LÉON DENIS

 O GÊNIO CÉLTICO E O MUNDO INVISÍVEL

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Título Original em Francês

Léon Denis - Le Génie Celtique et le monde invisible

(França) 1927

 

Conforme Edição de 1927

União Espiritualista Francesa e Francófona

 

Tradutora do Francês para o Português

Joana de Portugal

Introdução da obra:

No meio da crise que sofremos, o pensamento se inquieta e se interroga; ele pesquisa as causas profundas do mal que atinge todas as formas da nossa vida social, política, econômica e moral.

As correntes de idéias, de sentimentos e de interesses se chocam violentamente, e de seus choques resulta um estado de perturbação, de confusão e de desordem que paralisa toda iniciativa e se traduz por uma incapacidade de se achar o remédio.

Parece que a França perdeu a consciência de si mesma, de sua origem, de seu gênio e de sua função no mundo.

Enquanto outras raças, essencialmente realistas, procuram um objetivo, tanto mais preciso e mais bem determinado quanto mais material, a França sempre hesitou, no curso de sua história, entre duas concepções opostas. E assim se explica o caráter intermitente de sua ação.

Ora ela se diz céltica, e então apela para esse espírito de liberdade, de retidão e de justiça que caracteriza a alma da Gália. É à intervenção desta, ao despertar de seu gênio, que é preciso atribuir a instituição das comunas da Idade Média e a obra da Revolução. Ora ela se crê latina, e desde então vão reaparecer todas as formas de opressão monárquica ou teocrática, a centralização burocrática e administrativa, imitada dos romanos, com as habilidades, os subterfúgios de sua política e de seus vícios, a corrupção dos povos envelhecidos.

Acrescentai, independente dessas concepções, a indiferença das massas, a sua ignorância das tradições, a perda de todo ideal. É às alternâncias dessas duas correntes que é preciso atribuir a hesitação do pensamento francês, os desníveis, as bruscas revira-voltas de sua ação através da história.

Para reencontrar a unidade moral, a sua própria consciência, o sentido profundo de seu papel e de seu destino, isto é, tudo o que torna as nações fortes, bastaria à França eliminar as teorias erradas, os sofismas pelos quais se tem falseado o seu julgamento, obscurecido o seu caminho, e voltar à sua própria natureza, às suas origens étnicas, ao seu gênio primitivo, em uma palavra, à tradição céltica, enriquecida do trabalho e do progresso dos séculos.

A França é céltica e não há dúvida possível sobre esse ponto. Nossos mais eminentes historiadores atestam tal fato, e com eles numerosos escritores e pensadores, entre os quais os dois Thierry, Henri Martin, J. Michelet, Edgar Quinet, Jean Reynaud, Renan, Emile Faguet e muitos outros. Se nós somos latinos, dizem eles, pela educação e pela cultura, somos celtas pelo sangue, pela raça.

D’Arbois de Jubainville sempre nos repetiu, tanto nos seus cursos no Colégio de França, como nos seus livros: “Há 90% de sangue gaulês nas veias dos franceses”. Com efeito, se consultarmos a história, veremos que, após a queda do império, os romanos, em massa, ultrapassaram os Alpes e ficaram muito pouco na Gália. As invasões germânicas passaram como trombas d’água sobre nosso país; somente os francos, os visigodos e os burgondes fixaram-se por muito tempo para se fundirem com os elementos autóctones. Além do mais, os francos eram em número de trinta e oito mil, enquanto que a Gália contava cerca de cinqüenta milhões de habitantes.

Pode-se questionar como uma vasta terra pôde ser conquistada com tão fracos meios. Essa questão, Ed. Haraucourt, da Academia Francesa, explica-nos num artigo substancial, publicado na revista La Lumière, de 15 de janeiro de 1926, de que trataremos mais adiante.

Todos aqueles que guardaram no coração a lembrança de nossas origens desejam evocar as glórias e os reveses desta raça inquieta, aventurosa, que é a nossa, em vez de lembrar as desgraças e as experiências que lhe atraíram tantas simpatias. Para todas essas páginas célebres, escritas sobre esse assunto, eu não teria sonhado em acrescentar, seja o que for, se não tivesse tido um elemento novo a oferecer ao leitor para elucidar o problema das nossas origens, isto é, a colaboração do mundo invisível.

Com efeito, é pelo estímulo do espírito Allan Kardec que realizei este trabalho, em que se encontrará uma série de mensagens que ele nos ditou, por incorporação, em condições que excluem toda fraude.

No decorrer dessas palestras, os espíritos, libertados da vida terrestre, trouxeram-nos seus conselhos e seus ensinos.

Como se verá em suas mensagens, Allan Kardec viveu na Gália, no tempo da independência, e ele foi um druida. O dólmen que, por sua vontade, se eleva sobre seu túmulo no Cemitério Père-Lachaise, tem ali um sentido preciso. A Doutrina Espírita, que o grande iniciador condensou e resumiu em suas obras por meio das comunicações de espíritos, obtidas em todos os lugares do globo, coincide, em suas grandes linhas, com o Druidismo e constitui um retorno às nossas verdadeiras tradições étnicas, amplificadas pelo progresso do pensamento e da ciência e confirmadas pelas vozes do Espaço. Essa revelação marca uma das fases mais altas da evolução humana, uma era fecunda de penetração do invisível no visível, a participação de dois mundos em uma obra grandiosa de educação moral e de refundição social.

Sob esse ponto de vista, suas conseqüências são incalculáveis. Ela oferece ao conhecimento um campo de estudos sem limites sobre a vida universal. Pelo encadeamento de nossas existências sucessivas e pela solidariedade que as religa, ela torna mais rigorosa a noção dos deveres e das responsabilidades.

Mostra que a justiça não é uma palavra vã e que a ordem e a harmonia reinam no cosmo.

A que devo atribuir este grande favor de ter sido ajudado, inspirado, dirigido pelos espíritos dos grandes celtistas do espaço?

Pelo que me disse Allan Kardec, vivi no oeste da Gália minhas três primeiras existências humanas e sempre conservei as impressões dos primeiros tempos. Na vida atual, com 18 anos, li O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e tive a intuição irresistível da verdade. Parecia ouvir vozes longínquas ou anteriores que me falavam mil coisas esquecidas. Todo um passado ressuscitava com uma intensidade quase dolorosa. E tudo o que vi, observei, aprendi, desde então, foi somente para confirmar essa impressão primeira.

Este livro pode, então, ser considerado, em grande parte, como uma elaboração desse Além, para onde logo vou retornar. A todos aqueles que os lerem, possa este livro levar uma radiação do nosso pensamento e da nossa fé comum, um raio do Alto que fortifica as consciências, consola as aflições e eleva as almas para esta fonte eterna de toda verdade, de toda sabedoria e de todo amor, que é Deus.

Léon Denis

Ver no site as obras de Allan Kardec o Codificador da Doutrina Espírita

Fontes: Portal - Ideia Espírita (Nascer... Morrer... Renascer...)

Fontes: Portal - A História do Povo Celta (O Povo Celta)

"O passado nunca morre completamente para o homem. O homem pode esquecê-lo totalmente, mas esse passado ficará sempre registrado no seu íntimo. Porque assim como ele é, ele próprio, em cada época, ele é simultaneamente o produto e o resumo de todas as épocas anteriores"

Fustel de Coulanges "A Cidade Antiga"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD


Textos Introdutórios da Obra "O Gênio Céltico e o Mundo Invisível" de Léon Denis (Por Henri Regnault o Biógrafo de Léon Denis)


Léon Denis - O Gênio Céltico e o Mundo Invisível PDF

 

Léon Denis - O Gênio Céltico e o Mundo Invisível DOC


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