LÉON DENIS

O ESPIRITISMO NA ARTE

 

Neste livro, que reúnem uma série de artigos publicados

em 1922 na Revue Spirite (Revista Fundada por Allan Kardec)

 

Título Original em Francês

Léon Denis - Le Spiritisme Dans l'art

Paris (1922)

Sinopse da obra:

Nesta obra, Léon Denis retrata o que ocorre na espiritualidade, no que se refere à arte, e como a beleza se manifesta através do artista encarnado na Terra.

A obra foi elaborada com base em uma série de artigos escritos por Léon Denis em 1922, para a Revue Spirite (revista espírita francesa fundada por Allan Kardec, na qual tratava da questão do belo na arte (arquitetura, pintura, escultura, música, literatura, etc.).

Trechos da obra:

» Senso artístico: constituição e evolução

(Março de 1922)

Em que consiste o senso artístico?

O estudo atento da alma nos mostra que tudo na natureza – os sons, os perfumes, os raios de luz, as cores – encontra em nós suas correspondências, suas analogias, e que suas radiações se fundem e se harmonizam às profundezas do ser, na medida da nossa evolução. É isso o que constitui o senso artístico, a compreensão do belo sob todas as formas.

A evolução desse senso íntimo, a faculdade de expressá-lo, desenvolvem-se nas almas de vidas em vidas e terminam por produzir o talento, o gênio. Nos aspectos superiores da arte, o artista encontra a alta concepção da beleza eterna; ele compreende que sua fonte única está em Deus. Do infinito, essa fonte se lança sobre todos os seres e os penetra de acordo com o seu grau de receptividade.

Raios de luz e cores, sons e perfumes, estão ligados por um encadeamento, uma espécie de escala da qual cada nota representa uma soma particular de vibrações e que constituem, em seu conjunto, uma unidade perfeita. Se a ela se juntam as formas e as linhas, essa unidade se tornará a lei geral do belo, e a arte, em suas múltiplas manifestações, terá por objetivo reproduzi-las.

O estudo da arte e suas realizações nos impregnam, pouco a pouco, de esplendores do Universo. Inicialmente insensível e inconsciente no homem primitivo, esse trabalho acaba consciente, acentua-se, revela-se sob formas crescentes para se tornar como que um reflexo da suprema beleza.

Porém, sobre a Terra, a arte ainda é apenas um balbucio. Nos outros mundos, e principalmente no espaço, dizem-nos os nossos guias, ela produz maravilhas perto das quais as mais belas obras humanas pareceriam bem pobres e quase infantis. Chegada a essas alturas, a arte torna-se a forma mais sublime do culto prestado à divindade.

Até aqui o artista se inspirou nas coisas do mundo visível ou tangível; dele ouviu as vozes, as harmonias; estudou-lhe as formas, as cores e com elas conseguiu impregnar suas obras. Assim, o artista criou uma comunhão mais íntima entre o homem e a natureza. Graças a ele, as coisas obscuras e mudas tomaram uma alma e suas vagas aspirações, suas queixas, suas dores encontraram expressões que, tornando-as mais vivas, as aproximavam de nós, ao mesmo tempo em que a alma humana tornava-se mais sensível ao contato da vida exterior.

Assim, a arte entregou à vida do globo o sentido profundo que lhe faltava. Por meio da arte, as forças cegas da natureza penetraram em nós e adquiriram como que um reflexo da nossa consciência e dos nossos sentimentos. A alma humana foi em direção às coisas e sua influência lhes deu um modo mais intenso de vida e de sensações; por intermédio dessa comunhão a alma da Terra se elevou ao conhecimento de si mesma, de seu papel e de seu grande destino.

Agora, como se pode ver pelas lições de o Esteta, é todo um outro mundo que se abre, é toda uma vida ignorada que surge, mais rica, mais abundante, mais variada do que tudo o que conhecemos até aqui, e a arte vai encontrar nesse meio desconhecido de fontes inesgotáveis de inspiração e de poesia, formas insuspeitáveis do pensamento e da vida.

Desde agora, o domínio da matéria sutil e dos fluidos foi aberto, revelando-se sob aspectos prestigiosos, oferecendo ao homem meios de estudo e de observação que estendem ao infinito o campo de suas pesquisas e de seus conhecimentos científicos. As aparições de espíritos nos acostumaram com todas essas formas de existência extraterrestre, desde as materializações mais densas e mais grosseiras, até às manifestações da mais ideal e mais radiosa vida.

Em nossas conversas regulares com os espíritos-guias, obtemos indicações sobre a vida no espaço, sobre a grandiosidade de formas e de cores, sobre suas suaves e poderosas harmonias, que abrem ao músico, ao pintor, ao escultor, caminhos múltiplos e inexplorados.

Aqueles que possuem faculdades medianímicas irão percebê-los diretamente e, com eles, todos os recursos da arte serão enriquecidos. O vasto mundo dos espíritos torna-se acessível aos nossos sentidos, pelos espetáculos e ensinamentos que ele nos reserva. As forças intelectuais da humanidade serão centuplicadas, seu gênio artístico criará obras que superarão tudo o que os séculos realizaram.

– Fusão do bem com o belo: objetivo sublime da criação

Em resumo, a lei eterna do Universo, o objetivo sublime da criação, é a fusão do bem com o belo. Esses dois princípios são inseparáveis, eles inspiram toda a obra divina e constituem a base essencial das harmonias do Cosmos.

O pensamento e a intenção divinos sendo o bem, a manifestação deles é o belo. Em sua ascensão, o ser deverá mais e mais compenetrar-se desse pensamento soberano, dessa vontade, e dedicar-se a realizá-los em si e à sua volta, sob formas sempre mais perfeitas. Sua felicidade consistirá em assimilar essa lei e em cumpri-la. As alegrias íntimas e profundas que resultarão disso são a demonstração evidente do objetivo do Universo, alegrias que toda a linguagem humana, dizem-nos os espíritos, é insuficiente para definir. Essas leis, esse objetivo essencial, o Espiritismo não somente os ensina; ele ainda nos indica os meios de alcançá-los, de praticá-los. Sob esse ponto de vista, seu papel é notável e sua intervenção, no atual momento da história, é providencial.

Há um século vimos assistindo ao colossal desenvolvimento da indústria e de suas invenções, à descoberta e à aplicação dos recursos físicos da Terra. Disso resultou, nas idéias, uma poderosa corrente materialista, que deu um novo impulso aos apetites, às necessidades imperiosas de bem-estar e de usufrutos. A necessidade de se opor uma contra-influência espiritualista a essa corrente cada vez mais se faz sentir.

A evolução material necessita de uma evolução filosófica e religiosa paralela, sem o que as forças intelectuais se voltariam, cada vez mais, em direção ao mal e o mundo desabaria num grande cataclismo do qual a última guerra seria apenas o prelúdio e dele nos daria só a idéia.

Acima da vida presente, que é somente transitória, é preciso, entre outras coisas, fazer entrever a outra vida, que é o seu objetivo e a sua sanção. Unicamente pelo acordo final das ciências, das filosofias e das religiões mais evoluídas é que o pensamento atingirá os altos cumes e que a humanidade encontrará a confiança e a paz, com conhecimento das verdades essenciais, sob suas diversas faces.

Léon Denis

Ver no site as Revistas Espíritas publicadas por Allan Kardec (1858 A 1869)

Fontes: Encyclopédie Spirite (50 Années de La Revue Spirite)

"Os sonhos dos poetas, as visões dos místicos, as criações do gênio, as comprovações e demonstrações da Ciência, as realizações mais perfeitas da Arte são apenas ecos muito débeis e percepções pequeninas que os homens, com melhores dotes, captam como em um relâmpago quando a matéria, dominada por poucos instantes, permite que a alma possa entrever alguns pálidos reflexos do mundo divino"

Léon Denis "O Mundo Invisível e a Guerra"

"O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores, aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração"

Léon Denis "O Apóstolo do Espiritismo"

 

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