Defesa do Espiritualismo moderno

ALFRED RUSSEL WALLACE

Membro da Sociedade Real

Autor da História Natural do Arquipélago Malaio, de Explorações no Amazonas, da Teoria da Seleção Natural

 

Em inglês “Spiritualism” significa espiritualismo e espiritismo ao mesmo tempo, já que não existe um termo específico para espiritismo, lembrando que essa palavra foi idealizada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, em sua pesquisa deu início à codificação da Doutrina Espírita, com a publicação de O Livro dos Espíritos (1857).


OBRA RARA TRADUZIDA

 

Alfred Russel Wallace - A Defense of Modern Spiritualism

Colby and Rich

9, Montgomery Place

Boston - Estados Unidos

(1874)

 

Alfred Russel Wallace - Defensa del Espiritualismo Moderno

Buenos Aires (La Plata)

(1887)

 

Tradutora do Espanhol para o Português

Teresa da Espanha

Um introito necessário:

Parece que tanto o sistema moral quanto o religioso receberão, do progresso da ciência, profundas modificações no futuro. Eles se acomodarão cada vez mais aos fenômenos naturais: não apenas às descobertas do diligente materialismo, trabalhando em uma única direção, como também aos fatos transcendentais que o Espiritismo moderno tem restaurado e demonstrado.

Uma dessas ordens de fenômenos é incompleta sem a outra; e é tão verdadeiro que o materialismo está condenado a ser circundado e transfigurado pelo horizonte mais vasto do Espiritismo, quanto que o sistema do universo de Ptolomeu foi condenado a ser substituído pelo de Copérnico.

Os fatos impopulares costumam encontrar uma oposição tão persistente quanto aquela que segue as teorias impopulares; por essa razão os espíritas inteligentes não se alteram por causa do antagonismo que seus fatos têm encontrado nos Huxleys, Tyndalls, Carpenters e Buchner da nossa atualidade. – Todos estes homens, ao trabalharem pela ciência, cada um ao seu modo, mesmo com a desvantagem da ignorância de certos fenômenos de vasta significação, são bem-vindos para os espiritualistas, como cooperadores na causa da verdade; porque, descansando nos fatos, confiam em que a ciência genuína é capaz de incluir todos eles, e em que cada nova descoberta precisa estar em harmonia com aquilo que eles reconhecem como verdadeiro. Visto que a oposição aos fenômenos, em realidade, provém apenas da falta de conhecimentos, ela somente indica a magnitude e o espantoso caráter desses mesmos fenômenos que conseguiram excitar tal incredulidade em presença de testemunhas irrefutáveis.

Entre os homens de ciência que já admitiram os fenômenos e, além dos fatos, também a teoria do Espiritismo, encontram-se: Hare, químico; Varley, da Sociedade Real, eletricista; Flammarion, astrônomo; Crookes, da Sociedade Real, químico; Hoefle, autor da “História da Química”; Nichols, químico; Fichte, filósofo; Liais, astrônomo; Hernan Goldschmidt, astrônomo e descobridor de catorze planetas(*); Von Esenbach, o maior botânico alemão moderno; Huggins, da Sociedade Real, astrônomo-espectrocopista; De Morgan, matemático; Dille, físico; Elliotson, Ashbur-ner e Gray, médicos y cirurgiões.

(*) Entendendo por planetas, corpos menores tais como asteroides.

No entanto, a nenhum outro homem de ciência eminente o Espiritismo moderno deve mais do que a Alfredo Russell Wallace, membro da Sociedade Real, que se distingue pelas suas pesquisas em História Natural, Paleontologia e Antropologia. Sua “Defesa do Espiritualismo”, que veremos na sequência, apareceu primeiro na “Revista Quinzenal de Londres” de maio e junho de 1874. Contendo os últimos fatos, ainda não foi apresentada exposição alguma que respondesse melhor aos adversários do Espiritualismo.

Wallace, tendo chegado ao mesmo tempo com Mr. Darwin a conclusões semelhantes sobre a origem e seleção das espécies, difere dele em um ponto importantíssimo; porque ele acredita que “é preciso admitirmos uma inteligência superior para poder explicar a existência do homem”. Seu conhecimento dos fenômenos do espiritismo dá a ele uma grande vantagem sobre Mr. Darwin na amplitude e alcance da sua antropologia. Além da sua grande obra sobre a “História Natural do Arquipélago Malaio” e a exposição de suas “Explorações no Amazonas”, o senhor Wallace é autor da “Teoria da Seleção Natural” e de muitos artigos em jornais científicos.

O Dr. Hooker, presidente da “Associação Britânica para o Avanço da Ciência”, escreveu em 1868: “De Mr. Wallace e suas muitas contribuições para a Biologia filosófica, não é fácil falar sem entusiasmo; porque, além do grande mérito das mesmas, ele esquece em seus inúmeros escritos, com essa modéstia tão espontânea como rara, seus próprios inquestionáveis créditos ao mérito de ter originado, de forma independente, as teorias que Mr. Darwin tão habilmente defende”.

Não seria possível tratar com ligeireza ou prescindir do testemunho dos grandes fenômenos do Espiritismo que traz um pesquisador como o Sr. Wallace. O que poderia ser replicado diante da falange de fatos que ele apresenta?

Epes Sargent

Prefácio da obra:

Nascido em 1823, o inglês Alfred Russel Wallace foi topógrafo e arquiteto. Aos 17 anos de idade começou a interessar-se por botânica. Aos 23 anos, iniciou viagem pelo Amazonas, ali permanecendo por dois anos. A valiosa coleção acumulada nessa expedição foi consumida pelo fogo na viagem de volta, embora Wallace tenha conservado as anotações que lhe permitiram escrever um livro sobre a Amazônia.

Viajou depois extensamente - entre 1854 e 1862 - pelo arquipélago malaio. Depois, fixou-se em seu país, dedicando-se a pesquisas científicas que divulgou em grande número de livros. Em 1858, numa reunião da Sociedade Linneana de Londres, é apresentado conjuntamente um resumo da teoria de Darwin sobre a evolução das espécies e um ensaio de Wallace sobre o mesmo assunto, tomando como base a seleção natural.

O trabalho de Wallace sobre a evolução das espécies, escrito em fevereiro de 1858, na Malaia, tem como ponto de partida o Ensaio sobre a população, de Thomas Robert Malthus. Anos depois, Wallace se afasta de Darwin, que defende a tese da "seleção sexual", preferindo a da sobrevivência do mais forte e, sob tese mais espiritualista, aceita a intervenção de causas não identificadas na evolução das espécies [Deus]. Seus trabalhos sobre a fauna oriental e austral fazem de Wallace um dos fundadores da geografia animal. Em 1892 recebeu a Medalha de Ouro da Sociedade Linneana, prêmio que se concede, todos os anos, a um botânico ou zoólogo cujo trabalho tenha importância significativa.

Wallace Alfred R. Wallace foi introduzido ao pensamento Espiritualista de Robert Owen em sua juventude, como professor em Leicester, assistiu a uma conferência sobre mesmerismo, dada por Spencer Hall, que o levou a fazer experimentos com seus alunos, obtendo resultados que o impressionaram e marcaram o início das pesquisas que o conduziriam ao exame dos fatos do espiritualismo.

No início dos anos 1850, a senhora Hayden converteu Robert Owen ao espiritualismo moderno e isto pode ter afetado a Wallace, que demonstrou interesse em realizar pesquisas sobre a mediunidade quando retornasse às ilhas britânicas. Quando voltou do exterior, em 1862, leu sobre o espiritualismo e, como a maioria das pessoas, achou que fosse tudo fraude, ilusão, estupidez. Porém, encontrou pessoas inteligentes e sadias que ora asseguravam que haviam experienciado coisas maravilhosas.

A senhora Marshall era uma médium conhecida em Londres àquela época e, após um exame detido, ficou convencido de que os fenômenos associados a ela eram perfeitamente genuínos. O aspecto científico da metafísica foi publicado em 1866 e, em 1871, ele escreveu e leu um trabalho contradizendo aos argumentos de Hume, Lecky e outros sobre os milagres para a Dialectical Society.

em 1886 Wallace viajou a Nova York para fazer conferências e visitou três sociedades espiritualistas norte-americanas, em Boston, Washington e São Francisco. Assistiu a sessões e fez contatos com os espiritualistas norte-americanos. Encontrou-se com o conhecido psicólogo William James em diversas ocasiões. Em uma delas, assistiu a uma sessão de materialização com a senhora Ross na qual apareceram muitas pessoas e objetos, como um índio, um rosto de bebê, que ele beijou, etc. Em uma outra sessão, ele identificou um primo.

Houve uma acusação de fraude da médium e Wallace escreveu em sua defesa em uma carta publicada no jornal Banner of Light. Nessa época, Wallace publicou um artigo intitulado “Estão os fenômenos do espiritualismo em harmonia com a ciência?” Wallace prosseguiu com suas publicações espiritualistas até o seu falecimento, em 7 de novembro de 1913. Alfred Russel Wallace enfrentou a intolerância de uma época, intolerância contra sua origem social, contra sua religião e mesmo contra a sua honestidade científica. Certa vez confessou que "foi um materialista muito convicto e não admitia absolutamente a existência do mundo espiritual, mas os fatos espirituais foram coisas teimosas, eles me obrigam a aceitá-los como fatos verdadeiros, portanto contra os fatos não há contra argumentações.”

São Paulo, 04 de julho de 2016

Jorge Hessen
 

Fontes: Federación Espírita Española (Biblioteca Libros Espíritas en Español)

Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (O Espiritismo jamais será superado)

Fontes: Canal Jorge Hessen (O Espiritismo De Kardec Aos Dias De Hoje - Filme Produzido pela FEB)

 

"Esta religião da razão e da ciência chama-se Espiritismo"

Giuseppe Garibaldi "O Patriota Italiano"

"Para além do túmulo, não temos outro juiz nem outro carrasco a não ser a nossa própria consciência”

León Denis "O Apóstolo do Espiritismo"

"Demonstrando a existência e a imortalidade da alma, o Espiritismo reaviva a fé no futuro, levanta os ânimos abatidos e faz suportar com resignação as vicissitudes da vida"

Allan Kardec "O Codificador do Espiritismo"

"Quando a ciência demonstrar que o Espiritismo estiver errado em um ponto, ele se modificará neste ponto"

Allan Kardec "O Codificador do Espiritismo"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Alfred Russel Wallace - Defesa do Espiritualismo moderno PDF

 

Alfred Russel Wallace - Defesa do Espiritualismo moderno DOC

 

Alfred Russel Wallace - Defensa del espiritualismo moderno (Esp)

 

Alfred Russel Wallace - A Defence of a Modern Spiritualism (Eng)