LÉON DENIS

O GRANDE ENIGMA

 

Léon Denis - La Grande Enigme

 Dieu Et L'univers Suivi D'une

Synthese Spiritualiste Doctrinale Et Pratique Sous Forme De Dialogue

Paris (1911)

Apresentação da obra:

Ao Leitor

Nas horas pesadas da vida, nos dias de tristeza e de acabrunhamento, leitor, abre este livro! Eco das vozes do Alto, ele te dará coragem; inspirar-te-á a paciência e a submissão às leis eternas!

Onde e como pensei em escrevê-lo? Em uma tarde de inverno, tarde de passeio na costa azulada de Provença.

Deitava-se o Sol sobre o mar pacífico. Seus raios de ouro, resvalando sobre a vaga adormecida, acendiam tintas ardentes sobre o cimo das rochas e dos promontórios, enquanto o delgado crescente lunar subia no céu sem nuvens. Fazia-se grande silêncio, envolvendo todas as coisas. Solitário, um sino longínquo, lentamente, soava o ângelus. Pensativo, eu ouvia os ruídos abafados, os rumores apenas perceptíveis das cidades de inverno em festa e as vozes que cantavam em minha alma.

Pensava na indiferença dos homens que se inebriam de prazeres para melhor esquecer o fim da vida, seus imperiosos deveres, suas pesadas responsabilidades. O mar balouçante, o Espaço que, pouco a pouco, se constelava de estrelas, os odores penetrantes dos mirtos e dos pinheiros, as harmonias longínquas na calma da tarde, tudo contribuía para derramar, em mim e em torno de mim, um encanto sutil, íntimo e profundo.

E a voz me disse: Publica um livro que nós te inspiraremos, um livrinho que resuma tudo que a Alma humana deve conhecer para se orientar no seu caminho; publica um livro que demonstre a todos não ser a vida uma coisa vã de que se possa fazer uso leviano, e sim uma luta pela conquista do Céu, uma obra elevada e grave de edificação, de aperfeiçoamento, regida por leis augustas e eqüitativas, acima das quais paira a eterna Justiça, amenizada pelo Amor.

* * *

A Justiça! Se há neste mundo uma necessidade imperiosa para todos os que sofrem, para quantos têm a alma dilacerada, não é essa a de crer, de saber que a justiça não é uma palavra vazia; que há, de qualquer maneira, compensações para todas as dores, sanção para todos os deveres, consolação para todos os males?

Ora, essa justiça absoluta, soberana, quaisquer que sejam nossas opiniões políticas e nossas vistas sociais, deve reconhecer perfeitamente, não é de nosso mundo. As instituições humanas não a comportam.

Embora chegássemos a corrigir, a melhorar essas instituições e, por conseguinte, a atenuar muitos males, a diminuir a soma das desigualdades e das misérias humanas, há causas de aflição, enfermidades cruéis e inatas contra as quais seremos sempre impotentes: a perda da saúde, da vista, da razão, a separação dos seres amados e todo o imenso séqüito dos sofrimentos morais, tanto mais vivos quanto o homem é mais sensível e a civilização mais apurada.

Apesar de todos os melhoramentos sociais, nunca obteremos que o bem e o mal encontrem neste mundo integral sanção. Se existe essa justiça absoluta, o seu tribunal não pode estar senão no Além! Mas quem nos provará que esse Além não é um mito, uma ilusão, uma quimera? As religiões, as filosofias passaram; elas desdobraram sobre a Alma humana o manto rico de suas concepções e de suas esperanças. Entretanto, a dúvida subsistiu no fundo das consciências. Uma crítica minuciosa e sábia tem passado em estreito crivo todas as teorias de outrora. E desse conjunto maravilhoso só resultaram ruínas.

Mas, em todos os pontos do globo, fenômenos psíquicos se produziram. Variados, contínuos, inumeráveis, traziam a prova da existência de um mundo espiritual, invisível, regido por princípios rigorosos, tão imutáveis quanto os da matéria, mundo que guarda nas suas profundezas o segredo de nossas origens e de nossos destinos. Uma nova ciência nasceu baseada nas experiências, nas pesquisas e nos testemunhos de sábios eminentes; uma comunicação se estabelecera com esse mundo invisível que nos cerca e uma revelação poderosa banha a Humanidade qual uma onda pura e regeneradora.

* * *

Nunca, talvez, no decurso de sua história, a França sentiu mais profundamente a oportunidade de uma nova orientação moral. As religiões, dissemos, perderam muito de seu prestígio, e os frutos envenenados do materialismo se mostram por toda parte. Já tinham feito nascer entre as nações esse conflito sangrento que nos aproveitou tão pouco. A obra nefasta prossegue na hora presente. Ao lado do egoísmo e da sensualidade de uns, pompeiam a brutalidade e a avidez de outros. Os atos de violência, os assassínios e os suicídios se multiplicam.

As greves revestem caráter cada vez mais grave. É a luta das classes, o desencadeamento dos apetites e dos furores. A voz popular sobe e retumba; o ódio dos pequenos, contra aqueles que possuem e gozam, tende a passar do domínio das teorias para o dos fatos. As práticas bárbaras, destruidoras de toda a civilização, penetram nos costumes do operariado. Esse estado de coisas, agravando-se, nos levaria diretamente à guerra civil e à selvageria.

Tais são os resultados de uma falsa educação nacional. Desde séculos, nem a escola nem a Igreja têm ensinado ao povo aquilo de que ele tem mais necessidade de conhecer: o porquê da existência, a lei do destino com o verdadeiro sentido dos deveres e responsabilidades que a ele se ligam. Daí, em toda parte, o desarrazoar das inteligências e das consciências, a confusão, a desmoralização, a anarquia. Estamos ameaçados de falência social.

Será necessário descer até ao fundo do pélago das misérias públicas, para ver o erro cometido e compreender que se deve buscar, acima de tudo, o raio que esclareça a grande marcha humana em sua estrada sinuosa, através dos precipícios e das rochas que desabam?

Léon Denis

Ver no site o Biógrafo de Léon Denis "Henri Regnault"

Fontes: O Consolador - Revista Semanal de Divulgação Espírita

"O amor é todo-poderoso; é o calor que faz fundir os gelos do cepticismo, do ódio, da fúria, o calor que vivifica as almas embotadas, porém, prestes a desabrochar e a dilatar ao bafejo desse raio de amor"

Léon Denis "O Grande Enigma"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Textos Introdutórios da Obra "O Grande Enigma" Léon Denis (Por Henri Regnault o Biografo de Léon Denis)

 

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