CONSOLAÇÕES
União Espírita Francesa
G. D. C. J.

Original em Francês, de 1885:
CONSOLATIONS
Union Spirite Française
G. D. C. J.

Tradução: Rogério Miguez

Prefácio: Rogério Miguez

Revisão: Ery Lopes e Irmãos W.

Compilador: Charles Kempf (Presidente da Federação Espírita Francesa)

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Versão digitalizada:
© 2019

Distribuição gratuita:

Portal Luz Espírita

Autores Espíritas Clássicos

 

DEDICATÓRIA

Caro Allan Kardec, você, o grande iniciador contemporâneo de nossa doutrina, aceite a dedicatória desta pequena brochura. É à sua memória que nós rendemos tributo por esta publicação, onde todas as suas ideias estão contidas.
Que Deus possa nos prestar assistência, a fim de fazer penetrar em todos os corações os princípios que você tão nobremente explicou e defendeu durante sua última jornada terrena.
Esperemos que este pequeno trabalho, nascido do amor e da caridade fraternal, fará germinar a verdade nos corações de todos os que o lerão sem preconceitos.

G. D. C. J.

Prefácio:

Rogério Miguez

(O Tradutor)

Ler, ou quem sabe reler textos antigos relacionados ao desenvolvimento da Doutrina dos Espíritos, é um prazer inenarrável. Dizemos reler, pois, de fato, por hora, não se sabe quantos, agora vinculados ao Espiritismo, estiveram enfileirados entre os espíritas das primeiras horas, ninguém o sabe, talvez esta real possibilidade justifique o interesse e a curiosidade de uns poucos em descobrir, como um arqueólogo o faz, tesouros espíritas escondidos do passado nas inúmeras publicações espíritas dos séculos XIX e mesmo início do XX, descortinando-os e apresentando-os ao conhecimento moderno para que todos igualmente possam também perceber, embora palidamente, como foram as lutas durante aqueles inesquecíveis momentos, período que jamais será esquecido, uma vez que marcará esta humanidade para sempre, pois representa o descortinar da Terceira Revelação.

Na França pós-Kardec, incansáveis seguidores do Codificador lutaram bravamente para manter o pensamento do Mestre de Lyon incólume, entretanto, por algum tempo as verdadeiras ideias espíritas foram sufocadas por tramas diversas urdidas por Espíritos desorientados, por incrível que pareça contemporâneos de Allan Kardec, seguramente também influenciados por outros desencarnados.

Este provisório desvirtuamento só se concretizou pela invigilância daqueles que tiveram a missão de zelar pelo legado de Allan Kardec, mas por diversas razões não o fizeram, embora tenham assistido e visto os inúmeros e corretos exemplos do Mestre, quando com ele conviveram.

Entre os poucos paladinos desta árdua luta, momentos heroicos com toda a certeza, destaca-se a figura de Gabriel Delanne, aquele francês que Allan Kardec segurou no colo quando menino, e, valendo-se de sua extraordinária determinação, deixou-nos igualmente obras de raro valor doutrinário, hoje relativamente esquecidas por muitos espíritas, estes ainda não perceberam ser Gabriel Delanne um legítimo continuador da obra de Allan Kardec sob o ponto de vista científico.

E tudo indica ser exatamente Gabriel Delanne um dos autores da brochura Consolações (*) que ora nos dedicamos a traduzir para dividi-la com os nossos companheiros de jornada.

(*) Cópia do original em francês disponível no site da Biblioteca Nacional da França: CONSOLATIONS - Union Spirite Française - G. D. C. J. (1885) - N. E. (Nota do Editor)

E por qual razão dizemos um dos autores da obra, pois esta é assinada com 4 letras capitais: G.D.C.J., tudo indicando serem as duas primeiras letras exatamente as iniciais de Gabriel Delanne. Sobre as duas últimas ainda não se tem conhecimento de quem seriam, mas sabe-se que pertencem a uma mulher, talvez mais uma femme forte do Espiritismo, desconhecemos.

Graças ao trabalho de pesquisa de Charles Kempf, dedicado espírita “franco-brasileiro” presidente da Federação Espírita Francesa e ex-Secretário Geral do Conselho Espírita Internacional, descobriu-se algumas pérolas relacionadas a esta publicação, todas incluídas ao final do texto.

A brochura se divide em três partes: a primeira propriamente dita aborda a questão das Consolações, tão importantes em um mundo de provas e expiações, onde os infortúnios se apresentam a todo o momento; no capítulo subsequente, há uma interessante abordagem de como se realiza uma experiência espírita, especial atenção ao relato sobre uma questão formulada aos Espíritos durante uma reunião a propósito do número de orelhas na sala do experimento, muito peculiar e ilustrativo o desfecho; finalmente, concluindo o trabalho, um pouco sobre a bela filosofia espírita.

Consolações apareceu em um momento oportuno para recuperar a divulgação da boa e única Doutrina dos Espíritos, renovando a fé dos seguidores, pois, estes se encontravam desgostosos diante de tantos desvirtuamentos doutrinários surgidos gradativamente após aquele 31 de março de 1869, data da desencarnação do Codificador.

É de se notar ter sido a obra Consolações distribuída gratuitamente, aos milhares de exemplares, demonstrando de forma inequívoca como foi bem assimilado por alguns o exemplo de Allan Kardec; o Mestre jamais visava lucro com os frutos do seu trabalho espírita.

A obra representa uma síntese do caráter alentador do Consolador Prometido por Jesus passados mais de dois mil anos, desta forma, reconfortemo-nos também com este texto, pois ele poderia ser seguramente publicado nos dias de hoje com efeito idêntico ao pretendido na época.

Boa leitura é o nosso sincero desejo aos irmãos em crença!

São Paulo, maio de 2019.

Rogério Miguez:

Articulista de importantes veículos de divulgação espírita no Brasil, a saber: Revista Reformador, Revista eletrônica O Consolador, O Clarim etc.

Apêndice:

I

NOSSA BROCHURA (*)

Desde a criação da União Espírita Francesa, temos recebido todos os anos provas de verdadeira simpatia. Novas adesões têm vindo aumentar as nossas fileiras, algumas trazendo-nos o talento das suas colaborações, outras nos proporcionando os meios necessários para continuar nosso trabalho de propaganda e dedicação.

(*) Revista O Espiritismo, 2° quinzena de janeiro de 1886 – N. E

O ano que acabamos de passar não foi estéril. Muitos novos grupos, especialmente na província, formaram-se, como tínhamos anunciado, sob os auspícios da União.

Intercâmbios com publicações francesas e estrangeiras se expandiram. Foram feitas conferências. M. di Rienzo visitou nossos irmãos em Marselha. O Sr. Gabriel Delanne levantou a bandeira da nossa doutrina, em um salão público em Lyon, depois em Bruxelas, no Palácio da Bolsa de Valores. Seu livro, que representa o progresso de nossa filosofia, foi apreciado pelos leitores. A primeira edição está quase esgotada.

Homens de alto valor se juntaram a nós Dr. Reignier, Oficial da Legião de Honra, Presidente do Instituto Magnetológico de Paris, membro de várias sociedades eruditas, aceitou a missão de dirigir nossos estudos espíritas.

A caridade foi amplamente feita, apesar da exiguidade de nossos recursos. Graças à dedicação inesgotável de nossos amigos, várias assinaturas foram coletadas em favor de nossos infelizes irmãos. Nosso coração sangra com o pensamento de que idosos espíritas, caídos na pobreza, correm o risco de morrer de frio e fome depois de terem dedicado suas vidas em defesa de nossas ideias.

Oh! Caro mestre, você deve sofrer vendo seus últimos desejos, vontades tão incompreendidas por aqueles que tiveram a missão de aplicá-los!

E para fechar um ano já tão cheio, a Union Espírita Francesa enviará a todos os grupos e aos nossos assinantes um pequeno livro de propaganda oferecido gratuitamente aos nossos irmãos em crença por uma generosa dama de nossos amigos. Ele é intitulado: Consolações.

Este trabalho é uma exposição sucinta de nossa filosofia. É endereçado a todas as classes da sociedade; seu estilo simples, claro e limpo, está ao alcance de todas as inteligências.

Para mostrar a grandeza da alma de nossa querida irmã, seu desinteresse e seu amor pela humanidade, contaremos como nos conhecemos e como o plano da referida brochura foi concebido.

Em outubro passado, uma senhora que não tivemos a honra de conhecer veio nos visitar, encaminhada por nosso amigo M. de Bassompierre, de Bruxelas.

Conversamos longamente sobre nossa querida doutrina. A simpatia que sentimos reciprocamente nos ligou rapidamente e a conversa rapidamente tomou um rumo íntimo.

Madame C. J. deplorou que nada tenha sido feito em Paris, a casa de todas as grandes ideias, para difundir o Espiritismo entre as massas populares, semeando em profusão textos de propaganda.

Eu gostaria de ver, disse ela, fundar um centro, uma reunião séria, que tomasse a iniciativa dessa ideia, de criar uma entidade especial e barata, encorajar, apoiar os palestrantes, fundar bibliotecas, etc.

Achamos melhor então enviar nosso programa a ela, lido na Assembleia Geral dos Espíritas, na Salle de la Redoute, em 1882, e lhe mostramos os documentos de trabalho desde três anos. Nossa nova amiga permaneceu atordoada por essas revelações inesperadas, pois ela era absolutamente ignorante de nossa existência e de nossos planos. Mas o que mais a surpreendeu foi o silêncio mantido pela Revista da Sociedade para Estudos Científicos, que ela lia regularmente.

Então, em uma onda de simpatia por nossos esforços, ela imediatamente comprou doze assinaturas do nosso jornal, que ela enviou para seus amigos.

Eu não vou parar aí, ela nos disse. Eu queria colocar em prática o que você fez. Vendo minhas ideias tão bem traduzidas, desejo colaborar, vinculado aos meus meios, com seu trabalho desinteressado. Eu quero publicar uma brochura. Bem, se a União quiser assumir este trabalho e concluí-lo, comprometo-me a cobrir todos os custos que esta publicação necessitará.

A proposta foi aceita com entusiasmo!

Começamos a estudar, e hoje estamos felizes em oferecer este trabalho ao público que o receberá gratuitamente fazendo um pedido, acompanhado de um selo de 10 centavos para postagem. A circulação é de vários milhares de cópias.

Fizemos assim votos sinceros de que o objetivo proposto por nossa valente colaboradora seja alcançado: o de aliviar moralmente os desafortunados que perderam toda a fé e procurar trazê-los de volta, pelo Espiritismo, para o caminho da verdade.

Alexandre Delanne

(O pai de Gabriel Delanne)

HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL

(ALLAN KARDEC)

O CODIFICADOR DO ESPIRITISMO

(O DEVASSADOR DO ALÉM-TÚMULO)

(1804 - 1869)

AMÉLIE GABRIELLE BOUDET

MADAME RIVAIL (SRA. ALLAN KARDEC)

os fundadores da União Espírita Francesa

(1795 - 1883)

Gabriel Delanne

O GRANDE ARAUTO DO ESPIRITISMO

os fundadores da União Espírita Francesa

(1857 - 1926)

Revista O Espiritismo, 1ª quinzena de julho de 1886 – N. E.

CONSOLATIONS

É este o título de uma importante brochura publicada pela Sra. G.D.C.J. em Paris, e dedicada à memória do grande filósofo Allan Kardec.

Em linguagem clara e resumida a autora demonstra a grandeza e o subido alcance da filosofia espírita, o modo de exercer a mediunidade, e o consolo que a nova doutrina traz aos que sofrem.

Agradecemos o exemplar com que fomos mimoseados.

Revista Reformador - março de 1886 – N. E.

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Allan Kardec - O Filme | Trailer Oficial | 16 de maio nos cinemas)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (HERCULANO PIRES 100 ANOS - Ouça-o em 1957 em palestra sobre os 100 ANOS de O Livro dos Espíritos!)

Fontes: Luz Espírita - Espiritismo em Movimento

Fontes: Encyclopédie Spirite (Revue Le Spiritisme)

Fontes: Revista Reformador (FEB)

"Esta via abençoada e consoladora não é nova: é a doutrina do Cristo em toda a sua pureza, em sua essência. Amar a Deus, nosso pai acima de tudo; amar, ajudar, proteger, consolar todos os nossos irmãos sem espírito partidário, sem distinção de culto, de posição social, de fortuna.

Por que a dúvida, — esta perturbação da alma que corrói a fé – ela entrou no espírito dos homens? É porque aqueles que devem direcionar nossa inteligência em direção às claridades sublimes reveladas pela missão de Cristo distorceram e ainda distorcem seus princípios fundamentais. Jesus, puro Espírito enviado por Deus à Terra para ensinar aos homens as Suas divinas leis, aqui veio personificando a nossa humanidade. Ele encarnou-se na classe pobre, na casa dos trabalhadores, sempre ensinando a lei do amor e do perdão, sem fazer qualquer exceção na grande família humana.

Jesus para instruir não vestia púrpura nem arminho. Jesus expulsou os vendedores do templo; filho e ministro do Criador, ele nos transmitiu gratuitamente e fielmente suas abençoadas leis e vontades.

Jesus nunca disse: “Entre os filhos de meu Pai, tal seita ou aquela seita não entrará no reino dos céus.” No tempo de Jesus, seus apóstolos o ajudaram a servir a multidão que o seguia. Foi com ela que ele compartilhou pães de cevada e peixes. Foi num jumento que ele entrou em Jerusalém, e foi por esse caminho humilde que ele chegou ao Gólgota.

Se, em sua entrada em nossa humanidade, um Rei o fez procurar para matá-lo, é porque ele pressentiu que esta criança seria um grande profeta, trazendo com ele ao nosso pobre planeta os fundamentos das leis do amor, fraternidade e liberdade universais.

No final do seu apostolado entre nós, um sacerdote condenou-o e um magistrado pusilânime ao ponto da covardia, entregou-o à multidão cega."

Consolações "União Espírita Francesa"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Consolações - União Espírita Francesa - G. D. C. J. (1885)

 

Consolations. Union Spirite Française. G. D. C. J. (1885) (Fr.)

 

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