Gabriel Delanne

AS VIDAS SUCESSIVAS

MEMÓRIA

Apresentada ao Congresso Espiritista Internacional

 de Londres

no ano 1898

por Gabriel Delanne

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Título Original em Espanhol

Gabriel Delanne

 Las vidas sucesivas

Memoria

Presentada al Congreso Espiritista Internacional de Londres

No ano de 1898

Por Gabriel Delanne

 

Tradutora do Espanhol para Língua Portuguesa

Maria Joana de Portugal

Conclusão:

Senhores:

Tentei demonstrar neste trabalho, demasiado curto que:

1.º O ser vivo na realidade, não é mais do que uma forma pela qual passa a matéria.

2.º Que a preservação desta forma é devida ao princípio inteligente revestido de certa substancialidade.

3.º Que tanto no homem como no animal esta forma conserva-se para além da morte.

4.º Que as modificações moleculares deste envoltório são indestrutíveis.

5.º Que a repetição dos mesmos atos, tanto físicos como intelectuais, tem por objetivo torná-los mais fáceis, mais habituais, mais reflexos, ou seja, automáticos e inconscientes (os instintos não são outra coisa senão hábitos, milhões de vezes seculares).

6.º Que a série de seres orgânicos é fisicamente contínua, tanto actualmente como no passado.

7.º Que as manifestações do instinto, e mais tarde da inteligência em todos os seres vivos são graduais no seu conjunto e intimamente ligadas ao desenvolvimento dos organismos.

8.º Que o homem reassume e sintetiza todas as modalidades anatômicas e intelectuais que ocorreram na Terra.

9.º Que os factos de observação estabelecem a reminiscência de estados anteriores nos animais, e a recordação de precedentes vidas no homem.

10.º Finalmente, que certos espíritos predizem o seu regresso aqui à Terra, enquanto que outros afirmam as vidas sucessivas.

Teria também podido fazer uma enumeração dos prodígios realizados por alguns seres numa tenra idade, e que revelam faculdades tão superiores, deixando estupefactos até os homens de talento.

Teria também podido fazer uma enumeração dos prodígios realizados por alguns seres numa tenra idade, e que revelam faculdades tão superiores, deixando estupefatos até os homens de talento. Um Miguel Ângelo ou um Salvador Rosa, revelam-se inesperadamente com talentos improvisados; Sebastián Bach ou Mozart, compondo ou executando sonatas, quando os miúdos sua idade conhecem apenas os primeiros rudimentos da música; Pico da Mirándola ou Pascal dando provas de um gênio que não podiam ter adquirido na sua última existência e, por último, Barratier, morrendo aos 19 anos e deixando obras que testemunham uma enciclopédia de conhecimentos, são fatos que além do mais entram na questão mais geral da desigualdade intelectual dos homens que aparecem na Terra.

Sabemos com certeza que a alma não é criada pelo corpo, que a herança é completamente estranha a estas diferenças profundas que separam a um Victor Hugo ou a um Pasteur dos míseros representantes da humanidade que vegetam numa bestialidade intensa, tais como os Botocudos, os Aetas ou os Jueguianos. E mesmo sem a necessidade de apresentar semelhantes extremos, não vemos nos irmãos educados em idênticas condições, apresentarem disposições inatas radicalmente opostas?

Todos estes problemas são insolúveis, não admitindo a teoria das vidas sucessivas, pois nem a ciência, nem as religiões, nem as filosofias espiritualistas têm podido dar uma explicação razoável destas anomalias. Estou muito longe de pensar que os factos que reuni sejam suficientemente numerosos e conclusivos para determinar uma convicção verdadeiramente científica, porque estou persuadido de que são o esboço imperfeito da demonstração experimental das nossas origens. Apenas nos achamos nos primórdios da psicologia experimental, dessa ciência que estudará a alma sob todas as suas modalidades terrestres e supraterrestres, assim no seu passado como no seu futuro.

Concebe-se a extrema reserva com que se devem fazer as conclusões, e ainda que se achem todavia mal explorados os domínios percorridos pelo espírito na sua evolução, não são totalmente desconhecidos e, o futuro, retificando os pontos talvez prematuros ou incompletos que formulamos, confirmará no seu conjunto esta teoria, que logicamente já pode expor-se e, baseando-se unicamente nos fenômenos de observação.

Não ignoro as críticas que têm sido feitas à teoria da evolução, mas as descobertas de cada dia vêm afirmá-la cada vez mais, e se a completamos pela passagem da alma através de todas estas formas graduadas que compõem o conjunto de seres vivos, atribuindo àquela entidade o que o sábio queira ligar com o corpo, poderemos dizer com Herbet Spencer (1), "o cérebro humano (e periespiritual, dizemos nós), é um registro organizado de experiências infinitamente numerosas durante a evolução da vida, ou todavia melhor, durante a série de organismos que atravessou para chegar ao organismo humano. Os esforços das experiências mais uniformes e frequentes foram herdados (nós diremos, trazidos), adicionando-lhes capital e interesses, alcançando este elevado grau de inteligência que é o cérebro da criança. Este, na sua vida ulterior, exerce-a aumentando possivelmente a força ou a complexidade, e a transmite (ou reaparece), com pequenos acréscimos nas gerações futuras. Então, acontece que um europeu herda vinte ou trinta centímetros cúbicos de cérebro a mais do que o Papú, ocorrendo pela mesma razão, que certas faculdades, tais como as da música p. e, que apenas existem nalgumas raças inferiores, se tornam congênitas nas raças superiores, e da raça selvagem que apenas sabe contar o número dos seus dedos, aparece um Newton ou um Shakespeare."
(1) Herbert Spencer. Princípios de psicologia, 2 ª edição, pp. 208 e segs. - Ribot. Essais sur la psycholgie portugaise contemporaine, (Ensaio sobre a psicologia portuguesa contemporânea) págs. 310 e 312.

Esta evolução intelectual tem sido mostrada pelos filósofos, quem obrigados pela lógica, tiveram de reconhecer em todos os seres uma cadeia cujos anéis são impossíveis de quebrar. O que foi uma simples intuição filosófica nos grandes pensadores, tais como Carlos Bonet, Dupont de Nemours, Ballanche, Constant Savy, Esquirós, Juan Reynaud, Pezzani e Flammarion, resulta com o Espiritismo uma verdade demonstrada experimentalmente.

Estamos plenamente conscientes da magnitude desta concepção palingenésica, que substitui a ação milagrosa da antiga crença deísta: a lei do progresso cumprindo-se sob a impulsão da Inteligência Infinita, e utilizando os fatores irresistíveis que se denominam espaço e tempo.

A astronomia, a geologia e a paleontologia, ao exumar as cinzas do passado, levantaram-nos o véu dos seus arcanos. Sabemos que os muitos séculos que precederam a humanidade, tinham como objetivo chegar à criatura inteligente, livre e responsável, que é o homem, uma vez que aparece como a coroação desta longa marcha progressiva. Sabemos que não está condenado a viver sempre nesta morada terrestre, mas, que no futuro, estará em condições de residir noutro mundo entre os infinitos que existem no universo, pois como disse Jesus: "Na casa do meu Pai há muitas moradas." Acreditamos firmemente que a imortalidade está diante de nós, e a imensidade desta palavra facilita-nos a compreensão do porquê o tempo passado não representa mais do que uma quantidade infinitesimal perante o nosso insondável futuro. A Terra é o ninho que devemos abandonar quando tivermos conquistado as asas, ou para falar sem metáfora, quando estivermos suficientemente desprendidos destas mantas terrestres que são os nossos instintos, os nossos vícios e as nossas más paixões.

É um fato de experiência espírita que os espíritos atrasados não podem deixar a nossa atmosfera; mas, obviamente, poderão fazê-lo no dia em que os réprobos já não existam. Todos estão destinados pela Suprema Justiça à felicidade final para a qual são criados.

Ao terminar, permitam-me senhores, emitir o meu desejo de que esta importante questão das vidas sucessivas, tão grande em consequências, seja estudada imparcialmente em todos os centros espíritas, a fim de que a unificação do ensino espírita possa realizar-se em todo o mundo.

As nossas divergências doutrinárias são secundárias, já que jamais poderão atentar contra os sentimentos de profunda estima e fraternal benevolência que os espíritas franceses e italianos sentem por todos os partidários da nossa causa.

Unamos, portanto, os nossos esforços sem nos preocuparmos com as fronteiras, a fim de colaborar na obra de alforria intelectual dos nossos irmãos terrestres. Façamos penetrar em todos os corações a consoladora certeza da imortalidade; provemos que os seres que amamos, não morreram, e que podem expressar-nos todavia a sua ternura. Divulguemos esta nobre doutrina de redenção social e o século XX verá brilhar a aurora da nova era, ou seja, a de uma humanidade regenerada, que encontrou a felicidade no exercício da justiça, da concórdia, da fraternidade e do amor.

Gabriel Delanne

Ver no site o pesquisador espírita Campos Vergal "Reencarnação ou Pluralidade das Existências"

Ver no site o pesquisador espírita Gustave Geley "Do Inconsciente ao Consciente"

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espírita (Cogitação espírita a propósito da memória)

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Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas  (Alguns comentários espíritas ante as funções cerebrais)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Déjà Vu é um fenômeno instigante)

"... há necessidade de natureza para a alma imortal de ser curada e purificada; se ela não foi em sua vida terrestre, a cura opera-se pelas vidas futuras e subseqüentes"

S. Gregório de Nissa "Teólogo, Bispo, Escritor"

 

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