GUSTAVE GELEY

 

 Do Inconsciente ao Consciente

 

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

 

Título do original em francês

 

Gustave Geley - De I’Inconscient au Conscient

 

 

Librairie Félix Alcan

 

108, Boulevard Saint-Germain

 

Paris (1919)

Tradutor do Francês para o Português

 

Abílio Ferreira Filho

Apresentação do site:

 

Agradecemos a Abílio Ferreira Filho, tradutor desta extraordinária obra de Gustave Geley. Os leitores brasileiros até o momento não tinham acesso direto ao livro, em face da não tradução para a língua portuguesa. Por essa razão, oferecemos a décima sétima tradução de um clássico espírita sob a rubrica e responsabilidade do Portal Autores Espíritas Clássicos. Por sobre-humanas razões agradecemos a Abílio Ferreira, um aguerrido e laborioso cooperador do Cristo.
 

O primordial compromisso doutrinário do site é com a difusão gratuita do Espiritismo, por isso priorizamos de forma inabalável o resgate imparcial das primícias contidas nas obras e pensamentos dos autores clássicos da Terceira revelação.
Trechos da obra:

 

Na evolução tal como nós a temos compreendido, a realização progressiva do soberano bem aparece com uma evidência indiscutível.

 

Enquanto o pessimismo racional provinha de uma visão fragmentária, e por consequência falsa do universo, as conclusões contrárias, todas de um idealismo otimista, ressaltam de sua visão extensa e completa.

 

Essa visão sintética permite, antes de tudo, a solução facilitada e total do problema do mal.

 

Antes de tudo, com a ideia palingenésica(reencarnação), o mal não tem mais a importância absoluta, integral, definitiva, que lhe se atribuía. O mal tem para sempre senão uma importância relativa e será sempre reparável.

 

Consideremos o maior dos males aparentes: a morte.

 

A morte não é mais somente “o rei dos apavoramentos” mas ela perde totalmente o caráter de maldição que lhe era imprimida pela cegueira da criatura, limitada por seus órgãos grosseiros e encerrado nos limites da ilusão material.

 

No evolucionismo palingenésico, a morte não é mais um mal, salvo quando ela é prematura e levada um embaraço e um retardamento na evolução individual.

 

Intercalada no jogo normal da vida eterna, sobrevindo a sua hora, quando o organismo já deu todo seu rendimento, a morte é a grande reguladora. Ela coloca o indivíduo, nós já o temos dito, em condições de esforço sucessivo muito variado, e impede assim o desenvolvimento consciencial em um sentido unilateral.

 

A morte tem outro papel ainda, não menos útil, embora o Ser cego se recuse geralmente a compreender a necessidade ou mesmo se revolte contra ela; a morte quebra os laços que, sem ela, tenderiam precisamente a manter o Ser no caminho único de sua derradeira vida; na limitação mesmo na qual ele sofreu a empreitada.

 

Sem dúvida essa quebra é dolorosa; ela separa brutalmente o Ser de seus hábitos, meios e afetos; mas esse sacrifício, relativo e reparável, é indispensável ao progresso.

 

Isso, aliás, está longe de ser um mal; ao mesmo tempo em que ela priva o ser desses meios benéficos, ela o arranca das contingências nocivas, da inveja, do ódio, da doença, da impotência; ou simplesmente de uma ambiência esterilizadora. Ela força o Ser a deixar, com um organismo usado, hábitos transmudados daí em diante em rotina estéril.

 

Outro mal aparente, de mesma ordem que a morte, é a ignorância em que está o Ser encarnado de sua situação real, e o esquecimento do passado, do longo passado. Como a morte, e nós já o demonstramos, essa ignorância, esse esquecimento são as condições essenciais do progresso evolutivo.

 

O que é verdadeiro da morte e da ignorância é verdadeiro de todos os males.

 

Com a ideia palingenésica, o mal, não seriamos capazes de repeti-lo, perde o caráter de absoluto, de irreparável que o tornava insuportável.

 

Considerado à luz dessa ideia, o mundo, o vale de misérias e de lágrimas, aparece sob um aspecto todo diferente.

 

Sem dúvida, a dor está ainda por toda parte; mas a dor permanente não existe mais. Não há mais catástrofes totais. Do mesmo modo não há aniquilamento, não há mal absoluto na evolução palingenésica. Há mais vidas, como em uma vida isolada há maus dias; mas, na soma total, as contingências felizes ou infelizes se equilibram no conjunto e são sensivelmente iguais para todos.

 

Desde então, compreende-se o por que e o como do mal. O mal não é o resultado da vontade, da impotência ou de imprevidência de um criador responsável.

 

O mal não é mais o resultado de uma decadência.

 

O mal é o companheiro inevitável do despertar da consciência. O esforço necessário para a passagem do inconsciente ao consciente não pode não ser doloroso, caos, tentativas, lutas, sofrimentos; tudo isso é a consequência da ignorância primitiva e do esforço para sair daí. A evolução não é senão a constatação dessas tentativas, dessas lutas, desses sofrimentos. Mas se ela tem sua base na inconsciência, a ignorância e o mal, ela tem seu cume na luz, no saber, na felicidade.

 

O mal, em uma palavra, não é senão a medida da inferioridade dos seres e dos mundos.

 

É, nas fases inferiores de sua evolução, o resgate desse bem supremo: a aquisição da consciência.

 

O mal não tendo senão um caráter essencialmente provisório, não é difícil de ter uma ideia do que será o bem futuro, realizado nas fases superiores da evolução.

 

Antes de tudo, terá desaparecido a ideia de aniquilamento. Não se temerá mais a morte, nem pelos seus, nem por si. Será considerada como hoje se considera o repouso do fim do dia, isto é, como uma simples condição, aliás, benéfica, da atividade do dia seguinte.

 

Não se terá de resto, nenhuma razão de desejar sua vinda prematura, pois a vida será marcada por uma larga predominância de acontecimentos felizes, e uma grande rarefação de ocasiões de sofrimento. A doença será vencida; os acidentes excepcionais. A velhice, retardada, não será mais a hedionda devastadora, envenenando a existência de suas taras ou de suas enfermidades.

 

“Em lugar de começar seus estragos, como agora, antes mesmo da maturidade, ela não sobreviria senão nos derradeiros anos, deixando ao homem, até ao objetivo, suas forças físicas e intelectuais, sua saúde e seu entusiasmo.”

 

O organismo será, à medida do desenvolvimento consciencial, senão transformado, pelo menos aperfeiçoado e idealizado. O tipo de beleza física será a regra, com uma variedade infinita impedindo toda monotonia.

 

As causas de sofrimento, devidas à natureza, às necessidades vitais e fisiológicas, a um estado social e humano ainda digno de selvagens, serão atenuadas, graças ao progresso de toda ordem.

 

Os sofrimentos morais terão, eles mesmos, diminuído de frequência e de importância. Concebe-se mal, em uma humanidade evoluída, as penas sem número devidas hoje ao ódio, à inveja, ao amor. Não se concebe mais o amor como outra coisa que não o que deveria ser: uma fonte de alegrias; então que ele é atualmente a grande causa de sofrimentos e muito frequentemente assimilável à pior das doenças mentais!

 

Os sofrimentos que não se pode chamar de ordem filosófica, enfim, desaparecerão pelo único fato de que a humanidade terá, do destino e do fim do universo, de seu próprio destino e de seu próprio fim, uma visão nítida, precisa e verdadeira.

 

Ao mesmo tempo em que a diminuição e a rarefação das causas de sofrimento, se manifestarão, natural e necessariamente, um crescimento correlativo das causas de alegria.

 

O desenvolvimento intuitivo e consciencial, psíquico e metapsíquico, estético e moral decuplicarão as emoções felizes; eles tornarão possíveis e certos uma colheita de felicidade ainda insuspeita.

 

A realização do soberano bem, em uma palavra, acompanhará necessária e inevitavelmente a realização da soberana consciência e da soberana justiça.

 

Gustave Geley - Do Inconsciente ao Consciente

 

 

 

Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as conseqüências e busca as aplicações úteis.

 

Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios.

 

Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subseqüentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas.
 

Allan Kardec "A Gênese - Caráter da Revelação Espírita"

 

 RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - Trechos dos Discursos Pronunciados por Allan Kardec nas Reuniões Gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux (Allan Kardec - Viagem Espírita em 1862)

 

Artigos Espíritas - Breve esboço de pesquisa sobre as mensagens subliminares (A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas)

 

Gustave Geley - Do Inconsciente ao Consciente (PDF)

 

Gustave Geley - Do Inconsciente ao Consciente (DOC)

 

Gustave Geley - De l’Inconscient au Conscient (Fr)