Gabriel Delanne

AS VIDAS SUCESSIVAS

(MEMÓRIA)

Presenteado ao

Congresso Espiritista Internacional de Londres

por

GABRIEL DELANNE

Delegado de “Comité de Propaganda” nomeado pelo Congresso Espiritista de 1889, da Secção Francesa da “Federação Espiritista Universal”, da “Federação Espírita Lionesa” e da “União Kardequiana Internacional”, e Diretor de la Revue Scientifique et Morale du Spiritisme.

TRADUÇÃO

Víctor Melcior y Farré

PRÓLOGO

Quintín López Gómez

Edição Espanhola publicada por LUMEN
(Revista mensal de Estudos Psicológicos)

Barcelona, San Martin
Estabelecimento Tipográfico de Juan Torrents
Calle del Triunfo, nº 4

(1898)

 

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Tradutora do Espanhol para Língua Portuguesa

Maria Joana de Portugal

Prólogo:

Duas Palavras

Avizinham-se os tempos em que como disse Galileu, "não há nada oculto que não deva ser conhecido," nós temos disso os primeiros sinais, ou melhor, já passaram os primeiros sinais, e vamos testemunhar o majestoso desfile das comprovações axiomáticas.

Olhando para trás, vemos brilhar na aurora dos tempos uma quase imperceptível estrela que guiava os homens para o conhecimento do seu ser e do seu destino, e que os fazia pressentir uma vida eterna, um eterno desenvolvimento para o seu ego, que apesar de ser pobre em desenvolvimento, o reconheciam capaz de maiores empreendimentos.

Esse presságio, essa esperança fortificante traduziu-se rapidamente no mental na indução filosófica do mais além, que segundo os tempos e os povos, foi pouco a pouco depositando-se, ou então, ficou estacionada nas mesmas caóticas trevas dos seus primeiros indutores.

Nós não temos motivo para nos ocuparmos com o inferno e o paraíso de todas as religiões, nem temos tampouco que nos sujeitar as metapsícoses apresentadas e sustentadas por diferentes filósofos. Basta-nos, em consonância com o autor das páginas que se seguem, deixar claro que a história nos revela que a idéia da imortalidade e das vidas sucessivas foi aceite em todos os tempos e teve sempre muitos, decididos e esclarecidos defensores.

Isto já é algo, já é muito; mas não é o suficiente para sustentar a partir dela nenhum princípio com caráter de axioma. É peculiar os gênios anteciparem-se ao progresso do seu século, e predizer, por uma espécie de visão profética, o que só encaixa na realidade, depois de transcorridas muitas gerações. Disso temos inúmeros testemunhos na cronologia de todas as invenções e descobertas, e isto obriga a razão a render homenagem ao talento.

Mas é muito fácil confundir as centelhas do engenho com os delírios da imaginação, a visão profética a que há pouco nos referíamos com o entusiasmo prematuro desprovido de qualquer fundamento.

Assim, se explica a preponderância que adquiriu a imaginação sobre a razão dos nossos antepassados de alguns séculos atrás, e assim se explica que o positivismo do nosso século, nu, descarnado, quase anatômico, defendendo a todo o custo a razão, não admita nada, absolutamente nada, que não tenha uma comprovação tão real, tão positiva como o 2 + 2 da matemática. Os grandes abusos impõem absolutas continências.

Ficaram, pois, no início do nosso século e pelas legítimas exigências do positivismo, abandonadas quase por completo as idéias da existência da alma, a sua imortalidade e o seu desenvolvimento progressivo para o infinito, devido às sucessivas vidas planetárias, e para recuperar o perdido e melhor ainda para sustentá-lo em bases sólidas foi necessário admitir a luta, no mesmo terreno em que o positivismo a colocava e comparecer no palanque armados com as mesmas armas que esgrimia o adversário.

Isto foi o que o Espiritismo fez desde o primeiro momento; mas fê-lo de uma forma um tanto deficiente, um tanto filosófica havia que prestar homenagem de credibilidade a vozes e fatos que se supunham, provenientes de mundo espiritual, sem que nada testemunhasse de uma forma conclusiva e positiva, que tais vozes e tais fatos eram, com efeito, emanados de um ser que havia atravessado os umbrais do sepulcro.

Não era possível pensar em argumentar com toda a força da lógica relativamente à impossibilidade em que se encontrava o médium, o instrumento para falsificar ou provocar à sua volta os fatos paranormais que se debatiam; não era possível também apelar ao bom senso para que coordenando dados, fazendo deduções precisas e comprovando testemunhos, se concluir definitivamente afirmando a sobrevivência da alma: era condição precisa, indispensável que a alma se apresentasse visível; tangível, com todos os caracteres da personalidade, e que impressionasse, não à retina e ao tacto de dez, vinte ou mais pessoas, que poderiam ser vítimas de alucinação e de fascinação, mas à chapa fotográfica, à parafina, ao timbre elétrico e à balança de precisão, porque tais instrumentos não podiam alucinar-se nem fascinar-se.

E a alma apresentou-se; e a alma materializou-se; e a alma deixaram a sua marca na argila, na parafina e no clichê da câmera escura; e a alma fez vibrar timbres elétricos, acendeu e apagou luzes, transportou e formou diversos objetos, acusou o seu peso na balança de precisão, fez passar a matéria através da matéria…; e a alma, por fim, disse quem era, donde vinha, de que se ocupava trata e o que esperava do futuro.

Como? É possível que assim, tão de pronto, tenham ficado reduzidos a pó todos os conhecimentos positivos? É possível que de nada tenham servido os conhecimentos que nos aportaram os Haekel os Comte, os Moleschot: os Broussais, os Woot, os Luys, todos os materialistas, todos os cientistas positivistas? Não, não é isso.

O Espiritismo, que é a quem cabe a grande honra de ter ganho à empenhada batalha entre espiritualistas e materialistas, não crê ter reduzido a pó os conhecimentos científicos dos seus adversários; não crê sequer ter poder modificar um só desses conhecimentos; crê, sim, tê-los interpretado melhor e tê-los comprovado mais minuciosa, mais taxativamente.

Tanto é assim, que se apóia nessas mesmas razões, que usa essas mesmas armas para vencer e aniquilar os seus adversários, não nos fatos, que estes são verdadeiros e indiscutíveis, mas nas conseqüências extraviadas que foram deduzidas desses fatos. Isto é o que com a apresentação e objetivação da alma considera ter conseguido.

E que as suas considerações são exatas, certas, irrefutáveis, dão testemunho sólido às páginas que apresentamos. Delanne, com a perícia que lhe é própria, deixou de lado o método sintético para se apoiar exclusivamente no analítico, e apresentando fatos, fazendo positivismo breve, salienta aquilo a que se propõe, a saber: a demonstração experimental da existência e continuação do espírito, e a sua evolução progressiva através de inúmeras reencarnações. Isto é o que fazia falta ao animismo e isto é o que já o conseguiu.

No futuro poderá aperfeiçoar a sua personalidade própria onde queira e como queira: onde queira, porque lá onde haja inteligências, lá haverá uma inflexível lógica para todo o raciocínio, e esta lógica pode ter a certeza de tê-la; e como queira, porque a filosofia tal como a história, a religião tal como fatos positivos, contribuirão sempre em conjunto para dar testemunho da sua existência.

Felicitamos a quem tão acertadamente soube levar a cabo este trabalho, e procuremos assegurar que a sua divulgação seja o mais lacta possível.

Quintín López Gómez

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (49ª Semana Espírita de Anápolis - Jesus O Semeador de estrelas - Chico Amor Xavier - Antonio César Perri de Carvalho)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espírita (Reencarnação e memória)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espírita (Cogitação espírita a propósito da memória)

"... há necessidade de natureza para a alma imortal de ser curada e purificada; se ela não foi em sua vida terrestre, a cura opera-se pelas vidas futuras e subseqüentes."

S. Gregório de Nissa "Teólogo, Bispo, Escritor"

"A teoria espírita que ensina que a alma está sempre associada a certa substancialidade, é a única que pode fornecer uma explicação simples e racional destes casos. Vamos agora demonstrar que, quando a separação da alma e do corpo é definitiva, e não momentânea, os mesmos fenômenos são observáveis, do que viremos a deduzir que a alma depois da morte conserva, não somente a sua individualidade e a sua personalidade terrestre, mas também a propriedade de organizar a matéria."

Gabriel Delanne - As Vidas Sucessivas (Memória)

Congresso Espiritista Internacional de Londres do ano de 1898

A minha convicção é de que os trabalhos realizados desde há 30 anos por investigadores científicos, bem conceituados, permitem ultrapassar este problema, desde o domínio da filosofia, ao da ciência e substituir os conhecimentos metafísicos pelos fatos certos.

Para apoiar a minha forma de pensar, creio ser necessário estabelecer:

1º Que a alma humana se acha revestida, durante a sua passagem pela terra, de um envoltório invisível chamado perispírito (do grego, péri, ao redor) – Envoltório semimaterial do Espírito. Entre os encarnados serve de liame ou intermediário entre o Espírito e a matéria. E os Espíritos errantes constitui o corpo fluídico do Espírito.

2º Que depois da morte, este envoltório não se destrói.

3º Que o estudo das propriedades deste corpo espiritual, obriga a concluir que a alma preexiste ao nascimento.

4º Que só na terra foi possível produzir-se esta evolução.

Gabriel Delanne - As Vidas Sucessivas (Memória)

Congresso Espiritista Internacional de Londres do ano de 1898

 

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Gabriel Delanne - Las vidas sucesivas (1898) (Esp.)