutrina do nada. Assim, a questão atual que nos apaixona não é mais saber qual a forma do Criador, o caráter da mediação, a influência da graça, nem discutir o valor dos argumentos teológicos: a verdadeira questão é saber se Deus existe ou não existe.”

Nesse trabalho o autor procedeu da mesma maneira que na sua Pluralidade dos mundos habitados, colocando-se no próprio terreno de seus adversários. Se tivesse haurido seus argumentos na teologia, no Espiritismo ou em doutrinas espiritualistas quaisquer, teria estabelecido premissas que seriam rejeitadas. É por isso que toma a dos negadores e demonstra, pelos próprios fatos, que se chega a uma conclusão diametralmente oposta; não invoca novos argumentos controvertíveis; não se perde nas nuvens da metafísica, do subjetivo e do objetivo, nas argúcias da dialética; fica no terreno do positivismo; combate os ateus com suas próprias armas. Tomando um a um os seus argumentos, ele os destrói com o auxílio da mesma ciência que invocam. Não se apóia na opinião dos homens; sua autoridade é a Natureza e aí mostra Deus em tudo e por toda parte.

“A natureza explicada pela Ciência, diz ele, no-lo mostrou num caráter particular. Ele está lá, visível, como a força íntima de todas as coisas. Nenhuma poesia humana nos pareceu comparável à verdade natural, e o verbo eterno nos falou com mais eloquência nas mais modestas obras da Natureza, do que o homem nos seus mais pomposos cantos.”

Dissemos os motivos que levaram o Sr. Flammarion a colocar-se fora do Espiritismo, e não podemos senão louvá-lo. Se algumas pessoas pensavam que foi por antagonismo pela doutrina, bastaria, para desenganá-los, citar a passagem seguinte:

“Poderíamos acrescentar, para fechar o capítulo da personalidade humana, algumas reflexões sobre certos assuntos de estudo ainda misteriosos, mas não insignificantes. O sonambulismo natural, o magnetismo, o Espiritismo oferecem aos experimentadores sérios, que os sabem examinar cientificamente, fatos característicos, que bastariam para demonstrar a insuficiência das teorias materialistas. Confessamos que é triste, para o observador consciencioso, ver o charlatanismo descarado insinuar sua avidez pérfida em causas que deveriam ser respeitadas; é triste constatar que noventa e nove fatos em cem podem ser falsos ou imitados; mas um único fato bem constatado lança por terra todas as negações. Ora, que partido tomam certas doutas personagens diante dos fatos? Simplesmente os negam.

“A Ciência não duvida — disse em particular o Sr. Buchner — que todos os casos de pretensa clarividência sejam efeitos de astúcia e de conluio. A lucidez é, por razões naturais, uma impossibilidade. Está nas leis da Natureza que os efeitos dos sentidos sejam reduzidos a certos limites do espaço, que não podem ser transpostos. Ninguém tem a faculdade de adivinhar os pensamentos, nem ver com os olhos fechados o que se passa à sua volta. Estas verdades são baseadas nas leis naturais, que são imutáveis e não comportam exceções.”

“Ora, senhor juiz, então conheceis perfeitamente as leis naturais? Homem feliz! Como sucumbis sob o excesso de vossa ciência! Mas, que? Volto duas páginas e eis o que leio:

“O sonambulismo é um fenômeno do qual infelizmente não temos senão observações muito inexatas, embora fosse desejável que dele tivéssemos noções precisas, dada a sua importância para a Ciência. Contudo, sem ter dele dados certos (escutai!), pode-se relegar entre as fábulas todos os fatos maravilhosos que se contam dos sonâmbulos. Não é dado a um sonâmbulo escalar paredes, etc. Ah! Senhor, como raciocinais com sabedoria! e como vos teria feito bem, antes de escrever, saber um pouco o que pensais!”

Uma apreciação analítica da obra exigiria desenvolvimentos que a falta de espaço nos interdiz e, aliás, seria supérfluo. Bastaria mostrar o ponto de vista em que se colocou o autor para se compreender a sua utilidade. Reconciliar a Ciência com as ideias espiritualistas, é aplainar as vias de sua aliança com o Espiritismo. O autor fala em nome da ciência pura, e não de uma ciência fantasista ou superficial, e o faz com a autoridade que lhe dá seu saber pessoal. Seu livro é um desses que tem lugar marcado nas bibliotecas espíritas, porque é uma monografia de uma das partes constituintes da doutrina, onde o crente encontra para se instruir tanto quanto o incrédulo. Teremos mais de uma vez ocasião de a ele voltar.

Allan Kardec - Revista Espírita de Setembro de 1867

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (DEUS - A razão perfeita)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Pesquisas sobre o universo confirmam o encanto cósmico)

"Apenas os sábios possuem idéias; a maior parte da humanidade é possuída por elas"

Samuel Coleridge "Poeta Romântico Inglês"

"A existência do Espírito na Natureza, nas leis do cosmos, no homem, nos animais, nas plantas é manifesta. Ela deve bastar para estabelecer a religião natural. E tal religião será incomparavelmente mais sólida que todas as formas dogmáticas. Os princípios da justiça se impõem com a mesma autoridade, e Confúcio, assim como Platão e Marco Aurélio, antecipam a base desta religião"

Camille Flammarion "O Poeta das Estrelas"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

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Camille Flammarion - Dieu dans la nature (Fr)