HUMBERTO MARIOTTI

DIALÉTICA E METAPSÍQUICA

 

Traduzido do Espanhol
Humberto Mariotti - Dialéctica y Metapsíquica
Argentina (1929)

 

PREFÁCIO DE
J. HERCULANO PIRES

Sinopse da obra:

Nesta obra o eminente filósofo argentino analisa – e refuta – as concepções do materialismo filosófico e seus conceitos equivocados sobre a filosofia espírita. O autor demonstra que, com base nos experimentos científicos e na argumentação filosófica, a doutrina espírita é a única força capaz de barrar a influência nefasta do materialismo desolador sobre a mente humana.

O objetivo final deste trabalho, conforme as palavras de Mariotti, é “mostrar que o homem é uma entidade espiritual, eterna e indestrutível, chamada a grandes progressos espirituais e cósmicos, mediante a fecunda lei dos renascimentos”.

Com suas palavras, o autor nos convida à meditação e ao estudo, para sermos capazes de fazer com que o Espiritismo cumpra a sua principal missão, que é oferecer ao mundo a solução espiritual do problema social e, conforme as palavras do filósofo Herculano Pires, “elevar a Terra na escala dos mundos, transferindo-a da categoria expiatória para a de Mundo Regenerador”.

Espiritismo dialético:

(Prefácio - Por J. Herculano Pires)

Introdução:

A história do conhecimento é uma seqüência de erros, equívocos e frustrações. Este o motivo pelo qual Sócrates costumava explicar: “Só sei que nada sei, e que a filosofia começa quando começamos a duvidar.” Outra coisa não tem feito o homem, desde as cavernas da era pré-lacustre, do que errar para aprender. A história da civilização não é, portanto, somente a da luta de classes, segundo o materialismo dialético, mas a própria história do erro.

Como, entretanto, do erro, do equívoco, da frustração, nasceram sempre e em todos os tempos o conhecimento e a sabedoria, mais uma vez se comprova, no terreno do pensamento, o processo dialético da natureza, que do pântano arranca os lírios, da larva a borboleta, do pecador o santo, do caos da sociedade capitalista os contornos do socialismo.

Quando Demócrito firmou o princípio atômico da constituição do mundo, cometeu toda uma série de erros, atribuindo à suposta partícula indivisível a diversidade de peso no vácuo, e dotando-a de ganchos para a composição da matéria. Não obstante, havia descoberto, mais de trezentos anos antes de Cristo, o segredo da constituição do mundo, que a física experimental só encontraria vinte e quatro séculos depois.

Ao formular a base dialética da sua filosofia, Hegel unificou o “ser” e o “pensar” de Kant, mas caiu no equívoco da “idéia universal”, espécie de encarnação filosófica do caprichoso deus antropomórfico das religiões. Feuerbach teve a coragem de fazer a filosofia descer do empíreo hegeliano à terra, para ligá-la às ciências naturais, mas caiu na frustração da “antropologia”, novamente separando o “ser” do “pensar” e transformando este último numa simples função da matéria.

Não obstante, apoiados na dialética de Hegel e no materialismo de Feuerbach, Marx e Engels criaram o materialismo dialético, dando novo impulso ao pensamento filosófico, abrindo novas possibilidades à investigação dos processos históricos e sociais, oferecendo base científica às aspirações do socialismo empírico.

Foram os gênios transformadores do século XIX, tornando-se credores de todos os que – e são a humanidade – desfrutam hoje da possibilidade de uma caminhada mais rápida nos rumos da civilização socialista. Stanley Jones, o grande missionário protestante, conhecido como “o cavaleiro do Reino de Deus”, observa, em Cristo e o Comunismo, que Marx impulsiona a história, limpando o templo da praga dos vendilhões, à semelhança do chicote do rabino, que ainda hoje espanta os cristãos comodistas.

Entretanto, a filosofia que Marx e Engels ofereceram ao mundo, como a mais alta expressão do conhecimento, não passa de uma forma híbrida, que se travestiu de síntese. A tese de Hegel e a antítese de Feuerbach não se conjugam na moderna escolástica do materialismo dialético, pois ali estão, sem dúvida, forçadas pela violência gráfica, duas palavras contraditórias e irredutíveis, que não encontram caminho para o desenvolvimento da síntese. O materialismo é a porta fechada, diante da qual se interrompe, abruptamente, o processo dialético de Hegel.

Marx condenou a “incapacidade burguesa” de Proudhon para compreender a lei fundamental da dialética hegeliana, a “unidade dos contrários”, e chamou-o de falsificador, por ter feito a escolha indébita de um dos contrários, a propriedade “boa”, rejeitando dessa maneira a própria dialética. Mas, em compensação – rejubile-se o Espírito de Proudhon! –, ele e Engels não fizeram outra coisa.

A luta dos contrários foi simplesmente frustrada na elaboração da dialética moderna, que se formou pela mesma e indébita escolha de um dos contrários. O materialismo dialético considerou “mau” o princípio espiritual, escolhendo como “bom” apenas o material. Por isso mesmo, não obstante a enorme contribuição que trouxe à marcha do conhecimento, não é mais do que uma tentativa de síntese.

Ver no site as Obras Completas de Herculano Pires

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Jacob Holzmann Netto - Reencarnação) (Jacob Holzmann Netto foi um dos mais sábios e eloquentes oradores que o Espiritismo teve nas plagas brasileiras. Era possuidor de um acervo cultural muito além da média comum e da tribuna articulava a voz como um legítimo deus da oratória. Infeliz e injustamente seu nome não é muito conhecido entre os atuais espíritas, mas o Portal Autores Espíritas Clássico, com muita honra, resgata e fixa seu nome e seu trabalho em nossas páginas, destacando-o na condição de um gigante do verbo Espírita e bandeirante de Kardec nas terras incultas destas paragens tupiniquins do Cruzeiro do Sul.)

O materialismo – e com ele todas as religiões que tiraram o homem do nada (daí serem sempre religiões materialistas) – engendra a morte espiritual da pessoa humana; em compensação o Espiritismo descobre e revela a lei espiritual da vida eterna vencendo a morte.

Por isto disse Allan Kardec: "O Espiritismo matou o materialismo com os fatos. Ainda mesmo que não tivesse produzido outros resultados, a ordem social deveria ser-lhe grata."

Humberto Mariotti "Dialética e Metapsíquica"

"A ciência espírita baseia-se exclusivamente sobre os fatos; para ela a experiência é a fonte única de seus conhecimentos; faz tabula rasa de todos os dogmas religiosos e científicos. Seu método é, conseguintemente, irreprochável desse ponto de vista e, abstração feita dos erros individuais, é um ramo da ciência positiva experimental."

Léon Chevreuil "Os Últimos Espíritas das Terras de Allan Kardec"

"A negação de Deus, como observou Descartes, é tão absurda como pretendermos tirar o Sol do Sistema Solar."

J. Herculano Pires "Agonia das Religiões"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DONWLOAD

 

Humberto Mariotti - Dialética e Metapsíquica PDF

 

Humberto Mariotti - Dialética e Metapsíquica DOC