LÉON DENIS

GIOVANNA

(NOVELA ESPÍRITA)

 

Título Original em Francês

Leon Denis - Giovanna

Nouvelle Spirite

Paris (1880)

Sinopse da obra:

Esse é um delicioso romance escrito por Léon Denis, a mais importante figura do movimento espírita francês depois de Allan Kardec.

Interessado em difundir a Doutrina Espírita entre o grande público, Denis criou uma fascinante história de amor e espiritualidade, que consegue ser didática, sem perder o encanto do texto literário e o interesse de uma trama bem elaborada.

Trechos da obra:

Nesse momento, um concerto argentino se eleva nos ares. Em todas as aldeias, os sinos tilintavam. Era o Ângelus, a prece do entardecer, o sinal que evoca entre todos, os pescadores do lago, os lenhadores da floresta, os pastores da montanha, o pensamento de Deus.

Giovanna e Maurice, sonhadores, recolhidos, observavam esse majestoso espetáculo; escutavam o som melancólico dos sinos, seguiam com o olhar as belas estrelas de ouro emergindo das profundezas do céu para subir lentamente, em legiões cerradas, para o zênite. A poesia dessa noite preenchia suas almas; suas bocas estavam mudas, mas seus corações se confundiam num enlevo profundo. Maurice rompeu o silêncio primeiro.

- Giovanna, disse ele, você pensa, às vezes, nessas esferas luminosas que se movem no espaço? Já se perguntou se são, como nossa terra, mundos de sofrimento, habitados por seres materiais e atrasados, ou se almas mais perfeitas aí vivem no amor, na felicidade?

- Bem às vezes, respondeu ela, tenho visitado esses mundos. Protetores, amigos invisíveis, me levam quase todas as noites para essas regiões celestes. Com dificuldade tenho visto, que um grupo de espíritos, de longas vestes flutuantes, de fronte brilhante, me cercam, me chamam.

Vejo minha própria alma que, semelhante à deles, se libera de meu corpo e os segue. Rápido como o pensamento, atravessamos os espaços imensos, povoados de uma multidão de espíritos; por toda parte oceanos de vida desdobram suas perspectivas sem limites. Por toda parte retinem os cantos harmoniosos, de uma suavidade desconhecida na Terra.

Percorremos esses arquipélagos estelares, essas esferas longínquas, bem diferentes de nosso globo. Em lugar de uma matéria compacta e pesada, muitos dentre eles são formados de fluidos leves, de brilhantes cores. Enquanto que os hóspedes da terra se arrastam penosamente na superfície do planeta, os habitantes desses mundos, de corpos sutis, aéreos, se elevam facilmente, planam no espaço ambiente. Eles agem sobre esses fluidos leves e coloridos que compõem o centro de suas esferas; lhes dão mil formas, mil aspectos diversos.

Assim são os palácios admiráveis, colônias deslumbrantes, com inumeráveis pórticos, templos com abóbadas gigantescas, ornados de estátuas, de pilastras de gás, e cujas muralhas transparentes permitem entrever seu interior. De todas as partes se erguem construções prodigiosas, abrigos da ciência e das artes, bibliotecas, museus, escolas, exposições, sempre invadidas pelas multidões.

O ensinamento aí é dado sob a forma de quadros luminosos e cambiantes. A linguagem é uma espécie de música.

Quais são as necessidades corporais dos habitantes desses mundos?

São quase nulas. Não conhecem nem o frio, nem a fome, quase nada da fadiga. Sua existência é bem simplificada. Empregam-na na instrução, no estudo do universo, de suas leis físicas e morais.

Prestam a Deus um culto magnífico, e desenvolvem em sua honra os esplendores de uma arte desconhecida aqui. Mas a prática das virtudes é, sobretudo, seu objetivo. A miséria, as doenças, as paixões, a guerra, são quase ignoradas sobre esses mundos. São moradas de paz, de felicidade, dos quais não saberíamos fazer nenhuma idéia em nosso globo de lutas e de lágrimas.

É então para lá que se transportam os homens virtuosos que deixam a terra?

Há muitos degraus a transpor antes de obter a entrada desses mundos. Esses são os últimos degraus da vida material, e os seres que os povoam, diáfanos e leves para nós, são ainda grosseiros e pesados comparados aos puros Espíritos.

Quanto à nossa terra, ela não é senão um mundo inferior. É, após aí haver vivido um número de existências suficientes para perfazer sua educação e seu adiantamento moral, que o Espírito a deixa para abordar esferas mais e mais elevadas, e revestir um corpo menos material, menos sujeito aos males e às necessidades de toda sorte.

Após um número incalculável de vidas, sempre mais longas ao mesmo tempo em que mais doces, crescendo em ciência e em sabedoria, esclarecendo-se, progredindo sem cessar, a alma abandona enfim as moradas corporais e vai perseguir no infinito o curso de sua eterna ascensão. Suas faculdades se ampliam, uma fonte inesgotável de caridade, de amor flui nela; compreende as leis superiores, conhece o universo, entrevê Deus.

Mas pobre de mim! Como estão longe de nós suas beatitudes, suas alegrias inefáveis! É preciso nos elevar para essas alturas sublimes; Deus nos tem dado os meios. Ele tem querido que sejamos os artesãos de nossa felicidade. A lei do progresso não está escrita em nossa consciência? Não recuemos então diante das lutas, dos sacrifícios, de tudo que purifica, eleva, enobrece. Oh! Se os homens quisessem saber! Se eles se dignassem a procurar o verdadeiro propósito da vida!

Que horizontes se abririam ante eles! Como os bens materiais, esses bens efêmeros, lhes pareceriam miseráveis, como os rejeitariam para se ligar ao bem moral, à virtude, que a morte não pode tomar e que, sozinhos, nos abrem o acesso às regiões bem aventuradas.

Léon Denis

Ver no site o teatrólogo espírita Victorien Sardou com a primeira peça espírita "Espiritismo"

Fontes: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (As novas mídias como locus privilegiado para Divulgação Espírita)

"A futura fé que já emerge dentre as sombras não será nem católica nem protestante; será a crença universal das almas, a que reina em todas as sociedades adiantadas do espaço, e mediante a qual cessará o antagonismo que separa a ciência atual da religião. Porque, com ela, a ciência tornar-se-á religiosa, e a religião se há de tornar científica"

Léon Denis "Cristianismo e Espiritismo"

 

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