Gabriel Delanne - G. Bourniquel

Escutemos os Mortos

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Título Original em Francês

Gabriel Delanne e G. Bourniquel - Ecoutons les morts

Librairie Spirite

Paris (1923)
 

Tradutora do Francês para o Português

Fabiana Rangel

Comentários da tradutora:

Na obra “Escutemos os mortos”, os autores trazem diversas manifestações mediúnicas no intuito de apresentar aos intelectuais da época a seriedade e a veracidade das mesmas.

As manifestações consistiam basicamente na interação com entes desencarnados que narravam a sua experiência pós-morte. Todas eram controladas por assistentes e, em momento posterior, aferiam-se as informações trazidas pelos espíritos desencarnados, de modo que pudessem ser tratadas como evidências a serem consideradas por grupos de intelectuais céticos.

Fabiana Rangel 

Trechos da obra:

Revele-me, ó meu bom gênio,
a mim, que tu amas,
essas verdades que dominam a Morte,
impedem de temê-la
e a fazem quase amar.

                                         Renan

Quando, há dois mil anos, um sublime revolucionário sonhou tirar a Humanidade de sua condição miserável dando a ela uma direção, uma moral e um alvo, ele foi combatido pelos maus sacerdotes e mercadores aos quais contrariava; a nova religião colocou ao menos trezentos em formação e a conversão à unidade divina demandou por volta de mil anos.

Quando, em 1492, Cristóvão Colombo descobriu a América, a Europa inteira se recusou a acreditar nele, e foi apenas após uns trinta anos que se consentiu admitir a existência de um novo Continente.

Quando, em 1632, Galileu afirmou a rotação da Terra em torno do sol, reportado ao Tribunal da Inquisição que representava o Poder, defendia os direitos da Igreja e dominava a Justiça, ele teve de abjurar de joelhos sua pretensa heresia.

Quando, em 1857, Allan Kardec edificou as primeiras bases do espiritismo, ele levantou a curiosidade pública, e também a inveja, a ira, a calúnia. Ele foi submetido às injúrias de inimigos ferozes; infâmias foram publicadas contra ele.

Em Barcelona, suas obras foram apreendidas por ordem da autoridade eclesiástica e queimadas em praça pública pela mão do carrasco; em todos os países, a nova doutrina e seu fundador foram atacadas em púlpito a partir de ordens de bispos e sermões de padres. Ainda hoje, depois de 65 anos, essa rixa não está extinta.

Por esses exemplos, vemos forças de reação constantemente associadas para a manutenção de tradições e mitos, recusando acolhimento a toda inovação grandiosa ou fazendo obstáculos a sua propagação nas massas.

Acrescentemos a isso as preocupações de uma existência cada vez mais difícil, a indiferença da multidão e, sobretudo, as condições quase exclusivamente materiais da vida moderna; temos, então, a explicação sobre as dificuldades que se experimenta na fixação da atenção da humanidade quanto a seus destinos.

A satisfação dos prazeres grosseiros tornou-se uma necessidade para o homem; a ausência de sentimentos delicados se manifesta no teatro, nos espetáculos imorais que quanto mais falam exclusivamente a seus sentidos, mais atraem sua atenção.

A indigência de produções do cinema acabou por esgotar toda tentativa intelectual. Quanto à literatura, os excessos nos quais ela caiu obrigaram a riscar de seus quadros um comandante da Legião de Honra após a publicação de um livro pornográfico.

Não tendo a guerra nos levado ao renascimento do pensamento esperado por alguns entusiastas, chegamos a um período de decadência, a uma falência mental que parece não ter fim.

“É assim, diz Gonzague Truc, que depois de ter povoado o Universo de deuses pueris e dobrado os seres de essências misteriosas, os homens se inclinaram novamente diante do mistério inicial e declararam que nada podem descobrir sobre ele. Eles viram morrer os imortais; eles escutaram a agitação dos templos que caíram com Roma; eles sabem, animados por algumas ilusões, eles fizeram morrer um Crucificado.

Eles observam o mundo que se estende diante deles, impenetrável e mudo. E cheios do silêncio de novas agonias, eles escutam o batimento de seu sangue, enquanto a Morte os recolhe, um a um, para fazê-los dormir no Desconhecido” (Gonzague Truc – Revista da Semana, 27 de janeiro de 1922).

Essa passividade inconsciente que muito se parece com o fatalismo oriental tolo é obra do Materialismo. Julgando inútil submeter a um exame mais sério o problema do Ser e de seu destino, procura-se recentemente enterrá-lo na Sorbonne tomando a questão a partir de seu lado mais contestável, em condições tais que, se a experiência tivesse sido bem sucedida, seria fácil dar ali uma interpretação materialista. É a isso que se chama “esclarecer o povo”!

É hora de abordar o tema com sinceridade.

Não encontraremos um pequeno espaço para instalar uma verdadeira ciência da alma sem ritos, sem dogmas e sem padres, uma psicologia integral cujo fim será demonstrar, longe dos rascunhos e sistemáticas, a existência de uma força inteligente e invisível atestada por nossas experiências, contestadas pela maior parte dos sábios, entrevista apenas por poucos?

“Se existe em algum lugar, diz Dr. Berthelot, uma inteligência tão superior à inteligência humana tal como esta o é para a inteligência animal, é provável que se ela nos revelasse a verdade a um só tempo, nós não a compreenderíamos” (Daniel Berthelot. – “a Psique e a Metafísica das teorias” de Einstein).

Durante nossas investigações, essa inteligência se apresentou a nós, não transcendente como aquele a que se refere o Sr. Berthelot, não supra-humana, mas, ao contrário, muito terra-a-terra, impressa de nossa mentalidade, de nossas paixões, de nossas preocupações mesquinhas, e é isso que nos permite compreendê-la.

Ela nos deu a certeza de uma vida que continua na eternidade sem o recurso do corpo físico; ela nos mostrou que havia, exterior à humanidade terrestre, uma atividade mental que a envolve por todos os lados, que sofre suas dores, a inspira com seus conhecimentos, provoca grandes descobertas por meio da intuição. É a convicção de sua existência que nos permite afirmar aquilo que a psico-fisiologia se obriga a considerar como absurdo.

Gabriel Delanne

"Não apenas a vida após a morte é uma certeza, mas pode-se demonstrá-la experimentalmente, como o fizemos, com a ajuda da mediunidade subjetiva. Fora a hipótese espírita, qualquer outra explicação que se possa tentar quanto a esses fenômenos é psicologicamente, filosoficamente, cientificamente inadmissível, ao menos até o presente."

Gabriel Delanne - G. Bourniquel "Escutemos os Mortos"

"O Espiritismo, portanto, não é simplesmente um conhecimento teórico ou especulativo: é iniciação em verdades maiores e ação plena e efetiva em bem da coletividade; não, somente um esforço intelectual, uma pesquisa de caráter filosófico, ou demonstrações de fenômenos "estranhos", com abrangência, mais ou menos profunda, nas leis naturais; mas devotamento ao próximo, auxílio sem nenhuma discriminação, confraternização, demonstrações legítimas de amor universal, para que assim os homens se redimam do passado culposo e se aproximem de Deus"

Gabriel Delanne "O Espiritismo perante a Ciência"

Ver no site o pesquisador espírita Gustave Geley

Ver no site o pesquisador espírita Comandante Louis Darget

Fontes: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Etapas da Doutrina Espírita)

 

RELAÇÕES DAS OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - A Conversão de um Cético (Gabriel Delanne - G. Bourniquel - Escutemos os Mortos)

 

Gabriel Delanne - G. Bourniquel - Escutemos os Mortos PDF

 

Gabriel Delanne - G. Bourniquel - Escutemos os Mortos DOC

 

Gabriel Delanne e G. Bourniquel - Ecoutons les morts (1923) (Fr)