Pedro de Camargo Vinícius

"Vinícius"

EM TORNO DO MESTRE

 

(CAPÍTULOS RESUMIDOS DA OBRA)

 

 

Por meio de 135 mensagens, o objetivo do autor é tornar o Evangelho acessível a qualquer pessoa. Sua narrativa fundamenta-se na razão e no sentimento, auxiliando o leitor a caminhar na direção da luz e do bem. É um livro para a cabeceira da cama, para reunião do Evangelho no lar ou ainda para ser utilizado nas exposições Doutrinárias.
Trechos da obra:

Religião e Higiene

A Religião (não nos referimos às seitas religiosas) e a Higiene guardam entre si relações muito íntimas. Exercem funções idênticas, visto como o objetivo visado pela Religião é o mesmo colimado pela Higiene: prevenir. A missão de ambas consiste em evitar as enfermidades que podem afetar o homem considerado em seu duplo aspecto, físico e moral.

A Religião é a higiene da alma. A Higiene é a religião do corpo.

Na ignorância desta verdade científico religiosa, a maioria dos crentes só se lembram da Religião quando se vêem sob o jugo angustioso da dor. Depois de haverem gerado e mantido a causa, pretendem que a Religião anule os efeitos. Esquecem-se de que a Religião não destrói a lei, assim como a Higiene não ressuscita os mortos.

O caráter da Religião, como o da Higiene, é essencialmente profilático. Religião e Higiene instruem, ensinando os meios de possuirmos e conservarmos a saúde do corpo e do Espírito, sem o que não pode existir alegria de viver.

Todas as regras de moral, prescritas pela Religião, são preceitos de Higiene, e todas as prescrições higiênicas são, a seu turno, mandamentos religiosos.

A verdade, em medicina, está na Higiene. De outra sorte, "a enfermidade é herança do pecado", disse o único Médico que curava as doenças da Humanidade.

Procurar a saúde nas pílulas e a felicidade presente ou futura nos rituais, importa num erro científico-religioso e numa superstição.

Mente sana, in corpore sano.

Trechos da obra:

O ensino religioso

O ensino religioso não pode fugir à regra natural que rege qualquer espécie de ensino ou aprendizagem de qualquer arte ou oficio.

A religião há de tornar o homem bom e justo como a medicina o torna médico e o habilita a curar enfermidades; como a engenharia o torna engenheiro, e, portanto, capaz de construir um aterro, uma ponte ou um edifício; como a pintura ou a escultura o torna artista capaz de manejar o pincel ou o buril, modelando o mármore ou colorindo a tela.

A religião há de apurar os sentimentos e formar o caráter do indivíduo como a ginástica desenvolve os músculos, fortalece o físico, tornando o homem resistente, capaz de suportar, sem abalos, as grandes oscilações atmosféricas.

A religião que não consegue este resultado, não é religião. O sal insípido, que nem tempera, nem conserva, não é sal, embora tenha as aparências deste. Ser, não é parecer. O que parece, pode ser, e pode também não ser.

Ora, a religião que não é em realidade uma força viva, transformando continuamente o homem para melhor, não é religião, é apenas um simulacro.

Trechos da obra:

A psicose da época

Que é a verdade? Tal foi a pergunta que Pilatos fez a Jesus, e à qual o Senhor não deu resposta.

Quanta sabedoria nesse silêncio! Realmente, que se deve responder a quem formula semelhante pergunta? O indivíduo que a faz, lavra a sentença de sua falência mental. De fato, não pode haver  maior atestado de insânia do que perder a noção da verdade.

Os psiquiatras empregam vários meios práticos para diagnosticar os casos de alienação. Não sei se eles se servem deste também. Se eu fosse profissional da especialidade, seria aquele o processo que de preferência usaria para aquilatar dó estado mental dos meus clientes.

Não obstante, o estado atual deste século é precisamente aquele em que outrora se encontrava Pilatos. Os homens perderam a noção da verdade. Tantas vezes a menosprezaram, tantas vezes abafaram seu surto na esfera da razão, que acabaram por ignorar o que ela seja. Já não sabem discernir entre a luz e as trevas, o bem e o mal, a verdade e a impostura.

A razão humana acha-se obliterada como conseqüência natural do esforço que o homem vem empregando em fazê-la funcionar às avessas. As faculdades psíquicas, como os órgãos físicos, são suscetíveis de enfermar. A razão do século está seriamente enferma. Os motivos que determinaram esse estado patológico, são os mesmos que ocasionaram a perturbação de Pilatos quando indagou de Jesus: Que é a verdade? Porque este homem se sentiu incapaz de perceber a verdade?

Exatamente porque se habituou a sobrepor à verdade os seus interesses, as conveniências da posição que ocupava. Viveu sempre constrangendo a razão, abafando a voz da consciência e a luz que estas faculdades, no exercício de suas funções normais, procuravam fazer em seu Espírito.

Sucede com a razão o mesmo que acontece com qualquer órgão do nosso corpo cuja função natural fosse contrariada sistematicamente. Tal órgão acabará, certamente, degenerando-se.

Assim têm feito os homens. Na expansão desbragada do egoísmo, a cujo império se acham submetidos, acabaram desnaturando a razão. Com isso, perderam a noção da verdade. Perdendo a noção da verdade, perderam consequentemente a noção da justiça, a noção do dever, a noção da liberdade.

A vida do século não tem mais senso. Tudo está invertido. Todas as coisas são feitas ao contrário do que deveriam ser. Não há naturalidade, não há realidade na vida social: o mundo está mergulhado nas trevas e no caos!

Como sair de tão precária situação? Como vencer semelhante anomalia? Como sarar tão grave psicose? Escutando e meditando a palavra do Redentor, do Filho de Deus, do grande Mestre, do Médico que sara as chagas do corpo e da alma: "Só a verdade vos libertará. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos." (Mateus, 5:6.)

Trechos da obra:

O mordomo infiel

"Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como esbanjador de seus bens. Chamou-o e perguntou-lhe: Que é isto que ouço dizer de ti? dá conta da tua mordomia; pois já não podes mais ser meu mordomo. Disse o administrador consigo: Que hei de fazer, já que meu amo me tira a administração? Não tenho forças para cavar, de mendigar tenho vergonha.

Eu sei o que hei de fazer para que, quando for despedido do meu emprego, me recebam em suas casas. Tendo chamado cada um dos devedores do seu amo, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu amo? Respondeu ele: Cem cados de azeite. Disse-lhe, então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinqüenta.

Depois perguntou a outro: E tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta, e escreve oitenta. E o amo louvou o administrador iníquo, por haver procedido sabiamente; porque os filhos deste mundo são mais sábios para com sua geração do que os filhos da luz.

E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da iniqüidade, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.

Se, pois, não fostes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer a um e amar o outro, ou há de unir-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon." (Lucas, 16:1 a 13.)

Personagens da Parábola:

O amo ou proprietário: Deus.

O mordomo infiel: o homem.

Os devedores beneficiados: Nosso próximo.

A propriedade agrícola: O mundo em que habitamos.

Moralidade: o homem é mordomo infiel porque se apodera dos bens que lhe são confiados para administrar, como se tais bens constituíssem propriedade sua. Acumula esses bens, visando exclusivamente a proveitos pessoais; restringe sua expansão, assenhoreia-se da terra cuja capacidade produtiva delimita e compromete.

Enfim, todo o seu modo de agir com relação à propriedade, que lhe foi confiada para administrar, é no sentido de monopolizá-la, segregá-la em benefício próprio, menosprezando assim os legítimos direitos do proprietário.

Diante de tal irregularidade, o senhorio se vê na contingência de demiti-lo. Essa exoneração do cargo verifica-se com a morte. Todo Espírito que deixa a Terra é mordomo demitido. A parábola figura um, cuja prudência louva.

E' aquele que, sabendo das intenções do amo a seu respeito e reconhecendo que nada lhe era dado alegar em sua defesa, procura, com os bens alheios ainda em seu poder, prevenir o futuro. E como faz? Granjeia amigos com a riqueza da iniqüidade, isto é, lança mão dos bens acumulados, que representam a riqueza do amo sob sua guarda, e, com ela, beneficia a várias pessoas, cuja amizade, de tal forma, consegue conquistar.

E o amo (Deus) louva a ação do mordomo (homem) que assim procede, pois esses a quem ele aqui na Terra beneficiara serão aqueles que futuramente o receberão nos tabernáculos eternos (paramos celestiais, espaço, céu, etc).

O grande ensinamento desta importante parábola está no seguinte: Toda riqueza é iníqua. Não há nenhuma legítima no terreno das temporalidades. Riquezas legítimas ou verdadeiras são unicamente as de ordem intelectual e moral: o saber e a virtude.

Não assiste ao homem o direito de monopolizar a terra, nem de açambarcar os bens temporais que dela derivam. Seu direito não vai além do usufruto. Como, porém, todos os homens são egoístas e querem monopolizar os bens terrenos em proveito exclusivo, o Mestre aconselha com muita justeza que, ao menos, façam como o mordomo infiel: granjeiem amigos com esses bens dos quais ilegalmente se apossaram.

A parábola vertente contém, em suma, uma transcendente lição de sociologia, encerrando um libelo contra a avareza e belíssima apologia da liberalidade e do altruísmo, virtudes cardeais do Cristianismo.

Obedecem ao mesmo critério, acima exposto, estes outros dizeres da parábola: Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito. Se, pois, não fostes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? Não podeis servir a dois senhores: a Deus e às riquezas.

E' claro que a riqueza considerada como sendo o pouco, como sendo a iníqua e a alheia, é aquela que consiste nos bens temporais; e a riqueza reputada como sendo o muito, como sendo o fruto da justiça e que constitui legítima propriedade nossa, é aquela representada pelo saber, pela virtude, pelos predicados de caráter, numa palavra, pela evolução conquistada pelo Espírito no decurso das existências que se sucedem na eternidade da vida.

A terra não constitui propriedade de ninguém: é patrimônio comum. E, como a terra, qualquer outra espécie de bens, visto como toda a riqueza é produto da mesma terra. Ao homem é dado desfrutá-la na proporção estrita das suas legítimas necessidades. Tudo que daí passa ou excede é uma apropriação indébita.

Não se acumula ar, luz e calor para atender aos reclamos do organismo. O homem serve-se naturalmente daqueles elementos, sem as egoísticas preocupações de entesourar.

O testemunho eloqüente e insofismável dos fatos demonstra que o solo, quanto mais dividido e retalhado, mais prosperidade, mais riqueza e paz assegura aos povos e às nações.

"Radix omnium malorum est avaritia."

Fontes: Canal Espírita Jorge (Vinicius - Em Torno do Mestre - Felicidade)

Fontes: A Luz na Mente - Revista on line de Artigos Espíritas (Jesus foi com toda pujança o mestre por excelência)

Fontes: Temário da Obra Kardequiana (Allan Kardec de A a Z)

"Sob sua mágica influência raia a luz no seio das trevas, irrompe a liberdade no reino da opressão, vence o altruísmo o império do egoísmo."

Pedro de Camargo Vinícius "Na Escola do Mestre"

"Jesus curava o corpo, visando a redimir o Espírito. Daí seu contentamento, verificando que, ao menos num, dentre os dez leprosos beneficiados, havia atingido o alvo visado em sua missão.
E' bom que todos os doentes do corpo saibam disto, a fim de se não iludirem buscando a saúde da matéria e relegando a do Espírito. São as enfermidades deste que o médico das almas, de preferência, veio curar."

Pedro de Camargo Vinícius "Em Torno do Mestre"
 

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