HUMBERTO MARIOTTI

VICTOR HUGO ESPÍRITA

Víctor Hugo
El Poeta del
Mas Allá

Tradução
Wilson Garcia

Edição Conjunta
EME Editora - Capivari-SP
e
Editora Eldorado Espírita de São Paulo

Palavras do tradutor:

Foi no início de 1982 que tomei contato, pela primeira vez, com o livro de Humberto Mariotti sobre esta personalidade incrível que é Victor Hugo.

Estava eu na casa do escritor Jorge Rizzini, quando ele mostrou-me o exemplar há pouco recebido e editado em Buenos Aires, com a dedicatória do autor.

Bastaram algumas folheadas para que despertasse em mim o desejo de traduzi-lo para o português. Ato contínuo, escrevemos ao Mariotti sobre essa intenção, ao que ele respondeu positivamente.

Três meses após sua resposta, ou seja, a 17 de maio de 1982, Mariotti passou para o mundo dos espíritos, deixando entre nós várias obras nas quais ressalta sua inabalável convicção espírita, aliada a um entusiasmo raro.

A estas explicações devo juntar algumas outras. Em primeiro lugar, uma palavra sobre o título. Em vez de "Victor Hugo, o Poeta do Mais-Além" como seria natural (no original está "Victor Hugo, el Poeta del Más Allá), optamos por "Victor Hugo Espírita" entendendo que o livro retrata a ação do insuperável mestre da literatura francesa após os fenômenos ocorridos na ilha de Jersey, ocasião em que Victor Hugo converteu-se ao Espiritismo.

Como afirma Mariotti, Victor Hugo defendeu até o fim de sua vida os princípios da Doutrina Espírita. E este livro mostra a influência que o Espiritismo teve na produção literária de Victor Hugo, parecendo-me justo, portanto, o título de "Victor Hugo Espírita".

Além do mais, é preciso colocar a posição espírita de Victor Hugo de modo incisivo, porque grande parte dos estudiosos e críticos de suas obras escondem esse aspecto ou torcem o nariz.

Em segundo lugar, devo uma explicação sobre as poesias comentadas por Mariotti no livro.

Pareceu-me mais correto mantê-las na língua espanhola por várias razões: as de Victor Hugo já haviam sido traduzidas do francês pelo poeta espanhol Salvador Sellés e uma terceira tradução iria, com certeza, torná-las mais distantes de sua beleza original.

As demais, comentada e transcritas no livro por Mariotti, são facilmente compreendidas na língua-irmã. Mantendo-as pois na língua em que foram escritas resguardamos também a formosura com que foram concebidas.

Devo, finalmente, agradecer as sugestões de meu amigo, escritor e médium, Jorge Rizzini, através de quem este livro me veio às mãos, e à boa vontade de alguns companheiros, que se colocaram à minha disposição para o trabalho de revisão poética, afinal não utilizado pelas razões acima.

E registrar, como homenagem, a imensa paciência de minha esposa, Suely, que neste como noutros trabalhos, suporta noites e dias minha ausência. E, por compreender meu ideal, apóia-me.

Fique, a partir de agora, o leitor com Victor Hugo neste belíssimo retrato traçado por Humberto Mariotti. E tire dele as lições vivas de idealismo que ele nos oferece. O tempo corre.

São Paulo, 15 de fevereiro de 1989.

Wilson Garcia

Introdução:

Apenas um real e positivo idealismo pode dar vigor e energia à natureza humana. Apenas um ideal que seja capaz de sobrepor-se à dura realidade do dia-a-dia pode ajudar o homem a lutar contra aquilo que está destruindo o verdadeiro sentido da vida. Este ideal está na beleza, na justiça e no bem, mas, principalmente, na poesia que simultaneamente pode vincular o homem tanto ao humano quanto ao transcendente.

O homem como Idéia poderá olhar de frente e com segurança o mundo material e o mistério do universo; mas, considerado como um reflexo dos fenômenos físicos, o homem será um ser sem liberdade e sujeito ao mecanismo do meio em que está situado. Porém, a vontade humana será real apenas mediante a autoliberdade do ser.

O Ideal é como o vapor que pode movimentar um grande volume de ferro, razão pela qual o homem não será o verdadeiro motor da história enquanto for considerado como um reflexo do meio em que vive. O homem, a moral e a sociedade serão realidades criadoras apenas quando a vontade puder gerar sua própria liberdade sobre a base de um ideal inspirado na verdade.

Se o homem não for uma idéia soberana e criadora será um ser sem dignidade. Será apenas um mecanismo que aciona as causas dos reflexos circundantes e uma conseqüência das forças físicas sem nenhuma teleologia moral ou espiritual. A verdade e a justiça não são anuladas por ser o homem uma Idéia.

 O verdadeiro homem progressista é o que se sustenta pela força da Idéia e, por isso mesmo, pelo Espírito. Os que são capazes de forjar o bem para humanidade são os que vivem iluminados pela luz que emana de sua própria inteligência. São os que vivem sustentados pelo Ideal porque se sentem idéia que se sobrepõem as influências opressoras dos fenômenos físicos.

Victor Hugo foi um exemplo do que dissemos. Sua natureza poética não surgiu em seu Ser pelos reflexos do meio ambiente de sua época. Ao contrario, seu Ser foi poético, idealista e amante da justiça porque esses valores morais estavam em seu espírito e não fora dele. Não se chega a escrever um poema somente com os reflexos materiais que influem sobre a inteligência. Um poema se escreve quando o espírito possui as condições indispensáveis para dar curso a esse fenômeno poético.

A verdade e a justiça não estarão no homem pela ação reflexa do meio; tais valores éticos surgirão da Idéia que determina o ser espiritual e social do homem. Surgem da consciência, que é onde Victor Hugo falou a Deus e, logo, ao Espírito. O autor de Os Miseráveis foi uma vida que lutou pela Idéia apesar dos mais variados obstáculos sociais que atingiram sua sensibilidade. Mas não foi um homem que amarrou seu ideal ao mundo exclusivo da matéria. Sua inteligência penetrou no Mais Além não apenas para ver uma nova imagem das coisas objetivas, mas para descobrir a essência da vida imortal do Espírito.

Victor Hugo sabia que somente se constrói um mundo - novo e melhor se as asas do pensamento não são atropeladas pelas garras da vulgaridade e da indiferença. Por isso é necessário o Ideal, é indispensável a Fé e urge conhecer o sentido da vida, posto que sem uma teleologia espiritual o ser e a existência se apresentam como dois enigmas que desembocam num abismo. Victor Hugo não se rendeu à morte e o nada. Afirmou pela poesia a vida do Espírito e da Idéia e lutou como um gigante para mostrar ao homem a essência divina e imortal que se esconde em sua carne perecível.

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Jacob Holzman Neto - Evolução) (Jacob Holzmann Netto foi um dos mais sábios e eloquentes oradores que o Espiritismo teve nas plagas brasileiras. Era possuidor de um acervo cultural muito além da média comum e da tribuna articulava a voz como um legítimo deus da oratória. Infeliz e injustamente seu nome não é muito conhecido entre os atuais espíritas, mas o Canal Espírita Jorge Hessen, com muita honra, resgata e fixa seu nome e seu trabalho em nossas páginas, destacando-o na condição de um gigante do verbo Espírita e bandeirante de Kardec nas terras incultas destas paragens tupiniquins do Cruzeiro do Sul.)

"O Espiritismo é o acontecimento mais notável do século XIX"

Victor Hugo "Escritor Francês"

Em primeiro lugar, uma palavra sobre o título. Em vez de "Victor Hugo, o Poeta do Mais-Além" como seria natural (no original está "Victor Hugo, el Poeta del Más Allá), optamos por "Victor Hugo Espírita" entendendo que o livro retrata a ação do insuperável mestre da literatura francesa após os fenômenos ocorridos na ilha de Jersey, ocasião em que Victor Hugo converteu-se ao Espiritismo.

Como afirma Mariotti, Victor Hugo defendeu até o fim de sua vida os princípios da Doutrina Espírita. E este livro mostra a influência que o Espiritismo teve na produção literária de Victor Hugo, parecendo-me justo, portanto, o título de "Victor Hugo Espírita". Além do mais, é preciso colocar a posição espírita de Victor Hugo de modo incisivo, porque grande parte dos estudiosos e críticos de suas obras escondem esse aspecto ou torcem o nariz.

Wilson Garcia "Tradutor da obra"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLAOD

 

Humberto Mariotti - Victor Hugo Espírita PDF

 

Humberto Mariotti - Victor Hugo, el Poeta del Más Allá (1955) (Esp)