JUSTINUS KERNER

OS PRECURSORES DO ESPIRITISMO

PESQUISADOR DAS FACULDADES DA MÉDIUM Frederica Hauffe

(1786 - 1862)

 

O pesquisador Justinus Kerner teve  como material de pesquisa a médium Frederica Hauffe ver LINK

Apresentação da biografia:

Justinus Kerner nasceu em Ludwigsburg, no Wurtemberg, a 18 de setembro de 1786. Era o mais moço dos cinco filhos do Bailio superior da cidade. O pai morrera, sem deixar bens, em 1799, e a mãe colocou-o a principio numa loja de marceneiro, tencionando fazê-lo confeiteiro mais tarde. Por felicidade, um amigo da família, o Pastor Konz, poeta, e a quem Justinus mostrara os seus primeiros versos, conseguiu que o encaminhassem à Universidade de Tübingen, onde escolheria depois a carreira que devia seguir.

Kerner estava nos seus dezoito anos; partira a pé, com o saco nas costas e chegou, em bela noite de lua, às portas da cidade; fatigado, deitou-se num banco e adormeceu. Quando acordou - diz Karl du Prel - os choupos vergavam por violento furação e o vento lhe traz, através das janelas do Hospital dos Pobres, uma folha de papel: era uma receita assinada pelo Dr. Uhland, médico chefe do Bailio. O jovem viu nisso um aviso da Previdência e, com a resolução de formar-se em Medicina, entrou em Tubingem em 1804.

Quatro anos mais tarde recebeu o grau de doutor, e deixou Tübingen para completar os estudos por algum tempo na Áustria e em parte na Alemanha. As cartas que escrevia em viagem aos amigos tornaram-se o assunto de sua primeira produção literária, impressa em Heidelberg., no ano de 1811, com o titulo - Reiseschatten Von dem Schattenspieler Lux - Esboço da Viagem do Fantástico, Lux.

Estabeleceu-se como médico na pequena cidade de Welheim. "Tornou-se cada vez mais conhecido - diz Karl du Prel - não só como poeta senão como consciencioso facultativo. Muito procurado, tinha um único defeito e bem grave num médico, o de sentir como se fossem seus os males dos doentes: Seus insucessos na prática médica tiravam-lhe o sono".

Casou-se em 1813 com uma jovem de Tübingen, Frederica Ehman, de, quem ficara noivo desde o tempo da Universidade. De começo, a vida do casal era modesta. Só havia um albergue para alugar em Welheim: tinha dois compartimentos com uma pequena cozinha. E o seu quarto de dormir deveria ser cedido para a sala de dança, de festas, nos dias de feira, para casamentos, enfim para o que dele tivesse necessidade o dono do albergue.

Em 1816 é Kerner investido no cargo de médico-chefe do distrito de Gaildorff, e no ano de 1819, em Weinsberg, encantadora cidadezinha, célebre pelo assédio que lhe pôs em 1525 o imperador Conrado durante a guerra entre guelfos e gibelinos.

Diz à tradição que quando a praça foi obrigada a render-se, a capitulação dera direito às mulheres de levarem o que tivessem de mais precioso, e ei-las que saem levando o marido às costas. O vencedor não quis discutir essa inesperada interpretação e a colina, que se estendia pelo povoado, tomou o nome de Weibertreue (Fidelidade das mulheres).

Quando o médico chegou a Weinsberg a colina se achava em estado selvagem. Ele comprou um terreno, transformou-o em parque e ai construiu uma casa de que ele e a consorte faziam as honras com tal simplicidade que, muitas vezes, soldados e bufarinheiros, de passagem, ali entravam Ingenuamente, supondo tratar-se de um albergue.

Ali eram acolhidos ao mesmo tempo e com a mesma singeleza os admiradores do poeta, os clientes do médico e os amigos particulares do homem. Certa vez um negociante de luvas do Tyrol, que parava todos os anos na casa de Kerner, encontrou-se com Adalberto de la Riviera. O bom doutor apresentou-o ao Príncipe como um velho amigo e pediu-lhe autorização para assentá-lo à mesa.

Sua primeira coleção de poesias data de 1817; foi publicada em Carlsruhe com o título de Poesias Românticas. Nelas se nota o bom senso e a clareza, assim no pensamento como na expressão. Dessa forma se distinguia a escola de Suábia, de que ele foi com seu amigo Uhland um dos mais ilustres representantes, das escolas poéticas mais ou menos nebulosas do resto da Alemanha.

Por essa ocasião iniciava-se ele nos estudos psíquicos, e em 1824 publicava em Stuttgart a História de Duas Sonâmbulas, que ainda não pude encontrar.

Não parece que tivesse então grande fé na eficácia do magnetismo, porque declara que em 1826, fora chamado para tratar de uma jovem, Frederica Hauffe; os extraordinários fenômenos de sua doença deram curso a malévolos ruídos e a princípio procurou apenas usar dos processos médicos comuns. Como piorasse o estado da enferma, consentiu que ela fosse morar na sua residência em Weinsberg. Lá, durante três anos, de 25 de novembro de 1826 a 2 de maio de 1829 pôde estudá-la à vontade e reunir os elementos de um livro que produziu a maior sensação na Alemanha, porque em alguns anos se esgotaram cinco edições. Foi traduzido em inglês pela Senhora Crowe e em francês pelo Dr. Dusart.

Os fenômenos relatados tornaram-se naturalmente objeto de violentas polemicas. Disseram que o Dr. Kerner fora vitima de uma simuladora: é esta uma explicação que nunca falta quando não é possível duvidar da boa fé do observador, mas sem valor nenhum quando há, como no caso, testemunhas concordantes de homens notáveis por sua ciência e sua prudência.

Eis como Strauss, o célebre autor da Vida de Jesus, conta uma visita que fez a Kerner:

“Kerner recebeu-me, como é de seu costume, com bondade paterna e não tardou a apresentar-me à visionária que repousava num quarto, no andar térreo. Pouco depois caía ela em sono magnético. Presenciei pela primeira vez o espetáculo desse estado maravilhoso e posso dizê-lo, na sua mais pura e bela manifestação. Era um rosto com expressão sofredora, mas elevado e terno e como inundado por irradiação celeste; tinha uma linguagem pura, mensurada, solene, musical, espécie de recitativo havia uma abundância de sentimentos que transbordava e que se poderia comparar a uma faixa de nuvens, ora luminosas, ora sombrias, deslizando por sobre a alma, ou ainda brisas melancólicas e serenas engolfando-se nas cordas de maravilhosa harpa eólia”.

Por essa aparência sobrenatural, assim como por suas longas palestras com espíritos invisíveis, bem-aventuradas ou infelizes, não havia duvidar que estávamos em presença de verdadeira vidente; tínhamos diante de nós um ser que se comunicava com um mundo superior.

Kerner, entretanto, propôs colocar-me em relação magnética com ela.

Não me lembro, desde que existo. ter tido jamais a semelhante impressão. Persuadido como estava de que, ao tocar minha mão na sua, todo o meu pensamento, toda o meu ser lhe seria franqueado, ainda que houvesse o que lhe ocultar, pareceu-me, quando lhe estendi a destra, que se me retirava uma tâbua de sabre os pés e que ia cair no vazio".

O retrato da vidente que nos foi enviado por Theobaldo Kerner, fìlho do Doutor kerner, nos chama a atenção para a extraordinária semelhança que apresenta com a de Dante, pelo pintor Rafael.

A Senhora Maria Nicthammer, filha de Kerner, escreveu a biografia de seu pai, onde combatia a opinião dos que, nada tendo visto, pretendiam fazer dele um visionário, um melancólico, perdido nas nuvens do misticismo, quando ao contrário ele possuía uma natureza jovial; era bom, mas positivo e afastado, tanto por suas disposições naturais como por seus estudos médicos, da crença em Espíritos.

Kerner era um homem profundamente amável, doce, sonhador. Uns tons melancólicos, bem pronunciados, não excluíam nele certa alegria. O tratamento magnético ao qual foi submetido na mocidade, deixou-lhe uma espécie de super-excitação no cérebro; tornou-se supersticioso, cria nos Espíritos, no maravilhoso. Fizera mesmo pesquisas, nesse terreno e publicou observações ou narrativas, de fortes cores fantásticas. Tais foram às obras intituladas: História de duas sonâmbulas (Karlsruhe, 1824); A Visionária de Prevorst (Stuttgart, 1829, 2 vols.); História de alguns possessos de nossa época, 1834; Fenômenos do domínio noturno da natureza (1836); Da possessão, mal demoníaco magnético (1836).

Os que acreditam - diz ela que meu pai procedeu a experiências nesse terreno, de maneira fantasiada, embalando-se nessa ilusão, a si e aos outros, estão em erro grave. O que ele descreveu foram casos nítidos, observados com limpidez por ele e por homens de qualquer idade ou condição.

Muitas pessoas despidas de crença em geral e principalmente da crença em Espíritos, vieram com a firme decisão de não acreditar em nada, de penetrar a fundo na matéria, e retiraram-se abalados por essa fraca mulher, e forçados a comprovar fatos indiscutíveis; nada conseguiram explicar, apesar de suas frias e refletidas investigações.

A maior parte dos contemporâneos de Kerner não viam com bons olhos sua feição mística; esta será ainda por muito tempo a opinião dominante, segundo o prognóstico do próprio Kerner, nestes versos: "Meu nome será esquecido como poeta. E coma médico também o será. Mas quando se falar de Espíritos pensar-se-á muito tempo em mim e a grita será forte".

Em 1851, grave doença de olhos obrigou-o a demitir-se das funções de médico do governo. O rei de Wurtemberg concedeu-lhe uma pensão de 300 florins e o rei da Baviera uma de quatrocentos.

Três anos depois, a 16 de abril, de 1854, perdia, após curta enfermidade, sua esposa Frederica, a companheira dedicada e inteligente de sua vida durante quarenta anos.

A partir desse momento, Kerner desejou também a morte. Enfraquecendo-se-lhe a vista cada vez mais, fechou-se no quarto, onde continuou a receber os amigos com a mesma cordialidade; seu espírito mantinha-se vive apesar da debilidade do corpo. A 22 de fevereiro de 1862 foi arrebatado pela gripe e enterrado no cemitério de Weinsberg, ao lado da mulher.

Na lápide, conforme seu desejo, havia esta simples inscrição: Frederica Kerner e seu Justinus.

Fontes: Justinus Kerner - A Vidente de Prevost

Fontes: Museu Justinus Kerner

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - A Gênese da Doutrina Espírita (Grupo Espírita Bezerra de Menezes)

 

Biografia de Frederica Hauffe

 

Biografia de Justinus Kerner

 

Justinus Kerner - A Vidente de Prevost