GABRIEL DELANNE

A ALMA É IMORTAL

 

Demonstração experimental da imortalidade

 

Título Original em Francês

Gabriel Delanne - L'Âme est Immortelle

Démonstration Expérimentale de l'immortalité

Paris, Chamuel, 1899

 

Devemos lembrar ao leitor que esta obra foi publicada originariamente em francês, pouco depois de “A Evolução Anímica” (1895). Muitos conhecimentos científicos aqui expostos sofreram, no correr dos anos, sua natural transformação e progresso, o que, entretanto, não invalidou o vigor e a firmeza dos conceitos espiritistas emitidos pelo autor, mas, antes, vieram afirmá-los cada vez mais.

Sinopse da obra:

Como o próprio título sugere, esta obra tem o objetivo de demonstrar experimentalmente a imortalidade da alma. Para isto, apresenta ao longo da obra algumas das provas que já se possuem acerca do envoltório da alma, a que foi dado o nome de perispírito.

Por meio da observação e sem idéias preconcebidas, o autor reúne provas autênticas, absolutas e irrecusáveis da existência da alma unida ao perispírito.

Delanne explica cientificamente de que maneira a alma conserva a sua individualidade após a morte do corpo físico.

Introdução da obra:

 Demonstração experimental da imortalidade

O Espiritismo projeta luz nova sobre o problema da natureza da alma. Fazendo que a experimentação interviesse na filosofia, isto é, numa ciência que, como instrumento de pesquisa, apenas empregava o senso íntimo, ele possibilitou que o Espírito seja visto de maneira efetiva e que todos se certifiquem de que até então o mesmo Espírito estivera muito mal conhecido.

O estudo do eu, isto é, do funcionamento da sensibilidade, da inteligência e da vontade, faz que se perceba a atividade da alma, no momento em que essa atividade se exerce, porém nada nos diz sobre o lugar onde se passam tais fenômenos, que não parecem guardar entre si outra relação, afora a da continuidade. Entretanto, os recentes progressos da psicologia fisiológica demonstraram que íntima dependência existe entre a vida psíquica e as condições orgânicas de suas manifestações. A todo estado da alma corresponde uma modificação molecular da substância cerebral e reciprocamente. Mas, param aí as observações e a ciência se revela incapaz de explicar por que a matéria que substitui a que é destruída pela usura vital conserva as impressões anteriores do espírito.

A ciência espírita se apresenta, justo, para preencher essa lacuna, provando que a alma não é uma entidade ideal, uma substância imaterial sem extensão e sim que é provida de um corpo sutil, onde se registram os fenômenos da vida mental e a que foi dado o nome de perispírito. Assim como, no homem vivo, importa distinguir do espírito a matéria que o incorpora, também não se deve confundir o perispírito com a alma. O eu pensante é inteiramente distinto do seu envoltório e não se poderia identificar com este, do mesmo modo que a veste não se identifica com o corpo físico. Todavia, entre o espírito e o perispírito existem as mais estreitas conexões, porquanto são inseparáveis um do outro, como mais tarde o veremos.

Quererá isto dizer que encontramos a verdadeira natureza da alma? Não, visto que esta se mantém inacessível, tanto quanto, aliás, a essência da matéria. Vemos, no entanto, descoberta uma condição, uma maneira de ser do espírito, que explica grande cópia de fenômenos, até então insolúveis.

Evolveram, com o correr das idades, as concepções sobre a natureza da alma, desde a mais grosseira materialidade, até a espiritualidade absoluta. Os trabalhos dos filósofos, tanto quanto os ensinos religiosos, nos habituaram a considerar a alma como pura essência, como uma chama imaterial. Tão diferentes formas de ver prendem-se à maneira pela qual se encara a alma. Se estudada objetivamente, fora do organismo humano, durante as aparições, ela às vezes se afigura tão material, quanto o corpo físico. Se observada em si mesma, parece que o pensamento é a sua característica única. Todas as observações da primeira categoria foram atiradas ao rol das superstições populares e prevaleceu a idéia de uma alma sem corpo. Nessas condições, impossível se tornava compreender por que processo podia essa entidade atuar sobre a matéria do corpo ou dele receber as impressões. Como se havia de imaginar que uma substância sem extensão e, conseguintemente, fora da extensão, pudesse atuar sobre a extensão, isto é, sobre corpos materiais?

Ao mesmo tempo em que nos ensinam a espiritualidade da alma, ensinam-nos a sua imortalidade. Como explicar, porém, que essa alma conserve suas lembranças? Neste mundo, temos um corpo definido pela sua forma de envoltório físico, um cérebro que se afigura o arquivo da nossa vida mental; mas, quando esse corpo morre, quando esse substrato físico é destruído, que sucede às lembranças da nossa existência atual? Onde se localizarão as aquisições da nossa atividade física, sem as quais não há possibilidade de vida intelectual? Estará a alma destinada a fundir-se na erraticidade, a se apagar no Grande Todo, perdendo a sua personalidade?

São rigorosas estas conseqüências, porquanto a alma não poderia subsistir sem uma forma que a individualizasse. No oceano, uma gota d’água não se pode distinguir das que a cercam, não se diferencia das outras partes do líquido, a não ser que se ache contida nalguma coisa que a delimite, ou que, isolada, tome a forma esférica, sem o que ela se perde na massa e já não tem existência distinta.

O Espiritismo nos leva a comprovar que a alma é sempre inseparável de uma certa substancialidade material, porém com uma modalidade especial, extremamente rarefeita, cujo estado físico procuraremos definir. Essa matéria possui formas variáveis, segundo o grau de evolução do espírito e conforme ele esteja na Terra ou no espaço. O caso mais geral é o da alma conservar temporariamente, após a morte, o tipo que tinha o corpo físico aqui na Terra. Esse ser invisível e imponderável pode, às vezes, em circunstâncias determinadas, assumir um caráter de objetividade, bastante para afetar os sentidos e impressionar a chapa fotográfica, deixando assim traços duráveis da sua ação, o que põe fora de causa toda tentativa de explicação desse fenômeno mediante a ilusão ou a alucinação.

O nosso objetivo neste volume é apresentar algumas das provas que já se possuem da existência de tal envoltório, a que foi dado o nome de perispírito (de peri, em torno, e spiritus, espírito).

ra essa demonstração, recorreremos não só aos espíritas propriamente ditos, mas também aos magnetizadores espiritualistas e aos sábios independentes que hão começado a explorar este domínio novo. Ao mesmo tempo, facultado nos será comprovar que a corporeidade da alma não é uma idéia nova, que teve numerosos partidários, desde que a humanidade entrou a preocupar-se com a natureza do princípio pensante.

Veremos, primeiro, que a antigüidade, quase toda ela, mais ou menos admitiu essa doutrina; eram, porém, vagos e incompletos os conhecimentos de então sobre o corpo etéreo. Depois, à medida que se foi cavando o fosso entre a alma e o corpo, que as duas substâncias mais e mais se diferençavam, uma imensidade de teorias procuraram explicar a ação recíproca que elas entre si exercem. Surgiram as almas mortais de Platão, as almas animais e vegetativas de Aristóteles, o ochema e o eidolon dos gregos, o nephesh dos hebreus, o baí dos egípcios, o corpo espiritual de São Paulo, os espíritos animais de Descartes, o mediador plástico de Cudworth, o organismo sutil de Leibnitz, ou a sua harmonia preestabelecida; o influxo físico de Euler, o arqueu de Van Helmont, o corpo aromal de Fourier, as idéias-força de Fouillée, etc. Todas essas hipóteses, que por alguns de seus lados roçam a realidade, carecem do cunho de certeza que o Espiritismo apresenta, porque não imagina, demonstra.

O espírito humano, pelo só esforço de suas especulações, jamais pode estar certo de haver chegado até aí. É-lhe necessário o auxílio da ciência, isto é, da observação e da experiência, para estabelecer as bases da sua certeza. Não é, pois, guiados por idéias preconcebidas que os espíritas proclamam a existência do perispírito: é, pura e simplesmente, porque essa existência resulta, para eles, da observação.

Os magnetizadores já haviam chegado, por outros métodos, ao mesmo resultado. Pela correspondência que permutaram Billot e Deleuze, bem como pelas pesquisas de Cahagnet, veremos que a alma, após a morte, conserva uma forma corporal que a identifica. Os médiuns, isto é, as pessoas que gozam – no estado normal – da faculdade de ver os Espíritos, confirmam, em absoluto, o testemunho dos sonâmbulos.

Essas narrativas, entretanto, constituem uma série de documentos de grande valor, mas ainda não nos dão uma prova material. Mostraremos, por isso, que os espíritas fizeram todos os esforços por oferecer a prova inatacável e que o conseguiram. As fotografias de Espíritos desencarnados, as impressões por estes deixadas em substâncias moles ou friáveis, as moldagens de formas perispirituais são outras tantas provas autênticas, absolutas, irrecusáveis da existência da alma unida ao perispírito e tão grande é hoje o número dessas provas, que impossível se tornou a dúvida.

Mas, se verdadeiramente a alma possui um envoltório, há de ser possível comprovar-se-lhe a realidade durante a vida terrena. É, com efeito, o que se dá. Abriram-nos o caminho os fenômenos de desdobramento do ser humano, denominados por vezes de bicorporeidade. Sabe-se em que eles consistem. Estando, por exemplo, em Paris um indivíduo, pode a sua imagem, o seu duplo mostrar-se noutra cidade, de maneira a ser ele reconhecido. Há, no atual momento, mais de dois mil fatos, bem verificados, de aparições de vivos. Veremos, no correr do nosso estudo, que não são alucinatórias essas visões e por que caracteres especiais podemos certificar-nos da objetividade de algumas de tão curiosas manifestações psíquicas.

Os pesquisadores não se limitaram, porém, à observação pura e simples de tais fenômenos, senão que também chegaram a reproduzi-los experimentalmente. Verificaremos, com o Sr. De Rochas, que a exteriorização da motricidade constitui, de certa forma, o esboço do que se produz completamente durante o desdobramento do ser humano. Chegaremos, afinal, à demonstração física da distinção existente entre a alma e o corpo: fotografando a alma de um vivo, fora dos limites do seu organismo material.

Para todo pesquisador imparcial, esse formidável conjunto de documentos estabelece solidamente a existência do perispírito. A isso, contudo, não deve limitar-se a nossa aspiração. Temos que perquirir de que matéria é formado esse corpo. Quanto a isso, todavia, estamos reduzidos a hipóteses; veremos, porém, estudando as circunstâncias que acompanham as aparições dos vivos e dos mortos, ser possível encontrarem-se, nas últimas descobertas científicas sobre a matéria radiante e os raios, preciosas analogias que nos permitirão compreender o estado dessa substância imponderável e invisível. Esperamos mostrar que nada se opõe, cientificamente, à concepção de semelhante invólucro da alma. Desde então, esse estudo entra no quadro das ciências ordinárias e não pode merecer a censura de se achar eivado de sobrenatural ou de maravilhoso.

Apoiar-nos-emos longamente na identidade dos fenômenos produzidos pela alma de um vivo, saída momentaneamente do seu corpo, e os que se observam operados pelos Espíritos. Veremos que eles se assemelham de tal sorte, que impossível se torna diferençá-los, a não ser por seus caracteres psíquicos. Logo, e é esse um dos pontos mais importantes, há continuidade real, absoluta, nas manifestações do Espírito, encarnado ou não, em um corpo terrestre. Inútil, portanto, atribuir os fatos espíritas a seres fictícios, a demônios, a elementais, cascas astrais, egrégoros, etc. Forçoso será reconhecer que os produzem as almas que viveram na Terra.

Estudando os altos fenômenos do Espiritismo, fácil se nos tornará demonstrar que o organismo fluídico contém todas as leis organogênicas segundo as quais o corpo se forma. Aqui, o Espiritismo faz surgir uma idéia nova, explicando como a forma típica do indivíduo pode manter-se durante a vida toda, sem embargo da renovação incessante de todas as partes do corpo. Simultaneamente, do ponto de vista psíquico, fácil se torna compreender onde e como se conservam as nossas aquisições intelectuais. Firmamos alhures como concebemos o papel que o perispírito desempenha durante a encarnação; bastar-nos-á dizer agora que, graças à descoberta desse corpo fluídico, podemos explicar, cientificamente, de que maneira a alma conserva a sua identidade na imortalidade.

Possam estes primeiros esboços de uma fisiologia psicológica transcendental incitar os sábios a perscrutar tão maravilhoso domínio! Se os nossos trabalhos derem em resultado trazer para as nossas fileiras alguns espíritos independentes, não teremos perdido o nosso tempo; mas, qualquer que seja o resultado dos nossos esforços, estamos seguros de que vem próxima a época em que a ciência oficial, levada aos seus últimos redutos, se verá obrigada a ocupar-se com o assunto que faz objeto das nossas pesquisas. Nesse dia, o Espiritismo aparecerá qual realmente é: a Ciência do Futuro.

Gabriel Delanne

 Ver no site o pesquisador espírita Cel. Albert das Rochas

Ver no site o pesquisador espírita Herculano Pires "Educação para a Morte"

Fontes: A Luz na Mente - Revista On line de Artigos Espíritas (O espírito, origem da consciência humana, tem resistido ao senil reducionismo acadêmico)

Fontes: A Luz na Mente - Revista On line de Artigos Espíritas (A proposição da ciência espírita é descortinar a realidade do espírito imortal)

"O Espiritismo nos leva a comprovar que a alma é sempre inseparável de uma certa substancialidade material, porém com uma modalidade especial, extremamente rarefeita, cujo estado físico procuraremos definir. Essa matéria possui formas variáveis, segundo o grau de evolução do espírito e conforme ele esteja na Terra ou no espaço"

 Gabriel Delanne "A Alma é Imortal"

 

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