O DOUTOR ALFRED ERNY

O GRANDE PESQUISADOR DA IMORTALIDADE

(1838 - ????)

 

ALFRED ERNY

O PSIQUISMO EXPERIMENTAL

(estudo dos fenômenos psíquicos)

 

Alfred Erny - Le Psychisme Experimental

Étude des Phénomèmes Psychiques

Paris

Librairie E. Flammarion

26, Rue Racine, Près L' Odéon

1895

Apresentação:

Alfred Erny foi mais um dos ousados pesquisadores dos fenômenos supranormais que não recearam enfrentar o desdém, a ironia e os ataques dos representantes da ciência materialista.

O Psiquismo Experimental é uma obra espírita clássica, publicada originalmente em francês, pela editora Flammarion, em Paris, no ano de 1895. Nela o autor faz uma exposição compacta dos principais fenômenos mediúnicos investigados pelos grandes pesquisadores do século XIX, além de suas próprias experiências psíquicas, e analisando-os à luz do entendimento científico e espírita existentes à época.

Em seus estudos, Alfred Erny procurou sempre colocar-se em posição intermediária na avaliação dos fenômenos mediúnicos, evitando os dois extremos: a credulidade excessiva de alguns espiritualistas apaixonados e a não menos nociva incredulidade dos materialistas, que só vêem o nada no fim desta vida.

O autor afirma que “os fenômenos psíquicos rasgam horizontes inteiramente novos e escapam a todas as leis estabelecidas pela ciência materialista”. E com este trabalho procura reforçar a afirmativa dos grandes psiquistas: a de que os nossos “mortos” estão mais vivos do que nós, porque a morte é apenas o término de uma experiência e o retorno a uma vida mais ampla e tão ou mais real do que esta nossa existência passageira.

Prefácio:

Dedico este livro ao meu confrade e amigo Victorien Sardou, cuja simpática aprovação me assistiu no decurso deste longo e penoso trabalho.

Como William Crookes, o ilustre químico inglês, e o nosso velho amigo Eugène Nus, Sardou nunca mudou de convicções, a despeito dos fáceis gracejos que espíritos malignos julgavam dever atirar-lhe.

Afortunadamente os tempos mudaram, e bem longe vai o momento em que Eugène Nus publicava a sua obra intitulada Coisas do Outro Mundo. Então, era preciso coragem para escrever um livro sobre fenômenos que o mundo científico olhava com desdém e que o público ridiculizava ou reputava uma hábil prestidigitação.

Atualmente o movimento psíquico se acentua todos os dias, como de uma feita me dizia Sardou: “Cessou a indiferença e, quando mesmo a esse ponto ainda não houvéssemos chegado, não se vos poderia recusar o mérito de haverdes, com alguns outros, contribuído para semelhante resultado”.

De fato, em toda parte essas questões importantes e complexas estão na ordem do dia.

Muitos sábios, outrora cépticos, têm sido forçados a render-se à realidade dos fatos, e de ano em ano aumenta o número dessas adesões. “Dentro em pouco – dizia um célebre professor inglês – somente os ignorantes negarão esses fenômenos”.

Era esse justamente o pensamento de Sardou, que assim me escrevia em 1892:

“Não repugna aos incrédulos e aos ignorantes emitir, ao acaso, para pôr fim a discussões que lhes não agradam, asserções sem valor, que o vulgo acolhe sem exame e repete complacente-mente, dando-se por feliz em escapar, por essa forma, à obrigação de observar e de criar uma opinião baseada em experiências sérias.”

Graças a experiências dessa natureza é que, na Europa e na América, tantos homens de ciência e tantos professores têm podido formar uma opinião e afirmá-la ousadamente, como se verá no capítulo primeiro deste livro.

Para esta obra precisei compulsar e traduzir mais de trezentos artigos ou volumes publicados na Inglaterra, na América e na Alemanha.

Era um trabalho enorme e dos mais difíceis; mas segui o exemplo do finado Eugène Nus, que assim me escrevia em 1892:

“Muitos anos há que vivo a esmiuçar coisas ingratas, certo de que daí não tirarei honra ou proveito, mas sem lamentar um minuto sequer desse tempo. Fazei como eu: só em vós mesmos procurai a satisfação dos vossos trabalhos. Tudo mais é subjetivo, pura ilusão: “maya”, como dizem os hindus.”

Terminando, agradeço publicamente a Victorien Sardou a aceitação da dedicatória deste livro, e a William Crookes e Alfred Russel Wallace, dois grandes sábios ingleses, a permissão que me concederam de publicar as suas importantíssimas cartas particulares.

21 de dezembro de 1894.
Alfred Erny

Introdução:

O Materialismo está em plena decadência. Triunfante em todo o decurso do século XIX, ele se desmorona lentamente, de um modo irrevogável.

Debalde os campeões dessa estreita doutrina ainda expõem as suas concepções pessimistas: já ninguém com elas se ilude.

Frios nos deixa a Filosofia, e a própria Metafísica já pouco poder tem sobre nós.

O que queremos atualmente são fatos e não teorias. De 15 anos para cá o impulso do Espiritualismo tem sido tão grande, que acabará por vencer todas as resistências, pois esse movimento é vertiginoso, como tudo nos nossos dias.

Vou fazer um breve resumo das origens do que chamarei psiquismo experimental, a fim de poder depois estudar a fundo os fenômenos de mais elevada natureza.

De 1850 a 1890, muitos sábios americanos, ingleses, alemães, russos, italianos, etc., iniciaram a marcha, afrontando cheios de coragem todas as suas vicissitudes. Outros, melhor aparelhados para a luta, seguiram aquele exemplo fecundo, atirando-se de forma audaciosa ao trabalho, e o seu número vai aumentando à proporção que o tempo passa.

Infelizmente para a França, quase todos os seus sábios têm sido vítimas da epidemia materialista, que tamanhas assolações causou nos séculos XVIII e XIX.

“Os nossos sábios – escrevia Yveling Rambaud, em 1886 – não valem menos do que os dos outros países; porém não se acham familiarizados com vários fenômenos que a antigüidade conhecia perfeitamente.”

O receio de ser alvejado pelo ridículo paralisa os mais corajosos e os mais empreendedores. Alguns temem também perder ou comprometer uma situação laboriosamente adquirida ou penosamente conquistada; a outros desgosta demolir teorias seculares, como se elas fossem velhas casas imprestáveis.

Finalmente, a filosofia materialista e céptica, que há muito tempo constitui o ensino científico, é uma das principais causas desse retardamento no estudo dos fenômenos psíquicos.

Ao passo que, há um século, sob o impulso dos sábios, a ciência física tem dado passos gigantescos, a ciência psíquica se tem conservado letra morta para a maior parte deles.

“Há duzentos anos – dizia um sacerdote budista do Tibet a um doutor inglês – estudais a matéria sob todas as suas formas; nós, há mais de dez mil anos, estudamos a alma e as suas faculdades.”
Nos Estados Unidos, na Alemanha, na Inglaterra, na Rússia, etc., os sábios não temem o ridículo, antes o desprezam completamente.

Aqueles que fria e metodicamente se têm ocupado dos fenômenos psíquicos é que me prestaram justamente a maior soma de auxílios. A princípio absolutamente incrédulos, todos eles se viram forçados a render-se à evidência. Nesses diversos países houve alguns recalcitrantes; mas a exceção confirma a regra. Ver-se-á, pela lista que hei de apresentar, que ela não se compõe de nomes sem significação.

Na França, na Inglaterra e na América, muitos doutores perderam uma boa ocasião de francamente confessarem suas opiniões. Sirva-lhes de consolação a lembrança de que Galileu escapou de ser queimado e Fulton foi preso como louco.

Em geral é essa a sorte daqueles que se adiantam à sua época e não se curvam às opiniões correntes. Colocados na vanguarda, são os batedores que recebem os primeiros golpes.

Depois que se estudaram certos fenômenos psíquicos que oferecem os hipnotizados, o aspecto das coisas mudou; pouco a pouco se tornará indispensável estudar os fenômenos outrora qualificados de espíritas, e que, mudando de nome, se tornarão finalmente científicos.

Amparou-me nesse árido trabalho a viva animação de muitos espiritualistas, inclusive V. Sardou e E. Nus. Em 1892 escrevia-me este último: “Pensai apenas na utilidade do vosso trabalho. Não cuideis do mal que ele vos pode causar.”

Certamente pensei também em todo o mal que poderiam dizer do meu livro; mas pouco importa o ridículo, desde que eu consiga atingir o meu fim.

Foi meu intento reunir um grande número de fatos estudados e verificados por sábios e experimentadores acima de qualquer suspeita, e depois apresentá-los em toda a sua evidência.

Por extraordinários que sejam os fenômenos que vou estudar, nem por isso são menos dignos de interesse, pois muitas vezes a verdade parece inverossímil. Apesar da absoluta má vontade dos homens de ciência, que afetam desdenhar desses fatos, não é possível negá-los e cada vez mais pueril de torna a obstinação em rir dos fenômenos psíquicos.

Espero que as experiências por mim citadas pouca dúvida deixem às pessoas de boa fé, porque afastei cuidadosamente tudo quanto me pareceu baldo de solidez.

Quanto aos ignorantes ou aos incrédulos obstinados, eles são incorrigíveis, e perdido seria o tempo que se gastasse em procurar convencê-los.

Eles negarão mesmo o que os maiores sábios afirmarem. Como São Tomé, todos eles querem “ver e tocar”. Foi, sem dúvida, dessa categoria de indivíduos que disse Maquiavel: “Há três espécies de cérebros: os primeiros são os que, por si mesmos, compreendem a razão de ser das coisas; os segundos são os que reconhecem a verdade, quando demonstrada por outros; os últimos são os que são incapazes de compreender; naturalmente estes formam a maioria.”

O inconveniente desses fenômenos é a dificuldade de observá-los pelos processos chamados científicos.

Quando se pede a certos sábios que façam experiências, eles estabelecem logo condições, ignorando entretanto:

1º) quais são também as condições em que se pode produzir o fenômeno;

2º) por que o fluido psíquico atua em um caso e em outros não;

3º) enfim, por que os fenômenos são contrariados ou anulados, quer pelo estado da atmosfera, quer pelo dos médiuns ou das pessoas presentes.

Como se ignoram em parte as leis que regem esses fenômenos, é impossível estudá-los em condições fixas ou preestabelecidas.

Possuindo cada corpo humano uma quantidade maior ou menor de fluidos, estes últimos podem muitas vezes neutralizar-se mutuamente, resultando daí novas dificuldades para o observa-dor.

O que, durante muito tempo, prejudicou e sempre prejudicará o estudo desses fenômenos são as fraudes de alguns médiuns.

Mas que tem isso de extraordinário? Tudo se falsifica, inclusive o diamante e a letra bancária. E porventura isso destrói o valor do verdadeiro diamante e da letra bancária? Tudo pode ser falsificado, e as falsificações são os piores inimigos da verdade.

Os falsos médiuns julgaram proveitoso explorar esse novo terreno. Na América e na Inglaterra, certos indivíduos muito práticos assenhorearam-se dessa indústria e dela tiraram belos proventos. A ambição do lucro, o amor ao dinheiro constituíram sempre poderosos incentivos ao dolo.

Alguns sábios, afeitos à observação dos hospitais e dos hospícios de alienados, imaginam que os médiuns são histéricos ou doentes. Puro engano! A verdade é que a mediunidade é um dom. A organização do médium é diferente da dos demais seres humanos; aquele tem percepções psíquicas mui especiais e delicadas, é duma extrema sensibilidade; porém, abusando dessas qualidades, o seu estado geral se ressentirá do excesso, de um modo extremamente notável.

A força psíquica se esgota, como a força vital; em geral, desde que um médium se acha doente, cessam os fenômenos, e só reaparecem quando ele se restabelece.

Depois de freqüentes sessões, um médium pago tem esgotadas as suas forças psíquicas; e, se os fenômenos não se produzem (o que o médium sabe perfeitamente que não depende de si) e como, apesar de tudo, é preciso viver, ele recorre a artifícios que cedo ou tarde serão descobertos e o arruinarão completamente, qualquer que tenha sido a boa fé de que haja usado em experiências anteriores.

Quanto a mim, prefiro os médiuns que não recebem paga: só esses oferecem garantias certas contra a fraude, pois nenhum interesse pode levá-los a enganar. Infelizmente, esses médiuns não se acham ao alcance de todo o mundo; porém, aqueles que desejam investigar os fenômenos, bem depressa chegam a conhecer os sensitivos dessa natureza.

Sobre os fenômenos chamados espíritas, que melhor é denominar psíquicos, porque nem sempre intervêm neles os espíritos, pesa ainda a desconsideração que por muito tempo oprimiu o magnetismo.

Do mesmo modo que o magnetismo foi batizado de hipnotismo, o que em França se chama espiritismo, e na América e na Inglaterra espiritualismo, acabará por denominar-se psiquismo, e será um dia para o Espiritismo o que é a Química para a Alquimia.

A despeito dos numerosos fatos estudados e observados no mundo inteiro, a escola materialista se obstina em negar esses fatos, principalmente porque eles destroem a maior parte das suas teorias fisiológicas. As gerações futuras hão de pasmar da obstinação de certos sábios, e no próximo século as teorias materialistas parecerão tão ridículas como as de Faraday e de Jobert de Lamballe sobre as pancadas provenientes de força psíquica.

Há cem anos toda a nossa educação, todas as nossas idéias afastavam quase todo o mundo do estudo desses fenômenos. A rotina é muito fácil de seguir e os preconceitos são difíceis de vencer.

Sei perfeitamente que alguns doutores e professores se ocupam com essas questões, mas suspeito muito dos seus preconceitos de escola.

Tão enraizada se acha a sua educação materialista e tão refratário é às novidades o seu meio científico, que bem difícil lhes será afrontar de viseira erguida a velha rotina e as chapas decrépitas.

Li o seguinte em um livro dos Srs. Binet e Féré, acerca do magnetismo:

“O estudo das paralisias por sugestão abre à Psicologia horizontes inteiramente novos; esses fatos desorientam os psicólogos e escapam a todas as leis mentais por eles estabelecidas, porque não se acham compreendidos no quadro estreito de suas classificações.”

O mesmo se pode dizer dos fenômenos psíquicos: eles rasgam horizontes inteiramente novos e escapam a todas as leis estabelecidas pela ciência materialista, porque não os comporta o quadro estreito de suas classificações.

No meu estudo psíquico procurei ser imparcial, guardando o meio termo entre a credulidade excessiva de alguns espiritualistas e a incredulidade ainda mais exagerada dos materialistas e positivistas, que não vêem além... do seu corpo.

Alfred Erny - O Psiquismo Experimental

Ver no site o pesquisador espírita Victorien Sardou

Ver no site o pesquisador espírita William Crookes

Fontes: l'Encyclopédie Spirite (Biblioteca Espírita em Francês)

Fontes: Le Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec (Biblioteca Espírita em Francês)

"O Materialismo está em plena decadência. Triunfante em todo o decurso do século XIX, ele se desmorona lentamente, de um modo irrevogável."

Alfred Erny "O Grande Pesquisador da Imortalidade"

"Na França, na Inglaterra e na América, muitos doutores perderam uma boa ocasião de francamente confessarem suas opiniões. Sirva-lhes de consolação a lembrança de que Galileu escapou de ser queimado e Fulton foi preso como louco.

Em geral é essa a sorte daqueles que se adiantam à sua época e não se curvam às opiniões correntes. Colocados na vanguarda, são os batedores que recebem os primeiros golpes."

Alfred Erny "O Grande Pesquisador da Imortalidade"
 

RELAÇÕES DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - A psicometria (Alfred Erny - O Psiquismo Experimental)
 

Alfred Erny - O Psiquismo Experimental PDF

 

Alfred Erny - Le Psychisme Experimental (1895) (Fr)